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events Touré na Rádio Observador, com Judite França, Helena Garrido e Raquel Bocasis. Estamos a enfrentar uma nova tempestade, porém, tendo em conta os alertas das autoridades, não deverá ser tão violenta como a Christine, mas por estes dias tudo pode influenciar o desfecho das eleições no próximo domingo. A CNE até já vai explicar que as eleições até podem ser adiadas nalguns locais em caso de necessidade, porém, ainda ninguém terá feito qualquer pedido nesse sentido. Neste events Touré temos de fazer as contas também às sondagens e à eventual vitória pré-anunciada de Seguro. Mas primeiro vamos aos apoios do Estado, às vítimas da intempérie. Helena Garrido, hoje o Primeiro-Ministro veio clarificar que o apoio pode ser maior do que se julgava, mas foi preciso esperar desde domingo até hoje.
É muito cansativo. Começa a ser muito cansativo.
Quer explicar em um instantinho?
O que o Governo anunciou? O Governo anunciou um conjunto de apoios, que é basicamente o menu habitual neste tipo de situações: apoios diretos em dinheiro às famílias, suspensão de contribuições, suspensão de impostos, juros bonificados para as empresas, créditos. O menu é em geral esse, em qualquer manual para enfrentar situações de catástrofe. Neste caso concreto, o que aconteceu foi que, mais uma vez por causa de deficiências de comunicação, o Governo pareceu, e o próprio Observador confirmou, que aquele valor, os tais 500 e... Deixa-me ver.
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500 e tal. E mil e picos também.
O apoio individual e os 1075 para o agregado familiar, parecia ser um apoio único. Mas afinal não é, o que levou, aliás, o Observador, depois de ter confirmado junto do Governo, a escrever que isto daria 90 € por mês, se fosse anualizado. Vem depois o gabinete do Primeiro-Ministro clarificar que não. Ainda bem, mal ou menos, as pessoas vão ter um apoio que é superior àquele que se previa inicialmente, ou seja, estes valores são valores mensais que podem decorrer até o máximo de um ano, ou seja, durante um ano inteiro podem estar a receber esse apoio.
Foi preciso esperar desde domingo até hoje.
Ora bem, esse é que é o ponto, não é, Ricardo? Porque aquilo a que nós temos assistido, esperemos que a partir de agora tudo melhore. Parece que há um ditado popular espanhol que diz que os espanhóis não gostam de ver bons começos aos filhos.
Bons o quê?
Bons começos, bons inícios aos filhos. Não sei se é verdade. É o que se diz. Nunca fui confirmar. Mas pode ser que esta má partida do Governo para esta situação acabe por, e esperemos para bem de todos os que estão a ser vítimas desta catástrofe, que no fim, a concretização dos apoios seja simples, rápida, que não faça as pessoas sofrerem nas teias burocráticas do Estado à procura desses apoios. E estou a falar quer para as famílias, quer para as empresas. Porque de facto, a sequência de eventos catastróficos também do lado do Governo, são já demasiados. Nós começámos com o vídeo do Leitão Amaro, que é triste que alguém naquela situação achasse que era o Coppola e queria fazer de realizador. Depois tivemos o ministro da Defesa, que vai para o terreno com os militares e a coisa mais importante que ele resolve dizer é que há um sargento que faz anos e nem sequer fala com as pessoas. Temos a ministra da Administração Interna, que não conseguiu manifestar qualquer tipo de empatia, mas não há equipas técnicas no Governo, no gabinete dos ministros? É só transmitir empatia. A maior parte das pessoas nestas alturas estão desesperadas. As pessoas estão desesperadas e o que querem é ouvir algum alento, alguma palavra de conforto, e olham para o Governo.
Um sinal de esperança.
Mal ou bem. Se calhar, com uma expectativa exagerada, mas seja como for, o Governo tem de ter noção disso, na expectativa que lhes dê esperança. Isso exatamente o que disseste, que lhes transmita alguma empatia, que lhes transmita força para eles enfrentarem aquele momento difícil. Depois ainda tivemos o ministro da Economia com: "As pessoas vão receber dinheiro no fim do mês, portanto, só precisam de um apoio no fim."
Se orientarem com o salário do mês.
Exato. Não percebendo que as pessoas também têm um aumento das suas despesas, que há situações mesmo muito complicadas. Há aqui uma dificuldade de se colocarem no lugar daquelas pessoas que estão a sofrer e uma dificuldade em assumirem o papel de liderança política, de transmitir uma mensagem de confiança, de esperança e de força às pessoas que estão a sofrer, que eu diria mais do que Todos os problemas de comunicação, aquilo que mais me preocupa.
Por culpa minha, só temos agora um minuto, Judite, nesta primeira parte.
Deixa-me só dizer que eu despacho isso.
Quero ouvir também a Raquel sobre isto.
Mas eu despacho isto num minuto, porque concordo com tudo aquilo que disse a Helena e só quero fazer aqui uma nota para a ministra do Ambiente, para as declarações que fez ontem e que fez hoje. Parece uma pessoa mais ponderada, mais decidida, com jeitinho, davam-lhe o comando da situação e ela era bem capaz de resolver. Tem uma voz calma, um discurso articulado, percebe os dossiês mais técnicos e explica muito bem. Portanto, se precisarem aí de uma ajuda, vão à ministra do Ambiente.
Maria da Graça Carvalho. Esteve ontem aqui no "Explica Doris" da Rádio Observador.
Também eu assino completamente. E explicou tudo muito bem.
De domingo até hoje passaram vários dias e só hoje é que o gabinete do primeiro-ministro veio clarificar as coisas depois de o Ministério da Segurança Social ter dado uma informação aparentemente errada. Raquel?
Em primeiro lugar, a Judite antecipou-se, mas eu quero, numa nota positiva, dar nota 20 à ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, que de facto tem sido extraordinária por todos os motivos que a Judite disse, mas também pela sua humanidade, pela forma como se antecipou nesta questão das cheias. Eu lembro-me de a ter visto já no fim de semana, até com uma senhora muito insistente que não queria esvaziar a loja e sair do sítio. E ela esteve ali com toda a paciência. E nestas coisas percebe-se, aliás, com o nosso ainda presidente da República, isso também é uma realidade, percebe-se quando aquilo é um jeito natural ou quando é artificial. E no caso dela, junta às suas qualidades políticas e técnicas, o facto de também ser uma pessoa com uma enorme empatia e isso vê-se e foi, apesar de tudo, uma nota positiva do governo ao longo destes dias. Em relação ao resto, olha, é assim, isto é uma grande trapalhada. Agora estamos a viver esta crise, mas lembrei-me muitas vezes, durante o Covid, sobretudo ali naqueles tempos iniciais, a história de vão oferecer uma compota à porta do vizinho no dia de Natal e coisas do gênero. E portanto, o que eu acho é assim, passam os anos e neste caso, apesar de eu estar a invocar a história do Covid, eu acho que isto é um problema particular com a direita. Eu acho que já disse isso daqui várias vezes. A direita tem uma tendência natural para desvalorizar a comunicação. E nós somos profissionais da comunicação e às vezes podemos achar que isto é uma importância que estamos a inflacionar e que isso não é assim tão importante. Mas nestes momentos é mesmo talvez das coisas mais importantes, conjuntamente com a ação no terreno. Tu aqui na rádio, qualquer empresa, em situações de crise, reorganiza-se para responder à necessidade. E como é que o governo não cria um gabinete de crise com uma coordenação única, com uma mensagem única? Recorrem tantas vezes a empresas de comunicação, peçam a uma que lhes faça gestão de crise, porque isto é mesmo determinante.
Mas o governo tem um organismo.
Pois é, mas tudo é verdade, mas o que é que estão a fazer? Como é que é possível que o Ministério da Segurança Social, a ministra não saiba o que é que aprovou em Conselho de Ministros? Isto é uma coisa completamente fora de propósito. Ou então a pessoa que respondeu do Ministério da Segurança Social não está informada.
Também fica a desconfiança se aquilo que foi decidido no domingo era aquilo e, entretanto, dada a evoluída situação, pronto, afinal vamos transformar isto.
Então o governo está a agir ilegalmente, porque isso tem que ser decidido em Conselho de Ministros.
Vamos transformar isto num apoio anual, até um ano.
É verdade, mas se isso aconteceu, esta decisão não é legal. Isto tem que ser decidido em Conselho de Ministros, que a gente saiba, não houve nenhum a seguir domingo para tomar essa decisão.
O comunicado era ambíguo.
Eu, por acaso, quando ouvi o anúncio, não me passou pela cabeça que aquilo fosse um apoio único. Não me passou pela cabeça.
Mas pelas declarações também não parecia. Eu pensei exatamente que era um apoio único.
Não, de todo.
Foi o que eu entendi.
Achei que era mensal.
Sim, mas independentemente disso, aquela clarificação foi que era único e por isso é que o negócio, a minha tendência é para dizer negócios, o Observador disse que era-
O Negócios é um grande jornal.
É um grande jornal.
É verdade.
O Observador fez aquela notícia a dizer que era 90 € por mês.
Sim.
Por isso é que a hipótese que o Ricardo colocou de repente olharam e diz: "Isto é 90 € por mês", e terem resolvido que afinal não era assim.
Isso não se pode fazer assim.
Claro.
E portanto, eu acho que agora o Observador devia ir perguntar se é mesmo essa a decisão do Conselho de Ministros.
Confirmar sobre a pronta confirmação.
Isso não se pode fazer assim. E portanto, é só dizer que mais uma vez, pela enésima vez, estas fatalidades de comunicação são desastrosas.
Esperemos que seja só comunicação.
Mas é que não é, de somenos, numa situação de crise.
Não, eu sei.
É que numa situação de crise, as pessoas querem respostas e querem respostas claras, soluções claras, diretas, que possam entender, que possam ser facilmente transmitidas. Isto não é rocket science, não é muito difícil. Bom, vamos ter que falar também sobre a distância que se está a encurtar entre António José Seguro e André Ventura. Ia fazer uma graça, mas não vou. Helena. Não, tinha a ver com ovos e o cesto, não vale a pena. António José Seguro estava muito cheio de si próprio, fez mal as contas?
Eu não sei. Ele está a tentar, dentro da sua expressão pouco entusiasmada, que as pessoas se mobilizem e que vão votar. Agora, é verdade que ele tem a vantagem, pelo menos na minha perspectiva, que esta ausência de atenção à campanha pode beneficiá-lo, porque ele não tem de enfrentar tanto André Ventura. Eu diria que neste campeonato André Ventura sai mais prejudicado, porque gosta mais do ambiente mais agressivo e mais enérgico. Mas esta falta de campanha, se redundar no desinteresse e na abstenção, isto tenderá a beneficiar André Ventura. Claro que nunca o suficiente para António José Seguro não vencer as eleições. Mas nós não nos podemos esquecer, ainda hoje com a Judite estivemos a investigar bastante esse assunto.
O que é que vocês estiveram a investigar?
Sim, muito profundo. Muito profundamente.
Eu bem vos vi a cochichar.
Muito. As percentagens são calculhadas em votos expressos em cada um dos candidatos. Claro que António José Seguro vai ter mais votos, mas o peso relativo de André Ventura pode ser superior. Eu no voturologia, não sei se é assim que se diz. É "o", é homem, é masculino.
Eu digo depressa. Ainda não decidi se é masculino ou se é feminino.
Voturologia do Observador, que podem ir fazer, que é divertido. Eu, neste momento, já começo a pensar que a minha previsão, que na altura parecia bastante otimista, que era 65/35, pode resvalar.
Pode resvalar. Judite, o que é que estiveste a cochichar com a Helena?
Nada, foi esta questão dos votos nulos e dos votos brancos. Porque a contabilidade é feita de forma diferente nas eleições presidenciais. Mas eu acho, sinceramente, que a juntar a isto que a Helena disse, ainda está a mobilização do eleitorado de centro-direita, que não tem um candidato da sua ideologia política. Portanto, vai votar um bocado puxado. Vai votar por rejeição, vai votar contra.
Na segunda volta, geralmente.
Sim, é verdade.
É assim.
Mas neste caso é ainda mais flagrante, porque de facto tens uma grande fatia do eleitorado que vai apoiar um candidato que será contranatura. Não entrando na dicotomia socialista, não socialista, é contranatura pra muita gente. É claro que eu acho que a abstenção pode, pelo menos numa primeira fase, trazer maior ou menor legitimidade ao próximo presidente da República, mas acho que isso é só numa primeira fase, porque depois toda mundo esquece da parte da campanha, da parte da eleição e entra o trabalho em si. Agora, eu acho que os dois candidatos têm de começar a dramatizar a eleição de alguma forma, sobretudo António José Seguro, porque André Ventura tem o seu voto de protesto e este voto zangado serve muito bem à narrativa de que o governo lidou mal com a catástrofe. Quando digo narrativa é porque é isso que se ouve mais, que o governo lidou mal com a catástrofe, e isso beneficia André Ventura, porque André Ventura personifica essa queixa, essa oposição a um sistema que deixa mal os cidadãos, que funciona mal. E, portanto, eu acho, de facto, que no caso da abstenção, o maior perigo é para António José Seguro.
Raquel?
Sim, eu diria que é a abstenção à qual se somam os votos brancos e nulos, que do meu ponto de vista, até é talvez a maior interrogação que eu tenho em relação ao resultado final eleitoral, é mais até sobre os votos brancos e nulos do que sobre a abstenção. Eu acho que António José Seguro, houve um alinhamento dos astros que trouxe aqui bastantes obstáculos num passeio que António José Seguro achava que ia ter daqui até às eleições do próximo domingo e que isto estava ganho. Talvez isto esteja ganho, mas vamos ver em que condições.
Se tiver menos de dois milhões de votos, por exemplo.
Sim, o tema é exatamente esse. É porque toda mundo já assumiu que ele vai ser o próximo presidente da República e vai ganhar as eleições. Aliás, o nosso comentário à volta desta mesa não deixa muitas dúvidas em relação a isso. E isso, a somar à situação que estamos a viver de catástrofe, que vai necessariamente aumentar os níveis de abstenção, que já seriam mais altos por ser uma segunda volta que despertava menos interesse às pessoas, isso faz com que muita gente que não iria votar entusiasmadamente em António José Seguro, ao saber que ele tem a sua vitória garantida, prefere não votar em António José Seguro. E o que é que essas pessoas vão fazer? É uma incógnita. Eu acho que muitas votarão em branco, muitas anulam o voto e muitas vão ficar em casa. Qual é o nível e quantas são essas pessoas, eu acho que é aquilo que vai definir o equilíbrio final entre os dois no dia das eleições. É verdade que uma vitória, nem que seja por um voto, é uma vitória e no dia seguinte ou passado um mês, já ninguém se lembra da porcentagem de votos que António José Seguro teve.
Mas podem lembrar-se da porcentagem que teve André Ventura.
Que teve André Ventura.
Pra ele é o mais importante.
Pra ele é o mais importante a porcentagem, mais do que o número de votos. Eu também tenho alguma curiosidade em perceber se apesar de todas estas circunstâncias, André Ventura consegue guardar no bolso os votos que já teve na primeira volta e ainda acrescentar mais votos.
Pois é, quantos é que vai acrescentar?
Quantos é que vai acrescentar. Mas mesmo que não sejam iguais ao número de votos que Luís Montenegro teve nas últimas legislativas, nestas circunstâncias, isso permite um discurso a André Ventura que o coloca nesse patamar, mesmo que ele não consiga atingir esse número mágico em número absoluto de votos, porque eu acho que em porcentagem é praticamente seguro que vai ultrapassar a AD nas últimas legislativas.
E o Vencedor regressa amanhã, depois das 08h30 da manhã, nas manhãs 360 da Rádio Observador.