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E o Vencedor é das manhãs 360, que também pode acompanhar com imagem através das nossas redes sociais ou pelo site do Observador. E Carla, esta quarta-feira estão conosco José Manuel Fernandes e Alexandra Machado.

E há um quebra-cabeças nas presidenciais para alguns partidos, mas vamos começar pela aprovação de ontem do orçamento e da lei da nacionalidade. José Manuel, o primeiro-ministro disse que foi um dia marcante. Também te parece que sim?

Não me parece que possamos dizer que foi um dia marcante, mas parece que de alguma forma Montenegro tinha razões para celebrar ontem à noite. Primeiro, conseguiu ver o orçamento aprovado sem grandes dramas e sem ter de ceder ao Chega. E, por outro lado, foi também passar a lei da nacionalidade sem entregar só ao Chega aquilo que o Chega queria mais. Portanto, ao mesmo tempo que ganhou no sentido de ter um Partido Socialista que continua à procura do seu caminho, que não ficou sentado, como se costuma dizer, entre duas cadeiras. E, portanto, desse ponto de vista, o primeiro-ministro tinha razão para estar satisfeito ontem à noite, apesar de haver muitos pontos de interrogação sobre o orçamento, sobre o próprio efeito desta lei, se ela vai passar as próximas barreiras que vai ter que ultrapassar, apesar do nível da votação ter ultrapassado os dois terços dos deputados. Portanto, em princípio, será uma lei que não terá muitos obstáculos pela frente. Agora, entregaram, de facto, a Luís Montenegro a possibilidade dele fazer até o próprio atraso que houve na aprovação desta lei, que permitiu que fossem aprovadas no mesmo dia a lei e o orçamento, deram-lhe a oportunidade para fazer aquela conferência de imprensa ao início da noite e desse ponto de vista, ele era um homem feliz ontem. Agora, até por mais um ponto, que eu acho que é um ponto relevante, está demonstrado que o PSD, Luís Montenegro e a AD estão a conseguir navegar por entre linhas vermelhas sem ficarem presos por elas. E isso, do ponto de vista quer da governação, quer do equilíbrio entre Chega e Partido Socialista, é muito relevante. Não sei como é que isso vai acontecer no futuro. Vamos ter já algumas provas disso em concreto durante a votação na especialidade do orçamento. Talvez o ponto mais delicado, pelo que se percebeu nos últimos dias, seja o PS eventualmente avançar com a proposta de aumento das formas mínimas e o Chega aprovar também, porque o Chega não faz contas. O Chega, tudo que lhe cheira popular e com o apoio junto do eleitorado, o Chega embarca. Já fez isso no ano passado, pode voltar a fazer este ano. Portanto, há riscos.

Com as portagens.

Fez com as portagens, mas fez mais do que portagens. Com a IRS também. Portanto, já fez isso algumas vezes.

As pensões também.

Também. Portanto, vamos ver até que ponto é que esse número se repete. Mas de qualquer forma, neste momento, Luís Montenegro ficou por cima e desse ponto de vista...

É um vencedor.

É um vencedor. É um vencedor e, portanto, vou lhe dar um 14, porque ele até soube aproveitar a oportunidade. Não ganhou só as votações, ganhou também a oportunidade de estar à noite nas televisões todas.

Pois vai. Aqui a falar desse dia. Alexandra, acompanhaste essa longa maratona que foi a discussão do orçamento este ano.

Sim, e também concordo que primeiro deu muito jeito até a Luís Montenegro as duas leis terem sido votadas no mesmo dia. Foi de facto uma vitória dupla para o primeiro-ministro e para o governo. E ontem Montenegro ganhou por 2 x 0. Por um lado, garante a tal aprovação da lei da nacionalidade com o Chega, portanto, endereça uma parte do eleitorado e, por outro, passa o orçamento com o PS, consegue falar para outro eleitorado. E por isso justifica-se até aquela declaração do primeiro-ministro na residência oficial já noite dentro. Vamos por partes. Na lei da nacionalidade, o governo até pode ter ganhos políticos por ter conseguido aprovar esta lei com o Chega, e o Chega não sai vencedor dela. Embora para o eleitorado do Chega não vá transparecer isso mesmo, o Chega não passou o que queria nesta lei da nacionalidade, ou pelo menos a extensão do que queria, teve que ceder alguma coisa. É lógico que consegue pelo menos dois pontos colocar na lei, mas também o PS até conseguiu inscrever uma sugestão sua na lei, embora tenha sido uma cedência do PSD. Eu sei que para o eleitorado do Chega não vai parecer que o Chega não conseguiu o que queria. Vai parecer que o Chega conseguiu exatamente o que queria, mas se formos ver, não consegue o que quer, em especial na questão da retirada da nacionalidade. O Chega queria uma lei muito mais restritiva e poder-se retirar a nacionalidade mais facilmente. E essa parte foi bem conseguido retirar-se disso da lei da nacionalidade. Foi aprovada a possibilidade de retirar a nacionalidade em algumas condições muito mais restritivas do que o Chega queria. Só foi introduzida a questão de se retirar se for concedida de forma fraudulenta, e isso até já estava mais ou menos em lei, mas fez bem o PSD e CDS retirarem essa questão da lei da nacionalidade, introduziram uma alteração ao Código Penal.

Que é onde deve estar.

Que é onde deve estar. E se isso não passar no Tribunal Constitucional, é só essa parte que não passa da alteração.

Não contamina toda a lei.

Não contamina toda a lei da nacionalidade e não é Não impede que ela entre em vigor. Até nessa parte o Governo saiu-se bem. Quando eu digo Governo, está sempre subjacente que são os partidos que negociam no Parlamento, não é o Governo, mas sabemos onde eu quero chegar com isto. E o PS chumbou essa lei, votou contra a lei da nacionalidade. Eu até diria que votou contra sem muita convicção. Da mesma forma, o Chega votou contra o Orçamento de Estado, parece-me a mim também sem grande convicção. E eu acho que aqui é a tal jogada política de não quererem mostrar, nem o Chega quer mostrar que está totalmente ao lado do Governo, que ainda é oposição. E ontem, aliás, durante este debate do Orçamento, até houve uma disputa de quem é que é a oposição, de quem é que é o maior partido da oposição. O Chega não quer mostrar que está totalmente ao lado do Governo em todos os pontos, nem o PS quer mostrar que está totalmente ao lado do Governo em todos os pontos, para se afirmarem cada um por si.

E o Chega podia fazê-lo, porque tinha margem para isso, sabendo que o PS ia aprovar com a abstenção.

Mas o Chega vota contra o Orçamento, na realidade não se percebe bem por quê, porque finca pé de uma questão.

Eu acho que é um bocadinho pra simbolizar a tal história: "Nós é que somos a oposição."

Eu acho que votou contra o Orçamento precisamente por isso. É pra sinalizar que o Chega é que é o maior partido da oposição e que é a oposição, e continua a ser oposição, apesar de votar ao lado do PSD e CDS, não do BE, em muitos pontos que vão mostrando. E por isso, estas duas votações no mesmo dia permitiram este equilíbrio pro governo, que assim joga nos dois tabuleiros, e por isso acho que as duas votações cruzam-se mesmo. Montenegro, pronto.

Posto isto, Montenegro teve uma vitória e o José Manuel deu 14.

Eu vou baixar só um ponto, por quê? Porque a lei da nacionalidade ainda tem que passar pelo presidente e eventualmente pelo Tribunal Constitucional. Até era bom que passasse pelo Tribunal Constitucional. E o orçamento ainda vai ter que passar as Passas do Algarve na especialidade.

Isso aí virão dois temas que podem ser polêmicos. Vão testar ali umas alianças entre o PS e o Chega, certamente.

E podemos ter alguns nervos na discussão, na especialidade, e os dois partidos, PS e Chega, a quererem mostrar que são oposição. Luís Montenegro ontem também já tentou dramatizar um bocadinho essa questão de atenção à especialidade.

Atenção ao que pode acontecer.

Portanto, vou baixar 13.

Mas ainda assim vencedor, também te parece que é a principal figura que sai de ontem?

Sim, claramente. Aliás, discutia-se muito quem é o parceiro favorito da AD de Montenegro. São os dois, claramente. E ontem o dia foi perfeito a este nível, até pela conjugação de calendário, por ele mostrar que vai aprovar umas coisas à esquerda com o PS, vai aprovar umas coisas à direita com o Chega. Dependendo dos casos, vai ser caso a caso. Depois também se coloca muito drama. Como é que é possível estar a aprovar, neste caso, uma lei da nacionalidade com o Chega? A questão não é com quem aprova, a questão é o conteúdo da lei. É uma lei radical ou não? Não me parece, provavelmente é uma lei que até com algum jeitinho o próprio PS...

Há algumas questões duvidosas ainda, porque não sabemos a extensão, imediatamente a regulamentação que vai ter aqueles critérios de atribuição.

E eu acho que cada vez mais temos que olhar para o valor facial das leis, da proposta concreta. Não é por ser do Chega aprovar, não se pode ceder à agenda do Chega, mas neste caso foi o Chega que foi trazido para a agenda do governo, se quisermos. Portanto, eu acho que foi um dia que correu muito bem ao Luís Montenegro.

Entre o 14 e o 13.

Enfim, já ontem dei um 16, não sei se daria um 15 ou um 16 ao Luís Montenegro, porque decorreu bem o debate. Ontem André Ventura pegou numa resma de folhas e atirou-as pelo ar no Parlamento.

Foi atirando.

Em plena sessão, foi atirando. Lá está, é atitude de tasca, não tem outro nome. Qualquer pessoa que faça aquilo, hoje, onde fizesse uma aula, era expulso da aula, como evidência.

A guia branca esteve bem.

Esteve bem. Eu estava a ver quem é que ia apanhar aquelas folhas, que serão os serviços da assembleia, os funcionários. No mínimo, isso foi o mínimo. Mas só pra dizer que passo a passo nós vamos tendo atitudes absolutamente inenarráveis. Portanto, quem está à cabo do regime com esse tipo de atitudes e das instituições é André Ventura, claramente.

Fica também essa nota.

Dou-lhe um zero à conta disso.

Pronto, aqui fica também este zero. Bruno, o CDS também esteve presente no Parlamento e também foi um dia bom para o CDS.

Está presente pra quem não tem essa noção.

E está presente nas presidenciais.

Vamos ver. Eu acho que as presidenciais seriam uma ótima oportunidade para o CDS sair do casulo onde vive. Aquele casulo que é muito confortável, está ali um bocadinho acoplado, pode dizer-se é parasita do PSD, se os dois beneficiam com a marca AD. A verdade é que o CDS, mais do que uma prova de vida, precisa lançar as bases pra viver daqui a uns anos de forma autônoma, sem estar agarrado ao PSD. E estas presidenciais eram uma boa oportunidade para testar isso. Perceber não é tanto quanto o CDS vale. Eu acho que isso só se sabe mesmo nas legislativas e o CDS tem concorrido com o PSD. Mesmo as autárquicas não contam. Aquela história das seis ou sete presidências de Câmara, honestamente, isso não tem qualquer impacto, relevância a nível nacional, não dá pra perceber a força a nível nacional do partido. Dá pra perceber a força que aquelas pessoas e que o CDS ainda tem localmente. Mas não é nenhum indicador do estado de saúde, de vitalidade do partido. E aqui as presidenciais eram uma boa oportunidade pra marcar esse território, como estão a fazer todos os outros partidos, mesmo os mais pequenos, a cuidar dos seus canteirinhos, podíamos dizer. Se calhar deviam unir-se e não se conseguem unir, mas a verdade é que cada um está ali a cuidar dos seus 1%, 2% e tomara o CDS ter 1% ou 2% garantidos. E tinha aqui várias possibilidades. Nas presidenciais era apoiar um independente, falou-se logo de início do Gouveia e Melo, e até há quem dentro do CDS, militantes, apoie Gouveia e Melo. Provavelmente nesta altura já estariam arrependidos, devido a algumas declarações de Gouveia e Melo nos últimos tempos

Mas também havia a possibilidade de lançar um nome, de propor desde o início. Não é de ser o partido a nomear, mas de combinar estas coisas de forma que surgisse um nome da sociedade civil, um independente também, ou alguém que fosse um senador do partido. Havia essa esperança, que agora vemos que já não vai acontecer, de que fosse Paulo Portas, mas havia outros nomes, por exemplo, Rui Moreira, que não é militante do CDS. Bagão Félix podia ser outra das possibilidades, eu não faço ideia, provavelmente não queria concorrer, mas havia aqui um leque de possibilidades.

Havia envolvido noutras eleições.

Noutras, mais importante. Havia aqui várias possibilidades do CDS conseguir controlar este processo. E neste momento, com esta indefinição, esta incapacidade de definir um candidato, uma estratégia para as presidenciais, vê-se quase na obrigação de apoiar Marques Mendes. O que há uns meses teria sido uma demonstração de capacidade de iniciativa do CDS, agora parece que é a única opção. O que é que vão fazer? Ou não apoiam ninguém, ou então vão ter de apoiar Marques Mendes. E como o PSD já apoia há muito tempo aquele o seu candidato oficial, o CDS perde essa capacidade de iniciativa para mostrar alguma autonomia face ao PSD. Não é uma boa solução neste momento, mesmo que vá por aí, mesmo que Marques Mendes passe a uma segunda volta, neste momento não parece ser uma boa demonstração da autonomia por parte do CDS.

Tens alguma nota?

Não vou ser muito negativo, porque ainda há a possibilidade de emendar aqui a mão e encontrar uma via alternativa, mas vou dar um nove ao CDS.

Um nove para a opção do CDS relativamente às presidenciais e o Vencedor regressa mais logo na Tarde Política. Numa versão alargada depois do jornal das 18h, esta quarta-feira as notas vão ser dadas pela Judite França, Helena Garrido e pelo Alexandre Borges.