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Vamos à análise dos temas que marcam a atualidade com notas de zero a 20. Começa agora o "E o Vencedor é", das manhãs 360, com notas atribuídas também pelo José Manuel Fernandes e pela Alexandra Machado. Carla.
E hoje é tempo de balanços e também de um novo confronto entre a bancada parlamentar do Chega e Teresa Morais. Ainda assim, começamos contigo, José Manuel Fernandes, porque queres falar desta decisão do anúncio do encerramento das urgências de obstetrícia e ginecologia do Hospital de Vila Franca de Xira. É uma boa notícia para ti?
É. Se nós nos recordarmos bem, eu creio que isto começou ainda com Marta Temido. Foi criado um grupo de trabalho para reestruturar as urgências. Na altura, ficou-se com a percepção que entre as recomendações desse grupo de trabalho estava o encerramento de algumas urgências e durante três anos andámos a empurrar o problema com a barriga e a fazer mapas de urgências rotativas e complicações em cima de complicações, com natural desconforto para quem tem uma situação de urgente ou uma situação mesmo emergente, que são aquelas urgências mais aflitivas. Eu estive a ver os números destes hospitais e há de facto uma grande diferença. Não há números das urgências, mas há números dos partos, o que dá uma ideia aproximada da afluência aos diferentes hospitais. E, por exemplo, enquanto o Hospital de Loures, que é para onde vai a urgência de Vila Franca de Xira, realizou no ano passado 2620 partos, o Hospital de Vila Franca realizou 828. É menos de um terço. Portanto, havendo concentração, passaremos a ter um hospital. Os partos não desaparecem dos hospitais que têm as urgências fechadas. As urgências não funcionam para os partos. O parto muitas vezes é planeado. As urgências funcionam para situações em que há complicações durante a gravidez.
Imprevistos.
Imprevistos, que podem ser alguns deles, de facto, muito complicados, muito emergentes, rupturas, abortos espontâneos. Está tipificado, não vou agora entrar em detalhes. Os serviços, a consulta, tudo isso não desaparece do hospital de maior proximidade. Aquilo que desaparece são estes casos mais complicados, que exigem equipas médicas também mais diferenciadas, e quando não há médicos suficientes, não podemos desmultiplicar eternamente com aquela ideia de que podemos ter um hospital quase à porta de casa. No caso dos maiores hospitais da zona de Lisboa, aquilo que eu verifico é que eles têm regularmente, o maior de todos em número de partos ainda é a Maternidade Alfredo da Costa, o Hospital ULS de São José, ULS Lisboa Central, como agora se diz. Antigamente, a gente chamava-lhe São José. Depois Cascais tem 2700, o Amadora tem 3000. O Garcia de Orta tem mais de 2000. Aqui, neste caso do Barreiro, a relação entre o Garcia de Orta e o Barreiro, que também é onde vai haver concentração, é de um para dois, não é de um para três, mas o número total também fica pouco acima dos 3000. Em termos de partos, isto é apenas um indicador que poderá ser proporcional ao número de urgências. Não sei se é, se não, mas imagino que possa haver alguma relação, porque no fundo estamos a indicar o número de gravidezes que há naquela região. Portanto, eu creio que esta é uma medida que tem toda a racionalidade, que é mais confortável, ao contrário do que alguns autarcas têm vindo a dizer, para quem sabe aquilo que espera, e não está a ter que ligar para saber para onde é que vai, para onde é que não vai, e a receber indicações e depois ter eventualmente os próprios serviços de emergência, os bombeiros, o INEM.
A situação fica mais estabilizada.
A situação fica clarificada. Isto já existe em boa parte do país, no Norte, há muito tempo. E esta resistência que houve cá embaixo foi desnecessária e foi um sinal também da forma como as coisas funcionam, porque aquilo que é resistência, quer corporativa, isto é menos confortável seguramente para alguns médicos, que vão ter de trabalhar em dois sítios diferentes. Não creio que seja a morte de ninguém, no sentido morte do homem, como se costuma dizer, porque estamos a falar de hospitais que ficam relativamente próximos uns dos outros, uma distância que muita gente na Grande Lisboa percorre distâncias maiores todos os dias para ir trabalhar.
São 30 km, no caso do Barreiro para Almada.
Sim, no caso de Vila Franca para Loures, até é menos.
Depende sempre do trânsito.
Mas estamos a falar de zonas em que há vias rápidas.
Se forem de Salgueiro para a zona norte, isso é verdade.
Na maior parte dos locais há vias rápidas. Quer num caso, quer no outro, temos uma rede que permite fazer isso. Portanto, eu quero dar uma nota positiva de esperança. Não é muito elevada, porque isto chegou muito atrasado e porque temos que ver se não vai haver recuos. Quero dar uma nota positiva de esperança, portanto vou dar um 13 e vou dar um oito aos autarcas que têm vindo a protestar, neste caso concreto de Vila Franca e do Barreiro. Já sabia que iam protestar, espero que não bloqueiem.
Duas notas então para o mesmo assunto, um 13 para a decisão, um oito para os autarcas que têm protestado. Protestos também, assistimos ontem, Paulo, mais uma vez no Parlamento, um episódio a envolver a bancada do Chega e Teresa Morais, que estava a presidir aos trabalhos.
Pelo segundo dia consecutivo. E mais do que protestos, aquilo é uma grosseria, basicamente. Não há palavras bonitas para descrever aquele tipo de comportamentos. Aquilo é malcriado. É má criação. Nós não suportaríamos aquele tipo de comportamentos.
Como diria o Chega: uma vergonha.
Uma vergonha. Exato. Uma vergonha é um eufemismo. Neste caso, nós não suportaríamos aquele tipo de comportamentos numa escola, alunos numa escola, aos nossos filhos, eventualmente.
No local de trabalho.
No local de trabalho, entre colegas. Seria absolutamente insuportável. Não é possível, as pessoas não se relacionam assim. Portanto, não temos nenhuma razão para achar que aquilo é normal E que aquele comportamento dos deputados do Chega já faz parte de uma normalidade. Não pode fazer. E não podemos confundir assertividade política, firmeza na defesa dos pontos de vista, sejam eles quais forem, com má criação e grosseria. Eu acho que aquilo também reflete um bocadinho o momento que passa o Chega, que há muita cabeça perdida. As presidenciais mostraram, apesar da subida de André Ventura na segunda volta, mostraram sobretudo uma grande versão da direita. A direita tolerante, se quisermos, não compra, entre aspas, o Chega e, portanto, qualquer ideia de vir a liderar aquele espaço parece completamente afastada. Muita gente de direita, cerca de 90% dos que votaram nos outros candidatos, preferiram votar no candidato socialista e não correm a André Ventura. Depois, só daqui a três anos e meio é que há novas eleições, de acordo com o calendário, e o Chega é um partido que se alimenta da campanha eleitoral, do confronto, do debate, porque André Ventura tem boas prestações nos debates, precisa daquilo pra se alimentar, pra ir mantendo uma esperança no seu eleitorado e fazendo crescer o seu eleitorado, de que vão conseguir e vão governar. E depois, à medida que o tempo passa, vão perdendo bandeiras, porque a imigração, que era uma grande bandeira, a partir do momento em que o governo, com o Chega também, mas que é aprovado pelo Parlamento, novas regras, que hão de produzir o seu efeito, enfim, perde-se um bocadinho aquela exigência de mudar as regras, porque as regras já mudaram e o próprio Chega já fez parte delas. Portanto, a questão da imigração agora é deixar a lei produzir efeitos e termina-se por ali. Depois vão aparecendo casos. Todas as semanas há um vereador que sai do Chega e bate a porta com o partido. Ontem foi o de Fundão. Já são nove ou 10. Isto em três meses, é o ritmo de um por semana. Começam a aparecer os casos inevitáveis, como é evidente, dos assessores, os tachos, leia-se, na linguagem do próprio Chega, nas Câmaras Municipais em que o Chega tem vereadores e tem acesso a isso. Portanto, são os primos, os irmãos, as namoradas, que começam a ter emprego dado pelo partido, pago com o dinheiro de todos nós. Atenção, todos os partidos fazem isto, todos os partidos têm assessores e assessoras nas Câmaras Municipais. A questão aqui é que o Chega, neste caso, toma do seu próprio veneno. Se ele olha pra toda a gente e diz que aquilo são tachos, portanto, no seu caso, também são tachos. Ainda agora a RTP tem uma notícia, depois o Chega tem aqui a sua espécie de Ricardo Robles em Lisboa. Mafalda Livermore, que foi indicada pelo Chega para administradora de serviços sociais da Câmara Municipal de Lisboa. Há uma investigação da RTP que diz que ela é dona de imóveis, que transformou em apartamentos para imigrantes em Lisboa, cobra cada um 680 € sem contrato ou recibo. Portanto, é o olha para o que eu digo, não olha para o que eu faço. Vamos ver. Enfim, de André Ventura espera-se uma reação dele. E depois, no meio disso tudo, há poucas ideias políticas, é o partido catavento, ziguezagues na lei laboral, layoff pede-se 100%, portagens, a suspensão tem que se aumentar. Portanto, o Chega não tem consistência nenhuma, vai atrás daquilo que acha que é mais popular, que é dar mais dinheiro às pessoas e por aí fora. Pra semana, de certeza que vamos ouvir o Chega dizer que o desconto dos combustíveis é pequeno e que se devia dar mais desconto, seja ele qual for. Por isso, resta-lhe gritar e emberrar e ser mal criado no Parlamento como forma de afirmação política, porque ideias e consistência não há nenhuma. E, portanto, pela má criação.
Aliás, o teu debate foi isso mesmo. O tema do debate proposto pelo Chega é mesmo pra recentrar o partido no seu eleitorado.
Na imigração. Claro, exato.
Mas vamos recentrar um bocadinho do que aconteceu ontem no Parlamento. Teresa Morais excedeu-se ou não?
André Ventura falava das mulheres violadas.
Não. Vamos ver. André Ventura disse isto, e desculpem citar, porque isto de fato nem deveria ser citado, mas André Ventura disse isso. Isabel Moreira e as líderes parlamentares do Livre e do PCP defenderam, e depois às tantas ele disse: "As mulheres deste Parlamento", estou a citar, "as mulheres deste Parlamento, quando querem ignorar propositadamente que compatriotas suas são violadas, agredidas, mutiladas, perseguidas, assediadas só por uma razão. É que se fossem portugueses, estavam aos gritos. Como são estrangeiros, protegem-nos porque preferem os criminosos às mulheres que são vítimas de crimes." Portanto, André Ventura disse isto. Teresa Morais respondeu dizendo isto. No final do debate, Teresa Morais parou pro final do debate pra dizer isto. Teresa Morais estava a presidir os trabalhos. "É minha convicção que nenhuma mulher desta casa, quer direita, quer esquerda, quer esconder violadores ou ignorar violações de mulheres." Disse isto. E foi este o motivo que levou depois a todo aquele filme, pra não usar outra palavra um bocadinho mais grave, do Chega com André Ventura, obviamente, a vitimizar-se, a dizer que está tudo contra o Chega.
E são os gritos, os apartes.
Não, e não só. E é o deputado Filipe Melo. Eu gostava muito de falar do deputado Filipe Melo, porque estava na mesa e passou pra bancada do Chega para insultar a mesa da Assembleia.
Para se juntar ao resto dos deputados do Chega.
Pra se juntar, não, para acicatar ainda mais os deputados do Chega e a sua intervenção. Pelo caminho, foi fazendo aquelas coisas que o Filipe Melo já tinha feito, mandava gins e tal. E o comportamento do Filipe Melo Tem de ser salientado, porque sai da mesa dos trabalhos para a bancada do Chega para acicatar ainda mais os ânimos. Isto não é postura de um deputado da nação. Lamento, mas Filipe Melo está ali. É mais, já não é a primeira vez que o deputado do Chega causa perturbações desnecessárias. Uma coisa são debates parlamentares.
Acalorados.
Os ânimos acalorados muitas vezes, mas Filipe Melo excede muito esse comportamento.
Já agora, o que também mostra que pelo menos ele não está à altura do cargo para que foi eleito dentro do próprio Parlamento. Não é deputado de funções na Mesa. Não está à altura, não pode ter esse comportamento.
E, portanto, aquele debate ontem tinha tudo para acabar mal assim que começou. Já se sabia que deveria acabar mal, até porque no dia anterior já tinha havido um confronto entre André Ventura e Teresa Morais. Olha, só me apetece pegar nas palavras de Inês Barroso, deputada do PSD, nesse debate, que às tantas diz a André Ventura: "Sim, o dinheiro dos nossos impostos está a custear esta tarde debate de um tema que não interessaria discutir desta forma." Foi a única pessoa com sensibilidade. De facto, acho que esta frase resume todo aquele debate. E acho que as comissões parlamentares deviam debater bem o comportamento de alguns deputados.
E arranjar maneiras de penalizar.
E perceber os mecanismos que existem.
Vamos rapidamente dar as notas sobre este assunto. Alexandra, a tua nota vai para quem?
Zero.
Eu acompanho o zero da Alexandra.
Já agora, deixe-me também dar um zero. É que perante tudo isto que o Paulo esteve aqui a elencar, todos estes problemas, estes comportamentos e que a Alexandra também referiu, ainda há quem ache que este é um partido confiável para implementar as reformas estruturais que o país precisa.
Entretanto, vens trazer aqui, Bruno, um outro assunto que tem a ver com o balanço do mandato de Marcelo. Não é a tua opinião, mas a opinião dos inquiridos. São 500.
Sim, são 500. É o povo português, uma amostra.
O barómetro do DN.
Sim, do DN. A avaliação que fazem é positiva dos mandatos de Marcelo Rebelo de Sousa. Eu não quero contrariar o povo português. Marcelo é uma má pessoa? Acho que não é. Eu não o conheço pessoalmente. Só tomou decisões erradas nestes dois mandatos? Acho que não. Acho que ninguém pode dizer isso.
Também não.
Foi um presidente sem qualidades? Também não. Correspondeu ao que muitos portugueses esperam de um presidente da República? Eu acho que sim.
Talvez.
Também não esperam muito. A verdade é essa.
Já temos aqui o nosso barómetro.
A verdade é esta: é preciso ser muito mau presidente da República para ter uma avaliação negativa do povo português.
Especialmente um presidente dos afetos e tal. Há uma parte que gosta muito.
As pessoas confundem, e confundem bem, a afetividade e a popularidade do presidente com o exercício mais sério, se quisermos, das suas funções.
É verdade. E há aqui um outro aspecto, a representação externa. Há um artigo hoje de Carlos Moedas no Observador sobre essas qualidades de Marcelo Rebelo de Sousa na representação do Estado português, que é uma das principais funções do Presidente da República, é representar o Estado português perante outros Estados. E eu acho que ninguém pode dizer que nesse aspecto Marcelo não teve qualidades, pelo contrário. E acho que cumpriu mais do que os mínimos nesse aspecto. Marcelo é um produto das elites portuguesas. E se nós muitas vezes criticamos, eu critico as elites portuguesosas, é por aquilo que falharam. Não é dizer que não são necessárias, são necessárias e a qualidade é necessária. E Marcelo Rebelo de Sousa nesse aspecto de inteligência, de cultura, de preparação, eu acho que não se pode apontar muito. Agora, numa dimensão mais institucional, eu acho que houve falhas graves ao longo destes dois mandatos e é por isso que eu não quero contrariar o povo português, mas também não consigo partilhar desta avaliação tão positiva, porque houve 16% dos inquiridos que deram uma nota muito positiva aos dois mandatos, 52% deram uma nota positiva.
Onde é que te colocas?
Eu diria do quase positivo, porque também não consigo ignorar.
Então é um 9,5.
É um 9,5. Não conseguiria ignorar todos esses aspetos positivos que a presidência de Marcelo Rebelo de Sousa também teve. Agora, na dimensão institucional, eu acho que deixou a desejar.
Foi um período bastante especial também estes 10 anos que Marcelo esteve como presidente, a pandemia, as guerras, mas eu acho que vai marcar e a história vai julgar a presidência de Marcelo pelas três dissoluções que teve em mãos. E marcam, de facto, o seu mandato. Eu acho que é preciso algum distanciamento para fazermos o julgamento final. Obviamente, tenho pena que Marcelo não passa escrito, pelo menos nas suas memórias, as razões em concreto que levaram a cada uma daquelas dissoluções e o que é que esteve por trás delas. Era importante revisitar os temas, até porque ele ontem, naquela conferência de imprensa, não sei se lhe posso chamar conferência de imprensa, porque nem todos os jornalistas puderam fazer perguntas, e foi assim uma coisa mais informal. Marcelo Rebelo de Sousa ontem tentou justificar as três dissoluções em nome da estabilidade em cada uma delas, nomeadamente uma estabilidade orçamental, e defendeu-se dizendo que das três vezes os portugueses julgaram e deram razão ao presidente. Eu acho que esta leitura das três dissoluções, eu gostava que Marcelo explicasse melhor esta sua leitura destas três dissoluções, até porque cada uma delas, cada eleição subsequente, levou a um aumento da direita populista, e voltamos ao Chega.
Que aqui faz o maior Parlamento.
Que é, curiosamente, e era esse o ponto, que é curioso que no barómetro da Aximage são os eleitores do Chega os únicos que fazem o balanço negativo dos dois mandatos de Marcelo Rebelo de Sousa. E, portanto, há aqui uma contradição, claramente.
Entre uma coisa e outra.
Dos eleitores do Chega, apenas 7% consideram que a atuação foi muito positiva e 32% consideram-na negativa, 29 muito negativa. Bom, de facto, precisamos aqui de algum distanciamento para fazer um julgamento.
Já não há gratidão.
Queres dar uma nota, Alexandra?
O Marcelo pareceu, de qualquer forma, muito cansado ontem. Chega ao fim. Também teve aquele problema com o filho durante o seu mandato. Acho que já deixou marcas.
Sim, elas matam as mães.
Que nota?
A idade não perdoa também.
O 9,5 do Bruno, o que é que tu fazes?
Eu vou deixar ainda assim um 11 para Marcelo Rebelo de Sousa, mais por causa da componente de política externa.
Da política externa. E o "Lenzou R" regressa mais logo na tarde política.
Esta sexta-feira com notas da Judite França, António Costa e do Anselmo Crespo.