Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

E o Vencedor é na Rádio Observador e também em vídeo e nas redes sociais do Observador. Hoje com a Judite de França, Anselmo Crespo e o António Costa. Hoje temos temas incríveis. Temos, por exemplo, o imobilismo do Chega face à lei laboral. Ainda temos a reforma do Tribunal de Contas, caos nas filas dos aeroportos do país. São temas calientes a condizer com o fim de semana, mas começamos por algo mais fresco, Judite, pelo barómetro hoje conhecido que põe a AD em terceiro lugar, o barómetro do Diário de Notícias.

É verdade, o barómetro da Aximage para o Diário de Notícias que foi conhecido hoje, sendo que há duas sondagens com dias de diferença que têm o mesmo resultado final, que é o Partido Socialista à frente, mas elas são muito diferentes. Aquilo que podemos ver é que um ano depois das legislativas de maio de 2025 terem atirado o PS pra terceira força parlamentar, os socialistas voltam a estar na liderança e segundo este barómetro da Aximage, com muita margem. Eu disse Aximage, não é? É Aximage.

Aximage.

Com muita margem.

Aximage.

Não rima, mas é o que é.

Aximage.

Mas tem uma grande margem de erro.

Mas tem uma grande margem. Não.

Quatro e tal.

É verdade, tem uma grande margem de erro.

Grande margem de erro.

Mas o PS também aparece aqui com 33,4%.

Também dá uma grande margem.

Que é uma grande margem. A AD cai pra terceiro lugar com 23,2%, em empate técnico com o Chega, que tem 23,5. Isto são quase 10 pontos de vantagem, acima da margem de erro. E a sondagem da Intercampus pro Correio da Manhã, que foi divulgada no final da semana passada, se eu não estou em erro, acho que foi na sexta-feira também, apontava no mesmo sentido, mas com valores muito diferentes, e muito mais modestos também, números muito mais modestos. O PS com 23,4, a AD com 20,6 e o Chega com 19. Uma das duas não está correta, obviamente, só uma coisa é que é igual, o PS vai à frente e vai à frente pela primeira vez desde as eleições. E eu acho que aqui o que é interessante é olhar pra aquilo que mudou, e eu acho que mudou o contexto, a forma como José Luís Carneiro reposicionou o PS num centro-esquerda mais calmo. E eu acho que os portugueses estão a responder a isso. Mais calma em relação àquilo que havia.

É que essa semana foi bastante vazada.

Essa semana não foi calma.

Pra citar Francisco Assis, menos excitado.

Menos excitado, sim. Mas a verdade é que o PS não ganhou tanto quanto a AD perdeu. E, portanto, eu acho que esta também pode ser a leitura. E temos um desgaste normal de dois anos de governação, marcados por uma série de questões, nomeadamente por aquelas que não são capacidade do governo de dirimir, nomeadamente aquilo que se passa no mundo. Mas temos uma análise regional que eu gostava só de referir, porque temos o país partido em três pedaços. E temos o Chega que lidera na área metropolitana de Lisboa, segundo esta sondagem, com 31%. E eu acho que este é um número que devia preocupar o governo e devia preocupar a coligação, não tanto o Partido Socialista, porque perder pro PS é uma coisa, perder Lisboa, perder Ventura é outra completamente diferente. Dito isto, vou dar como vencedor o Partido Socialista, claro. Não menos importante, o segundo lugar também deverá ser dado ao Chega, que está estabilizado e muito resistente, e a crescer.

Quer dar já a nota?

Vou dar um 14 ao Partido Socialista.

Anselmo.

Pronto, então.

O que é que tem de pronto, então?

Pronto, então.

Pronto, então.

Já é uma análise ela própria.

Já promete.

Eu embirro um bocadinho com sondagens feitas com inquéritos on-line, mas provavelmente é um problema meu. Com amostras baixas, mas também deve ser um problema meu, e com margens de erro acima de 4,4%, salvo erro. Dito isto, as sondagens, já sabemos, mostram tendências, uma fotografia do momento. Se eu fosse do Partido Socialista, eu não começava propriamente a deitar foguetes com estas sondagens.

Mas ficava mais animadinho.

Claro, dormia um bocadinho com um sorriso na cara. Desde logo, porque esta semana há duas sondagens, e como ouvi há pouco o Duarte Pacheco dizer, e com razão, não podem estar as duas certas, ou uma está certa ou a outra está certa. Até porque elas não terão sido feitas em momentos muito diferentes. E há uma sondagem que está basicamente o PS empatado com a AD, ainda que ligeiramente à frente, e há esta sondagem que está 10 pontos de diferença, que é uma diferença substancial. Eu não estou a dizer que esta sondagem não está certa. O que eu estou a dizer é que nós estamos longe de eleições, e isso muda muito a percepção das pessoas. E a leitura que eu faço desta sondagem, já agora de outras sondagens que dão uma tendência de subida do Partido Socialista, inversamente proporcional à tendência de descida da AD, pra mim é mais um sinal de demérito da governação da AD do que propriamente demérito do papel do Partido Socialista como partido da oposiçãoDir-me-ão: "Bom, mas podia ser o Chega a capitalizar isso, e o Chega não parece estar a capitalizar esse demérito da governação." Eu também acho que isso é compreensível, tendo em conta que neste momento ninguém saberá muito bem o que é o Chega. O Chega não está a crescer, mas também não está propriamente a cair muito relativamente aos resultados que teve. Está estável, como tu lembravas, e bem. O que significa que o Chega está a conseguir manter, em princípio, o seu eleitorado, mas não está a conseguir conquistar novo eleitorado. E eu acho que esse demérito da governação tem muito a ver com uma falta de adesão à realidade daquilo que é o discurso oficial do governo, e já agora do PSD, de que o país está melhor. Nós continuamos a ouvir o Luís Montenegro, os membros do governo, o próprio Hugo Soares, a insistir na ideia de que o país está melhor e de que as pessoas estão efetivamente melhores do que aquilo que estavam há dois anos, e eu acho que ninguém sente isso na pele. Claro, há um conjunto de problemas, como o aeroporto, de que já vamos falar a seguir e de que falavam aqui há pouco no Explicador. Há um conjunto de problemas que estão por resolver, mas eu não me parece que sejam os problemas do aeroporto que impactam num barómetro quando se pergunta às pessoas se elas estão-

Não, mas o custo de vida sim.

Agora, o custo de vida, sim. Eu acho que as pessoas quando vão à frutaria, ou vão ao mercado, ou vão ao supermercado, percebem claramente que qualquer dinheiro que tenha reentrado no IRS do ano passado já lá vai e que neste momento, qualquer poder de compra que possam ter ganho durante o ano de 2025, já o perderam em 2026. Para além de que cada vez que vão à bomba de gasolina percebem isso também. E eu acho que isso tem muito mais impacto do que propriamente tudo o resto, que já são problemas. O aeroporto não é exatamente um problema estrutural, mas os problemas na saúde, os problemas na Segurança Social, são problemas que vêm de trás. Claro que impactam na vida das pessoas, mas também acho que ninguém no seu perfeito juízo acharia que este governo iria resolver esses problemas em dois anos. Agora, é diferente quando isto começa a mexer com a carteira das pessoas naquilo que elas põem na mesa. E eu acho que está a mexer, e não está a mexer só para os mais pobres. Claro, está a mexer de uma forma muito mais dura para os mais pobres, mas está a mexer com a classe média, que é exatamente o eleitorado da AD, e é exatamente para aí que a AD aponta.

Até arriscaria dizer que está a mexer mais para a classe média.

Seja lá o que isso for, classe média em Portugal. É uma classe média-

Uma classe média muito alargada, mas que-

Muito média

...com pouca margem de poupança, com pouca margem de amortecer e incorporar impactos de preços. Vamos lá ver. Não querendo ser mal interpretado, esta coisa dos portugueses que estão melhores, portugueses que estão piores, é uma generalização que depois é difícil de fazer, de ter leitores. Mas tentando ter uma leitura fina, há portugueses que estão melhores, há outros que estão piores. Parece-me uma coisa de lapalíssima, mas depende, de facto, e neste caso concreto, eu não me prendo à dimensão da diferença de percentagem de intenções de voto num partido e noutro. Estes 10 pontos parecem-me absolutamente exagerados, mas com estas margens de erro e com 500 pessoas na amostra e com todas as limitações técnicas que isto tem. Mas vamos sublinhar a tendência, digamos assim, que se vai consolidando nesta fase de um PS à frente da AD. Há o tema, de facto, dos combustíveis, que tem um impacto real na vida de muitos portugueses, obviamente, e nomeadamente uma classe média, média-baixa, que não tem margem para acomodar aumentos de gastos nos combustíveis sem penalizar outro tipo de gastos, nomeadamente sem deixar de comprar outras coisas para pagar os combustíveis. E depois, numa discussão, essa sim, me parece mais de perceção, para voltar a este tema, do que realidade, sobre um certo estado da economia que, somado a uma ideia que o governo tem gerido mal por incapacidade política, que é de que é capaz de mudar e de fazer reformas e como as pessoas não percebem, não sentem, não veem, e depois ainda veem, nomeadamente nos combustíveis, e depois percebe-se no cabaz, já alguma pressão no preço, no cabaz nomeadamente alimentar. Isso cria aqui um caldo que torna, de facto, a avaliação da situação económica, eu creio, pior do que ela realmente está. Vamos ver, quem tem casa comprada, os juros da habitação não aumentaram, até diminuíram nos últimos dois ou três anos, e nestes três meses o aumento foi absolutamente marginal. Quem tem rendas, nós estamos sempre aqui a discutir que as rendas estão a aumentar, mas estão a aumentar para quem muda de casa, para quem entra no mercado, quem tem contrato de arrendamento, o preço não mudou. Os impostos desceram, de facto. Portanto, eles foram parcialmente comidos neste início do ano, nomeadamente em famílias ali no limite. Por isso é que eu dizia, classe média e média-baixa, que tem automóvel, mas está com esforço, mais do que, por exemplo, classe mais baixa, que, na verdade, pode ter marginalmente algum impacto nos preços, e o cabaz mostra alguma coisa, mas que normalmente usa transportes públicos, e os transportes públicos não aumentaram, que nós sabemos. Portanto, há aqui uma perceção de situação económica que eu acho que é mesmo pior do que aquela que é realmente.

O dinheiro disponível ao fim do mês é menos.

Não sei se é menos. Eu, por acaso, acho que não é menos. Eu acho que depende dos grupos em que estamos a falar.

Quem tiver de fazer 40 quilômetros por dia, é evidente.

Não se esqueçam que estamos na altura-

Ela foi mais, eles foram mais

...estamos na altura de marcar férias e pagar férias.

Sim.

E essa classe média é a classe média que está habituada a fazer férias e que este ano percebe que os preços das passagens aéreas dispararam brutalmente, que os hotéis estão brutalmente caros.

Já estavam.

Mas estão mais.

Eu acho é que há realmente uma discussão sobre a situação.

Está a ficar difícil viver em Portugal, é isso que eu estou a dizer.

Mas já estava. Vamos lá verEm janeiro, os portugueses passaram a descontar menos IRS do que descontavam em dezembro. Uns pouco, também depende do salário, obviamente. Eu não estou a dizer que não há segmentos da população sob maior pressão. Diz-me quantas pessoas em Portugal é que fazem 40 km todos os dias de carro para ir pro seu trabalho. Haverá muitos. São aos tantos. Se calhar há mais do que vem de comboio, vem de autocarro, e esses não tiveram impacto nos preços, porque esses não aumentaram. Há uma discussão, e eu até admito uma certa sensação, eu ia dizer de pânico, mas de medo sobre o que aí vem. E isto tudo metido, esta incerteza e o medo, estas coisas de alguém ir ao site e dizer: "Eu estava a pensar ir para o Algarve", eu já não falo em férias no estrangeiro, ou no estrangeiro, numa Ryanair. Isto está um bocadinho mais caro e se calhar não vou. Isto é antecipar uma situação econômica que realmente me parece é pior, digamos assim, do ponto de vista da percepção e do ambiente, do que propriamente da realidade.

E agora vamos a esse tema quente, o imobilismo do Chega. Anselmo Crespo, o imobilismo do Chega quanto à lei laboral, os nossos ouvintes estavam à espera.

Por acaso, não sei se alguém está muito surpreendido, mas eu acho que os últimos meses, quer em relação à lei laboral, quer em relação a outras, serviram um bocadinho para percebermos, quem ainda não tinha percebido, que caiu a máscara ao Chega. Ou seja, não há nenhuma reforma possível de se fazer com um partido que basicamente estará sempre do lado daquilo que for mais popular, ou dito ao contrário, estará sempre contra qualquer medida que seja impopular. Como eu não conheço reformas e sobretudo, processos de alteração que não impliquem alguma dor, não há reformas indolores. Eu não sei muito bem o que se pode esperar de um partido que, mesmo admitamos que um dia chega ao poder e governa, eu não sei o que se pode esperar de um partido assim.

Que chegou a dizer que ia mudar tudo.

Chegou a dizer que ia mudar tudo e mais do que isso, todas as promessas que André Ventura tem feito ao longo dos anos, se recuarmos só dois anos, foi desde aumentar todas as pensões para o nível do salário mínimo nacional, cobrar aos lucros das grandes empresas e dos bancos, taxar os lucros das grandes empresas e dos bancos para depois devolver em prestações sociais, usar fundos europeus para aumentar pensões. E agora esta coisa da idade da reforma que André Ventura diz que pagará usando as contribuições dos imigrantes. Portanto, o nonsense é tão grande, que não é muito estranho que quando se vai para um processo negocial com o Chega, colocando isto tudo em cima da mesa, torna-se um bocadinho impraticável conseguir chegar aqui a um meio-termo. E portanto, esta reforma do Tribunal de Contas, por exemplo. A reforma do Tribunal de Contas é muito simples. André Ventura usou isto para levantar a bandeira da corrupção novamente, confundindo propositadamente. Não é porque ele não saiba do que está a falar, ele sabe precisamente do que está a falar, mas ele aproveitou apenas o pretexto para cavalgar a onda da corrupção novamente. E portanto, assim é completamente impossível ter um debate sério sobre o que quer que seja com um partido com estas características. E também por isso, o país está a viver um impasse. Não é apenas porque o governo não tem maioria, é porque o governo não tem com quem dialogar, neste momento. Ultrapassada a questão da imigração, eu tenho muitas dúvidas que o governo tenha grande capacidade de diálogo, quer com o Partido Socialista, quer com o Chega. O Partido Socialista, porque está animadíssimo com sondagens e a cheirar-lhe a eleições, o Chega, porque fundamentalmente está a tentar capitalizar este descontentamento de que ainda agora falávamos, para poder tirar benefício dele quando chegar a altura das eleições.

António.

Isto tem várias dimensões, de facto, porque nós não percebemos bem este voto do Conselho Nacional do Chega contra uma estratégia, obviamente, de Ventura para ganhos de causa depois de uma negociação. Mas é interessante duas coisas: o Chega e o PS juntos nessa dimensão de procurar garantir o mesmo universo eleitoral. Se nós olharmos, independentemente, já discutimos aqui a reforma laboral sobre vários aspectos, mas há um dado que é uma reflexão que eu acho que eu, pelo menos, nunca fiz nestes termos, que é: de facto, há um certo país instalado e protegido por contratos de trabalho. Protegido de acordo com a lei. E há uma outra parte do país que não está nada instalada, que são os precários, e toda gente reconhece todos os dias que a situação de precariedade no mercado de trabalho português é enorme, que os jovens, que os não qualificados, que há um conjunto muito alargado de trabalhadores, ou que querem ser trabalhadores, ainda não chegaram ao mercado de trabalho, ou que são e que estão nessa situação, e que estão numa desvantagem brutal do ponto de vista dos incentivos que a lei dá à sua entrada no mercado de trabalho. Que o PS, na oposição socialista, digamos, tenha essa posição

Enfim, não me surpreende que o Chega tente ficar também com esse eleitorado. E o Chega que diz que é muito reformista, que quer mudar o sistema, que quer reformar, e que tente tapar e agarrar o mesmo universo eleitoral, de fato, mostra, talvez explique, porque nós temos visto uma transferência de votos da esquerda pro PS, e os dados vão indicando isso, e do PS pro Chega, mais do que do PSD pro Chega, o que é interessante, havendo também, obviamente que há. Mas isso mostra que, de fato, e eu creio que o Costa tem razão, esgotou-se com o tema das leis de imigração em termos gerais, portanto, estrangeiros, nacionalidade, agora retorno, o espaço de conversa possível com o Chega. E eu creio que o governo está nesta altura no impasse de gestão. Aliás, nós temos visto, estávamos a falar do Tribunal de Contas. Eu não me lembro de ter visto, nem no tema laboral, uma reação corporativa tão forte de tribunais, desde logo do Tribunal de Contas, mas do Conselho Superior de Magistratura, de tribunais, de órgãos desta área de fiscalização de contas públicas e internacionais, de associações, contra esta lei, que ainda agora está a ser discutida. Portanto, é uma proposta, vamos ver como é que vai evoluir. Ora, de que lado é que está o Chega? Está do lado de ficar tudo na mesma. E o argumento é sempre o mesmo.

É corrupção.

É corrupção. Como se nós, com a atual lei, não tivéssemos corrupção. O Chega passa a vida a dizer que estamos cheios de corrupção. Vem a nova lei e diz: "Não, não pode ser, porque isto foi ainda mais corrupção." É, de fato, uma situação difícil de ultrapassar, que é esta constatação de que estamos presos e capturados, apesar de todos reconhecerem que isto está mal e que é preciso melhorar.

Tens alguma receita pra desatar o nó?

Eu não, porque eu acho que o populismo vive de promessas e de inimigos, não é? Não vive de soluções.

Dos medos.

Sim.

Desculpa, mas deixa só acrescentar uma coisa muito rapidamente. Também cabe ao governo fazer pela vida, que é explicar aos portugueses as virtudes, e nem sempre tem sido capaz de explicar as virtudes e as vantagens das mudanças que propõe.

Sim, porque é aquela história, nós já sabemos que a matemática mostra que é impossível, mas aquela história de eu trabalhei 40 anos e agora devia poder reformar-me, em muitas cabeças faz muito sentido. Por que o governo tem que continuar?

Tem que explicar.

Pronto, é preciso.

É preciso explicar, é preciso falar com as pessoas.

É preciso explicar, mas é um tema que ninguém quer pegar.

Resta saber se depois da explicação, as pessoas vão entender realmente o que está em causa ou não.

Algumas entenderão, mas outras não.

Outras não e ninguém vai gostar.

Como é aquela coisa: "Entendedores entenderão."

Sim. Eu acho que neste momento o Chega mostra que é um partido de oposição por vocação. Não é acidental continuar na oposição. E não porque o PS ou o PSD não o deixassem entrar, como têm deixado entrar em medidas por aprovar, porque no Parlamento temos sempre o mesmo problema. O governo pode querer fazer muita coisa, mas no Parlamento não tem grande sorte.

Eu dou um sete ao Chega. Ias perguntar pelas notas?

Sim. Só pra entendermos o aeroporto.

Eu dou um seis à incapacidade que o país tem neste momento de assumir compromissos, sejam eles quais forem, seja com o Chega, seja com corporações.

Eu dou um seis ao Chega.

Um seis também. António, ainda queres ir à fila nos aeroportos?

Não, não quero. Não me quero ver metido nisso.

É bom.

Não me quero ver metido nisso. E agora, por mais incrível que pareça, não é só à entrada, nós também conseguimos reter à saída. Não só fazemos os turistas, e não só, enfim, quem vai a trabalho, por exemplo, ter três, quatro horas à espera pra entrar, como dizemos depois: "Não, agora não saem, agora ficam aqui." E ficam aqui horas.

É uma boa oportunidade pra ver as promoções no free shop também.

Pode ser um bom negócio.

Entrar ali pelo-

Comprar umas coisas baratas. Exato. E vamos lá ver, ao contrário do que o governo diz, a situação em Portugal é muito pior do que em outros países. Eu, aliás, recordo aos nossos telespectadores e a quem nos está a ver, campanhas nestas semanas, destes dias, estas duas, três semanas, campanhas nas redes sociais da Ryanair dizendo: " Sair ou entrar do país, quatro horas. Ir na Ryanair de Lisboa pra Paris, duas horas." Duas horas, duas horas e tal, uma coisa que vale. Portanto, isto pra explicar que a situação em Portugal é pior. E não colhe a ideia de que há um sistema europeu que está a dificultar tudo, porque já sabíamos há muito tempo que este sistema ia entrar em vigor. Portanto, não é só um problema informático.

Há problemas noutros aeroportos e noutros países.

Não com esta gravidade. Aliás, o governo reconhece isto.

Cá basta olhares e fazeres umas contas rápidas e percebes que é muito pior do que se passa noutros países.

Não, e agora quando o governo diz: "Vamos meter mais 300 polícias, PSP, vamos abrir mais e-gates, portanto, portas eletrónicas de controle eletrónico." Pergunto: mas por que isto não foi feito há seis meses? Por que chegamos aqui a este estado? E essa é uma reflexão também importante. Nós dizemos que o país tem turismo a mais, no sentido de muitos turistas e pouco valor. E queremos ter turistas, desejavelmente menos, mas a gastar mais. É virtuoso, digamos assim. Ora, são os turistas com mais poder de compra, os que gastam 100 € na frutaria e gastam 200 e 300, e não têm problema nenhumChegam ao aeroporto e perante esta catástrofe, vão-se embora.

Nós temos que ter a rocha muito boa.

Exato, vão-se embora.

Há americanos que vêm cá só por causa da Ferreira Rocha.

Há americanos que chegam aqui a Lisboa e dizem assim: "Mas há tantos sítios para ir, para gastar o meu dinheiro, mas vou estar quatro horas numa fila. A que propósito? Eu já nem consigo entrar, mas eu já não consigo sair, eu já não volto". Isto é muito mau e não é só um problema informático, um problema técnico. Há, de facto, incompetência. E eu deixo esta sugestão singela: o primeiro-ministro, como se lembram, ficou com a pasta do comboio das tempestades, de resposta política do comboio das tempestades, porque a ministra da Administração Interna da altura demitiu-se no meio daquela catástrofe. E o primeiro-ministro assumiu diretamente aquela pasta. Eu acho que, se calhar, talvez o primeiro-ministro pudesse assumir também diretamente esta pasta ou quiçá criar mais uma comissão. Criam-se comissões para tanta coisa, cria-se lá uma comissão para olhar para isto e para resolver o problema de uma vez por todas.

Já agora, eu acho que já que citaste a ex-ministra da Administração Interna, vou aproveitar para a citar também, porque eu acho que o que se está a passar no aeroporto é um bocadinho o espelho do que se está a passar no país. O país pifou. Eu não acredito, e eu acho que ninguém acredita, que um primeiro-ministro, chame-se ele Luís Montenegro, António Costa ou outra pessoa qualquer, ou um ministro da tutela, quer dizer, não acredito que algum governante, algum responsável, não acredito que a PSP, que alguém, perante a situação que se está a passar no aeroporto, esteja satisfeito com aquilo. Eu não quero acreditar. Agora, há de facto uma incapacidade latente do país em resolver problemas, em fazer as coisas avançar, por um motivo, por outro. Às vezes nós desculpamos sempre com a burocracia. Mas neste caso concreto é um bocadinho difícil perceber onde é que a burocracia pode estar a empancar a solução no aeroporto, sobretudo, como tu dizias, porque isto dura há meses. E a minha teoria é simples.

Há muitos meses.

A ministra tinha razão. Não foi o sistema que pifou, foi o país que pifou, porque é muito difícil que alguma coisa funcione no país da forma como devia funcionar.

Eu devo dizer que era interessante ouvir agora José Luís Carneiro, por sinal, porque ele era o ministro da Administração Interna quando foi feito o concurso. Creio que a Indra, empresa espanhola, ganhou o concurso e é responsável pela parte do sistema eletrónico.

Parte do sistema cá é tecnologia portuguesa.

Sim, mas é que já existia. A Visionbox tem uma parte, esta do sistema europeu, da adoção do sistema europeu. Mas era interessante ouvir quem esteve também com a negociação disto. Aliás, nós recordamo-nos que Leitão Amaro chegou a dizer, até com algum alarmismo, mas se calhar não, se calhar tinha de facto razão, que nós podíamos ser suspensos do espaço Schengen porque não tínhamos feito nada neste processo do aeroporto. E houve ali uma discussão.

Vamos à tua nota para as filas.

Passado dois anos, é que já passaram dois anos. Este governo não pode seguir a tese de que a culpa é do Passos. Não vai dizer que a culpa é do Passos também no aeroporto. Já está há dois anos, também não podem dizer que a culpa é do José Luís Carneiro.

Para este governo, ele não tem nada a ver contigo, a culpa é do Costa.

Exato. Mas mesmo assim já passaram dois anos.

Vamos às notas.

Olha, eu também dou um seis a esta situação, porque eu acho que é insuportável.

Eu dou um zero ao país que pifou. Acho que devíamos desligar e ligar de novo.

Judite.

Eu vou dar às filas, porque acho que isto não é aceitável.

Elas não têm culpa de nada. Às filas deixo um 18, porque elas aguentam.

Elas são muito bem feitas.

Aguentam.

São bonitas.

É, são bonitas.

Uma pessoa chega à cidade e vê logo umas filas de categoria.

Para esse caos vai um quatro.

Filas destas não há nos estrangeiros. E o "Vencedor É" regressa.

Eu disse filas, não disse bichas. Já não há.

O "Vencedor É" regressa amanhã às manhãs 360, depois das 10:30, amanhã com o Nuno Gonçalo Poças e o Vítor Matos.