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Este é o Som do Juventude. Nos próximos minutos damos notas de 0 a 20 aos principais protagonistas da atualidade. E para isso, Carla, hoje estão conosco a Helena Matos, o Pedro Jorge Castro e também o Miguel Santos Carrapatoso. E hoje temos carnaval, temos transporte de doentes, mas também as constantes discussões políticas, algumas na televisão, muitas a envolver mais uma vez o tema da Justiça, sendo que Miguel Santos Carrapatoso, hoje as atenções também se voltam para o Palácio de Belém, depois de ontem Marcelo Rebelo de Sousa ter dito que não fala sobre Justiça, sobre casos que estão a ocorrer. Hoje há um encontro importante com o representante da República da Madeira.

Sim, mas eu queria começar precisamente pelo silêncio a que se submeteu Marcelo Rebelo de Sousa. O presidente da República habituou-nos sempre a falar muito e muitas vezes a dizer coisas muito pouco apropriadas. Mas quando a coisa aperta, de facto, Marcelo tem esta tendência de dar à sola. Não consigo compreender como é que o presidente da República, nesta altura, depois de tudo que está a acontecer na Justiça e também na política, claro, não seja capaz de fazer uma intervenção em que diga se está preocupado, se não está, se merece uma reflexão, se não merece. Esta ideia de se escudar na campanha eleitoral e dizer ou sugerir que está de alguma forma limitado no seu poder de influência, a mim parece-me uma desculpa de mau pagador. Acho que Marcelo Rebelo de Sousa tem medo de se comprometer com uma posição. Aliás, não é o único. Temos visto os líderes de PSD e PS, sobretudo eles, muito pouco confortáveis a falar sobre Justiça. Mas Marcelo Rebelo de Sousa tem, ou deveria ter, responsabilidades maiores. E dizer que vai falar no dia 21 de março, a propósito de um debate sobre os 50 anos do 25 de abril, não lembra o careca, uma expressão que o próprio celebrizou. Acho que se exigia muito mais a Marcelo Rebelo de Sousa e vamos ver o que fará sobre a Madeira.

Mas nota que ele disse, bom dia, daqui Helena Matos, que ia falar em abstrato. Em abstrato. Duas vezes, em abstrato.

Para falar em abstrato, até podia falar já, não é? Mas também é um ideial.

Se ele fala é porque fala, se não fala é porque não fala, tu também. És de decidir, não é? Coitado.

Eu não gosto, mas é minha opinião pessoal, admito que possam discordar, de ter um presidente da República que faz flash interview em jogos de futebol. Gostava de ter um presidente da República que falasse sobre o estado da Justiça, mas se calhar sou eu que sou um excêntrico.

Miguel, deixa-me então fazer uma pausa na tua intervenção para ouvirmos o José Manuel Fernandes. Ferro Rodrigues quando pede ao presidente da República para falar sobre o assunto está a ser tão excêntrico quanto o Miguel Santos Carrapatoso, ou é de facto um apelo importante?

Olha, eu vou te ler aqui uma coisa que é o seguinte: é uma citação. Espera, desculpa que isto está no sítio errado. Aqui há uns tempos. Não. "Em termos de democracia, um PGR ser demitido com processo que não teve o êxito que o Ministério Público pretendia é extremamente grave, é abrir o flanco à politização da Justiça." Esta frase tem quase 20 anos. Foi dita por Sousa Moura, procurador geral da República em 2004, por causa do processo Casa Pia e em resposta a pressões de quem? De Ferro Rodrigues. Ferro Rodrigues, aliás, passado uns meses, acabaria por fazer uma coisa inédita. Eu não consigo descobrir qual foi a sequência disto, já não me lembrava. Tentou afastar mesmo Sousa Moura. Ele já não era secretário-geral do Partido Socialista, mas pediu ao Supremo Tribunal de Justiça para afastar o procurador-geral de qualquer intervenção nos casos em que ele pudesse aparecer. Não sei se o Supremo Tribunal deu seguimento a este pedido, mas porque é que eu estou a recordar isto? Porque a forma como Ferro Rodrigues tem comentado os temas da Justiça, a meu ver, estão sempre muito marcadas, estão sempre inquinadas, para ser franco, por causa do que se passou no caso Casa Pia. E no que se passou no caso Casa Pia, houve muita coisa que não correu bem. Eu faço um balanço bastante negativo da atuação de muitos dos intervenientes naquele caso, juízes, procuradores, políticos, jornalistas. E portanto, é difícil. Mas é bom ter essa memória, a memória de como quando alguns problemas nos tocam à porta, às vezes os políticos perdem o sangue frio. E portanto, eu acho que hoje, a esta distância, e depois do que se passou nessa altura, Ferro Rodrigues voltar a falar da demissão de um procurador-geral, era melhor ser mais contido. Pode-se fazer críticas. Eu não estou muito de acordo com o Miguel sobre, neste caso, o presidente da República. Acho que isto é demasiado delicado para o presidente da República fazer declarações, mesmo em abstrato, que seriam suscetíveis. E aliás, sabe-se que não é a sua maior especialidade, declarações em abstrato. Sobretudo pressão de improviso. Já para não falar de uma saída de um teatro qualquer.

Já para não falar da forma como tantos dirigentes socialistas estão a falar disto, obviamente usando como pretexto o caso da Madeira

Como linha de mira, o caso da operação Influência de António Costa. Isto é preparar caminho para isso.

E as coisas são diferentes.

Ana Catarina Mendes é presidente socialista, Miguel.

Claro que é.

E Ferro Rodrigues não é.

Certo. Ferro Rodrigues tem um histórico.

Ferro Rodrigues está na fase em que pode dizer o que quiser.

Ele sempre achou que estava nessa fase.

Não, mas neste momento não tem funções.

Não, mas eu acho que a gente lhe dá atenção por quê? Porque ele foi secretário-geral do Partido Socialista, porque ele foi presidente da Assembleia da República, também foi ministro e outras coisas. É por isso que lhe damos atenção. As pessoas podem dizer o que querem, mas convém não acharem que são qualquer cidadão, que andam aí nas redes sociais a dizer o que lhes apetece. E desse ponto de vista, eu acho que uma coisa é dizer que a procuradora tem que se explicar, que a procuradora tem que vir a terreiro, que a procuradora tem que falar sobre o fato de o Ministério Público ser uma estrutura hierarquizada e aparentemente isso não estar a perceber. Agora, começar a pedir ao presidente da República a demissão do procurador ou coisas parecidas é um salto no vazio.

Não, estas declarações de Ferro são absolutamente incendiárias. Faz lembrar políticos de outro coordinate político a falar sobre este assunto. A dizer sobre a contaminação de campanha eleitoral, melhor. Já que o Marcelo convoca o Conselho de Estado por tantos motivos, por que não por causa da situação da Justiça? A falar na mediocridade do Ministério Público. Isto é inacreditável. O que ele esperaria de Marcelo Rebelo de Sousa neste momento? Que toda a gente ficaria contente, o país ficaria melhor e a justiça ficaria melhor se Marcelo viesse apelar à demissão da Procuradora-Geral da República? Era este o desfecho? Pelo amor de Deus, isto é inqualificável.

Já agora, sobre a intervenção de políticos no ativo ou que estiveram no ativo até há pouco tempo, neste caso ou neste tipo de casos, neste assunto, se quiserem, eu pergunto: mas o que eles fizeram durante 20 ou 30 anos? Tiveram encargos partidários ou governamentais em que a chamada reforma da Justiça, as regras com que a investigação criminal são feitas, a prestação de contas do Ministério Público, não ponho em causa, de facto, a autonomia e a liberdade, como é evidente. Mas tudo isso são definições do poder político, legislativo, a Assembleia da República ou o governo. Andaram distraídos durante 20 ou 30 anos e agora só se lembram do assunto quando são eles, de alguma forma, ou os partidos ou os políticos que, no fundo, são, vou pôr aqui umas aspas, as vítimas ou da morosidade da Justiça ou de eventuais avaliações erradas do Ministério Público. Parece-me muito estranho.

E por maioria de razão, Ferro Rodrigues, que fez aquelas declarações que o José Manuel Fernandes fez há 20 anos, que foi tão impactado, obviamente, por questões relacionadas com a Justiça, também não contribuiu muito para promover precisamente esse debate. Até 20 anos depois, continua a ter uma postura similar, em vez de ter procurado, dentro de todo o poder e influência que teve, levar a uma reflexão madura sobre aquilo que deve ser mudado. E atenção que isto não tem nada a ver, obviamente, tenho quase certeza que ninguém à volta desta mesa acha aceitável que estejam pessoas tidas 21 dias, acha aceitável este espetáculo todo condenatório antes de saberem mais coisas. Mas uma coisa é aquilo que deve ser mudado na Justiça, outra coisa é como deve ser, quando deve ser, como é que isso deve ser discutido e o que os políticos devem fazer, sobretudo num período destes tão tenso em relação a isso.

Então vamos dar a primeira nota aqui desta ronda, José Manuel, é pra Ferro Rodrigues, claro.

É pra Ferro Rodrigues e eu acho que Ferro Rodrigues tem que pôr gelo nos pulsos, como se costuma dizer, e portanto vou lhe dar um quatro. Eu não gosto de dar quatro na sexta-feira, mas hoje tem que ser.

Fica aqui forçado a dar um quatro. Miguel, falavas sobre as declarações de ontem à noite de Marcelo Rebelo de Sousa ou as não declarações, é por aí que vai a tua nota?

Um inconseguimento.

Um inconseguimento. Citando outra ex-presidente da Assembleia da República.

Vou dar um 10, que é como eu vesti de preto, e fico aqui à espera dia 21 de março. E vocês também, porque estão muito confortáveis com isso e portanto ficamos todos à espera de 21 de março.

O 10 também é pra vocês, já percebi, é aqui pra o resto do painel. Fica o 10, à espera das declarações em abstrato sobre a Justiça. Já quanto aos debates televisivos, Pedro, ontem só houve um, mas hoje já vamos ter aqui mais um encontro particularmente esperado.

Ainda vem um fim de semana quente.

Ainda vem o fim de semana quente.

Ainda vem muita coisa, até ao de segunda-feira, que será o decisivo. Sim, o de ontem foi ótimo, foi um grande momento de televisão, foi mesmo rijo, ao contrário do dia anterior, entre Paulo Raimundo e Rui Rocha, o de ontem foi um debate a sério. Tivemos uma Mariana Mortágua muito próxima da melhor versão das comissões de inquérito, que se calhar é a melhor memória que a maior parte das pessoas terão dela. E um Rui Rocha a crescer, a ganhar confiança, ainda longe do que era o Cotrim de Figueiredo, seu antecessor, mas a surpreender também por isso. Os debates também se fazem de um ajustamento de expectativas. O resultado de um debate muitas vezes tem a ver com a forma como os líderes se comportam em confronto com as expectativas que haveria sobre eles e nesse sentido, aliás, até o debate de segunda-feira entre Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos pode ser perigoso, porque neste momento há a expectativa de Pedro Nuno Santos ter entrado muito mal nos debates e que Luís Montenegro tem estado ligeiramente melhor. Isso coloca um peso maior sobre o Luís Montenegro, maior ainda do que aquele que já havia, tendo em conta todas as obrigações que tem de mostrar, incompetência e outros erros da governação socialista ao longo deste tempo. Deixe-me dizer que hoje há um debate que eu acho que vai ser muito importante, que é este debate entre Pedro Nuno Santos e Mariana Mortágua, porque está aqui em causa a discussão do voto útil à esquerda, se isso vai ser importante ou não. Eu creio que muita gente, muitos votantes desta área ficaram muito desenganos quando acordaram com uma maioria absoluta do Partido Socialista nas últimas eleições, cederam à pressão do voto útil pra evitar o Chega e depois, afinal, também não era nada daquilo que queriam, a quantidade de pessoas que nós vimos a dizer isso mesmo nas redes sociais no dia seguinte ilustra isso. E neste momento, na verdade, essa pressão do Chega parece, apesar da votação estar a aumentar, mas com o tal não é não a ganhar força, parece reduzir-se a importância de votar PS pra isso e na verdade dilui-se quase a votação entre qualquer um dos parceiros à esquerda contribuiria para afastar a direita do poder e portanto sendo indiferente, por que estar a ceder num voto no PS se lhes apetecesse votar antes na Mariana Mortágua, no Bloco de Esquerda?

Aliás, sobre esse tema, Pedro, e houve uma coisa que eu notei nos debates de Pedro Nuno Santos e de Mariana Mortágua Com André Ventura, foi que tanto PS neste momento como o Bloco de Esquerda já são eles próprios a assumir que não vai haver acordo à direita, porque esse foi um argumento que eles utilizaram contra Ventura.

É um endorsement.

Ninguém se quer sentar ao seu lado. Nem o partido ou a coligação liderada à direita quer fazer nada consigo. Isto foi dito por Pedro Nuno Santos. Eu acho que o argumento chega a AD e a ameaça que a esquerda fazia: "Eles cuidado que eles vão se coligar, vão levar a extrema-direita para o governo, para o poder." Eu acho que já a própria esquerda dá isso como um cenário bastante-

Sinto que Alexandra Leitão, na Vista e Suas aqui, dá um outro cenário.

Eu acho que essa declaração-

Se o Chega for necessário para fazer contas, Luís Montenegro sairá.

Eu acho a declaração é claramente para tentar lançar a granada para o campo adversário, para os pôr a discutir o assunto. É inteligente como tática de campanha.

E Pedro Nuno Santos, se me permitem, está a fazer a estratégia renovada.

Permitimos tudo, Miguel. O que é que não te permitimos?

O que Pedro Nuno Santos tentou fazer isso de forma um bocadinho trapalhona no debate com André Ventura, que é: como André Ventura disse que tem um acordo com alguém do PSD para integrar um futuro governo, portanto, esse papão ainda existe porque alguém do PSD tem esse acordo. Já não é Luís Montenegro, já é alguém do PSD que vai fazer uma aliança com o Chega. Bom, já estamos neste plano rebuscadíssimo, mas pronto, é o que é. Quem não tem cão, caça com gato.

Mas nisso, de facto, de todos estes debates que vimos até agora, o momento decisivo foi esse arranque do debate entre Montenegro e Ventura, pela forma como destruiu basicamente essa hipótese, aparentemente. Claro que a vida dá muitas voltas, e as coisas até podem acontecer sem Montenegro à frente, mas acho que isso parece estrategicamente estar a surtir efeito. Olha, os debates têm sido um sucesso, e eu vejo não só pelas audiências, mas também por um exemplo que tenho em casa. Tenho um filho de 18 anos que vai votar pela primeira vez e, obviamente, ninguém manda em filhos de 18 anos, como toda a gente que tem um sabe. E vejo-o à 01:00 para a box a ver os debates todos e a seguir tudo com grande curiosidade e a emitir opiniões que eu não estava à espera sobre cada um dos líderes. Se conseguem fazer isto com um miúdo de 18 anos que vai votar pela primeira vez, eu acho que prova o sucesso que está a ser. Imagino que isto esteja a acontecer em muitas casas do país. Só para terminar aqui com uma nota que tem a ver com uma sondagem que saiu hoje no "P" da Manhã. Não as sondagens que dão as tendências de voto, essas também são importantes, mas esta é daquelas que pergunta a opinião sobre, entre Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos, qual é que entregaria dinheiro para gerir. E Luís Montenegro está claramente à frente, com 12,3 para sete, apenas para Pedro Nuno Santos. Mas à pergunta com qual gostaria de jantar, cá está, Pedro Nuno Santos continua à frente com 13 e Luís Montenegro com 10.

Pode ser o fenómeno gola alta. Vamos às notas?

Vamos às notas. Voltando ao debate de ontem, eu dei uma ligeira vitória a Mariana Mortágua, não especificamente por causa do debate de ontem, mas precisamente porque acho que no debate empataram praticamente, mas porque ela vai capitalizar muito mais com a prestação que tem tido nos debates. Eu creio que ela, tendo em conta a concorrência à esquerda, que é mais fraca, exceto se calhar Rui Tavares, vai conseguir capitalizar muito mais com estes debates do que propriamente Rui Rocha, que de facto, apesar de estar a melhorar, tem muita concorrência entre a AD e o Chega. Portanto, eu daria aqui em relação ao debate de ontem. Daria aqui um 12 a Mariana Mortágua e um 10 a Rui Rocha.

Ora, aqui ficamos com o 10 e com o 12. Hoje há mais debates. Ora bem, seguimos contigo, Helena. Queres falar dos custos do Carnaval para os municípios?

Sim, mas aviso já que só dou nota a 18+. Porque os desfiles de Carnaval em localidades como Samora Correia, Vila de Rei, Estarreja, Monsique, os desfiles de Carnaval foram adiados para datas diversas, uns para 18 de março, outros para 18 de fevereiro, mas há um também adiado para março. E isto é extraordinário, porque nós temos, por exemplo, em Portugal, este ano, um município que gastou em ajuste direto material para a contratação de escolas de samba no âmbito do Carnaval, qualquer coisa como €123 mil. Por acaso, nesta cidade, que é Loulé, até pôde desfilar, mas aquilo que nós temos todos os anos, as despesas dos municípios, por exemplo, sem dúvida aqui que Loulé vai à frente, quer dizer, as despesas depois são muito mais, porque depois também tem que se construir equipamentos, aí foram €61 mil. Também foi preciso fazer uma contratação de material, foram mais €37 mil. Mas depois temos despesas inferiores noutras localidades e que podem adquirir as formas mais diversas. Por exemplo, Évora achou por bem gastar 19.900 € em publicidade no grupo Cofina, podia ser noutro grupo qualquer, até neste, para publicitar o seu Carnaval. E vamos por aí. Eu sei que o Natal é quando um homem quiser, mas o Carnaval não é, e Portugal prova-o todos os anos, os desfiles de Carnaval, sobretudo quando se adotou o modelo luso-brasileiro, não pode ser quando nós quisermos, porque não era por acaso que os caretos Não era por especial, por as pessoas serem muito púdicas, que eles estavam todos vestidinhos lá em cima, aqueles fatos. Em Podence, aqueles fatos.

Faz frio já agora.

As pessoas costumam acreditar muito nas alterações. Olhe, em Viseu também houve para lá uns adiamentos. É difícil adotar aquele modelo de vestuário ou de falta dele do Carnaval brasileiro a Portugal em fevereiro. Ou as pessoas têm uma fé extraordinária nas alterações climáticas e vão nesse preparo, ou aquilo tem um ar enregeladíssimo. Eu nunca vi ninguém tão enregelado quanto aquelas pobres mulheres. Aquilo até devia ser proibido lá pelas condições de trabalho.

Mas eu acho que o próximo desafio é nós exportarmos os caretos de Podence para o carnaval no Brasil e pôr os sambistas no Rio de Janeiro, em fevereiro, com os trajes deles. Isso era ótimo.

Tu não prossigas, tu está sentado nesta mesa, o Pedro Jorge Castro, que ainda nos põe a todos aí em algum carnaval. Mais ou menos vestidos. Acho que todos os anos nós assistimos a isto. Eu sei, quem me ouve a fazer opinião, e acredito que ninguém me terá ouvido assim ao longo dos anos, mas sabe que isto é um dos meus ódios de estimação, os desfiles de carnaval em Portugal em fevereiro, a fazer de conta que estamos no Brasil.

Sim, é ridículo, de facto.

E as despesas. Valha a verdade que a troika meteu algum juízo nestas cabeças, porque as despesas, apesar de tudo, antes de 2015, era mesmo muito. Estou a pensar, 2010, 2009, havia despesas brutais. Agora as coisas estão um bocadinho mais equilibradas. De toda a maneira, eu só dou nota quando forem os desfiles de Carnaval.

Deixa-me só levantar um instantinho antes de irmos ao Júlio.

Leiria, Estarreja.

Não, eu detesto Carnaval, detesto mesmo, não gosto pessoalmente, não tenho nada contra quem gosta, mas também não acho graça nenhuma a isso. Mas, num momento de tristeza da minha avó materna, que já morreu, lembro-me de ter a minha mãe a dizer-lhe: "Ó mãe, mas lembra que tiveste tantas coisas boas na vida. Um dia até foste ao Carnaval de Loulé." E esta coisa ficou-me desde sempre. Mas foi o Carnaval de Loulé, foi um dos pontos altos da vida da minha avó. Como é que isto é possível? Como o tempo muda tanto.

Se terá sido em fevereiro, tendo em conta que era a tua avó, de certeza que foi em fevereiro.

E que as pessoas estavam mais vestidas.

Loulé não é o Algarve, apesar de tudo. É um bocadinho mais ameno do que algumas localidades do norte do país.

Ó Zé Manel, mas contas feitas, 200 mil € este ano em samba, tudo somado, que aquilo depois vem em parcelas de 123 mil, 37 mil, 61 mil, não te parece ser um bocadinho de mais?

Olha, eu acho de mais um carnaval que fazem aqui ao pé do sítio onde moro e que me bloqueia a estrada duas vezes por ano.

Só por causa do teu interesse particular.

Vem de bicicleta, Manel. Vá.

Já percebemos, não gostam do Carnaval, mas o Carnaval animou muito este "O Vencedor" e agora vamos ter que fazer aqui uma contagem a correr para ouvirmos ainda o Júlio e o Paulo. Paulo, queres falar do transporte de doentes, dos helicópteros que não podem aterrar nos hospitais de Lisboa?

Alguém há uns dias fez uma pergunta que se tornou famosa: "O que não funciona?" Isto nos debates. Basta ler os jornais todos os dias para ir fazendo uma lista diária do que é que não funciona. Por exemplo, essa notícia que está hoje no Expresso, que diz que os helicópteros que transportam doentes não podem aterrar nos hospitais de Lisboa. Eu acho isto fantástico. Na zona da Grande Lisboa, só o Hospital Garcia de Orta, em Almada, que tem um heliporto a funcionar devidamente autorizado pela Autoridade Nacional de Aviação Civil. O resto, os doentes e a equipa médica vão fazendo trajetos em canas, aterram lá, depois vão de ambulância para o hospital de destino e por aí fora. O Expresso relata um caso que aconteceu agora com um doente, por exemplo, transferido de Mar para o Hospital Santa Maria, que teve que fazer isto. Depois, são vários os hospitais que estão dotados deste equipamento na zona de Lisboa, Cascais, Loures, Santa Cruz, Santa Maria e Vila Franca de Xira. O que é que se passa? Nenhum deles tem autorização da ANAC, da Autoridade Nacional de Aviação Civil, para poder operar à noite. Portanto, basicamente, Loures diz: "O processo de renovação da autorização está em curso, até é preciso ser feito a cada dois anos." Santa Cruz: "O heliporto encontra-se em processo de certificação. Conclusão está para breve." Cascais, a mesma coisa: "A infraestrutura aguarda a visita da ANAC para emissão da autorização." É o papel. Qual papel? O papel. Temos aqui teias burocráticas que o Estado cria, depois o próprio Estado não consegue lidar com a burocracia que ele próprio cria. Das duas, uma autorização é importante, então tem que tratar dela a tempo, ou não é importante, então acaba-se com a obrigatoriedade. O tema é tão importante que o governo criou em julho um grupo de trabalho, depois falta sempre o grupo de trabalho. Atenção, o grupo de trabalho. Com o objetivo de identificar e monitorizar o cumprimento dos procedimentos tendentes à obtenção da autorização de utilização aplicável aos heliportos dos hospitais do SNS. Perceberam? Pronto, é esta a missão do grupo de trabalho. E assim andamos. E como ainda por cima as urgências estão a funcionar fantasticamente, abertas, isto é um assunto menor, obviamente, este transporte de helicóptero entre hospitais.

A nota, Paulo.

Eu não sei muito bem que nota é que hei de dar a isto.

Só queres criar um grupo de trabalho.

Vamos criar um grupo de trabalho e depois no dia 21 de março, é isso, Helena?

18, por aí.

18 de março.

Mas nós temos aquela empresa que vamos fazer os dois da criação do grupo de trabalho que vai monitorizar os grupos de trabalho.

Isto vai ser um dia de agenda cheia, porque no mesmo dia é o Carnaval, depois é o grupo de trabalho e depois vamos ouvir o Marcelo a falar sobre isto. Não, mas queres uma nota para isto? Então isto é um zero. Basicamente, esta forma de fazer as coisas e este país que funciona, como é evidente.

O Júlio, entretanto, foi mudando muito de tema. Qual é o teu vencedor depois de ouvir estas opiniões todas?

Não, eu como cheguei aqui um bocadinho mais tarde, fui só tomar um café, ia falar do Ministério Público e da PSP

E da PJ. Ia só dar um toque porque esta coisa que veio dizer hoje Ferro Rodrigues. Ia falar disso, mas depois mudei de tema.

O José Manuel traz outras palavras na boca.

Não, eu ia falar do José Manuel, como não ouvi o José Manuel, joguei que ainda não tinha falado. Só para dizer sobre isso, que estas declarações de Ferro Rodrigues dão a ideia de que querem pôr na ordem o Ministério Público e as autoridades, mas a reflexão deve é ser feita, de facto. Marcelo que ponha ordem nisto, mas não, o Ministério Público, a PSP e a GNR, a minha opinião é que devem refletir sobre isso. Esta exposição mediática, acho que a Ana Catarina Mendes fala disso hoje, é benéfica porque estas instituições fazem o trabalho, trabalham bem em Portugal. A única coisa que eu acho é que esta exposição mediática pode não ser benéfica para aquilo que depois acontece, porque as investigações são assim mesmo, fazem investigações, depois o juiz pode concordar ou não com os indícios. Essa era uma nota. A outra, ia falar aqui é o carnaval, ia recordar da minha querida Helena Matos e não só, e do Pedro, porque o carnaval é muito importante para as localidades onde são feitos: para a Loule, para Nazaré, para Ovar, gastam dinheiro nisto, e outras, Torres Vedras. Vigo decidiu a determinada altura gastar € 2 milhões em iluminações de Natal e hoje Vigo, no Natal, tem milhões de pessoas, não há lugar para ir.

Mas nos carnavais?

Os carnavais levam milhares de pessoas. Aquelas localidades são muito importantes para o comércio e para aquela zona nestas alturas. Eu já fui ao carnaval de Ovar, já fui ao da Nazaré.

E as pessoas sabem que podem apanhar samba.

As pessoas vivem o ano todo para isso.

Mas se fosse assim com as sete saias da Nazaré que te ficariam lindamente nessas belas pernas.

Já fui, eu vou-te mostrar aqui como é que eu fui ao carnaval de Nazaré.

O problema é o modelo do samba tropical.

Sim, claro, mas isso é uma importação. Há umas que o fazem, outras que não fazem. Não era só nessa perspetiva, eu percebo. Eu percebo a perspetiva das pessoas de gastar dinheiro nisto.

Não, mas o problema é que se gaste dinheiro numa coisa que não pode ser, que é um modelo que as pessoas enregelam. Júlio, se tu te vestires de nazarena, estamos à corte.

Não, mas acho que é importante mesmo para as localidades fazer o carnaval e foi um momento do ano para estas cidades que organizam o carnaval, embora depois olhemos para aquilo que é carnaval do Rio de Janeiro e ficamos a olhar, mas não é uma nota negativa, nem é contrariar. Estou de acordo com aquilo que foi dito aqui, mas às vezes cria esta perceção, de facto.

Mas é muito importante para essas localidades. Está feito, o Vencedor. Nem te vou pedir nota, já estamos em cima da hora. Só recordar que amanhã o Vencedor volta, mas é às 10h30. Nós é até segunda.