Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Já cá tenho a Filomena para olhar para o estado do tempo. Olá, Filomena, boa tarde.
Olá, Nelson.
Ontem falámos aqui de uma descida acentuada nas temperaturas, da possibilidade de chuva já durante a próxima semana, mas é chuva para durar ou é chuva passageira?
É uma pergunta do milhão. Os mapas já começam a permitir identificar melhor os períodos em que essa chuva poderá chegar, embora ainda não seja possível garantir com certeza se vai chover no país todo, nem exatamente quando, nem em que dias. Mas o primeiro período a acompanhar começa já domingo, dia 27, e depois prolonga-se pelo início da próxima semana. Isso mais ou menos está garantido. Já se sabe também que Porto, Lisboa e mesmo algumas zonas do Alentejo têm sinais de precipitação nos modelos que já estão mais ou menos garantidos, mas há ainda diferenças quanto ao momento da chegada e quanto à quantidade de chuva que está prevista. Até sexta-feira há detalhes que vão ficar garantidos, porque a três dias a previsão já é muito segura. A possibilidade de chuva mantém-se claramente pra segunda e terça-feira. Não quer dizer que sejam três dias de chuva consecutivos, com chuva todo dia, mas vai chover. E agora a novidade maior é que os mapas de um modelo europeu, que é o que praticamente todos os institutos de metodologia da Europa seguem, já identificam também outros sinais de chuva entre o final de setembro e o início de outubro. Isso significa que este primeiro episódio de chuva pode não ficar isolado, mas que é ainda muito cedo pra concluir que Portugal vai entrar num período prolongado de tempo chuvoso. Não se sabe ainda se entramos já no outono, que começou esta madrugada.
Entramos. Entrar, entramos.
O tempo é que não sabe.
E será que até domingo as coisas vão ficar mais outonais?
Sim, esta quinta e sexta-feira já serão dias de transição. No litoral centro e norte, a entrada de ar marítimo deverá trazer manhãs mais frescas, vai trazendo neblina e nevoeiro junto à costa, isso é garantido.
Já está no mapa do IPMA, por exemplo, pra amanhã.
Sim, e às vezes pode não levantar durante o dia. E em alguns pontos da costa, eu acho que a coisa vai ficar muito fresquinha. O interior e o Alentejo continuarão mais soalheiros, mais quentes, mas as temperaturas vão ficar progressivamente mais baixas. Já a Madeira, e pode haver alguém que esteja a pensar ir pra Madeira este fim de semana, assim como as Canárias, também pode ser um sítio para ir, vão entrar num período de calor muito alto, que já levou o IPMA a emitir avisos amarelos pra todo o arquipélago da Madeira, incluindo também para Porto Santo.
É verdade. Vamos ao fenômeno de hoje, que é te explicar por que pode vir aí mais ou menos chuva e do que isso, afinal, depende.
Exatamente. É por isso que ainda não é possível prever, porque a grande questão para os próximos dias não é apenas quando é que regressa a chuva, mas é se esta circulação atmosférica no Atlântico conseguirá manter-se suficientemente ativa pra permitir ou pra impedir a passagem de várias frentes por Portugal. É preciso saber qual é o papel e como nascem as depressões atlânticas e como é que as frentes trazem a chuva pra Portugal. E quando ouvimos dizer que uma frente atlântica se aproxima de Portugal, e ouvimos muitas vezes, estamos normalmente a falar de um sistema meteorológico que começa a formar-se muito longe, numa região do Atlântico, normalmente ali pros lados da Groenlândia, onde se encontram massas de ar com temperaturas diferentes. E é nessas zonas onde elas se encontram, de contraste de massas de ar, que se desenvolvem então as depressões atlânticas. Na prática, são uma perturbação na circulação atmosférica que faz descer a pressão atmosférica à superfície, o ar começa a subir e a circulação em torno de um centro de baixa pressão faz com que isto se forme. No Hemisfério Norte, onde estamos, essa circulação faz-se no sentido contrário às pontas do relógio. À medida que o ar úmido sobe e arrefece, o vapor d'água condensa, forma nuvens e depois, sempre que as condições estão feitas à medida, chove. É também à volta dessas pressões que depois se desenvolvem as tais frentes, as zonas de contacto entre as massas de ar com temperaturas e características diferentes.
E é o que está aí a caminho de Portugal.
É o que está aí. É preciso saber que há frentes diferentes. Há a frente fria, é uma massa de ar frio que avança e abriga o ar mais quente a subir. Normalmente, a subida é rápida e depois as temperaturas descem e pode haver chuva. Uma frente quente também traz chuva. É uma subida mais gradual, mas pode dar chuva prolongada e contínua, aquela chuva que às vezes está dias e dias. Uma frente oclusa, em que uma frente fria alcança uma frente quente, e também normalmente é chuva persistente e muito extensa no tempo. E ainda há uma frente estacionária, e esta é das mais chatas, porque ocorre quando duas massas de ar permanecem praticamente na mesma posição, uma não consegue avançar sobre a outra, e normalmente isto pode fazer com que naquela mesma região fique a chover muito tempo, e às vezes haver aquelas cheias. E normalmente elas vêm de oeste pra leste, pra nós, e se o anticiclone dos Açores estiver forte, empurra-as pro norte. Se ele estiver mais fraco, elas chegam a Portugal e portanto é só isto que temos a acompanhar nos próximos dias.
Vamos à curiosidade de hoje. Vais falar aqui de um pássaro que atravessou o sol.
Pois, não é bem assim, mas pela foto parece. Parece um foguete a atravessar o sol. Eu coloquei aí a foto só pra tu veres. Isto, na prática, é só um ganço-patola a mergulhar no oceano.
São aqueles pássaros que mergulham pra apanhar peixe, não é?
Exatamente. Só que a foto, que acaba de ganhar o prêmio da melhor fotografia de aves do mundo em 2026, dá essa impressão. O ganço-patola é uma ave marinha que também existe na costa portuguesa. Só que eles conseguem mergulhar a velocidades de 86 km/h, o que eu acho impressionante.
Mesmo.
Pra apanhar os peixes, eles lançam-se como uma flecha, com as asas recolhidas junto ao corpo, preparados pra entrar na água. E este fotógrafo britânico, chama-se Henry Spiers, conseguiu captar o instante em que a ave atravessava a superfície do mar, nas ilhas Shetland, na Escócia, e a posição do sol criou esta ilusão em que o pássaro estava a atravessar uma enorme bola de fogo. Entre a luz solar, a transparência da água e a posição do fotógrafo, transformaram este comportamento natural do ganço-patola numa imagem extraordinária.
E podem procurar mais sobre isso no site Bird Photographer of the Year, os vencedores de 2026, e encontram esta foto aqui trazida pela Filomena Martins, que parece, de facto, um pássaro a atravessar o sol, está apenas a mergulhar e tentar apanhar peixe. Bom almoço pra ele ou bom jantar. E bom resto de dia pra ti, Filomena. Amanhã voltamos a encontrar-nos depois das 16:00, para mais um "Quente e Frio".