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"O Investidor É" na Rádio Observador e também em vídeo no YouTube e nas redes sociais do Observador. Hoje com a Judite França, Helena Garrido e Alexandre Borges. Hoje temos um menu muito completo que inclui bifes wagyu, pessoas que ouvem Passos e festas com poucos inscritos, ou seja, IVA zero na alimentação e restauração, o IVA da restauração, congresso do CDS e as aparições de Pedro Passos Coelho. Alexandre Borges, Passos some e segue.

Some e segue. E a esta altura do ano é boa.

Vamos falar de aparições. 13 de maio.

Exatamente, é isso mesmo. Torna-se um pouco repetitivo, ainda a semana passada falámos disto, mas a culpa não é nossa. As aparições tornam-se mais regulares e na verdade acho impossível ignorá-las. Desta vez foi mais uma vez à porta fechada, na Universidade Lusíada. Semana passada tinha sido na Nova SBE, desta vez para uma plateia ainda mais reduzida, 70 pessoas. Mas evidentemente que se eu a semana passada tinha dúvidas, agora não tenho nenhumas de que Passos está plenamente consciente do eco das suas palavras. E parecem, de um modo geral, muito interessantes e é por isso que trazia o tema aqui. Acho que vale a pena olhar para elas, porque há duas coisas. Eu confesso que me é cada vez mais difícil acreditar que Passos Coelho não é candidato a nada. É claro que ele pode falar todas as vezes que quiser e deve, e se é chamado para eventos que têm por título coisas como o da semana passada, que era Portugal e o Futuro, ou este aqui tinha ainda um tema mais explícito: Governação em Contexto de Crise. É inevitável que se vá dirigir aos assuntos a que se tem dirigido. Mas da forma particularmente como fala, como pressiona a governação, como até critica a própria oposição, ou Passos é candidato a primeiro-ministro, ou é candidato a novo Medina Carreira. Bem falta faz. A minha esperança era provocar esta reação em ti, Ricardo. Era isto, obrigado. Até porque lá em casa eu sei que há meninos que já não sabem quem é o Medina Carreira.

As pessoas que ouvem no carro que não sabem quem é Medina Carreira, foi ministro das Finanças, foi um comentador particularmente cáustico e que depois teve até uma coluna de opinião na SIC. Eu, de resto, também falei algumas vezes com ele na rádio. Medina Carreira era sucesso garantido ao nível do ácido.

Posso dizer-te que nesses anos, era tão um sucesso Medina Carreira, que ele conseguia passar géneros, isto é, eu na altura escrevia e trabalhava com um magnífico imitador da nossa praça, ator e imitador, o Bruno Ferreira, e fazíamos uns esquetes no "5 Para a Meia-Noite" e uma das personagens mais amadas era a imitação dele do Medina Carreira. Normalmente aquilo era jogadores de futebol, aqueles políticos muito mediáticos. E o Medina Carreira fazia aquilo muito bem, mas era particularmente amado, porque o Medina Carreira tinha aquela coisa de que era de esperar, ele encontraria sempre a noite mais funda no dia mais solar.

Exatamente. Portanto, tu achas que Passos Coelho se está a transformar no Medina Carreira?

Sim. Eu acho que ele é candidato a uma coisa ou outra. Ou é a primeiro-ministro, ou a Medina Carreira, neste sentido, e agora sem ironia: à figura que faz o papel que o Medina Carreira fazia, que para mal dos nossos pecados, tipicamente estava certo. Nós muitas vezes não queríamos ouvir porque tínhamos receio das más notícias e queríamos acreditar que um discurso mais otimista poderia fazer tanto sentido quanto aquele, que eram diferentes interpretações da realidade. Mas tudo deu razão a Medina Carreira, ao seu tempo, particularmente o desastre financeiro do país que conduziu ao pedido de assistência internacional. É que no discurso de Pedro Passos ontem, ele volta a insistir numa tecla que acho que foi nova na intervenção da semana passada, isto é, além das críticas abertas a Luís Montenegro e algumas a António Costa, dirige-se repetidamente a toda a classe política em geral, à sua decisão deliberada de não dizer a verdade às pessoas, de entreter as pessoas com falsas boas notícias. Ele chega até à União Europeia, mesmo referindo-se à perspetiva europeia, particularmente sobre a sustentabilidade das pensões, e para falar na importância de haver quem diga a verdade às pessoas, não só na política, mas fora. Ele refere-se diretamente ao que aconteceu em 2011, dizendo: "Isto não precisava de nos ter acontecido, porque havia pessoas a alertar-nos para os riscos do que se passava". E portanto, assim me parece. Acho que verdadeiramente que, e tendo em conta a constância com que se dirige ao país a falar destas questões. E depois ele toca em dois ou três pontos e no fundo, o essencial das mensagens parece muito importante. Só há uma coisa que eu criticaria no discurso de Passos Coelho, de facto, que é dizer que pagamos um absurdo de impostosNão é possível que ele tenha concluído isto agora. Não é possível empatizar com esta parte do discurso de Passos Coelho depois de ter sido, na minha opinião, com toda a razão, o autor do enorme aumento de impostos, responsável pelo enorme aumento de impostos, por usar as palavras do seu ministro das Finanças, Vítor Gaspar.

Também num período particular.

Com toda a razão, é isso mesmo. Mas alguns deles não voltaram a descer desde então, e a gente pode já abordar isso quando formos falar a seguir da intervenção do ministro das Finanças hoje. Era a única coisa que eu apontaria. O resto, particularmente, desculpa só dizer isto, quando ele toca na questão de que nos andam a enganar com o bónus dado anualmente pelos governos Montenegro e Costa aos pensionistas, quando a situação nas pensões nós não sabemos qual é que vai ser daqui a 10 anos, é fundamental.

Judite.

Eu acho que Pedro Passos Coelho fez aquilo que sabe fazer bem, que é dizer aquilo que toda a gente sabe, mas ninguém quer ouvir, e dizendo que os líderes preferem contar histórias de Carochinha às pessoas, a explicar aos portugueses aquilo que é preciso mudar e ter conversas sérias, que normalmente são desagradáveis. É verdade que as pensões têm um problema de sustentabilidade, é verdade que a carga fiscal expulsa os mais novos. Achei curioso até o fato de dizer quanto é que ganha. Até isso Pedro Passos Coelho disse. De facto, está de uma forma desabrida a falar sobre tudo, sem qualquer tipo de pejo. E disse uma série de coisas que são inconvenientes de dizer em público. Por quê? Porque em público há eleições a ganhar, e esse é o problema. Eu acho que Montenegro, concede Pedro Passos Coelho, até tem alguma vontade de reformar. Mas diz que fá-lo sem profundidade, sem velocidade e sem consequência. E os problemas ficam e o futuro acaba por se aviar da mesma forma. Eu acho que a lição que Pedro Passos Coelho tirou do tempo em que governou num país intervencionado pela troica é que houve quem avisasse com muita antecedência, como o Alexandre dizia há bocado, que tinha havido quem tivesse avisado pro que vinha a acontecer, mas que ninguém quis saber. E de facto, essa é uma lição que o sistema tirou. E desde então, aquilo que nós podemos dizer é que temos uma espécie de Carochinha no centro da governação portuguesa, e eu acho que aqui a Carochinha ganha eleições, de facto. Se nós continuarmos a contar histórias da Carochinha e as pessoas continuarem a acreditar e preferirem isso a esta dura verdade, nomeadamente sobre a questão da Segurança Social, que eu acho que devagar, devagarinho, é isso que nós vamos acabar por falar daqui a muito pouco tempo. Porque de facto, a sustentabilidade da Segurança Social é um tema tabu, e não pode ser, as pessoas têm que falar sobre isso.

Então, Helena Garrido, quem é o João Ratão?

No caso da Carochinha, eu diria muito bem pensada a questão de se transformar em Medina Carreira. Muito bem pensado. É um risco que ele corre e que revela bem o bloqueio em que tudo isto está, porque, na minha perspectiva, o Pedro Passos Coelho está a refletir as preocupações que se começam a identificar em algumas áreas de falta de iniciativa deste governo, de o governo estar como que bloqueado e incapaz de concretizar as medidas, incapaz de dar passos corajosos, até do ponto de vista político, porque no caso da reforma laboral, há erros políticos de palmatória, de gestão e de estratégia política e de políticas. E eu estaria inclinada a pensar que Pedro Passos Coelho está a ser a voz de preocupações que nós começamos a identificar aqui e ali, sobretudo no mundo empresarial, em que nós vemos que há aqui como que uma decepção, eles não estão a ser capazes, e algumas das coisas que estão a fazer são tiros nos pés. Vejamos agora esta questão da lei da nacionalidade, em que vai aumentar a litigância com uma série de investidores com muito dinheiro, que é isso que estamos a fazer, a identificar, a processarem o Estado português por causa daquela alteração do número de anos para aceder à nacionalidade, e que é um problema complicado por causa dos fundos de investimento que eles têm de constituir. Eu diria que Passos, eu não tenho informação, mas a forma como sistematicamente Passos está a pressionar o governo, dá-me ideia que ele é a voz de uma preocupação que está em crescendo num regime que está bloqueado, porque mesmo que Passos seja candidato a alguma coisa, é candidato como? É que este governo só cai se o PS e o Chega se aliarem. O Alexandre fará melhor essas contas do que eu, mas tanto quanto sei, é só se eles os dois se aliarem. O regime está bloqueado, o governo parece bloqueado, incapaz de ter coragem política. Nós estamos sempre a falar dos mesmos problemas, se vocês repararem. É a saúde, é o aeroporto de Lisboa, é a nacionalidade, é os imigrantes, é a justiça, é a habitação, um problema gravíssimo. E parece que não saímos do mesmo sítio. E agora, não sei como é que isto se desbloqueia e não estou a ver como é que ele pode ser candidato a alguma coisa.

Eu acho que é mais de facto candidato a Medina Carrara.

Querem dar uma nota?

Não, a minha esperança é que as intervenções de Pedro Passos Coelho cheguem ao governo e façam o governo reagir e ser mais corajoso. Dou-lhe um 18 a Passos Coelho.

Judite.

Eu não ia tão longe, mas vou dar um 16 a Passos Coelho.

E tu, Alexandre, queres deixar uma nota? Ainda vamos abrir um outro tema.

É um 15 a Passos Coelho.

Um 15.

Muito favorável.

Muito puxado.

Alexandre, sabes que este fim de semana se assinala o Dia Internacional dos Museus?

Sei.

E há congresso do CDS em Alcobaça.

Pois estou divididoAgora, qual é que vou

Qual dos museus?

Exato. Agora percebo melhor então as razões da ausência de tanta gente, se calhar não quiseram revelar.

Mas vão todos ao museu.

Eventualmente.

À noite.

À noite, exato. O Público hoje fazia uma peça sobre este assunto e aparentemente, segundo dizem os autores da peça, alguns dos militantes contactados ficaram a perceber que havia congresso através do contato do Público. Portanto, ficamos a saber que António Lobo Xavier não vai, tem compromissos familiares. Diogo Feio também não vai, porque diz não ter nenhuma expectativa em relação ao congresso e que há muito tempo defende uma fusão do CDS com o PSD. Ana Rita Bessa, antiga deputada, também não vai. Ribeiro e Castro não dá certezas, mas diz que à partida não vai. Pedro Mota Soares diz que ainda não sabe se estará em Portugal nessas datas. É daqui a dois dias.

Exato.

Cília Meireles não respondeu, Assunção Cristas também não, Paulo Portas também ainda não sabe, da última vez mandou um vídeo. E portanto, a gente fica a achar que mais alguém também vai ter aquela do cão comeu a minha ficha de inscrição e eu não pude. Há um caso particular que é o de Francisco Rodrigues dos Santos, que não vai. Também diz que não tem ido e que assim vai continuar, e que a expectativa dele é de que nada mude.

Até achava que ele já não era do CDS.

Pois, ele já considerou desfiliar-se, exatamente. Mas diz que a expectativa dele é que nada vai mudar, vai ficar tudo na mesma. É um caso particular, porque vale a pena lembrar que muita gente saiu do CDS durante o mandato do Rodrigues dos Santos. Francisco Mendes da Silva, António Pires de Lima, Adolfo Mesquita Nunes. No caso do Mesquita Nunes a dizer que o partido já não existia, aquelas coisas. E eu acho que o próprio Francisco Rodrigues dos Santos se deixou a ele mesmo, aparentemente, que foi com ele que o CDS deixou de ter representação parlamentar, e das últimas vezes que ouvi falar dele, são pessoas que estão a gostar imenso de ver na televisão, mas são muito pessoas de esquerda que me trazem estas notícias. E, portanto, o CDS, vamos ver, já foi o partido do táxi, arrisca-se a ficar o partido da trotinet, se não pedalar muito. Até porque tem que ver o espaço à direita, como é que se organiza, que neste momento está ocupado por PSD, Chega, IL, Pedro Passos Coelho. E depois há aqui só um espaço onde pode entrar o CDS.

O ministro das Finanças esteve hoje no Parlamento, não foi particularmente meigo. Falou, por exemplo, sobre o IVA da restauração, o IVA zero para o cabaz alimentar e ainda assumiu como muito provável a possibilidade de um déficit este ano. Helena Garrido, João Gonçalo Sarmento não esteve com meias medidas hoje.

Não, em termos gerais, eu diria que esteve bem e criativo até. Embora inspirado no economista Pedro Brinca, mas criativo na defesa das suas posições, mas com algumas contradições. Vamos começar pelo IVA zero. A Judite quer falar do IVA da restauração.

Vamos falar de dois IVAs relacionados com alimentos, mas são dois IVAs diferentes.

Exatamente.

Uns cozinhados e outros sem ser cozinhados.

Um do presente e outro do passado.

Onde é que entram os bifes no meio disso tudo?

No IVA zero. Como nós sabemos, o PS tem vindo a defender o IVA zero na alimentação, para enfrentar a crise. O governo tem sido oposto. A maior parte dos economistas é contra, porque não faz sentido nenhum. Estamos a prescindir de receita fiscal que beneficia tanto ricos como pobres, entre aspas, já que o IVA é um imposto regressivo, e o governo tem vindo a dizer que não vai fazer isso. E com alguma graça, de facto, houve aqui um exemplo do Pedro Brinca que mostra bem o que é isto quando nós falamos em termos abstratos do imposto regressivo, que é na prática o bife wagyu, não sei se é assim que se diz.

Wagyu.

É wagyu.

Wagyu.

Wagyu.

Na pronúncia.

Estou os tempos de rádio em Osaka.

Eu sou muito afetado pela pronúncia do sul do Japão.

Agora fiquei impressionada. Wagyu.

Eu vou te ensinar, Helena. Isto na rádio tu tens é que dizer com convicção.

Não sei se é só na rádio.

Na rádio como na vida.

Exato. Na rádio como na vida.

Convicção.

É mostrar que é assim. Então voltemos ao bife wagyu.

Wagyu.

Que o Pedro Brinca, com o seu exemplo, citado por Miranda Sarmento, diz que também o Cristiano Ronaldo pagaria zero de IVA nos seus bifes.

Estes bifes são caríssimos, só para termos noção do que estamos a falar.

Exatamente.

São daquelas vacas massageadas, que ouvem Mozart.

Dizem que sim. E já experimentei também, mas dizem que sim. O que nós temos neste enquadramento? É, neste caso concreto, o ministro esteve bastante bem e conseguiu dar, com a ajuda do Pedro Brinca, o exemplo do problema que é o IVA zero. E depois também referindo que Portugal não é dos piores países em matéria de apoios às pessoas, na sequência da crise, não irão. Portugal, dependendo das contas, o grupo de reflexão Bruegel coloca Portugal na quarta posição entre os países que mais apoios em porcentagem do PIB. Onde é que está o problema do governo? É que ele próprio também andou a desperdiçar dinheiro com o IRS Jovem. E voltando aqui também a uma outra questão que esteve em cima da mesa esta tarde no ParlamentoHá um outro aspecto que eu diria que o ministro das Finanças também não esteve tão bem, que é quando responsabiliza a oposição pelo aumento da despesa, dizendo que se a despesa aumentou, foi por causa das medidas aprovadas pelo Parlamento. Ele esquece que o Parlamento tem essa legitimidade e um governo sem maioria, obviamente, que não pode apresentar um orçamento em que não conta com medidas que possam ser, independentemente de concordarmos com ela ou não, por exemplo, a eliminação das portagens, o que é certo é que o governo tem de contar com esses apoios, já que é um governo minoritário e as regras do jogo são exatamente essas.

Judite, o teu IVA.

O meu IVA da restauração, isto porque achei curiosa a formulação de Miranda Sarmento, porque disse que o IVA da restauração é um erro, que custa mil milhões de euros por ano, que já em 2016 foi puro populismo e que ele o critica desde então. E então a deputada do LIVRE perguntou-lhe o óbvio, que é: então por que não reverte? E o ministro das Finanças fez uma nota artística, porque refugiou-se na aritmética parlamentar para dizer que 96 deputados não chegam, precisávamos de 116 e o Parlamento que se resolva então. E, portanto, no fundo, quando queima, o melhor é passar a batata quente ao próximo, porque subir o IVA da restauração é altamente impopular, como sabemos. E esta é uma resposta tecnicamente correta, politicamente é muito cômoda, sim, porque o governo faz o diagnóstico, lamenta, mas depois diz: "É a oposição então que faça o seu papel e se o erro é de 2016 e a responsabilidade não é deste governo, então a assembleia que corrija." Enquanto isso, o governo tira o time de campo e não vai fazer nada sobre o assunto. E eu acho que a única coisa mais cara do que o IVA da restauração é o ministro que tem razão, mas depois não faz nada com isso.

Este é mais um exemplo da falta de coragem do governo. Se o governo é contra, tem que ter a coragem de apresentar uma medida. Agora, como ela é impopular, obviamente, temos aqui mais um exemplo. O ministro deu-nos de bandeja um exemplo desta falta de ímpeto e, sobretudo, a falta de coragem de adotar medidas que não vão ao encontro do sabor popular.

Mas em vez disso, conta-nos a história da carochinha.

Exato, é uma história da carochinha.

Isto tudo dá a volta, Alexandre.

What goes around comes around. É isto. Ou seja, voltando, de facto, um pouco aqui. É o problema, enfim, sobretudo o IVA, ainda por cima Portugal tem um IVA altíssimo, 23%. Em Espanha é 21, Itália 22, em França 20, na Alemanha 19. O exemplo do Pedro Brinca é válido agora, como seria ao contrário. Quer dizer, quando o IVA disparou de 13 pra 23%, justamente durante o período da Troika.

Também os mais castigados foram os mais pobres.

Exatamente. Também foi a tosta mista que aumentou. Foi tudo, foram as batatas, foi o pacote de leite, foi isso tudo. Para a pessoa mais desafortunada e, portanto, justamente deixou-se ficar. Ou seja, não me parece injusto, isto é, há muitos impostos que se deixaram ficar. A taxa máxima do IVA também subiu nessa altura, se bem me lembro, de 22 pra 23, não tenho a certeza, Helena, mas acho que foi isto. Acho que com o Sócrates já tinha subido de 21 pra 22.

Sim, exatamente.

E, portanto, essa ficou sempre. Agora, tê-la revertido numa situação em que o país já não estava em crise, é muito justo.

Desculpa só interromper um minuto. Uma coisa é reverter ou reduzir a taxa do IVA, que também concordo, altíssima. Outra coisa é tu, por causa da crise, aplicares temporariamente uma taxa zero, quando podes usar esse dinheiro de forma muito mais eficaz para apoiar as pessoas.

No apoio direto.

Tal e qual. Ou seja, aqui na questão dos dois IVAs, do IVA contra IVA que temos aqui. Do ponto de vista daquele que é o da restauração, não me parece que Miranda Sarmento tenha razão nenhuma nisso. Até porque estes impostos, depois, quando são aumentados, a gente sabe que os empresários têm muita dificuldade de os colocar do lado do consumidor, porque senão ficam sem clientes. Portanto, tipicamente vai às margens de lucro, come-as, basicamente, foi o que aconteceu nessa altura. E houve muitos sítios que fecharam. E depois, quando é pra reduzir, então já não se deixa reduzir, porque se diz que aquilo vai ficar tudo de lucro pro empresário. Portanto, é sempre pernicioso isto. Do lado da questão do IVA no cabaz alimentar, aí já me parece que o ministro tem mais razão, mas há um lado que falha. Isto é, porque seria esse benefício indiscriminado pra quem pode e pra quem não pode pagar. Mas há um lado que continua aqui a falhar, que é: já se propôs ao governo, então, se não quer fazer isso, encontrar uma forma qualquer de devolver o IVA, o montante pago em IVA, às pessoas com menos rendimentos.

Já aconteceu.

Isto já foi feito.

Os 150 euros.

Mas foram tanto? Foi, e para rendimentos até relativamente elevados.

Exato. Mas quando é que isso aconteceu?

Foi na crise, há tanta crise. Eu acho que foi na crise da Ucrânia.

Ou o início da guerra.

Quando, com o aumento dos combustíveis, o Estado lucrou bastante com o IVA.

O dinheiro era segmentado.

E depois foram dados 150 €, ainda é uma fatia importante.

Muito considerável. Essa mesma proposta já se fez.

É esta a ideia que havia de fazer exatamente.

Não te vou dizer como é que gastei os meus.

Nas tuas aulas de japonês, no teu curso prático de japonês, japonês do sul.

Tourei tudo, meninos, não façam isto. A forrar.

Mas já se propôs que o governo fizesse a mesma coisa agora. E o governo disse, isto já há um mês ou dois, que não, mas estava a considerar uma proposta similar. E nessa mesma altura comentámos aqui, ou eu comentei aqui na altura, que um dos maiores problemas do governo, muitas vezes nestas coisas, é a sua lentidão. Há dois meses e meio que a guerra acontece. Há muito tempo que são estudadas medidas de resposta. E o próprio governo foi rápido a agir na questão do imposto sobre os combustíveis. Quando exatamente é que está a pensar atuar sobre a questão do cabaz alimentar? Quando a guerra acabar? Quando o Estreito for reaberto?

Na altura, acho que o governo de António Costa demorou quatro meses a tomar uma primeira medida, porque também há uma corrente que defende que não nos devemos precipitar em medidas e ir tomando medida a medida, conforme as necessidades.

Porque não se sabe a dimensão nem o efeito da crise. Começas a desperdiçar munições, podes estar a desperdiçar munições cedo demais. É uma questão de prudência, é esse o argumento.

Vamos às notas para o senhor ministro.

Eu para esta estratégia de eu até fazia, mas não posso, porque não tenho número suficiente no Parlamento, vai um 10. Vale o que vale.

Mas deixa-me perguntar, sabendo que pode não ter sucesso, também não é prudente do ponto de vista político não apresentar?

Mas eu não sei se não pode ter sucesso. Aparentemente, há outros partidos que concordam com isto, com certeza.

Se nos inspirarmos na teoria de Passos Coelho, o governo deve apresentar aquilo que é a sua convicção e depois mostrar ao eleitorado que não consegue fazer.

E o eleitorado fazer as suas contas. Helena, que nota tens?

Eu dou um três ao ministro, porque acho que ele genericamente esteve bem. Não considero que tenha estado tão bem ao falar em desperdício de recursos em matéria de impostos, quando o governo também desperdiçou muito dinheiro com o IRS Jovem, que é política e não política económica.

E o FMI até fez recomendações no sentido de acabar com o IRS Jovem. Alexandre?

Estava a pensar na boa questão.

Já não vamos ter tempo para falar do déficit do subsetor Estado.

Estás-me sempre a enganar com essa. Dizes: "Anda lá hoje, que é hoje que a gente vai falar." Não.

Desculpa.

Ia dizer sobre a boa questão que estavam a levantar sobre não atuar demasiado cedo. Acho que uma medida como estas, por exemplo, deste reembolso às pessoas mais desfavorecidas, é daquelas coisas que facilmente depois também interrompes. Isto é uma medida de emergência, não estás a mexer estruturalmente nos impostos.

É um one shot.

Exatamente. Mas admito que pudesse não fazer sentido ou até contribuir para o aumento da inflação. A nota para o senhor ministro fica a taxa intermédia, é o 13 também.

Um 13. E o Venceré regressa amanhã, às manhãs 360, depois das 08h30. Amanhã com o José Manuel Fernandes, o Paulo Ferreira, o Bruno Vieira Amaral e o Rui Pedro Antunes.