Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Está no ar o "E o Vencedor É", da Rádio Observador. Estamos em direto em FM, também em vídeo no YouTube e nas redes sociais do Observador. Hoje contamos com a análise da Judite França, da Raquel Cassis e do Nuno Gonçalo Poças. Bem-vindos. Vamos começar com um pequeno jogo. Raquel, talvez seja o ideal começar por ti. Qual é o tema que vamos desenvolver ao longo do programa de hoje? A, Luís Neves. B, o Ministro da Administração Interna. C, o ex-diretor da PJ. Ou D, vamos falar de um governante que diz que foi tratado como um gângster.
Eu acho que todas as respostas estão certas. Eu fazia X em todas essas hipóteses.
Todas as que estão acima. O que achaste do que disse hoje Luís Neves? Ficaste esclarecida com os segundos esclarecimentos?
Se calhar porque cheguei hoje de férias, a última vez que estive aqui sentada, estive a falar disto. Hoje esperei com expectativa, novas explicações. Primeiro, acho completamente bizarro que Luís Neves anuncie que vai fazer declarações ao país no meio de uma visita oficial na Madeira, a fazer essas declarações em pé como quem está a ser interrogado a meio de uma cerimônia qualquer. Já a própria forma indicia a falta de noção que o ministro tem sobre aquilo que se passa à volta dele, aquilo que é a sua situação e aquilo que deveria ser a sua atitude, porque ele só tem uma saída: ou sai ou então mais vale estar calado, porque já se percebeu que não tem nada de novo pra dizer e, portanto, agora adotou esta estratégia de encontrar um inimigo para se defender. O inimigo é André Ventura e são os populismos e, portanto, ele é o herói que se manterá no governo contra tudo e contra todos pra combater os populismos.
Mas ele falou de mais inimigos. Tem inimigos na PJ.
Tem inimigos na PJ.
E na imprensa.
Sim, é verdade. Mas aquilo que me pareceu a mim que é a estratégia, é dizer: "Estou eu aqui contra André Ventura e os populistas." E eu acho que face àquilo que tem sido os últimos dois meses, penso eu que já vamos em dois meses ou talvez um pouco mais de notícias semanais, isto não é nada. Já não digo que é poucochinho, não é nada, porque ele faz umas proclamações de que cometeu alguns erros que já admitiu, mas não fez nada de ilegal nem de irregular. Eu anotei aqui só que há um aterrado, que ainda ninguém percebeu como é que foi parar a um empresário, já vou dar de barato que não foi o mesmo empresário que fez as obras no Monte dele, mas um empresário ou um construtor que fazia obras pra Polícia Judiciária, contrariando uma instrução do tribunal do Ministério Público para que aquele material fosse destruído. Não sabemos se essa não obediência à ordem que veio do tribunal foi alguma coisa de que Luís Neves tenha dado conta sequer a quem deu essa instrução. E agora, entretanto, também se foi sabendo que aquilo não estava lá só guardado, também estava a ser usado. Há investigações neste momento a decorrer. A própria Polícia Judiciária foi lá apreender o material. Portanto, passar por cima disto tudo e dizer que nunca prejudicou o Estado e que não fez nada de irregular, nesta altura, acho que é só pôr mais achas pra fogueira.
Achaste o mesmo, Nuno Gonçalo Poças? Temos uma fogueira mais acesa depois das declarações de Luís Neves? Fogueira mais acesa? Não sei se está mais acesa do que estava. Eu estou um bocado impávido com isto tudo, porque nós ontem estávamos aqui a falar e eu estava um bocado na expectativa do que o homem agora vai dizer, se vai arranjar aqui mais uma justificação. Não, nós descobrimos que temos um Batman no Ministério da Administração Interna.
Ou um wannabe Batman.
Exatamente.
Não é bem um Batman, é um wannabe.
No primeiro episódio da trilogia do Christopher Nolan, ou no segundo, há uns tipos que de repente, como o Batman se tinha tornado uma grande personagem no primeiro, há uns tipos que começam a sair à noite com aqueles escudos de hóquei no gelo, a fingir que também são o Batman. E nós descobrimos que o ex-diretor nacional da Polícia Judiciária portuguesa e atual ministro da Administração Interna acha que é o Batman. É encantador tudo isto, é uma espécie de dono disto tudo. Este comportamento de hoje é indescritível. Eu estava a ouvir aquilo e lembrei-me de, não sei se ainda há, havia um vídeo muito parvo no YouTube há uns anos, que era de um taxista a caminho do Lux. Era um grupo de miúdos que ia dentro de um táxi e que filmava a quantidade de ordinarices que o taxista ia dizendo. Tu estás a olhar pra mim com essa cara porque também já deves ter visto. Eu já sei do que estás a falar. E às tantas, os miúdos estão a chorar, a rir com aquilo, e há um que diz assim: "Epá, o amigo é o maior." E o taxista responde: "Eu sei." E eu lembrei-me do Luís Neves, porque ele foi exatamente a mesma coisa. Além de toda esta fanfarronice, este Batman wannabe consegue ao mesmo tempo alicerçar-se numa estratégia que já foi tentada por imensa gente, desde o atual presidente do Conselho Europeu ao atual primeiro-ministro espanhol, toda a gente, que é Há aqui um problema comigo? Mas quem é que está aqui a combater o André Ventura e os populismos? Se não for ele, quem mais? Quem? Se não for o jovem Bruce Wayne, a quem é que nós nos podemos agarrar para nos vermos livres de André Ventura? Há aqui uma novidade que é todos estes personagens que tentaram este processo ao longo destes anos todos, que é polarizar tudo e mais um par de botas por causa da extrema-direita, eu acho que eles, se calhar, ou já receberam a carta e não abriram, ou então ainda não receberam de todo, que é: aquilo que o Luís Neves fez hoje foi dar, não consigo calcular, mas mais uns milhares de votos a André Ventura, provavelmente. E Luís Montenegro tem aqui um problema muito grande em cima, que eu acho que ele está, como em muitas coisas na vida dele, na vida política ou na vida enquanto primeiro-ministro, a tentar ser uma espécie de António Costa que faz coisas. E que está, como António Costa, a fazer de Luís Neves uma espécie de seu Eduardo Cabrita, que é: "Enquanto chateiam ele, não me chateiam a mim." E eu não sei se isto lhe vai correr muito bem. Depois de todo este espetáculo que foi montado hoje, lamento imenso, mas só há uma personalidade a quem nós podemos apelar, que é ao senhor presidente da República, para depois de tudo aquilo que já foi feito, já ter dado um prazo, para vir explicar, para não sei o quê, para resolver a situação, o tal cleanup da mess, que se calhar era isso. Então agora, se calhar, está na hora de explicarmos, porque não é aceitável que o ministro da Administração Interna, que foi diretor nacional da PJ, que tenha passado já aqui por várias fases, e vamos já dar de barato uma série de coisas, mas que tenha começado por assumir ao país que há uma série de coisas que se fazem na prática, que não era suposto, mas que é assim mesmo.
E agora até já antecipou as notícias. A questão dos ginásios.
Exato. E consegue ao mesmo tempo fazer ameaças ainda, que é: "Isto eu não me vou esquecer, qualquer coisa assim, eu não me vou esquecer de quem é que anda para aí a isto e aquilo e o outro." Já depois na senda do "vais pagá-las", que tinha sido dito no Parlamento. Que pessoa é esta, que por acaso é ministro da Administração Interna? Não sei se o primeiro-ministro está a dormir ou não, ou se isto lhe interessa muito, mas isto é já do domínio do burlesco. Podem escrever livros com isto, uma espécie de personagens cómicas em romances de sátira social, que ele é um bom personagem. É o novo dono disto tudo. Judite de França, gostas do Batman?
Gosto muito do Batman. E acho uma coisa, acho que nenhum ministro fazia uma declaração destas-
Se não estivesse respaldado
...sem a autorização do primeiro-ministro.
Pois.
Digo eu, se não tem, já devia estar a ser demitido.
Temos que não tenha.
Temos que não tenha autorização do primeiro-ministro.
Então nós afinal não há autoridade de ninguém. A autoridade está dispersa, não é?
Exatamente.
E Luís Neves é que está a agarrar toda a sua autoridade. Ele sabe coisas, faz coisas, manda fazer coisas, faz com que coisas aconteçam e, portanto, ele manda. É o dono disto tudo. Deixa-me só dizer aqui mais esta nota, mas se por acaso algumas almas resolverem voltar a aparecer para defender Luís Neves no meio disto tudo, porque vão comprar a tese de que ele está a combater o populismo e André Ventura.
Antes combatia o crime, agora combate o populismo.
Ele combate tudo.
É o Batman.
É o Batman, exatamente. Venha quem vier. Mas se alguém está disponível para comprar essa tese, então passam a ser todos cúmplices do desastre que está a ser feito, não é de agora, mas ao Estado de Direito, porque isto não é rigorosamente nada, isto não é tolerável. Não é assim que as coisas funcionam.
Não, não é. Olha, não é normal que se transforme o aniversário da PSP na Madeira, num momento em que decide fazer uma enorme preleção sobre o seu caso, eu não digo uma justificação, é uma preleção sobre o seu caso, mostrando que é um grande combatente de tudo, do crime, do populismo. Aliás, agora diz que tem um motivo adicional para se manter, que é esse, combater o populismo. Ou seja, extravasa claramente as suas competências de ministro da Administração Interna, como extravasava as suas competências como diretor nacional de Polícia Judiciária, que é outra coisa. Pode-se tirar o homem da PJ, mas não se tira a PJ do homem, que passa o tempo a gabar-se do trabalho em que foi diretor nacional. Eu acho quase fofo, porque parece que precisa de validação. Tudo aquilo que eu fiz, o combate ao crime, tudo isso justifica tudo aquilo que eu posso fazer de mais ou menos errado.
É o maior.
Eu percebo que ele possa fazer a sua defesa de honra. Acho que isso toda a gente tem esse direito.
Mas isto não é uma defesa de honra. Primeiro, aquilo que foi prometido era um esclarecimento.
Mas isto não é uma defesa de honra. Isto é um ataque.
Isto também não é uma defesa de honra.
Isto é um ataque.
Isto é disparar para todo lado, e é disparar para todo lado mesmo. Aquelas afirmações, no fundo, que é o "vão todos pagá-las. Eu não me vou esquecer de quem é que são as pessoas."
Sabe muito bem quem são as pessoas.
Há uma consequência, o que ele diz. Então e qual é?
Pois não sei.
Vai nos mandar prender a todos?
Há de haver uma consequência. Não, ele estava-se a referir, pelo que eu percebi, às pessoas que ele terá afastado na PJ e que agora lhe estão a fazer a folha.
Sim, mas mesmo assim, nós passámos do Pina Manique para o Pina Maluco? O que é isto? É assim que isto funciona agora? Mas acaba por confirmar algo que foi uma suspeita Que surgiu desde o início, de que existiria alguma ao estar dentro da Polícia Judiciária com Luís Neves.
Isso não tenho dúvidas, mas enfim, isso pode acontecer com Luís Neves, como pode acontecer com outro diretor.
Com outro qualquer.
Com outro qualquer. E faz-se amigos sempre e inimigos, como é evidente.
Até quem chega a primeiro-ministro, tem muita gente que ficou pelo caminho.
Com certeza.
É assim que funciona.
O problema é haver motivos para denúncias.
O problema é esse.
O tema não é que estão a fazer queixinhas dele.
Não, eu até dou o braço muitas vezes. As denúncias podem não ser fundadas, há coisas que às vezes que são tiradas de contexto e que são muito injustas.
E quando esta história toda começou, eu fui a primeira a desvalorizar o tanque e a piscina, mas já chegamos a um ponto que onde é que já lá vai o tanque e a piscina, já ninguém se lembra.
Luís Neves tem muito passado e orgulha-se muito do seu passado enquanto grande combatente da pior criminalidade que existiu. Ele refere isso até à exaustão. Eu já não sei quantas vezes é que eu já o ouvi dizer.
Tem toda a razão. Em muitos casos, tem toda a razão.
Com certeza, mas já ouvimos isso. Agora é ministro da Administração Interna. Podia deixar de falar da PJ, que ainda por cima não está sob a sua alçada.
Exato.
Podia falar da PSP, que aliás era o que estava lá a fazer hoje, festejar o aniversário da PSP Madeira. Foi completamente ignorada.
Estou a imaginar um PSP com 30 anos de carreira sentado a ouvir aquele discurso.
E a pensar: "Isto está a falar de quê? Está a falar dele próprio? A sério? Numa cerimónia em que nos devia estar a comemorar?"
É o maior, eu sei. Foi isso que ele fez.
Depois fez um lacinho de embrulho a dizer que é polícia e sempre será polícia e os polícias estão no seu coração.
A última frase foi: "A minha casa, que é a PJ, e a PSP e a GNR. Também gosto."
Mas o pior de tudo é que eu acho que ele faz isto, enfim, o primeiro-ministro não o demite porque não o quer demitir. Mas parou aí a influência de Luís Montenegro. Eu acho que tudo o resto Luís Neves faz por iniciativa própria, de acordo com o seu timing, com aquilo que entende dizer e como quer dizer. E isso também é muito assustador.
Mas ele não terá avisado o primeiro-ministro que ia fazer declarações deste género.
Ele avisou o país, portanto avisou também o primeiro-ministro.
Não acho que terá avisado o primeiro-ministro propriamente.
Eu acho que ele tem uma agenda própria e acho que tem uma vida própria dentro do governo.
Então a conclusão é que Luís Montenegro não manda nada.
Sim, neste caso, parece-me.
Falámos bastante daquilo que foi dito por Luís Neves hoje, mas temos de perceber, afinal, o que pode acontecer agora. Já falámos do Presidente da República, que pode ou não entrar em ação neste aspeto. Há Luís Montenegro, que pode ou não dizer algo também sobre este assunto e da oposição aguardamos a confirmação de André Ventura para saber se avança ou não com moção de censura. Acho que sim. O Pedro Pinto... Sim, deixou essa indicação. A minha é só meia neurónio, mas acho que neste caso ele está certo. Mas o que esperas que possa acontecer, de facto, com Luís Neves? Achas que isto é um caso que se vai arrastar? Já vamos em mais de dois meses. Foi a 13 de junho que estalou a primeira polémica, 13 de julho. Eu não estou a ver a coisa muito fácil. Já nem falo daquelas coisas todas que me preocupam no meio deste caso todo, de que falei aqui ontem, mas agora há aqui um problema maior em cima disto, sobretudo depois daquilo que foi feito hoje pelo próprio ministro. Até que ponto as instituições e os titulares dos órgãos de soberania dos outros lidam bem com isto? E, portanto, a minha esperança toda neste momento vai para o Presidente da República para que consiga resolver isto de alguma maneira. E que Luís Montenegro se enxergue de alguma forma. Mas quando há pouco dizemos que Luís Montenegro está um pouco naquela posição em que o Chega está agora preocupado com Luís Neves, portanto não me está a chatear a mim, Luís Neves está chateado com o Chega e, portanto, há essa situação direta e está, de certa forma, também a obrigar o Presidente da República a tomar uma posição, Luís Montenegro? Sai por cima se for o Presidente da República a tomar essa decisão e não Luís Montenegro? Acho difícil que saia por cima se for António José Seguro a resolver a situação e não ele. Primeiro, já acho muito difícil alguém sair por cima disto, nomeadamente no governo. O Presidente da República ainda pode sair por cima disto. Se a coisa se mantiver mais ou menos como está e nós vamos continuando a assistir semana após semana a mais casos, a mais histórias, a mais filmes, a mais novidades, a mais enredos, a mais coisas estranhas, mais informalidades, mais ilegalidades, mais mentiras, às tantas o Presidente da República, se não se puser, pelo menos, com um pé fora disto, então às tantas ninguém se salva. Eu também estou muito curioso para saber qual é que vai ser a reação do PS. Da última vez, antes da conferência de imprensa, o José Luís Carneiro foi a correr falar primeiro, que era para depois não terem que lhe fazer perguntas a seguir.
Ainda ninguém falou.
Ainda ninguém falou. Ia fazer aqui um salvo erro, mas pelo menos eu não tinha visto, mas ainda ninguém disse nada. E estou muito curioso para saber de que lado é que o PS está nisto. Eu estava a dizer isso na primeira parte. Não me admirava que nós de repente começássemos a ter no espaço público e eventualmente nos partidos, esta dicotomia de não pode estar toda a gente a cair em cima do Luís Neves, porque o André Ventura não sei o quê. Eu estava a ver o Pedro Marques Lopes deu um tweet há duas horas em que diz: "Há uma competição feroz entre os megafones Passos Coelho e André Ventura para ver quem diz mais mal de Luís Neves, sendo que o verdadeiro objetivo destas duas campanhas que correm em paralelo é o mesmo e não tem nada a ver com Luís Neves." Se é isto que nós vamos começar a ensaiar, eu imagino, alguém mais inteligente deve ter dito mais ou menos isto antes e, portanto, a narrativa deve estar a começar a ser mais ou menos preparada para de repente ainda vamos acabar o caso Luís Neves a falar de Pedro Passos Coelho. E isso está-me a deixar um bocado preocupado. No final desta história toda, nós vamos ter o quê? Acabar isto e olhar pra André Ventura e dizer: "Ele é que tem razão." É uma insanidade total. Mesmo quando tem razão, não é suposto ter razão porque não é só o hábito. O André Ventura tem muitos méritos, que é de apontar muitas vezes o dedo certo. E depois os outros, mal ou bem, lá vão acompanhando a coisa. Não é suposto depois também ter razão na consequência, que ele normalmente não tem, não estamos habituados a isso. E se de repente começamos a habituar-nos a que ele também tenha razão na consequência, porque mais ninguém é capaz de a tomar, então aí vamos começar a ter um problema, que no final isto joga tudo ao contrário. Estão-lhe a fazer um favor. Parabéns. Eu acho que já disse isto várias vezes. Eu às vezes acho que há uma agenda escondida que serve o propósito de Ventura, uma espécie de tapete vermelho, que é vamos fingir que a gente não gosta dele, mas vamos fazer tudo pra que ele passe por isto tudo incólume. Não é razoável. Raquel, é o tempo de quem nesta altura, e depois do que disse hoje Luís Neves?
Olha, eu fico comovida com o segurismo do Nuno, porque acho que dificilmente Seguro irá interferir nesta questão.
Mas tem que.
Pois tem que, mas não tem poderes para, e treme de medo que lhe aconteça o mesmo que aconteceu a Marcelo no caso de João Galamba.
Pois eu sei, nós estávamos aqui a falar sobre isso ontem.
Do que eu conheço de António José Seguro, ali nos pratos da balança, podem dar uns suspiros nas reuniões semanais com o primeiro-ministro, mas não estou a ver que António José Seguro imponha a demissão.
Eu estou-lhe a tentar dar a força, para o caso de o senhor presidente estar a ouvir.
Tem havido muitas vozes como a tua, mas não me parece que vão ter grande resultado. O PS, eu acho que não é por acaso, obviamente, que Luís Neves trouxe hoje pra cima da mesa o papão André Ventura e populismo, porque isso costuma funcionar, funcionou noutros países, tem funcionado pra sobrevivência, olha, desde logo aqui do nosso vizinho primeiro-ministro espanhol contra tudo e contra todos, com o papão de ser quem combate a extrema-direita. E este é um argumento que eu não sabia que Pedro Marques Lopes tinha escrito isso, também me parece que será uma repetição de calque de coisas que já estão a correr por aí pelas redes, e nomeadamente entre o Partido Socialista profundo. E portanto, não me parece que seja por acaso, que o Partido Socialista até agora não disse nada, e acho que só dirá in statu a, e mesmo assim, com as cautelas que temos visto ao longo destes dois meses. E portanto, André Ventura, sim, vai acabar a ser o que tem razão nisso tudo. Ele tem já uma comissão de inquérito que já o Pedro Pintar há bocado dizia com ministro ou sem ministro vai decorrer. E a moção de censura em cima do debate do orçamento é também um trunfo pra André Ventura, não só por aquilo que ganha como protagonismo, que é sempre um dos objetivos dele, mas também pela capacidade negocial que ganha para o debate que se segue, que é o debate do orçamento. E portanto, eu não sei se há um complô de fazer de propósito, mas acho que infelizmente, se nós virmos o que tem acontecido pela Europa toda, de facto há uma coisa em que estes partidos ganham quase sempre, que é virem de fora ou dizerem que vêm de fora, mesmo que muitas destas pessoas tenham vindo desses mesmos partidos, e não estarem comprometidos com nomeações antigas, com investigações, com políticas seguidas por uns e por outros.
Mas é porque vivem da incapacidade de quem já esteve, não é?
Sim.
Vivem da incapacidade de quem já esteve.
Pois, exatamente. Quem já esteve e quem ainda está.
E não é capaz de fazer diferente.
Sim, certo.
Que é o maior problema de todos. Parece que às tantas não há mais ninguém.
Pois.
Ou pelo menos o PSD e o PS não conseguem chegar a outras pessoas que não aquelas.
E acresce aqui uma outra coisa. Eu acho que Luís Montenegro tinha pensado, e parece-me que manterá, fazer uma remodelação depois do orçamento. E enquanto Luís Neves lá estiver, qualquer remodelação perde todo o efeito político que pudesse vir a ter, porque é uma remodelação pra tirar Luís Neves. E se for uma remodelação e não tirar Luís Neves, então aí eu acho que cai o Carmo e a Trindade. Há outra moção de censura pra aí, óssima coisa. Só vejo um protagonista a ganhar com isto, que aliás acho que tem ganho nestes últimos dois meses. Eu também não quero estar aqui a induzir em erro, mas parece-me que não houve uma única semana ao longo de todo este período estival que André Ventura não tenha dado uma entrevista a uma televisão. Hoje acho que dá uma outra, portanto, isto mantém-no sempre no centro do palco político.
Judite, também não sei se as televisões não fazem parte desse pacto. Mas André Ventura consegue arranjar o seu espaço mediático e o seu corredor. Consegue fazê-lo com grande facilidade. Da audiência, eu percebo. Como se vê. Eu também gosto de ver. Não é só a questão das audiências, é a questão de ele próprio faz o seu espaço mediático, mesmo que não dê entrevistas. Bom, se der entrevistas, faz mais. Pois, exato. Mas mesmo que não as dê, mesmo que não dê entrevistas, basta fazer uma conferência de imprensa. Sim, claro que sim. Sim, mas é normal, é o líder da oposição. E mais do que isso- Não tem é que estar na televisão todas as semanas com entrevistas especiais ...ele marca o tema. Consegue fazer isso com uma enorme facilidade. E no caso de Luís Neves
Tem sido um bombom para André Ventura.
Isto também não é difícil marcar a agenda neste sentido, quando todos agem de uma certa forma e a reação natural para defender isto é ou a São Ventura ou é o Passos Coelho.
Sim. Ainda não percebi muito bem como é que o Passos Coelho caiu nisto.
Normalmente cai por defeito.
Sim, mas não percebi.
Nos exames por acaso não caiu.
Escapou-me aí.
Por acaso não tenho a certeza, mas eu acho que se falou de Pedro Passos Coelho na altura da questão dos exames adicionais. Mas Judite, no caso da moção de censura, que ainda está por confirmar por parte de André Ventura, mas já tudo indica nesse sentido, Pedro Pinto falava há pouco aqui na Rádio Observador de que este governo já merece uma moção de censura, independentemente do caso Luís Neves, mas muito motivado pelo caso Luís Neves. Vem de facto resolver alguma coisa esta moção de censura?
Não vem resolver nada, mas vem fazer o papel que o Chega gosta de fazer. Eu acho que se depois desta conferência ouvimos dizer Luís Neves, conferência deste discurso, que tem uma motivação adicional para ficar, quem tem uma motivação adicional agora para fazer a moção de censura é André Ventura, que foi acicatado até ao máximo. Foi segurem-me, se não. Aliás, parece-me que Luís Neves quis fazer isto de uma forma muito maniqueísta. Sou eu contra André Ventura. A referência que faz no dia 8 no Parlamento, eu vou responder a tudo que André Ventura quiser. Luís Neves sabe que André Ventura não está na primeira comissão onde Luís Neves vai sentar. Portanto, vai deparar-se com outros deputados do Chega.
Acho que ele pode ser substituído e Ventura pode participar.
Só se for esse o caso, porque lá não tem assento.
Sim.
Mas se for esse o caso, estamos de facto a transformar isto num duelo entre Luís Neves e André Ventura. E Luís Neves quis tornar isto num duelo com ele. O que eu acho que Luís Neves vai perder no fim disto. Se Luís Neves decide encarar apenas André Ventura, em vez de estar a encarar o Chega, era o normal, mas personificou tudo em André Ventura. André Ventura ganha. Eu acho que entre Luís Neves e André Ventura, num duelo, André Ventura ganha.
Mas no espaço mediático não sei.
Não sabes?
Não. Se tiver um duelo direto André Ventura, Luís Neves.
Se Luís Neves se comportar como se comportou nesta conferência de imprensa?
Vamos ver. Se depois olharmos todo o rol de painéis, de comentadores e não sei o quê, somarmos e ver quem é que ganhou quem, se calhar Luís Neves vai ganhar.
Mas eu acho que isso não é-
André Ventura perde sempre nos duelos.
Pois.
Na ótica dos comentadores.
Mas não estamos a falar de painéis.
Não quero dizer que-
Não, eu acho que tu tens razão.
Porque para os comentadores, André Ventura, como diz a Raquel, perde sempre.
Mas acho que o Luís Neves também está a apostar nisso.
Sim.
Vamos a notas. Salvação mediática.
Aliás, as declarações de hoje, do meu ponto de vista, esse foi o propósito das declarações de hoje.
Claro. Posicionar já para esse possível duelo. Vamos a notas. Raquel, começo por ti.
Olha, eu dou um dois ao estado a que isto chegou.
Isto para regresso de férias e começar com dois ao estado a que isto chegou.
É triste.
É um belo sinal. Nuno. Não é fácil. Estou aqui há 49 minutos a pensar nisso.
Já estavas a pensar nisto?
Já.
Há uma situação interessante, é que com o arrastar da situação em torno de Luís Neves, as notas no e o vencedor é para toda esta situação começam sempre com um suspiro e cada vez é mais longo.
Isto não é fácil dar notas ao Batman da carapalha. Sei lá. Vou dar um nove ao presidente da República, que é para ele ficar chateado, porque sentiu que levou uma negativa com a expectativa de eu vir aqui daqui uns dias e dizer assim: "Agora dou-lhe um dois". Judite.
Eu vou dar ao discurso de hoje de Luís Neves e isto para mim foi um quatro.
Fechamos sem positivas e quem ficou mais perto foi António José Seguro com um nove ainda na expectativa. Estamos de regresso amanhã.