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Arranca agora a segunda parte de "You Vence D'Oraias", com Judite França, Raquel Cassis e Helena Garrido. Vamos cumprir o prometido e conferir as expectativas para o debate de hoje, Judite França, entre Catarina Martins e António Filipe, na RTP, às 21h.

Não são muito grandes, porque não disputam o mesmo eleitorado.

Não?

Eu acho que não. Acho que bloquistas e comunistas não se cruzam, nem que seja preciso para umas presidenciais. E neste caso não é preciso, porque ambos correm em pista que não vai ganhar. Agora, acho que ambos querem causar impacto junto do seu eleitorado. E são os dois muito experientes. Portanto, acho que vai ser um debate em que cada um pode utilizar aqueles 30 minutos para fazer propaganda da sua candidatura.

Helena.

Eu diria que pode ser um debate interessante se Catarina Martins for ao encontro do passado. O que é este encontro ao passado? Que é o encontro pós-geringonça, a gerigonça que não foi gerigonça, ou 2.0, em que acabou por ser o PCP a garantir mais tempo ao governo de António Costa e Catarina Martins ou o Bloco de Esquerda a sair mais cedo. Não sei se Catarina Martins estará interessada nisso, porque está muito interessada no eleitorado à esquerda do PS, e por isso pode reforçar a sua mensagem mais de conquista do eleitorado à esquerda do PS. Eles têm algumas agendas comuns. Embora no caso da Ucrânia não seja verdade.

Não é comum.

Não é comum.

E do Bloco, o posicionamento é mais simpático.

Desculpa? É mais sonsa.

Exato, é mais simpático.

Sim, consegue passar melhor entre os pingos da chuva. Mas têm basicamente o mesmo posicionamento em relação a Gaza. Eu diria que pode ser um debate interessante, mas se Catarina Martins quiser entrar ao ataque.

Já percebi que vais esperar por uma mensagem: "Helena, vale mesmo a pena ver?", por sempre atrás. Raquel.

Eu estou em pulgas.

Eu acredito que sim.

Estou em pulgas. Eu tenho alguma curiosidade. Eu acho que este eleitorado à esquerda e à esquerda do PS, sobretudo, já está de tal maneira espremido, que eu acho que o melhor que os dois faziam era tentar ir buscar o eleitorado livre, que é o protagonista que não vai estar neste debate e que será aquele, de acordo com as sondagens, que irá ter um resultado residual, ao contrário do que aconteceu com o Livre, que é a esquerda moderna. E eu acho que é onde eles podem ir pescar algum eleitorado que os possa manter à tona da água no dia 18 de janeiro. Aquele efeito catalisador que se pensou que Catarina Martins ou António Filipe, por ter a visibilidade e a simpatia que lhe é característica, etc., podia pescar alguns votos ao Partido Socialista, pelo menos de acordo com as sondagens, parece não estar a ocorrer. E depois, de facto, há ali posições que mesmo para os socialistas mais à esquerda são muito complicadas. É verdade que o Bloco de Esquerda tem uma posição mais sonsa no que diz respeito à questão da Ucrânia, mas não convence para quem sabe do que está a falar e para quem tem essa questão como uma questão fundamental. E acho que aí mesmo o eleitorado mais à esquerda do Partido Socialista tem posições claras e tem receios claros, sobretudo por causa do tempo que estamos a viver. E portanto, não sei se algum dos dois tem muito a ganhar no confronto com o outro. Acho que nenhum dos dois vai conseguir roubar um único voto potencial do candidato que tem à sua frente e portanto, também estou com a Helena. Acho que o que eles podiam era aproveitar aquela meia hora para cada um passar as suas mensagens, porque a discussão entre os dois não me parece delirante.

O que ditará este debate. Catarina Martins e António Filipe na RTP às 21h. Entretanto, ficámos a saber que Pacheco Pereira e Miguel Relvas apoiam Marques Mendes na corrida presidencial. Vamos olhar para a greve geral de amanhã.

Só falta Passos Coelho.

Exato. Esse não se sente obrigado a dizer a quem irá apoiar.

Por enquanto.

Helena Garrido, quanto à greve geral agendada para amanhã, tem sido amplamente discutida. Deixa-me fazer a pergunta pelo lado de quem nos ouve. Para a opinião pública, esta é uma greve geral que achas que vai ter adesão junto à opinião pública ou não?

É sondagem que hoje é publicada.

Sondagem até 600 entrevistas.

Sim, é verdade. Tem uma amostra muito reduzida, mas eu diria, posso me enganar e estou aqui a correr um risco enorme, porque a memória é curta e isto vai já acontecer amanhã. Eu diria que esta greve geral pode ter uma boa adesão e gostava de ver algumas comparações com a de 2012, que teve uma grande adesão. E por que eu digo isto? Porque eu penso que o governo cometeu um erro grave neste projeto e nesta proposta. Não sei como é que ele vai conseguir sair daqui, porque não encontrou uma narrativa para estas alterações. Não há uma justificação, uma racionalidade nestas justificações. E a racionalidade que existe cola muito mais aos argumentos dos sindicatos. Há um conjunto de medidas que vão reduzir os custos do trabalho. Por exemplo, o banco de horas individual reduz os custos de trabalho, a possibilidade de o trabalhador mudar para uma categoria inferior, desde que haja autorização da autoridade para as condições de trabalho.

Autorização tácita.

Tácita.

Portanto, passados 30 dias.

Exatamente. E depois temos todas as questões relacionadas com a parentalidade, quando reduzes as exigências de formação. Há uma lista enorme de medidas que sem mais nenhuma medida, que se pudesse dizer: não, não está a tentar reduzir os custos de trabalho, não é uma política pública que vai no sentido de reduzir os custos de trabalho, mas de aumentar a competitividade. Não conseguiram, as medidas destas são muito difíceis de racionalizar, sobretudo se não há mais medidas para compensar estas. O primeiro-ministro vem em modo de, eu não queria dizer esta expressão, mas em modo de emergência, digamos assim, prometer aumentos salariais de salários mínimos em grandes dinâmicas de 1.000 e tal euros.

1.600.

Sim, exatamente. Fazendo uma ligação com a reforma da legislação laboral, valia a pena que eu fizesse o raciocínio, porque a reforma da legislação laboral não é uma espécie de varinha mágica que faz subir salários. A reforma que, nas estatísticas internacionais, fez mexer o ponteiro daquilo que geralmente se diz da rigidez do mercado de trabalho português, foi a reforma de 2012. E tenho dúvidas que esta reforma o consiga fazer. E em parte, por que reduziu a rigidez? Porque tornou mais barato o despedimento, não o tornou gratuito. Tornou-o mais barato. É que há também alguns aspectos relacionados com o despedimento, obviamente que essa reforma teve outras alterações. Mas, resumindo, eu diria que o governo foi muito leviano na racionalização das medidas e permitiu que se ficasse com a convicção de que esta proposta está desequilibrada no sentido de favorecer os empresários.

Raquel. Olha, a Helena sabe muito mais disto do que eu e conhece muito mais a fundo a proposta do que eu. Mas eu hoje estou em dia de citações e queria usar aqui uma rúbrica de um programa famoso desta casa, que se chama "Querido Líder", para dizer naquela rúbrica do sim, chefe, não, chefe. Exatamente. Tem um moderador fantástico. É um belo programa. Exato. Eu acho que o governo merece um não, chefe, na forma como pôs este tema em cima da mesa e como tem lidado com ele. Exatamente por causa disto que a Helena está a dizer. Porque até hoje não é que não conseguiu explicar, é que não explicou. Até hoje, nós não ouvimos a ministra do Trabalho, nem o primeiro-ministro, nem o ministro da Presidência do Conselho de Ministros contarem-nos uma história sobre a necessidade desta mudança. E isto está nas regras dos teus especialistas, que é tudo o que não se pode fazer quando queres mudar alguma coisa e sobretudo quando é uma coisa com este nível de sensibilidade. E, portanto, tenha ou não tenha razões para o fazer, a verdade é que o facto de não pôr essas razões em cima da mesa, não as explicar claramente logo num primeiro momento, mas depois de ter cometido o erro de não explicar no primeiro momento e ter deixado que corresse uma versão daquilo que propunham, que foi imediatamente interpretado como: "Estão a pôr estas lebres a correr, que é para depois deixarem cair e passarem o resto", que é o pior que pode acontecer a quem quer fazer uma reforma. Eu acho que este governo quer ser herdeiro dos governos de Cavaco Silva nas coisas pelas quais o governo de Cavaco Silva ficou conhecido, mas não as fazendo de forma profissional. É que apesar da fama com que os governos de Cavaco Silva ficaram, e a Helena e a Judite também, mas a Helena acompanhou muito essa fase, havia uma direção política naquele governo, havia uma narrativa que o governo contava, e depois Dessa narrativa fazia parte o ser um governo reformador. Aqui não, aqui querem-se fazer reformas à bruta, sem o mínimo de estratégia para as colocar em cima da mesa e depois elas resultam nisto. Eu não sei o que é que vai acontecer. Estou mais preocupada com o pós greve geral do que com a greve geral, porque eu não sei como é que as coisas aqui chegadas podem chegar a um consenso em que as duas partes possam ficar de cara lavada.

Deixa-me só dizer que o "Querido Líder" é o podcast da Rádio Observador dedicado à liderança.

Eu sou uma pessoa que está sempre a dar-te oportunidades.

Vai para o ar às segundas-feiras depois do jornal das 19h, e está disponível em podcast. Judite França, tens um-

Isso é product placement.

Vão ouvir.

Tens um incrível minuto para dizeres o que pensas sobre a greve geral.

Tinha tanto para dizer.

Amanhã voltamos ao tema.

Ok, tinha feito aqui um rol.

Estás cá amanhã e nós não.

De razões para a greve dos sindicatos. E acho que a Raquel tem toda a razão, o governo não conseguiu, não tentou, não explicou por quê e por que agora? Por que agora, se o mercado laboral está a funcionar? Aparentemente, o mercado laboral está a funcionar.

É na altura das vacas gordas.

Ah, sim, ok. Não é nenhuma-

Isso tem alguma racionalidade.

Mas isso é uma racionalidade para que os sindicatos engulam estas medidas, não é uma racionalidade.

Não chega.

E portanto, não digo para as 100 medidas, mas olhando aqui para meia dúzia de medidas, desde as alterações nas regras dos despedimentos, não é preciso reintegrar um trabalhador que foi despedido ilicitamente. Simplifica-se os despedimentos por justa causa? Dispensam a apresentação das provas requeridas pelo trabalhador e audição de testemunhas? Enfim, eu acho que algumas medidas são até sinistras.

Vamos deixar as notas para a greve geral para amanhã. Não vamos dar notas por antecipação. E também ficou por discutir o ranking da Economist, que colocou Portugal no topo de um ranking de 36 economias. A Economist diz que a economia portuguesa é doce como o pastel de nata. Pronto, já não dá tempo.

Eu queria só fazer uma perguntinha à Helena, e ela depois um dia, quando cá voltar, responde, que é: como é que depois do que eu ouvi hoje de manhã no programa Contracorrente, e o que tenho ouvido sobre os comentários sobre a situação da nossa economia, como é que uma revista como a Economist, com o prestígio que tem, coloca Portugal no primeiro lugar do ranking com o destaque com que coloca?

A perspetiva é financeira.

Pronto.

Depois o resto, desenvolvemos mais tarde.

Obrigado.

Não é, que o Ricardo não deixa mais.

Obrigado a todas e há mais Vencedor amanhã, a partir das 08h30 da manhã, nas manhãs 360 da Rádio Observador.