O líder do PS, José Luís Carneiro, quer que o Governo esclareça se há algum problema com as reservas estratégicas de combustíveis do país, pedindo explicações sobre informações que recebeu de uma alegada mobilização de parte das reservas para França.
“Vamos requerer informação à ministra do Ambiente, na medida em que, a serem verdadeiras as informações que nos transmitiram, significaria que o país poderá estar numa situação crítica quanto às reservas estratégicas de combustíveis”, disse o líder do PS aos jornalistas no final de uma reunião, em Lisboa, com associações representativas dos setores da energia e das telecomunicações.
José Luís Carneiro disse que tinha recebido a informação “de que o Estado português mobilizou uma parte das suas reservas estratégicas de energia para França” e também que está a comprar um tipo de crude “que não tem aplicação enquanto combustível imediato” já que “exige um tipo de refinação” que diz não existir em Portugal.
“É um assunto da maior importância que esta quinta-feira procurarei também levar à Assembleia da República e requereremos as explicações devidas por parte do primeiro-ministro e por parte do Ministério do Ambiente”, adiantou.
O líder do PS quer por isso garantias do Governo de que há reservas estratégicas suficientes para que o país não venha a ter falta de combustível nos próximos tempos.
“Reservas estratégicas essenciais e, em segundo lugar, reservas estratégicas que sejam operacionalizáveis, que sejam mobilizáveis para uma circunstância de emergência”, detalhou.
Carneiro disse que vai fazer esta pergunta já esta tarde no debate que vai decorrer no parlamento, onde se vão discutir 14 iniciativas de vários partidos para aliviar o aumento do custo de vida.
“Vamos, entretanto, requerer por escrito resposta sobre estas duas matérias. Estamos a falar, para quem nos ouve, que terá havido 132 mil toneladas de reservas que foram mobilizadas para França, à luz das informações que temos”, detalhou.
Na quarta-feira, a ministra do Ambiente e Energia assegurou que Portugal “está muito bem” quanto às reservas de combustível, afastando motivos de alarme quanto à sua escassez num momento em que em França há postos com alguns produtos em falta.
“Nós estamos muito bem nas nossas reservas. Em geral, nos combustíveis líquidos, temos 92 dias, o recomendado é 90. No jet fuel, tivemos um aumento de 3% no consumo até ao fim de agosto, mas conseguimos ter mais 18% de reservas”, disse Maria da Graça Carvalho à margem da assinatura de um protocolo entre a Câmara Municipal de Almada e a EPAL.
Carneiro alerta que sem medidas para custos da energia empresas poderão ter de fechar
José Luís Carneiro alertou esta quinta-feira que haverá empresas que “poderão ter de fechar as portas” caso o Governo não avance com medidas que aliviem os efeitos dos aumentos do custo da energia.
“Há setores que nos exprimiram a realidade que estão a viver: se não houver medidas que mitiguem os efeitos do custo com a energia — com os combustíveis, com o gás, com a eletricidade — (…) haverá muitos milhares de empresas que não vão conseguir suportar o aumento destes custos”, avisou o líder socialista após uma reunião com associações representativas dos setores da energia e das telecomunicações, em Lisboa.
José Luís Carneiro deixou o alerta de que, sem medidas para este problema, “essas empresas poderão ter de fechar as suas portas e com isto estarão em crise milhares e milhares de postos de trabalho pelo país”.
“O Governo tem de ser sensível a isto que se está a passar”, apelou.
Nas contas do PS, há “custos operacionais que podem andar na casa dos 40%”, referindo que na reunião que tinha acabado de ter ouviu “empresas e setores empresariais cujos custos energéticos podem variar entre 40% e 70%”.
Sobre o debate que decorre esta tarde no parlamento, o secretário-geral do PS foi questionado sobre o sentido de voto do partido em iniciativas, por exemplo do BE e do PCP.
“Nós esperamos contar com o voto de todos os partidos para viabilizarem as propostas viáveis e sustentáveis do ponto de vista orçamental, porque as únicas propostas com contas feitas, que foram apresentadas na Assembleia da República e sustentáveis à luz da folga orçamental que resulta do aumento dos impostos sobre os combustíveis e do aumento da inflação com efeitos na receita fiscal do IVA, as únicas propostas que respeitam esses pressupostos são as propostas apresentadas pelo PS”, disse apenas.
Sobre a entrevista do porta-voz do PSD e eurodeputado, Sebastião Bugalho, à Rádio Renascença e Público, em que defendeu que a reforma da lei eleitoral devia ser a prioridade dos partidos e não a revisão da Constituição, Carneiro respondeu: “quem trouxe o tema da revisão constitucional para o espaço público não foi o Partido Socialista, quem foi mesmo o AD com o Chega”.
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