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E abrimos mais uma edição especial de "E o Vencedor É". Na semana passada estivemos a distribuir presentes pelos protagonistas da atualidade. Esta semana vamos levá-los ao exame final com o Paulo Ferreira, Miguel Santos Carrapatoso, Carlos Diogo Santos, Sara Antunes de Oliveira, Pedro Jorge Castro, Miguel Pinheiro e o José Manuel Fernandes. A moderação é do Diogo Teixeira Pereira.
Bem-vindos todos a esta edição especial de "E o Vencedor É". Estiveram a dar notas aos protagonistas da atualidade e nós fizemos uma média e descobrimos que Marcelo Rebelo de Sousa tem a segunda média mais baixa deste ranking. Já vamos olhar também para as mais altas, mas proponho que comecemos por falar de Marcelo Rebelo de Sousa, que tem uma média de 6,3, e também de António Costa, que está mais ou menos a meio da tabela, com uma média de 10,5. António Costa, o primeiro-ministro, a conseguir uma nota positiva no final deste ano. Vamos começar por falar destes dois protagonistas. Sara Antunes de Oliveira, o presidente da República tem uma média muito baixa e tu és uma das grandes responsáveis por isso.
Sim, eu dei-lhe zero. Haverá, com certeza, coisas neste ano de Marcelo Rebelo de Sousa bem feitas, como num mandato do Presidente da República. Na minha opinião, depois do que vimos da postura de Marcelo Rebelo de Sousa em relação aos abusos sexuais na Igreja, eu não consigo dar-lhe uma nota que seja maior do que zero. Acho que é daqueles momentos definidores num mandato e eu não consigo ultrapassar. Não é só, e já não seria pouco, as declarações sobre os números dos abusos sexuais reportados à Comissão Independente, que está a investigar os abusos sexuais na Igreja. É tudo o que ficou por trás, a defesa de alguns cardeais, como Dom Policarpo, ou então o fato ter ligado a D. José Ornelas para lhe comunicar que tinha enviado uma queixa ao Ministério Público. Até contraria o meu espírito cristão, mas o perdão é devido quando há arrependimento. Eu não acho que Marcelo Rebelo de Sousa se arrependa dessa postura. É verdade que pediu desculpa pela questão dos números, mas pediu desculpa mais ou menos, caso alguém tivesse ficado incomodado ou tivesse levado aquilo a mal ou ofendido. Isso não é bem pedir desculpa e portanto, quem não pede desculpa também não tem direito a perdão. Acho que é imperdoável, é inultrapassável para mim, marca para sempre o mandato de Marcelo Rebelo de Sousa.
Muito rapidamente, em 10 segundos, ficas surpreendida com a nota geral de António Costa, um 10,5, está a meio da tabela depois de um ano particularmente difícil para o governo.
Eu antecipo que seja muito como eu pensei também, que é, por um lado, isto não lhe está a correr nada bem. Por outro, se nós olharmos numa lógica Frank Underwood, a habilidade política de António Costa, de facto, é extraordinária, com as devidas distâncias, como é evidente, com esse personagem. E eu acho que isso, para quem gosta de política, deve ser admirável. Só tenho pena que seja com o nosso primeiro-ministro.
Pedro Jorge Castro, és tu que dás a Marcelo Rebelo de Sousa a nota mais alta, um 10. Por quê?
Olha, porque primeiro dei aqui uma série de notas mais baixas. Depois cheguei ao fim da lista, estava tudo com negativas tão baixas, eu pensei: "Isto não pode ser." E a minha tentação foi, apesar de tudo, moderar um bocadinho este ímpeto que a Sara teve, ao contrário, se calhar.
Peço desculpa.
Tu sim fizeste isto com espírito cristão.
Mas eu tenho que compensar nas outras.
Sim. Mas então, Marcelo sim, teve muitos momentos muito influentes neste ano, que não lhe correram nada bem, sobretudo na postura naquilo que é a sua principal missão como chefe de Estado, em relação ao papel fiscalizador do governo, às intervenções que ele tem, portanto, levar o governo ao colo. Isto não lhe correu tudo bem, ele não antecipou como é que iria correr este primeiro ano da maioria absoluta. E de facto, António Costa, era difícil ter tido um primeiro ano de uma maioria absoluta tão desastrado. O ano não é como começa, é como acaba, e é inacreditável ter tido um governo com tantas demissões, com tantos casos, tantos pequenos escândalos. Sucede que alguém tem que tomar conta disto. E estamos aqui com um problema que é de alternativas, ou seja, não quero ser injusto com Montenegro, tem muito pouco tempo ainda no cargo, mas o principal bloqueio que levou à maioria absoluta de Costa persiste. E esse bloqueio, vou lhe chamar bloqueio, que é a votação no CHEGA e o medo do CHEGA. Vai continuar a haver muita gente com medo do CHEGA e, portanto, provavelmente, se repetíssemos as eleições agora, como mostram as sondagens, o PS continuaria a ganhar e não haveria nenhuma alternativa. Aliás, esse é o argumento invocado esta sexta-feira mesmo por Marcelo Rebelo de Sousa. É um dos argumentos para não dissolver o Parlamento, que é não se vê nenhuma alternativa à vista. Montenegro não teve muito tempo ainda, é verdade, pode ainda mudar muita coisa, mas não está a conseguir mostrar essa alternativa.
Já vamos olhar também para a nota de Montenegro. Para já, proponho que passemos ao José Manuel Fernandes, que neste quadro que tenho aqui à minha frente com as notas de todos, é o único que dá uma nota negativa a António Costa, dá um oito. José Manuel Fernandes, por quê?
Dou um oito porque acho que António Costa teve mérito na maioria absoluta, mas não todo o mérito, porque como o Pedro aliás estava aqui a dizer, boa parte desse mérito é muitas pessoas terem ido votar com medo do CHEGA e com medo de sondagens que estavam enganadas. As sondagens, como todos nos recordamos, nenhuma previa a maioria absoluta. Algumas até previam a possibilidade de o Partido Socialista perder as eleições, e isso levou muitos eleitores não habituais do Partido Socialista a votar nele. E depois, beneficiou de um conjunto de fatores para chegar a uma maioria absoluta com uma votação abaixo do limiar habitual, que se colocava nos 43%, e ele ficou abaixo desse limiar.
A seguir, quem tem uma maioria absoluta tem obrigações e deixou de ter o argumento da deslingonça. Teve muito tempo pra pensar no seu governo, porque entretanto houve um atraso inexplicável, ou dificilmente explicável ou entendível, na publicação dos resultados eleitorais. Toda mundo sabe que houve todo aquele intervalo por causa dos votos dos imigrantes e acabou por formar um governo que foi uma desilusão e que tem se comprovado ser um problema.
E Marcelo Rebelo de Sousa?
Marcelo Rebelo de Sousa. Bem, eu tenho que ser exigente com Marcelo Rebelo de Sousa, não lhe vou dar apenas a nota pela história-
Apesar de tudo, não foste quem deu a nota mais baixa a Marcelo Rebelo de Sousa, deste um sete
...eu fiquei quase na média. Ele teve seis, seis, seis.
A tua nota está acima da média, que é 6,3.
6,3, mas nem a aproximação foi, se fosse 6,5 tinha a aproximação. Mas eu acho que Marcelo Rebelo de Sousa tinha a obrigação de, num ano destes, em que já não estava tão condicionado e tão preso ao governo como esteve durante os anos da pandemia, já estava no seu segundo mandato, já tinha a obrigação de estar solto, de ter sido mais exigente e não andar apenas a ver o que o povo diz pra ver se ele está a seguir o vento na direção certa, como parece que ele continuou a fazer. Agora, apanhou um susto em Murça, não sei se vai fazer alguma correção de rota.
Mudar de rota. Paulo Ferreira, na tua opinião, e tendo em conta as notas que atribuíste, Marcelo Rebelo de Sousa teve um ano francamente pior do que António Costa. Deste um seis a Marcelo Rebelo de Sousa, um 10 a António Costa.
É verdade, e posso explicar rapidamente. Marcelo Rebelo de Sousa tem, apesar, contra ele, obviamente, aquilo que a Sara já disse, no fundo, o posicionamento do presidente em relação às suspeitas de abusos sexuais na igreja. A participação do presidente nisso é uma nódoa daquelas grandes e carregadas que não vão sair sempre, por mais que ele lave. Tirando isso, na ação mais política, se quiserem, eu acho que Marcelo se tornou, ultimamente, parte do problema do país pela falta de exigência, por ser cúmplice da inação do governo, não só agora como nos últimos anos também. Tem sido muito brando também na reação aos vários casos que vão existindo, tirando talvez este último da Secretária de Estado do Tesouro, com a demissão dela e de Pedro Nuno Santos. E daí uma nota negativa. Espera-se muito mais de um presidente da República, espera-se, pelo menos, que ele não seja parte do problema, e Marcelo é. António Costa, eu resumo este 10 de António Costa de uma forma muito fácil. Primeiro, há aqui uma média, vamos imaginar um 16 e depois um quatro. A soma dá 20, a média dá 10. Em janeiro, teve uma maioria absoluta, e esse é mérito essencialmente dele, e leva um 16. Chegamos a dezembro, e é isto que nós estamos a ver por estes últimos dias do ano. E aí leva um quatro. Portanto, o ano de António Costa foi muito irregular. É como aqueles alunos que começam muito bem e os professores entusiasmam-se, mas depois vão caindo ao longo do ano até lançarem a dúvida sobre se de fato eles cumprem os mínimos. E António Costa não tem cumprido.
Não tem cumprido nos últimos tempos. Miguel Santos Carrapatooso, como é que com 11 demissões se consegue chegar a um 13 pra António Costa? A tua nota é a mais alta.
Pois, eu segui mais ou menos o mesmo raciocínio que o Paulo Ferreira. Não nos podemos esquecer que o ano começa com uma maioria absoluta que ninguém antecipava e que é um feito histórico em política. Quer dizer, temos que nos recordar que António Costa começa muito fragilizado, perdeu umas eleições, conseguiu formar governo, conseguiu levar a legislatura até o fim, conseguiu ser reeleito, já com uma votação mais expressiva, e depois quando toda mundo apostava que era desta que António Costa caía pelo desgaste de anos de governação, consegue uma maioria absoluta, que não era fácil de antecipar. E, portanto, por isso, por essa façanha, António Costa merece, pelo menos no meu entender, esta votação. O pior é o que vem a seguir, é o que fazer com esta maioria absoluta. E como já foi dito aqui, deixou de haver desculpas e António Costa, a partir do momento em que deixou de haver desculpas, passou a somar erros atrás de erros, sem que haja outro culpado que não o próprio. Eu acho que ainda falta muito tempo. António Costa tem margem para inverter o rumo. Não sei se tem energia, não sei se tem ambição, não sei se tem criatividade, não sei se tem uma mensagem para o país.
E qual é que é o papel do Presidente da República em tudo isto que merece um quatro, na tua opinião?
Pois, além de subscrever tudo aquilo que a Sara disse sobre a questão dos abusos na Igreja, eu dei esse quatro também pela forma como Marcelo tem gerido a sua relação com António Costa. É preciso não esquecer que esta maioria absoluta de António Costa nasce no preciso dia em que Marcelo Rebelo de Sousa disse que se o orçamento fosse chumbado, haveria eleições antecipadas. António Costa chamou-lhe um figo, fez toda uma campanha a dramatizar e a dizer que vinha aí o diabo da direita e da extrema-direita, e os eleitores, naturalmente, ou melhor, naturalmente não, com toda a legitimidade, decidiram dar-lhe a maioria absoluta. Portanto, isto tudo começa com Marcelo Rebelo de Sousa, que sofre de uma incontinência verbal incorrigível e que isso tem refletido ou tem marcado os dois seus mandatos, o primeiro mandato presidencial e esta segunda metade, em que tem se revelado incapaz de escrutinar, incapaz de fiscalizar, tem posições absolutamente ambíguas, recua, avança. Isso é um enorme sinal.
Fraqueza.
Não diria fraqueza, mas é um enorme contributo pra instabilidade.
Pra instabilidade política.
E, portanto, só mesmo para terminar.
Muito rápido.
Acho que o tempo deu razão a Pedro Passos Coelho quando se referiu a Marcelo Rebelo de Sousa como catavento de opiniões erráticas.
Catavento midiático.
Catavento midiático de opiniões erráticas. Eu acho que é só catavento, mas não vamos insistir. Acho que o tempo deu razão a Pedro Passos Coelho. Marcelo não consegue ter um rumo e uma linha evidente, e isso
Acaba por ser um salvo-conduto para António Costa.
Estamos a olhar para as notas que os nossos avaliadores deram ao presidente da República e ao primeiro-ministro. Carlos Diogo Santos deu notas muito próximas a Marcelo e a António Costa, mas com uma diferença: Marcelo Rebelo de Sousa está na negativa, António Costa na positiva. Um 9 para Marcelo, um 10 para António Costa.
Sim, Marcelo Rebelo de Sousa, como já foi dito aqui, tem pecado pela pouca intervenção, mas também isso não é novidade. Nós já conhecemos o estilo do presidente. Claro que muitos esperavam que com uma maioria absoluta, e passada a pandemia, Marcelo Rebelo de Sousa assumisse um outro estilo, mas isso não aconteceu e sinceramente, a mim também não me causa grande espanto que Marcelo se mantenha como sempre foi. E de facto, as notas que dei, um 9 a Marcelo e um 10 a António Costa, justificam-se com o facto de Marcelo ter tido todo aquele comportamento com as questões dos abusos na Igreja, que não me deixaram dar-lhe um 10, porque senão seria essa a nota de Marcelo Rebelo de Sousa, mas dizer que não é particularmente elevado, 424 denúncias que chegaram à comissão é de facto imperdoável e portanto não poderá sair com uma nota positiva. E o primeiro-ministro, porque apesar de também manter muito daquilo que foi num primeiro mandato e mantém não só a parte positiva como também um governo com várias fragilidades, casos e também alguma arrogância, o que é certo é que conseguiu a maioria absoluta e os portugueses quiseram-no como ele é.
Isso ajuda a puxar a nota pra cima.
Exatamente.
Miguel Pinheiro, um 10 para António Costa, um 7 para Marcelo Rebelo de Sousa. Por quê?
O 10 para António Costa, não vou repetir, subscrevo aqui as razões que deram, de que falaram aqui também pra darem notas semelhantes. Marcelo Rebelo de Sousa dou-lhe um 7 porque ele não está a cumprir as suas funções, não está a cumprir as suas obrigações. Uma das razões pelas quais nós temos, neste momento, um primeiro-ministro inchado da sua própria importância e a achar que pode fazer qualquer coisa impunemente, é porque Marcelo Rebelo de Sousa não o escrutinou, não cumpriu as suas funções. Vamos olhar só pra última remodelação. Agora vem outra, vamos olhar pra última. Se vocês bem se lembram, Marcelo Rebelo de Sousa tinha tanta pressa em aprovar os nomes que até fez a aprovação em dois momentos. Lançou dois comunicados a dizer que tinha aceito os nomes do primeiro-ministro. Um presidente da República não tem que aceitar todos os nomes. Nós já tivemos presidentes da República, Jorge Sampaio, por exemplo, que não aceitou algumas pastas dadas a certos ministros, disse que não. Não aceitou algumas pastas dadas a certos secretários de Estado, recusou, disse: "Não, senhor, essa pessoa não pode ter essa pasta de secretário de Estado." Então o primeiro-ministro, a Constituição dá-lhe o poder de intervir e de dizer não a várias coisas, inclusivamente a escolhas de governantes. Portanto, Marcelo Rebelo de Sousa também tem que escrutinar as escolhas que são feitas por António Costa. Marcelo Rebelo de Sousa podia ter dito: "Miguel Alves, não." Mas não.
E não fez.
Não, disse que sim a tudo. Há sempre alguém que diz sim. É o que resume este ano. E esse alguém é Marcelo Rebelo de Sousa.
Olhando pra nossa tabela, no primeiro lugar, com uma média de 12,5, encontramos Alexandra Leitão, talvez uma surpresa. Pedro Jorge Castro, o que te apraz dizer esta média de Alexandra Leitão?
Transformou-se na líder da oposição. Alexandra Leitão tem dito as coisas certas.
Terrível.
Exatamente. Sendo do partido do governo, do Partido Socialista, sendo ex-ministra, tendo trabalhado muito próximo de António Costa, continuando no partido.
Já percebemos porque que António Costa não a quis no governo. Aqueles conselhos disso deviam ser um horror pra ele.
Mas olha, não lhe correram as coisas melhor no governo a ele desde que ela saiu e a ela estão lhe a correr bem, pelo menos deste ponto de vista, do reconhecimento que acho que merece. Ou seja, não vamos pensar que é fácil fazer aquilo, porque uma coisa é estarmos aqui nós a fazer algumas críticas, outra coisa é ser membro do partido e ter conseguido ter esta independência de chamar a atenção pras coisas certas com assertividade. Ela tem-no feito, portanto eu acho que merece.
O teu 14, tu deste um 14, de resto não foi a nota mais alta, o Rui Pedro Antunes deu um 15 a Alexandra Leitão, mas ele não está aqui conosco, portanto não lhe vamos perguntar por quê, mas creio que as razões podem ser semelhantes às tuas.
Não ponhas coisas na boca do Rui Pedro, Alexandre.
Ele há de vir defender-se, certamente. Vamos olhar pra João Cotrim Figueiredo, Pedro, que tem um 10, muito rapidamente.
Sim, muito rapidamente. Cotrim Figueiredo começou o ano também em alta com o resultado eleitoral, conseguiu um bom resultado pra Iniciativa Liberal e depois teve falta de instinto político, não percebeu aquilo que estava a acontecer com a maioria absoluta de António Costa, que estava em desagregação, ou seja, convenceu-se que isto ia agora durar quatro anos e portanto era a altura ideal pra promover novas eleições internas dentro da Iniciativa Liberal. Nem sequer foi pra isso, provavelmente, que a maior parte das pessoas, nem foi a contar com isso que a maior parte das pessoas votou na Iniciativa Liberal. Acho que foi um erro, como se vê, que neste momento tá o governo a passar por esta crise e a Iniciativa Liberal tá entretida a discutir a sua liderança interna.
É um 10,5 a média de João Cotrim Figueiredo. O Miguel Pinheiro deu-lhe um 5.
Sim, acho uma absoluta irresponsabilidade o que João Cotrim de Figueiredo fez ao demitir-se da liderança. As pessoas tinham acabado de dar o voto na Iniciativa Liberal com um projeto que
Foi personificado por ele. A Iniciativa Liberal gosta muito de dizer que o que conta são as ideias, não são as pessoas. Estão enganados. As pessoas contam muito e de repente as pessoas deitam-se um dia quando acabaram de votar na Iniciativa Liberal e acordam sem saber que Iniciativa Liberal é que vão ter durante os quatro anos seguintes. Além de tudo mais, a forma como o Cotrim de Figueiredo se demitiu condicionou toda a forma como está a ser feita a reeleição. Acho que esta campanha interna não está a correr nada bem à Iniciativa Liberal. Só se está a falar e só estão a ficar na memória das pessoas as coisas negativas e as lutas internas. E eu temo pelo futuro do partido.
João Gomes Cravinho surge no fim da nossa tabela com uma média de 5,5. O Carlos Diogo Santos deu-lhe um sete. É uma nota demasiado baixa esta geral de João Gomes Cravinho?
Não é baixa, se calhar eu é que fui bastante generoso. Parece-me que João Gomes Cravinho tem tido um comportamento enquanto ministro muito diferente e um estilo muito diferente do seu antecessor. O Mai tem falado sobre tudo e mais alguma coisa com alguma ligeireza e mesmo quando é preciso explicar coisas sérias sobre a sua atuação, tem preferido a superficialidade. Neste momento, João Gomes Cravinho tem vivido o fantasma da Operação Tempestade Perfeita, que agora acabou por sair um pouco do espaço mediático, mas esta operação investiga suspeitas de corrupção na adaptação do Hospital Militar para receber doentes COVID. E uma das coisas que fica por se perceber é como é que nomeia Alberto Coelho, que é ex-diretor-geral dos Recursos da Defesa e principal arguido para gerir uma empresa pública depois do afastamento da defesa. Isto numa altura em que já havia informação suficiente para se duvidar da idoneidade. Mas há aqui um outro conjunto de frases e intervenções de João Gomes Cravinho que são difíceis de entender. Por exemplo, quando houve a queda do míssil na Polónia, ainda sem haver confirmação, o ministro veio falar a dizer que se confirmassem as notícias, que ainda não tinha conhecimento, mas que se confirmassem, representavam uma irresponsabilidade por parte de Putin e que não ficaria sem resposta. Portanto, totalmente ainda sem informações, já a ameaçar uma resposta. Quando foi a visita do Zelensky, João Gomes Cravinho também se apressou a dizer que esta visita de Zelensky aos Estados Unidos não mudaria nada na guerra, seria apenas uma deslocação de cortesia e mais simbólica. Portanto, acho que João Gomes Cravinho tem tido um estilo muito ligeiro, com intervenções que deveriam ser mais pensadas, sobretudo tendo em conta a importância do ministério que tutela.
O Paulo Ferreira dá um seis ao ministro da Defesa. Por quê, Paulo?
Pelas razões que o Carlos acaba de indicar. A questão do Hospital de Belém, a nomeação de Alberto Coelho, quando já havia indícios suficientes de que Alberto Coelho não seria a pessoa mais idônea, mais indicada para assumir a liderança de uma empresa pública na área da defesa. E eu junto a João Gomes Cravinho no mesmo saco Pedro Nuno Santos, aliás, dou a ambos as notas mais baixas, seis a um, quatro ao outro, porque eu acho que os dois personificam muito o desrespeito absoluto pelos dinheiros públicos, pelo dinheiro dos contribuintes. João Gomes Cravinho por causa do caso Hospital de Belém, Pedro Nuno Santos eu dispenso de apresentar mais dados depois dos acontecimentos dos últimos dias.
João Gomes Cravinho está lançado para ser o novo Eduardo Cabrita. Pode continuar.
Pedro Nuno Santos que teve um 7,1. João Gomes Cravinho teve um 5,5, o ministro dos Negócios Estrangeiros, era da Defesa no anterior governo. A nota mais baixa a João Gomes Cravinho foi dada pelo Miguel Pinheiro, foi um três. Seguimos a olhar para a nossa tabela com o Miguel Santos Carrapatoso, que escolheu destacar Luís Montenegro, que está nos lugares mais altos com 10,8.
Sim, eu acho que Luís Montenegro teve o mérito de agarrar muito bem o partido. Teve o mérito de construir uma equipa muito sólida, de se rodear dos melhores quadros do PSD, coisa que Rui Rio preferiu sempre nunca fazer. Rui Rio era ele e os seus e funcionava em circuito fechado. E Luís Montenegro teve esse mérito. E teve também o mérito de se tornar um líder da oposição mais assertivo, mais combativo, de perceber melhor os tempos da comunicação, de alguma forma aparecer sempre a pressionar o governo. E não só, acho que Luís Montenegro também teve o mérito, e justiça lhe seja feita, de tentar dominar a agenda política. Apresentou propostas concretas, quer na Festa do Pontal, quando já se percebia que vinha aí uma crise inflacionista, quer agora mais recentemente também na discussão do Orçamento do Estado.
Mas achas que teve sucesso nisso? Passou para as pessoas.
Eu já lá vou.
Tem que ser rápido.
Muito rapidamente. E acho que Luís Montenegro teve pelo menos a iniciativa. O que acho que falta, e é por isso que a nota não é tão grande, é que não basta a líderes da oposição medidas avulsas. Ainda não foi possível perceber que estratégia tem Luís Montenegro para o país, que visão tem, que alternativa oferece aos eleitores. E isso é o grande calcanhar daquilo de Luís Montenegro, porque as medidas avulsas existem, são de louvar, mas falta saber O que o PSD quer para o país de tão diferente do PS?
Quem tem uma nota também elevada é Rui Tavares, consegue uma média de 12,1. Sara Antunes Oliveira, escolheste falar sobre Rui Tavares, por quê?
Porque acho que mostrou, desde que foi eleito, que um deputado único não existe no Parlamento só para fazer barulho. Grande parte das propostas de alteração ao orçamento do Estado que foram aprovadas são do LIVRE. E Rui Tavares foi eleito com um mandato, tem propostas para aprovar, tem conseguido fazê-lo, independentemente do teor das propostas, não é isso que está aqui em causa. Mas na verdade, é crítico do governo quando tem de ser crítico do governo, tem as propostas que prometeu aos eleitores que o puseram como deputado único e não está ali só para fazer barulho. Nós estamos, se calhar, mal habituados em relação aos deputados únicos.
Deste um 14 a Rui Tavares. José Manuel Fernandes, qual é o teu destaque deste ano?
Bem, eu fui a única pessoa que deu uma nota positiva a André Ventura, mas não quero ficar mal visto por causa disso. Portanto, tenho que justificar.
Vamos abandonar o debate.
André Ventura tem 8,1 no geral, deste um 12.
Eu dei um 12. Dei um 12 basicamente porque André Ventura tem conseguido sozinho-
Eu também dei, Zé Manuel, também dei uma nota positiva. Fui agora confirmar os meus apontamentos.
Deu um 10.
Também deste um 10, mas eu dei a nota mais alta. E isto não tem a ver com nenhuma apreciação positiva das propostas de André Ventura, tem a ver com uma apreciação positiva da capacidade de comunicação de André Ventura, que com um partido que é unipessoal, tem conseguido manter como terceira força política nacional, pelo menos nas sondagens, e que não acontecesse aquilo que muitos esperavam que acontecesse, que era as guerras desfazerem o grupo parlamentar, as guerras desfazerem a implantação autárquica do partido, que começou a desfazer-se ao princípio, mas depois parou. Não sei se o partido vai aguentar ser unipessoal durante muito mais tempo. Houve forças políticas noutros países que aguentaram ser unipessoais durante décadas, mas isto tudo tem algum mérito, independentemente de nós podermos estar muito em desacordo com a maior parte das coisas que ele propõe. Nem sempre aquilo que ele diz, porque ele às vezes é também, do ponto de vista daquilo que diz, oportuno e certeiro. Bem, rapidamente o comentário, ele também foi comentador político.
André Ventura que está com 8,1, é a média. O José Manuel deu um 12, o Carlos Diogo Santos deu a nota mais baixa, foi um cinco. Obrigado a todos. Bom ano novo.
Bom ano.
Bom ano novo.
Bom ano.