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Este é o Som do YouVensore, das manhãs 360. Nos próximos minutos damos notas aos principais protagonistas da atualidade e para isso hoje Carla Junta Sanosi, José Manuel Fernandes, Alexandra Machado. E já não há YouVensore sem presidenciais, mas hoje vamos também à mais recente iniciativa do PAN, aos números da criminalidade em Lisboa, sendo que começamos pelo Bloco de Esquerda. Alexandra, o partido está reunido nas jornadas parlamentares, escolhes dar nota a Mariana Mortágua?
Uma má nota.
Uma má nota.
Vou já avançando. Eu sei, é o Vencedora.
É o Vencedora, estamos bem.
Mariana Mortágua falou publicamente pela primeira vez, pelo menos. Sabemos que tinha enviado uma carta aos militantes, mas de viva voz foi a primeira vez que falou ontem à margem dessas jornadas parlamentares sobre questões laborais. Para dizer, a meu ver, muito pouco e vamos por partes. Já agora, falou uma semana depois da notícia da "Sábado" sobre os despedimentos de mulheres que tinham sido mães ou que estavam ainda a amamentar. Ontem, Mariana Mortágua vestiu a sua pele de humildade para assumir que "somos humanos no Bloco", estou a citar, "e às vezes erramos como toda a gente. O problema é que o Bloco não tolera isso nos outros e ninguém pode errar." No melhor pano cai a nódoa. A primeira reação do Bloco, ainda por cima, foi já aqui referida várias vezes, acho que até pelo Bruno, foi ameaçar com cachos à ER que ainda ontem Catarina Martins também voltou a pôr a tónica na "a 'Sábado' mentiu". A "Sábado" não mentiu. A notícia poderia não estar toda correta, mas na essência há aqui correção nas informações e daí o Bloco também estar a fazer estes fracos esclarecimentos. Mariana Mortágua ontem também disse acreditar que o Bloco não vai ser penalizado pelo eleitorado, porque as pessoas conhecem o partido. Eu não estou tão certa disso. Acho que verdadeiramente este foi um caso capital para o partido, até porque cai sempre nos temas bandeira do Bloco. Já com Ricardo Robles caiu no tema da habitação, do alojamento local, agora cai nas questões laborais. São temas que o Bloco transporta como bandeiras e depois, em casa, tem comportamentos diferentes. Já o disse, levou ao despedimento de pessoas ou à saída do partido de mulheres que tinham sido mães há pouco tempo e que estavam a alimentar. E a questão não fica, a meu ver, totalmente sanada com este mea-culpa e com esta assunção de erro, porque não é só um caso de comunicação, da forma como o despedimento foi comunicado às trabalhadoras. Eu acho que há muito mais por trás, nomeadamente o cumprimento de procedimentos legais. Pode não ter havido neste caso. Claramente, há uma questão que se tem falado menos, que é a adoção da contratação através da figura de comissão de serviço, que era o que estas trabalhadoras teriam, uma comissão de serviço, que é um contrato de trabalho diferente de um trabalhador por conta de outrem. E há claramente uma discriminação. Pode ter havido uma discriminação precisamente por as trabalhadoras terem sido mães e não terem uma disponibilidade 100% para com o partido.
Uma delas refere isso de alguma maneira.
Uma delas refere exatamente isso.
Não está disponível até às altas horas para responder.
Exatamente.
Faz um trabalho de turnos.
Uma delas refere exatamente essa discriminação das mulheres com filhos versus pessoas que ficaram lá porque ou são homens ou não têm filhos e, portanto, têm outra disponibilidade de horário. Essas pessoas também têm direito a ter os seus limites de horários, como o Bloco defende.
Como o Bloco tem chamado a atenção.
E é esse o ponto, é que o Bloco tem várias medidas. Ainda por cima apresenta-se como o grande defensor dos trabalhadores. No programa eleitoral tinha várias medidas que dizem tudo. Eu agora vou citar algumas muito rapidamente: combater a facilitação dos despedimentos, impedir despedimentos, exceto por justa causa, em empresas com resultados positivos no ano anterior. O Bloco houve um ano que teve prejuízos, já sabemos, mas em todos os outros teve resultados positivos. Alargar os direitos de parentalidade, a licença inicial do pai, aumento da licença partilhada, redução do horário nos primeiros três anos de vida da criança. O Bloco defende tudo isto para todos os trabalhadores, aparentemente não defende para os seus. E ainda no início deste ano, o Bloco tinha proposto um travão a despedimentos às tais empresas com lucros e com apoios públicos. Sabemos que os partidos o que têm mais é subvenções públicas.
O dinheiro é dos contribuintes.
Exatamente. Não sei se o Bloco defende que fique sem a subvenção pública por causa disto.
Tu referiste e ontem eu ouvi também a Catarina Martins na SIC Notícias a dizer: "Não, o Bloco é contra despedimentos quando há lucros". Eu não sei quantas pessoas é que o Bloco despediu em 2023, mas o Bloco teve lucros de 34 mil euros. Ainda não conhecemos as contas de 2024, que ainda não estão publicadas.
É verdade, teve prejuízos em 2022.
300 mil euros.
Aparentemente, foi um ano extraordinário, porque depois os resultados transitados são elevados, mais de 2 milhões, portanto, teve lucros muitos anos.
E pode usar os lucros de um ano para fazer face.
Mesmo em 22.
Até por uma questão moral.
O Bloco fecha as contas, fecha o ano com 800 mil euros em caixa.
Aqui a questão é o Bloco pôr-se em bicos de pés moralmente, sempre que fala destas questões.
Sempre que fala nestas coisas, é esse o ponto.
E depois, claro, isso vira-se contra o partido.
E ainda agora no Parlamento, é curioso que está a haver a discussão sobre o aumento das licenças de parentalidade, a propósito de uma proposta de petição pública, e está a haver esta discussão e a Ministra do Trabalho, quando foi ouvida a determinada altura sobre o assunto, tinha colocado mesmo o dedo na ferida e disse frente a frente ao Bloco, é uma questão do José Soeiro, que esse alargamento da licença parentalidade Poderia ser contraproducente, porque há trabalhadoras despedidas quando se tornam mães. Não sei se ela sabia ou não.
Se calhar não existia.
Mas disse-o a José Soares do Bloco de Esquerda. Portanto, de facto, há aqui questões sobre o aumento da licença de parentalidade e de direitos que têm que ser consagrados e que o Bloco defende uma coisa e faz outra. É o típico caso. E neste caso, enfim, já muito foi dito sobre esta história do Bloco. Não basta, a meu ver, assumir e fazer o mea-culpa. É bom que faça o mea-culpa, é bom que peça as desculpas, mas há muito mais que tem que ser investigado e espero que a ACT, a Autoridade para as Condições do Trabalho, também olhe para o caso. Não sabemos se está a olhar ou não, porque não fala em casos específicos a ACT, mas também é bom que estas coisas sejam olhadas de outros pontos de vista e, já agora, saber se o Bloco defende que deveria ficar sem as subvenções públicas por ter feito despedimentos.
Já disseste que já tinhas anunciado que a nota ia ser negativa. Quanto é que vais dar?
Eu vou dar cinco, que são o número de trabalhadoras despedidas, pelo menos neste caso.
Neste caso aqui conhecido. Um cinco para Mariana Mortágua. Um outro partido, José Manuel, tem aqui uma iniciativa que quer proibir a exploração de animais a quem pede esmolas na rua. Falamos do PAN. O que te parece esta iniciativa?
Olha, Carla, acho que o PAN devia olhar mais para as pessoas e menos para estes temas. Todos vemos, às vezes, de facto, pedintes com animais. O PAN diz que tem muitas queixas.
Certamente dos próprios animais.
Pois, os próprios animais devem se queixar imenso. Há uma coisa que eu sei, até porque já houve um caso em que lidei e até depois adotei o animal dessa pessoa em situação difícil, que muitas vezes o animal é a única coisa que estas pessoas têm. E o Bloco diz: "Se for um sem-abrigo e o sem-abrigo for o único companheiro, então não vamos apreender o animal." Repara, não se pode apreender animais praticamente em circunstâncias nenhumas, de acordo com a perspetiva do PAN. Mas neste caso, é preciso que as autoridades percebam se aquela pessoa, se aquele pedinte tem ou não tem abrigo. Se for um sem-abrigo, pode ficar com o animal e eventualmente continuar a pedir na rua com ele ao lado. Isto não faz naturalmente muito sentido. Eu admito que essas circunstâncias possam ser degradantes. Agora, isto também é um sinal dos tempos e um sinal das sociedades em que vivemos. Parece que vivemos numa sociedade onde com muita facilidade, se virmos alguém a ser assaltado na rua, olhamos para o outro lado para não ter chatices. Mas se virmos uma gaivota com uma asa partida que não tem salvação possível, obrigamos a GNR a ir lá buscá-la. Eu não faço isso, mas sei, porque já contactei com pessoas que me contaram, que isso é muito frequente. A GNR tem uma brigada ambiental, que muitas vezes perde o tempo a fazer este tipo de recolhas, que depois entrega isso a uns postos de recuperação, onde não vai acontecer nada, porque infelizmente não há volta a dar nestas circunstâncias. E eu sei também por experiência própria, coisas que se passaram comigo, que é mais fácil, por exemplo, se alguém estiver a derrubar uma árvore, apanhar com uma denúncia na GNR, do que se alguém for visto a roubar o plasticão, telefonar-se para a GNR. Não é só o PAN que está com as prioridades e os valores virados do avesso. Acho que às vezes nós também estamos um pouquinho. Estou a falar em termos coletivos, em termos de sociedade, em termos de prioridades, em termos de preocupações, até das pessoas, com a cabeça um pouco virada do avesso. O Bloco fala de umas centenas de queixas que tem.
As pessoas veem uma pessoa pedinte com o animal e a queixa é sobre o animal estar ali. Não se indignam com o facto daquela pessoa estar ali a pedir. E não fazem queixa à ação social ou às autoridades ou à câmara.
O facto, porventura, ter também ali um saco, que é a única coisa que tem com um monte de jornais ou um monte de recicláveis.
Mas atenção, há redes, de facto, de mendicidade e que usam animais. Aliás, isso há pouco tempo numa reportagem na TVI, creio, ou na RTP, isso foi mostrado. Existem essas redes e que usam os animais e a Polícia Municipal intervém até para resgatar os animais nessas situações.
Mas não é preciso uma lei para isto.
Claro, aí é uma questão de definição de prioridades.
É uma questão de prioridades. Para isto não é preciso leis, nós não precisamos de mais leis. Nós precisamos de que as autoridades, quando veem situações que são claramente irregulares, intervenham. E muitas vezes a intervenção em situações destas não exige uma lei especial. Pronto, é o PAN. E portanto, para este tipo de ideias e para este tipo de prioridades, quero saber uma nota.
Acompanho o cinco da Alexandra, para notas boas.
Vamos ver se a média sobe. Por enquanto está ao nível a que nos habituamos. Vamos, Paulo, vamos para as presidenciais. Partido Socialista, é sobre isso que queres falar?
Claro, e cá está a Constança em todo o seu esplendor. António Vitorino, de facto, volta a ser, e neste momento até provavelmente mais do que em qualquer eleição presidencial anterior, a única tábua de salvação do PS neste momento.
Até agora não foi utilizada.
Não foi até agora. E já agora, por que a Constança? Porque muita gente não se lembrará, sobretudo os mais novos, há muitos anos. António Vitorino teve uma passagem governativa muito fugaz. Ele é daqueles senadores da República, socialista.
Reserva moral.
Uma reserva moral, mas a passagem pelo governo foi rápida, de alguma maneira rápida. Se não erro, o José Manuel vai ter isto claro também, vocês também, foi ministro da Justiça do António Guterres.
Da Defesa.
Da Defesa. E depois saiu por causa de uma polémica no Independente.
De um episódio, nem foi no Independente, foi no Público.
Foi no Público.
Foi um artigo numa casa em Almodôvar, uma coisa que era relativamente irrelevante, mas ele foi-se logo embora.
Saiu logo e depois foi comissário europeu e desde então tornou-se daquelas figuras quase sebastiânicas no PS que há de voltar um dia para um cargo, ser cabeça de lista ou ser candidato a um cargo nacional. E assim é para todas as eleições. Para a presidência do partido, ao secretário-geral do partido, para eleições presidenciais, para ser cabeça de lista aqui ou ali. Portanto, o Vitorino está sempre na primeira linha e ele já deu várias vezes por saber, já terá dado para esse território. Mas agora volta a ser, de facto, o nome que o PS quer, e desta vez com muito fervor, para ser candidato apoiado pelo PS.
Uma parte do PS.
Por uma parte do PS e contra, obviamente, António José Seguro. Isso ontem ficou claro.
Outra parte do PS.
Que é a outra parte do PS, exatamente. Mas talvez Vitorino tenha mais capacidade para agregar o PS do que António José Seguro, independentemente das qualidades de cada um e independentemente também da capacidade de um e de outro para vencerem as eleições, que eu não sei, sinceramente, se António Vitorino é conhecido pelas gerações mais novas. Portanto, haverá pessoas até aos 35 anos que nunca o terão visto exercer cargos por cá, nem o conseguirão identificar com facilidade. E ontem isso ficou claríssimo na entrevista que Carlos César deu à CNN Portugal. Já há uma data marcada e tudo, 8 de fevereiro, para reunir a Comissão Nacional, onde será tomada uma decisão sobre presidenciais.
Ou seja, pode ser tomada antes de os candidatos avançarem.
É isso. Não se sabe se vai ser tomada com base nos supostos candidatos aos almoços de Pedro Nuno Santos, ou então se vai ser aprovado um perfil, seja ele qual for, que de alguma forma indique uma pessoa. Imagina que o perfil é o seguinte: deve ser um militante socialista que já tenha desempenhado cargos no partido e que não tenha mais de 1,65 m. Pronto, aí percebe-se qual é o body shaming. É verdade, porque António Vitorino é assim como eu, mais baixote, e António José Seguro.
Eu própria costumo brincar com a altura.
Com isso. E portanto eu queria aqui dar uma nota positiva em cima António Vitorino, o desejado, em cima desta vez, até porque de facto pode ser a solução menos má, digamos, para unir um PS que já se percebeu com presidenciais e com este tema da imigração, está mais dividido do que o PSD se calhar nos seus piores tempos.
Portanto, a nota vai para António Vitorino. Quantos?
António Vitorino, o desejado. Dou-lhe um 16.
Um 16.
Não sei se isto também vai servir de pressão dia 8. Tipo: "Olha, nós já temos a reunião marcada, agora até lá vais ter que apresentar ou dizer qualquer coisa."
Quando o Público também diz que o Marques Mendes deve anunciar a candidatura em fevereiro. Vamos ver se começa a apertar aqui a data. Bruno, hoje há números sobre a criminalidade em Lisboa diferentes das perceções.
Sim, divulgados pelo DN. São números ainda provisórios da PSP, força que regista mais de 95% dos crimes no Conselho de Lisboa e que aponta para uma redução de 12,6% da criminalidade geral e de 10,4% a menos da criminalidade grave e violenta. Eu não sou contra as perceções. Toda a gente tem direito às suas perceções. Não têm é direito aos dados. Esses não dependem das perceções. Mas as perceções têm valor e eu não retiro esse valor. Eu, por exemplo, aqui há uns anos, a andar de metro, sobretudo aqui na linha verde, fiquei com a impressão, com a perceção, de que havia, para simplificar, mais pessoas oriundas da Índia, e sobretudo homens. Mas isto é uma perceção, eu não posso tornar essa perceção num facto.
Não é uma estatística.
Não é uma estatística. A andar no metro, fiquei com essa perceção, da mesma forma que uns anos antes comecei a ter, eu e provavelmente muitas pessoas que trabalham na cidade de Lisboa, que havia mais turistas. Que se via mais turistas, mas isso são perceções. Depois temos de verificar se os dados confirmam ou não essas perceções. E num caso e noutro, os dados confirmam que havia mais imigrantes oriundos daquela região e havia também um número muito maior de turistas. Os números do turismo aumentaram bastante.
E o metro nesse dia não avariou e tu ficaste com a sensação que corria tudo bem.
Ora aí está. E pode ser ao contrário, mas a perceção de insegurança pode depender, por exemplo, de na minha rua não haver luz, não haver iluminação pública. Isso pode contribuir para a minha sensação de insegurança. Não quer dizer que haja mais crimes, mas eu sinto-me mais inseguro, porque não há luz na minha rua.
E se mais pessoas te dizem que há mais crimes, também podes ficar com a perceção de que há mais crimes.
Ou que foram assaltados, podem ter sido os meus amigos que tiveram o azar de ser assaltados. Mas o Carlos Moedas disse há pouco tempo: as pessoas na política em geral não têm noção do que está acontecendo na cidade. Há uma preocupação genuína, porque hoje há crimes mais violentos na cidade e as pessoas estão preocupadas. A criminalidade violenta, de acordo com estes dados Diminuiu, o que também não significa que os crimes praticados não sejam mais violentos. Tínhamos que entrar aqui numa questão de grau, de escala da violência. Mas olhando para estes números, de facto, a criminalidade em geral e a criminalidade violenta em particular, registam uma diminuição. E isto vai ao encontro do que disse o superintendente da PSP aqui há pouco tempo, há um mês e meio, que quando comparou os primeiros 10 meses de 2023 e 2024, também se registava esta diminuição da criminalidade, que era geral, que era violenta, e que ele próprio disse na altura: "Os dados estatísticos sobre a criminalidade registada não correspondem ao sentimento de insegurança difundido nas redes sociais e em certos setores da opinião pública." E quem o disse não foi um político, foi um dos responsáveis da PSP. Portanto, nós quando falamos em percepções, temos de respeitar a questão das percepções. Existem muitos motivos para as pessoas se sentirem mais ou menos seguras, pode não depender dos dados, mas temos depois de olhar para os dados. E os dados mostram que não há um agravamento, não há um aumento da criminalidade. Pelo menos o ano passado não houve. E temos que ter cuidado quando nos baseamos mais em percepções do que em dados.
A nota.
A nota vai para a segurança, neste caso é no Conselho de Lisboa, continua a ser um conselho, uma cidade segura. Não significa que não existam crimes graves praticados, mas não há um aumento extraordinário da criminalidade em Lisboa e para essa segurança em geral na cidade e no conselho, eu vou dar uma nota positiva, um 16.
Um 16 também aqui no Yvens Story. Até amanhã.