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Põe-me muito como uma imagem, muitas vezes que não corresponde à realidade e parece que foi esquecido todo o trabalho ou todo o percurso que fiz até agora. Isso é um bocado estranho. E há uma fixação da imprensa em relação a mim, que eu ainda não percebi muito bem. Devo vender, não é? Senão isso não acontecia.
Sim.
Não sei porque é. Eu acho que as pessoas quando começaram a ver exatamente como eu sou, isso fez com que a imprensa muitas vezes tirasse coisas que eu dizia fora de contexto ou esta forma tão desprendida com que eu falava, isso também fez com que houvesse muitas notícias à volta disso. Eu não percebo muito bem, mas eu lido com isso, eu vou lidando.
Ao longo da vida, aprendeu a reinventar-se. Durante mais de duas décadas, deu vida a personagens que o público não esquece, conquistou corações e habituou-nos à sua presença na televisão. Viveu momentos de glória e também de silêncio profissional. Enfrentou crises, procurou respostas dentro e fora de si e transformou obstáculos em novas oportunidades. Hoje é atriz, empresária, mãe dedicada e mulher determinada a continuar a escrever a sua própria história. Bárbara Norton de Matos, em 40 Minutos. Bem-vinda aqui à Rádio Observador.
Muito obrigada pelo convite. Bem, gostei dessa apresentação.
Acho que define bem a mulher que tenho aqui à minha frente.
Gostei muito dessa apresentação. Sinto-me lisonjeada. Obrigada.
Queria começar precisamente por aí. A mulher que tem aqui hoje à minha frente é uma mulher que pelas coisas que já viveu ao longo da vida é mais decidida, sem filtros, com mais coragem. Que mulher é que eu tenho aqui hoje à minha frente?
É tão difícil falarmos de nós próprios, não é?
Sim.
Eu prefiro muito mais que falem sobre mim do que eu falar sobre mim. É sempre um bocadinho complicado. O que eu tento sempre é respeitar os valores que me passaram de família, ter ética profissional, ser honesta, sincera. Talvez, sim, sou bastante direta. Hoje em dia, menos impulsiva, que eu antes era mais impulsiva. Mas tento sempre respeitar ou ter uma conduta que me sinta bem comigo e de consciência tranquila quando me vou deitar à noite, que pelo menos sinto-me tranquila com as minhas decisões e com a minha conduta profissional e pessoal.
Falaste aqui da impulsividade, onde é que isso se revelava? Diz que já foste mais impulsiva.
Fui mais quando era miúda, era meia rebelde. Era Maria Rapaz quando era miúda. Quem diria que hoje em dia sou uma pirosa do pior. Mas era, era Maria Rapaz. Era mais rebelde, talvez por insegurança. Tinha uma insegurança muito grande quando era miúda. E quando somos muito inseguros, tornamo-nos um bocadinho mais reativos e mais impulsivos. Acho que era mais reativa, é isso. Depois com a idade, fui mudando.
E hoje adulta consegues perceber de onde é que vinha essa insegurança? O lado Maria Rapaz, se calhar, eu não sei se vem do teu pai, é conhecido, treinador de futebol. Não sei se vem daí.
Não, não tem nada a ver com o meu pai. Teve a ver com a idade, com a adolescência, imensos complexos que tive. Tinha complexos físicos ou de me achar gorda, ou de me achar feia. Tinha imensos complexos quando era miúda, era muito envergonhada, extremamente envergonhada e tímida. Não sabia bem lidar com isso. E então a minha forma de me expressar, às vezes, era assim um bocado de impulso e de reatividade. Mas depois foi passando ao longo dos anos também. Foi muito mais tarde.
Sim. Já estavas na altura na televisão ou foi depois disso?
Já. A televisão foi uma grande escola. Comecei muito nova, comecei aos 19, altamente insegura. Então com estes complexos todos, imagina o que é que foi entrar pra televisão. Foi uma insegurança gigante. Mas ajudou-me bastante a ultrapassar muitos obstáculos internos que eu tinha na televisão. Eu nunca pensei ser atriz.
Falamos aqui da questão da insegurança. Para alguém que está tão presente no espaço mediático, como é que é lidar com a questão das opiniões? Porque há muitas opiniões, sendo tu uma figura pública. Estás muito mais à mercê de opiniões, de notícias, de coisas que surgem. Tiveste de te escudar no momento certo?
Eu não sei bem explicar. É um processo, porque eu acho que nunca se está preparado para tudo que sai ou tudo que se diz.
Não se tem controle sobre aquilo que se escreve, não é?
Não se tem controle e nem eu sei como é que vou reagir. Tento me centrar muito em mim, na minha família, e tentar me desligar ao máximo do que os outros pensam, porque é ótimo quando ouvimos elogios, não é? Mas claro que não é ótimo quando são coisas mais chatas ou quando dizem coisas nossas. O que me custa mais são mentiras. A mentira custa-me. Às vezes as coisas não correm tão bem e são alturas mais chatas da minha vida, e é verdade, tudo bem, é só chato. Agora, quando é mentira, isso revolta-me um bocadinho, até porque a dimensão hoje em dia com as redes sociais, uma notícia que sai numa revista, uma coisa pequenina, aquilo depois cria uma dimensão gigante na internet. E pode estragar muita coisa, principalmente a nível pessoal. Eu tenho filhas, é a minha família. É complicado, porque tiram muitas coisas do contexto, há muita coisa que pode ser mentira e isso prejudica. Eu acho que é por magoarem as pessoas que estão à minha volta, que me custa mais do que a mim, principalmente como mãe, sendo duas filhas, é mais complicado.
É o que custa mais no meio disso tudo?
É o que custa mais, porque vão pra escola, porque veem, depois são os amigos que podem dizer, depois há uma opinião formada sobre a mãe delas E é complicado gerir essa parte. Elas não gostam de ouvir falar mal da mãe. Tenho que lhes explicar, há pessoas que gostam, há pessoas que não gostam, mas não é muito fácil gerir essa parte, porque como também não é para mim, muitas vezes conheço alguém que é a primeira vez que estou com ela e já tem uma opinião formada sobre mim.
Sim, hoje em dia isso cada vez mais acontece, não é?
E quase sempre não corresponde à realidade. O que é assustador. E eu penso: "Que horror, mas criaram esta imagem." Fico um bocado triste com isso. Mas tive que me desligar dessa parte e quem gosta de mim, gosta, e quem não gosta, paciência.
A questão da imprensa, das notícias, à parte de seres alguém muito conhecido do público, tu começaste muito nova. Como é que foi lidar com esse escalar e com essa visibilidade cada vez maior? E tu falaste aqui da questão da mentira, que não gostas de notícias falsas. Aliás, ninguém gosta.
Claro, ninguém gosta.
Mas como é que começaste também a escudar para que isso não te afetasse diretamente e até mesmo o teu trabalho enquanto atriz?
Eu vou ser muito sincera, quando comecei, eu comecei muito nova, eu não tive bem noção do impacto cá fora, porque eu vivia um bocadinho numa bolha. Isto quando eu estava na televisão, eu gravava muitas horas, eu estava 12 horas dentro do estúdio, por isso só ia à casa dormir, praticamente. Por isso eu não tinha muita noção do que era o impacto cá fora. Com as redes sociais, isso é que comecei a ter mais noção, e principalmente quando parei, é que comecei a ter mais noção o quanto era conhecida, o quanto era reconhecida pelo público. Até lá eu não tive muito tempo, eu só tinha tempo para trabalhar e para educar as minhas filhas e para cuidar delas. Eu estava muito desligada a tudo que era notícias. Eu não tinha muito tempo para ver revistas, não havia mesmo tempo. Era trabalho, miúdas, trabalho, miúdas. E depois a questão do ser conhecida. Eu já nasci com um pai muito conhecido. Eu cresci com essa realidade, por isso eu acho que na minha maneira de ser, não mudou nada. Acho é que as pessoas mudaram em relação a mim, não fui eu que mudei. Eu não mudei nada, eu sou exatamente igual ao que era quando tinha 19 anos. Mais crescida, como é óbvio.
Com mais maturidade.
Com mais maturidade, não é isso. Mas o que quero dizer é que na altura notei que as pessoas é que começaram a olhar para mim de maneira diferente. Não fui eu que mudei em relação às pessoas, isso notei. Ou afastavam-se ou parecia que ficavam meio intimidadas comigo, isso para mim era estranho. Das poucas vezes que saí à rua. Não tive aquela coisa de sair à noite, os meus 20 anos, não sei o que é sair à noite.
Sempre te focaste muito no trabalho.
Não tinha tempo, se eu saísse à noite, como é que eu ia conseguir estar às oito da manhã no estúdio e ir com o texto todo decorado? Não dava. Já tinha uma grande responsabilidade, mas isso é uma coisa minha, sempre fui bastante responsável e queria sempre chegar a horas e saber o texto. Antes de estar na televisão, já estava a trabalhar em várias coisas como promotora, já ganhava o meu dinheiro, já juntava o meu dinheiro.
Começaste como hospedeira, não foi?
Foi, mas estava a estudar. Estava a estudar Gestão Empresarial no ISCTE, que acho que já não existe, a faculdade, fiquei tão triste. Mas sempre fui muito responsável em relação ao trabalho. Então quando me deram aquele desafio gigante que foi fazer aquele primeiro papel, foquei-me naquilo e foco. E não saí da linha.
E deu frutos, deu resultados.
E deu, graças a Deus.
Nós vamos falar muito aqui de representação, de vários momentos da tua vida. Eu encontrei aqui um texto, não consigo precisar na altura em que foi, mas vou ler aqui uma passagem: "Estive muitos anos a trabalhar na televisão, 23 anos, e de repente de um momento para o outro sinto um bocado a mesma coisa." Isto é em relação a uma entrevista que foi dada pela Andreia Dinis num canal de televisão e foi quase como um desabafo da tua parte. "De repente ninguém te diz nada, não és chamada, tentas falar com pessoas, ninguém te responde, prometem-te coisas e depois as coisas não se concretizam." Como é que para um ator, para além que esteve no meio e está no meio, tu ainda estás, com uma carreira reconhecida, com tantos projetos de sucesso, depois se lida com estes momentos de silêncio e de algum vazio também?
Eu vou ser muito sincera, já falei disso várias vezes. Eu não soube lidar muito bem com isso. Não fazia a mínima ideia que era assim.
Porque tu sempre tiveste o trabalho muito consistente ao longo da tua vida.
Muito consistente. Eu fui exclusiva da TVI durante 12 anos. Depois tive uma pequena passagem pela RTP e depois trabalhei sempre na SIC. Na SIC nunca fui exclusiva, mas trabalhei sempre novela atrás de novela, sabia sempre que projeto é que ia fazer a seguir. E entretanto o que aconteceu é que eu fui chamada para um projeto, na altura, e de repente o projeto começou e ninguém me disse que eu não ia entrar. Ou seja, foi um bocado esquisito. Eu soube através de colegas que já tinham começado a gravar e eu supostamente estava nesse projeto. Foi muito estranho. Foi estranho porque realmente foi isso que aconteceu, foi um silêncio que eu não percebia.
O que é que sentiste nesse dia?
Eu senti-me triste. Senti-me triste e desiludida e dediquei-me tantos anos, acho que merecia pelo menos uma palavra. É assim: "Bárbara, não queremos agora trabalhar contigo" ou "Não há espaço para ti neste momento, mas pode ser mais tarde, noutro projeto." Mas pelo menos uma palavra acho que tinha sido mais reconfortante. Acho que fiquei meia perdida, senti-me perdida, foi isso. Agora o que eu vou fazer? Eu não sei o que eu sou sem ser mãe e atriz. Não sabia.
Culpaste-te de alguma forma nessa altura por isso ter acontecido?
Não, eu não me culpei.
Ou começaste a questionar: "Será que eu fiz algo de errado ou será que aconteceu aqui alguma coisa?"
Não, eu acho que isto não foi nada pessoal, foi cíclico. Eu comecei a ver as coisas noutra perspectiva e a pensar que eu, se calhar, fui uma sortuda, porque não existem muitos atores que tenham uma carreira desde os 19 anos, como eu tive, até aos 43, sempre a trabalhar. Eu fiz 20 novelas do princípio ao fim. Ou seja, eu fui uma privilegiada. Por isso, tive que ver a coisa exatamente ao contrário. Não, foi um privilégio eu ter trabalhado tanto e tão seguido. Por um lado, foi bom. Hoje em dia olho para trás e acho que era preciso essa paragem, para mim, a nível pessoal. Acho que eu também estava meia perdida quem é que eu sou.
E o que é que sou para lá de atriz, não é?
Exatamente, para além de atriz. Sabia que poderia fazer mais coisas e sempre tive este lado empresarial, porque desde muito nova, por exemplo, sempre fui muito de juntar dinheiro e ter muita consciência. Sempre tive muita consciência que era efêmera esta coisa de ser atriz. Pensei: "Isto um dia vai deixar de acontecer." Mas depois eu não parava. Durante 20 anos não parei, pensei: "Isto aqui vai ficar a durar." Mas sempre fui muito consciente a nível de poupanças, de dinheiros, de comprar a minha primeira casa aos 20. Era uma miúda quando comprei a primeira casa.
Isso hoje é difícil para alguém comprar.
Na altura também não era muito fácil.
Mas também trabalhavas muito e conseguiste juntar algum dinheiro.
Eu ganhava um ordenado na altura, que comparado com alguém que tivesse 20 anos, não ganhava. Foi um risco, também na altura. O que é que eu fiz na altura? Alugava quartos a amigas para me ajudarem a pagar a renda. Quem é que não queria com 20 anos e viver sozinha? Então pronto, era isso que eu já fazia. Já tinha aquela coisa do negócio, já estava lá.
Já estava lá.
Por isso, tinha sempre um plano B, inconscientemente. Sentia sempre: um dia, se eu não representar, eu não posso ficar, porque eu só dependo de mim. Eu não dependo de ninguém. Sempre tive essa responsabilidade desde muito cedo e essa consciência de depender só de mim. Foi isso, foi ser muito consciente em relação ao dinheiro. Agora, que senti um vazio gigante, senti. Senti um vazio muito grande, mas foi bom, acho que foi importante. Hoje em dia, penso que foi muito importante.
Hoje em dia já vives mais em paz com essa ausência de não estar presente. Tu agora estás no teatro e já vamos falar sobre isso, porque está quase aí e já vamos falar sobre isso. Mas vives em paz com essa questão de não surgirem convites, do telefone não tocar para projetos em televisão?
Já, fiquei para aí um ano à espera que o telefone tocasse. "Amanhã, se calhar, vão ligar. Ai, se calhar vão ligar." Mas não, hoje em dia completamente tranquila. Acho que se não representar mais como atriz em novelas, eu sinto muito orgulho no percurso que fiz. Fiz várias personagens muito diferentes umas das outras, tive oportunidades fabulosas, por isso sinto-me orgulhosa do projeto. Se não acontecer mais, foi bom. Também não quero aceitar qualquer coisa só porque sim. Quando voltar, quero voltar com-
Tu gostavas de fazer uma vilã, não é?
Adorava, mas já percebi que quanto mais eu digo isso, menos vai acontecer.
Mas temos sempre de manifestar e projetar.
Gostava, mas como surgiu este convite, por exemplo, e eu também não estava nada à espera, eu acho que gosto mais é de ser desafiada. Ainda bem que hoje em dia posso me dar ao luxo, por ter sido tão organizada durante tantos anos, posso me dar ao luxo de poder dizer que não e não aceitar por necessidade financeira. Porque isto é tudo muito giro, mas quando a pessoa precisa, tem que aceitar, ponto. E já me aconteceu. Há muitos papéis que eu fiz que não queria fazer, mas eu precisava do dinheiro no final do mês para pagar contas.
E há aqui duas filhas também.
Exatamente, duas filhas e fui mãe solteira, por isso não foi fácil. Mas neste momento posso me dar ao luxo e já tenho a minha vida mais ou menos organizada, de poder dizer que não a projetos que não me interessam. E essa liberdade não tem preço.
É boa.
É boa. Eu acho que é a parte onde eu me sinto mais orgulhosa de pensar tanta coisa que eu abdiquei, se calhar, de comprar ou se calhar de fazer e que poupei para conseguir neste momento, com a idade que tenho, ter uma vida estável. Estável e consigo proporcionar às minhas filhas e sei que quando forem embora, elas vão ter pelo menos um começo de vida e vão poder ter uma vida já com alguma coisa construída que a mãe lhes vai deixar. E isso para mim deixa-me bastante orgulhosa.
Como é que as tuas filhas encararam essa tua fase da questão do silêncio e da ausência de convites e de trabalho? Como é que elas foram também um apoio muito importante para ti? Perceberam a fase em que tu estavas e apoiaram-te?
A minha filha mais velha, eu não queria transmitir que estava tão triste como estava, mas realmente eu se calhar devia ter verbalizado mais isso. Eu não verbalizei e se calhar andava mais triste e ela sentiu que realmente eu estava diferente. Mas eu tentei sempre não passar, pronto, isto agora vou tentar fazer outra coisa e não baixei os braços e construí a minha marca do zero. Eu já tinha essa marca pensada na última novela que estava a fazer, mas nunca pensei que fosse um plano A. Até porque lançar uma marca como eu lancei, que é lançar um cheiro pela internet, é uma coisa completamente louca. E eu pensei: "Bom, como é que eu vou fazer isto?"
É um novo mundo, não foi?
Foi um novo mundo e não tinha noção do difícil que era fazer o que fiz, porque fazer uma marca de raiz e 100% portuguesa não foi fácil. E depois insistir, porque a marca não teve logo sucesso. Tive que insistir, tive que persistir, tive que estar ali. Passei ali uns momentos um bocado complicados, depois tornou-se público que, não sei se fui criticada. É isso que eu tenho pena, é que às vezes eu partilho coisas, que é mais para ajudar outras pessoas, e depois é sempre posto de uma forma um bocadinho pejorativa. Isso é que me põe triste, como por exemplo, eu ter alugado um quarto em minha casa E na altura: "Coitadinha". Põem sempre a coisa de uma forma mais negativa. Em vez de: "Grande pinta, olha, uma grande ideia". Porque acho que ainda se vive muito de aparências cá. Por acaso tenho pena, porque cá em Portugal acho que se vive um bocadinho de aparências. Eu não sou nada assim. É real. Na altura, alugar o quarto ajudou-me imenso, porque eu precisava de investir mais na marca.
Porque precisavas?
Porque eu precisava na altura. Fiquei sem trabalho do dia pra noite. Eu pensava que ia fazer um projeto. Não fiz. Então tive que me saber virar sozinha. E na altura, o que foi interessante, foi a quantidade de mensagens que eu recebi privadas a perguntarem-me como é que eu fiz esse processo. E muita gente foi alugar um quarto em casa delas. Ainda bem que ajudei alguém e disse: "Olha, o processo foi este, pus estas condições, foi por esta plataforma", e muita gente fez o mesmo. E é uma ajuda.
E esse lado bom, no fundo, dá sempre alguma esperança, não é?
Claro, eu acho que sim.
Para compensar o lado mau e do que se diz muitas vezes.
Porque eu acho que não tem mal nenhum de a pessoa dizer: "Olha, aluguei um quarto em minha casa, estava a precisar, qual é que é o problema?" Ou como se tivesse que ir trabalhar pra uma loja. Qual é o mal? Não baixar os braços eu acho que é uma coisa boa, não é uma coisa má.
Estamos sempre à mercê de opiniões. Nós já vamos falar do teu mais recente projeto, em revista, no teatro. Vamos só fazer aqui uma curta pausa para as notícias e já voltamos. Hoje em 40 Minutos com a Bárbara Norton de Matos. Até já.
Até já.
Estamos de volta para a segunda parte do Em 40 Minutos. Esta semana estamos com a Bárbara Norton de Matos. Já falamos muito sobre representação e vamos continuar neste tema, porque é algo que define e muito a tua carreira, mais de 20 anos. Tu estás de regresso ao teatro e para um grande desafio: revista. Há bocadinho falávamos aqui em off. Estás a trabalhar com muita gente.
Muita gente.
Vais dançar, vais cantar. Eu quero saber tudo sobre este novo desafio.
Vou. Calma, vou cantar, mas não vou cantar sozinha, de repente. Eu tenho muito apoio.
Sim.
É um grande desafio por variadíssimas razões. Pra já, eu sou muito mais atriz de drama do que comédia. De repente, vou fazer várias personagens cômicas. São sete personagens, é muito. Todo o ambiente que se vive ali é completamente diferente de alguma coisa que eu fiz até hoje, mas é espetacular. Intenso, muito intenso, mas eu sinto muito feliz de estar ali. Estou com pessoas extraordinárias e é um grupo muito grande, mas estamos todos com uma energia fantástica.
E com pessoas de todas as idades.
Todas as idades.
O que é ótimo, se calhar, até pra...
Da minha filha.
Sim.
Com pessoas muito mais velhas do que eu, mas entretanto percebi que sou a mulher mais velha, porque está lá no elenco, então é bom. Mas não me sinto nada assim. Sinto que estamos todos igual pra igual, isso é muito interessante. Não há ali vedetas, não há ali ninguém a querer se sobressair e estamos ali com espírito de equipe muito grande e está sendo muito interessante este desafio. O cantar e dançar, bem, megadesafio.
Sim.
Porque eu sou mesmo uma nódoa. A dançar sempre fui. Mas sinto-me muito acompanhada. Ensaiamos muito, o que é bom pra eu me sentir mais segura. Isto é o que eu digo agora, mas depois, se calhar...
Depois com o comboio em andamento.
Depois não sei. Mas estou muito feliz pelo convite que foi feito. Estou muito feliz de fazer a revista. Vão ver. No Maria Vitória. E é um desafio. E é isso que eu estava a dizer há bocado. Não estou a fazer de vilã, mas aceitei pelo desafio que é. Pra já voltar ao palco.
Estás fora da tua zona de conforto também.
Completamente fora da zona de conforto.
Porque é comédia.
Aliás, eu liguei ao meu irmão mais velho e disse: "Olha, eu estou em pânico, tive este convite. Estou completamente em pânico, cheia de dor de barriga. Não sei o que é que hei de fazer." Ele: "Dor de barriga é porque é assim. É isso. Estás a sair da zona de conforto."
É porque é bom.
"É porque é bom." "Mas eu estou nervosa, mas eu não sei." "Pronto, mas é isso, tens que sair da zona de conforto. Está aí, era isso que tu querias." E ele tinha toda a razão. Ainda bem que aceitei e estou muito contente e desejosa de ficar com eles. Vou ficar com eles todos durante um ano.
Sim.
Nós vamos ser uma família. Já somos, mas vai ser um ano.
Os laços vão se cimentar ainda mais.
Sim, vamos passar por vários tipos de processo, é um afetivo, um dia estás mal, outro dia estás bem. Eu acho que é uma grande aprendizagem, em vários níveis, a nível pessoal, a nível profissional, acho que vai ser uma grande aprendizagem. Já está a ser.
Chama-se "Para que é Urgente?" no Teatro Maria Vitória. Para saber todos os horários é consultar as tuas redes sociais, porque tenho a certeza que vais partilhar tudo.
Vou partilhar tudo.
E vai correr muito bem, de certeza, é o teu mais recente desafio. E vamos te ver aqui em novas facetas.
Sim.
Tu falavas aqui do teu irmão. Quando tens assim uma espécie de um desafio, alguma notícia ou alguma decisão que precisas tomar, a quem é que tu recorres mais vezes? Quase como conselheiro, vamos dizer assim.
É assim, eu tenho um núcleo muito pequenino, fechado. O meu irmão mais velho é uma grande referência, o meu pai também. Depois tenho amigas que já são de há muitos anos e acompanham-me e também são aquelas que eu ligo e peço. Mas normalmente as decisões são sempre tomadas por mim. E há muita coisa que passo sozinha. Mas isso também me deu uma estrutura diferente. É importante também tomarmos decisões. Às vezes é uma coisa muito complicada.
Sim.
E tomarmos decisões sozinhos e levarmos com a consequência e sermos responsáveis pelas decisões e pelas consequências que isso traz. Isso eu fiz sempre de uma forma muito solitária, mas pergunto a opinião. Óbvio que pergunto a opinião. E o meu irmão mais velho é uma pessoa que eu tenho como grande referência, sem dúvida nenhuma.
A tua filha mais velha já tenta também aconselhar-te de alguma forma a tentar ver o lado bom das coisas? Já tem alguma influência?
A minha filha sempre falou muito comigo e sempre foi muito direta, como a mãe. Também é rebelde. É um bocadinho parecida comigo quando eu tinha a idade dela. Ela é muito independente. Tenho muito orgulho nela, está a tirar design, é artista também. É mais discreta, gosta de passar mais discreta, mas sempre foi uma pessoa com quem eu falei muito e partilhava muita coisa. Neste momento, ela está mais na vida dela, já é mais crescida, faculdade, mas estivemos sempre juntas, muito sozinhas as duas, principalmente antes da Flor nascer, e sempre foi uma grande companheira, sem dúvida nenhuma.
Há bocadinho falávamos aqui da questão mediática. Acho que todas as semanas surge sempre alguma notícia relacionada contigo, seja para o bom ou para o mau. Mas tu durante muitos anos, e se calhar ainda hoje, tens a imprensa a tentar te rotular como um sex symbol. Não sei se sentiste isso de alguma forma ou se isso ficou presente na tua vida ou marcado de alguma forma. E se chegou a ser um peso alguma vez, até mesmo para a tua carreira artística, ou tu nunca chegaste a dar espaço para dar atenção a essa questão?
Eu não sei. Sinto que sim, que fizeram um bocadinho sex symbol. Houve uma altura que sim, mas até aí eu fiz imensos papéis que não tinham nada a ver com isso. Parece que foram todos esquecidos. A partir do momento que puxaram um bocadinho, nada mais pelo lado físico. Ficou ali um rótulozinho. Agora, se achas que isso me prejudicou? Não, eu não acho que me tenha prejudicado. Não vejo isso como um problema. Acho que não. Vê-se agora, então agora no teatro.
Sim, agora no teatro.
Tem que ir ver.
Exato. Mais uma vez fazendo aqui.
Sex symbol, não sei se tem muito.
Fazemos aqui o convite. Aqui falámos da questão do sex symbol, mas alguma vez sentiste que a tua imagem para a imprensa ou para quem via, e se calhar não acompanhava tão de perto o teu trabalho, mas que a tua imagem falava mais alto do que o teu talento?
Boa pergunta. Estava à espera dessa pergunta. Eu não sei. Talvez. Nunca pensei muito nisso, mas acho que tens razão.
Isto porque hoje em dia a questão das redes sociais, e muitas vezes nós achamos que vemos, quer sejam os projetos, as novelas, e muitas vezes vemos pequenos pedacinhos e já temos a oportunidade para dizer.
Sim, acho que às vezes põe-me muito como uma imagem, muitas vezes que não corresponde à realidade e parece que foi esquecido todo o trabalho ou todo o percurso que fiz até agora. Isso é um bocado estranho. E há uma fixação da imprensa em relação a mim, que eu ainda não percebi muito bem, mas sempre para um lado um bocadinho mais depreciativo. Eu não percebo porquê.
Já tentaste procurar respostas para essa questão? Acho que nós nunca vamos saber como é que isso acontece, não é? Porque é um jogo, no fundo.
Exato. É um jogo. Não faço a mínima ideia. Deve vender, não é? Senão isso não acontecia.
Sim.
Não sei porque é. Também acho que coincidiu, não sei se isto é verdade ou não, mas coincidiu também com a minha partilha grande nas redes sociais, das minhas caminhadas de manhã e de falar de uma forma tão aberta.
Que continuas a fazer.
Sim, agora não faço com tanta frequência, porque estou em "Loucas", tenho trabalho e com a miúda e mais a marca, mas eu acho que as pessoas quando começaram a ver exatamente como eu sou, isso fez com que a imprensa muitas vezes tirasse coisas que eu dizia fora de contexto ou esta forma tão desprendida com que eu falava, isso também fez com que houvesse muitas notícias à volta disso. Eu não percebo muito bem, mas eu lido com isso, eu vou lidando.
E não te fez repensar involuntariamente a tua conduta, a forma como te apresentas, por essa quase semanal exposição em notícias e em coisas que surgem?
Eu já percebi que nós não controlamos nada na vida, então a imprensa muito menos. Por isso, é lidar. Lido. Se fico triste, também fico triste umas horas, depois passa. É só lidar. Não vou mudar a minha conduta, não vou mudar a minha maneira de ser. Estou muito confortável na minha maneira de estar na vida, de consciência tranquila e vou continuar a ser assim. Acho que não vou mudar nada.
E tirando esta parte de ruído, que surge muitas vezes em relação a ti na imprensa, o que te traz paz?
O meu ninho. Estar em casa traz-me imensa paz, meditação, estar comigo. Eu gosto muito de estar sozinha. Silêncio, eu preciso muito de silêncio.
Não te sentes desconfortável no silêncio, muitas vezes?
Zero. Adoro silêncio.
Mas foi um processo ao longo do tempo?
Foi um processo ao longo do tempo. Acho que foi desde que eu fiz uma viagem sozinha durante um mês com mochila às costas para o Vietname.
É a solução para muita coisa.
Acho que eu aconselho a fazer isso. Mais uma vez, saí completamente da zona de conforto. Ainda por cima eu fui muito crescida, já. Tive muitos medos, mas ultrapassei muitos medos e foi muito importante estar sozinha. E o saber estar sozinha, só aprendi isso muito mais tarde. Hoje em dia é tão bom. É muito bom estarmos conosco e gostarmos da nossa companhia, é maravilhoso. E hoje em dia preciso mesmo disso, preciso desses momentos, mesmo sozinha, mesmo sem as minhas filhas, até para ser melhor mãe, melhor amiga, melhor filha, melhor irmã, eu preciso de me centrar. E isso preciso desses momentos sozinha, muitas vezes é uma caminhada, contato com o mar para mim é essencial e a meditação também ajuda-me bastante.
O que as tuas filhas te têm ensinado ao longo deste crescimento, que já vai longo, uma já na faculdade.
As minhas filhas já ensinam-me todos os dias, é um desafio gigante ser mãe. Ninguém me avisou.
Não vem com manual de instruções.
Em todas as fases é um desafio, é sempre um desafio. Como eu digo sempre, existe a pessoa antes de ser mãe e depois de ser mãe, já não tem nada a ver.
Sim.
É um desafio constante, é uma aprendizagem. Uma das coisas que elas ensinam, e bastante, tem a ver com a paciência. Eu sou muito impaciente e quero as coisas agora. E gosto muito de controlar as coisas, o que não controlas nada. E aprendi muito isso com elas.
Como é que elas lidam com esse lado mais controlador?
Agora estão menos com a mais nova, mas a mais velha não lidou muito bem. Mas acho que era de querer proteger. Queria demasiado proteger, não me apercebia que estava a ser demais a protegê-la, que não a deixava voar. "Mãe, eu preciso do meu espaço." E é muito difícil vê-los crescer, porque nós vemos sempre os filhos pequeninos, acho eu. Agora eu percebo o meu pai quando ainda me trata um bocado como uma miúda pequenina.
Mas é bom, não é?
É bom, é ótimo. Agora, sim, houve uma altura que não, me irritava imenso. Tipo: "Pai, eu já sou crescida."
Todos passamos por essa fase.
E acho que a minha filha está um bocado nessa prática.
De querer desprender.
"Eu já sou crescida." E é difícil essa parte de eles crescerem e darmos espaço de eles serem eles. Uma pessoa tem sempre uma ideia: "Ah, vai ser assim, ah, vai ser assado." Nós não controlamos nada e temos que respeitar o que eles são e aprender com isso. E isto é tudo diferente, a geração da minha filha não tem nada a ver com a minha, como a da mais nova já não tem nada a ver com a da mais velha, isto é uma constante aprendizagem. A mais nova é um desafio gigante de paciência. A outra era mais calminha. Esta está me dando muito trabalhinho.
É o papel da tua vida ser mãe?
É o papel da minha vida, sem dúvida nenhuma. É o papel da minha vida.
E é o que sentes também mais orgulho, acredito que sim.
Tenho, sim.
Ao longo do caminho e daquilo que tens construído, as pequenas fases de cada uma. Também do teu crescimento enquanto pessoa, porque foste mudando.
São os momentos mais felizes e às vezes os momentos com mais dor foram passados com elas. É sem dúvida o maior orgulho. Eu nem me imagino não ser mãe delas duas. Realmente é maravilhoso, mas às vezes também dói.
Claro, mas faz parte da vida.
Faz parte da vida.
A vida seria, de certeza, bem diferente sem elas.
Sim.
Queremos falar, e temos de falar da tua marca, que também é um projeto teu. Falávamos aqui há pouco da questão da representação e que tiveste ter este plano. A comunicação empresarial já tinha estado no teu percurso. Ou seja, isto estava tudo quase como alinhado. Como é ter uma marca em nome próprio e agora podê-la transportar e ter um bocadinho teu na casa das outras pessoas?
É maravilhoso.
É uma boa sensação?
Eu nem sei explicar, isto tudo surgiu quando eu fui fazer a viagem sozinha, não fazia a mínima ideia o que eu vou fazer da minha vida. Eu sabia que queria ter uma marca, não sabia bem o que é que ia fazer. De repente, quando eu desliguei e tive contacto às coisas mais básicas da vida, como os nossos sentidos, eu percebi que o sentido que nós temos mais presente na nossa vida e mais longínquo é o olfato. E eu pensei: "Porque não fazer um produto que me liga às pessoas através desse sentido, que é o cheiro?" Que acho que é tão íntimo e tão próximo, e pensei: "É isto que eu vou fazer, através deste sentido, do cheiro, para me ligar às pessoas através disso." Foi assim que nasceram as minhas águas de colônia, depois os óleos hidratantes para o corpo, através do toque, da pele. E os sentidos, foi por aí que começou. A inspiração veio por aí. E depois, eu sentir que tenho essa proximidade com a pessoa e que a pessoa sente-se melhor ao usar um produto meu. É um autocuidado dela, ela sente-se mais bonita, ela sente-se mais empoderada, com mais "signe", como eu costumo dizer nas redes sociais. E sentem-se mesmo. E isso é maravilhoso, depois ter o retorno.
Ia te perguntar isso, a questão do feedback que chega das pessoas.
Porque realmente é isso, é que chega e dizem mesmo que As pessoas nem tinham noção que um cheiro podia ter uma importância tão grande no nosso dia a dia. E tem.
E tem.
E isso é muito bom dizerem que os cheiros que eu fiz, que são feitos por mim, foram escolhidos por mim, têm esse impacto nas pessoas e que faço o dia delas melhor e elas sentem-se mais bonitas e melhor através de uma coisa que eu fiz. Isso é maravilhoso. É maravilhoso, mesmo. Não tenho palavras para esse reconhecimento que as pessoas me dão, é espetacular.
E este projeto vai continuar com pernas para andar. Há novidades que nos possas contar de coisas que vão surgir eventualmente?
Olha, tem tanta coisa que eu gostava de fazer, muito à volta de cosmética, de tudo o que tenha a ver com cheiros, com pele. Eu gosto muito dessa parte, eu queria fazer muito mais coisas. Às vezes falta-me tempo e porque produzir em Portugal um produto novo é um processo que dá muito trabalho e tem custos muito elevados. Por isso, eu não vou fazer já, mas fiz o rebranding agora da marca das águas de colônia. Aproveitei o que já existia e melhorei a nível de essência das águas de colônia, tem o cheiro que dura mais tempo, onde pode ser usado como ambientador, pode ser usado no cabelo, no corpo todo, não faz mal nenhum e não mancha. E depois os óleos hidratantes, que é o meu best-seller, que é textura seca, absorção rápida. Tentei fazer um produto que eu não encontrava no mercado, que era uma hidratação rápida, que secasse rápido. E eu prefiro o óleo, que é mais fácil de espalhar do que um creme. E consegui fazer essa fórmula e sinto-me muito feliz com isso. Por isso esta marca vai continuar e há de haver mais coisas mais para frente. Talvez a seguir à peça, consiga ter mais tempo. Porque eu quero fazer, já tenho ideia do que quero fazer.
Onde é que as pessoas podem encontrar os produtos?
Podem ir ao site www.barbaranortonmatos.pt, é fácil. E muitas vezes as pessoas mandam mensagem pelo Instagram, eu respondo a toda a gente. Às vezes espero ali duas ou três horas para responder a toda a gente.
Sim.
Mas respondo a toda a gente. Às vezes até ficam surpreendidas de eu responder, mas acho que faz parte. Eu faço isso de uma forma natural. Eu gosto de responder às pessoas, de receber carinho. Quando nós estamos a receber, acho que devemos devolver.
Mais uma vez, nós há bocadinho falávamos aqui das notícias e voltaram também a tentar, ou surgiram algumas notícias em relação à tua marca e à volta de alguma polémica. Como é que tu reages a isso, tendo em conta que isto é um projeto mesmo teu? Ou seja, aqui não estamos a falar de questões de vida pessoal ou do teu trabalho, aqui é algo que tem o teu cunho, é uma marca tua.
É assim, se calhar é por estar a ter sucesso. Não sei. Eu percebo, quer dizer, não percebo este exagero, mas o que me custou foi dizer que nada do que eu tenho em exclusivo. É exclusivo. Os meus produtos são exclusivos. O que não é exclusivo são os acessórios que eu tenho dentro do site, porque dentro do site existe uma parte de acessórios que não são feitos por mim. Houve uma altura que eram. Houve um inverno que me apeteceu e andei a fazer colares e vendia, e esses dizia que sim, que era eu que fazia. E depois tenho um fornecedor que me vende e eu vendo. Como é óbvio, não vou vender ao preço que compro, senão não era negócio. Eu não sei de onde é que isso surge, esta polémica toda à volta disso. Mas ao mesmo tempo posso agradecer, porque é publicidade, porque esgotaram o estoque de bijuteria. Ou seja, ao mesmo tempo fiquei triste com as notícias, depois pensei: "Mas isto é um bocado estranho. Ao mesmo tempo nas vendas é bom." Espera aí, ou é bom ou é mau que falem? Não sei, fico meio confusa.
Exato.
Por isso só não gosto é que não digam que os meus produtos não são exclusivos, porque são e deu muito trabalhinho fazê-los. Eu falei com o meu advogado, o meu advogado disse para eu fazer uma nota de esclarecimento, eu fiz no meu Instagram.
Eu vi.
E pronto, a partir de agora, se vierem coisas que não correspondem à realidade, tenho que tomar outras medidas.
Como é que tu lidas com o envelhecimento? Estamos aqui a falar de beleza também, no fundo.
Estamos.
A tua marca está muito associada a essa questão também.
Olha que eu achava que ia ser mais fácil do que é.
É?
Não é muito fácil. Podia estar aqui a mentir e dizer: "Não, é na boa." Não é. Não é giro. Mudanças hormonais não é nada giro, passa a vida com sono. É estranho não ter a mesma energia do que tinha. Acho que é mais a nível de energia, não é tanto o aspeto físico. Tem mais a ver que o corpo não corresponde àquilo que eu ainda gostava de fazer ou ter energia para fazer, mas tomo 50 mil vitaminas e tento ao máximo contrariar com desporto, com boa alimentação, mas noto que tenho que ter muito mais cuidado do que antes. Não, as coisas eram quase garantidas quando és mais nova. Agora não é tão fácil, é mais essa parte e pensar que acho que o que me custa mais é se me acontecer alguma coisa de saúde. A parte do envelhecer, alguma coisa de saúde é que me assusta mais. Não me assusta nada a morte, por exemplo, que é uma pergunta que às vezes me fazem. Não me assusta, assusta-me é doenças ou sofrimento, isso sim. Por isso tento ao máximo cuidar bastante da cabeça, da saúde. Isso sim. Agora, aspeto físico, às vezes custa-me, não é bem custar, é olharmos, porque nós estamos sempre a ver coisas antigas na televisão.
Exato. Inspetor Max.
E pensar assim: "A minha pele era tão lisinha." Como a minha filha mais nova que disse isso. "A mãe está ali, mas a mãe tinha a pele tão lisinha, agora já não está assim." Eu: "Pois, filha, já passaram 20 anos."
Isso é em relação ao Inspetor Max, não é?
Sim. Continua a passar, viu a minha filha Luz, agora vê a minha filha Flor.
E continua a ser um sucesso, também.
Ainda bem, fico feliz com isso. Mas eu a ver o Inspetor Max, noto uma diferença gigante. Nem eu tinha noção que era tão bebé na altura. Mas depois penso que hoje em dia, com 46 anos, eu sinto-me na melhor fase da minha vida. Sinto-me superbem, mesmo. E acho que é um processo normal o envelhecer. Claro que vou tratando de mim, vou fazendo umas picas aqui, umas picas ali.
Há dias mais difíceis do que outros também, não é? É que há coisas que nos incomodam mais, se calhar.
Sim, incomodam, mas também maturidade traz-nos uma tranquilidade e uma forma de lidar com as situações. É bom, essa parte da maturidade é muito bom. É muito melhor agora do que quando era mais nova. Isso é.
Vamos fechar este "Em 40 Minutos", o tempo voa.
Pois voa.
Bárbara Norton de Matos, o que te inquieta?
O que me inquieta? As minhas filhas inquietam-me um bocadinho. Acho que é mais em relação a elas, ao futuro delas. Elas é o que me fazem ficar inquieta, são as miúdas.
São elas.
São elas, sem dúvida nenhuma.
Mas ao mesmo tempo com muitas alegrias, acredito.
Muitas alegrias, mas muitas preocupações também.
Bárbara Norton de Matos, muito obrigado por teres vindo aqui ao Rádio Observador.
Obrigada.
Podem ver-te, "Para que é Urgente?", no Teatro Maria Vitória. Consultem os horários, está tudo nas tuas redes sociais e também na página de Instagram do Teatro Maria Vitória. Um grande beijinho e muito sucesso.
Beijinho, muito obrigada, gostei muito.
Até breve.
Obrigada.