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Está conosco agora em direto. Bem-vindo à Rádio Observador, Rui Moreira. Como é que vê esta conquista dos azuis e brancos este ano? Depois de um período difícil, consegue o Futebol Clube do Porto voltar a ser campeão.
Acho que foi uma vitória merecida, uma vitória justa. É sempre difícil. É a primeira vitória de André Villas-Boas. É um Porto diferente, um Porto que construiu este ano, conseguiu fazer uma equipe que conseguiu, de facto, apesar das dificuldades que teve, principalmente com lesões, conseguiu levar a bom porto esta época, garantindo aquilo que era mais importante, que era o título nacional, que já lhe fugia há alguns anos. Portanto, acho que é uma razão para que os adeptos do Futebol Clube do Porto confiem nesta nova direção, neste novo rumo que o clube tem vindo a assumir nos últimos anos. Portanto, acho que é um Porto contemporâneo, com uma imagem diferente e acho que, apesar das dificuldades que houve, repito, as lesões foram muito complicadas, mas o Porto soube em janeiro reforçar-se. Isso quer dizer que o treinador também é um treinador competente e acho que acaba por conseguir aquilo que era mais importante nesta época, que era recuperar o título nacional.
Sim, mas há alguém que seja o principal responsável no meio de tudo isto?
Eu acho que o principal responsável é André Villas-Boas. Eu acho que pro bem e pro mal, se a época tivesse corrido mal, as pessoas estariam apontando o dedo. E, portanto, depois da época passada ter sido uma época particularmente difícil, acho que ele conseguiu refazer totalmente a estrutura da equipe, conseguiu buscar um treinador que tinha tido um azar no ano passado, como se sabe, com o Ajax, em que a poucas jornadas do fim, ele era o vencedor anunciado e tinha perdido. Conseguiu reformular a equipe toda e acho que correu bastantes riscos, mas acho que valeu a pena e portanto, acho que aqui há sempre o presidente como principal responsável.
E já teve a oportunidade de falar com o André Villas-Boas?
Sim, eu estive no estádio e no fim dei-lhe um abraço. Eu tinha falado com ele há três ou quatro dias. Falo com ele frequentemente, somos amigos e tinha lhe dito que achava que as coisas estavam bem encaminhadas e que depois das coisas não terem corrido tão bem, quer para a Taça de Portugal, quer para a Liga Europa, em que houve um conjunto de circunstâncias e de azares, no caso da Liga Europa, que não correram bem, mas que o principal era ser ganho e parecia-me que as coisas estavam bem encaminhadas. E hoje dei-lhe um abraço no fim do jogo.
Como é que ele estava? Acredito que depois de uma temporada tão longa, de todo este período, há uma descarga natural de conquista do campeonato.
Sim, ele pareceu-me muito contente, emocionado. Também havia homenagem ao Jorge Costa. Isto foi um drama que ocorreu durante a época, que no fundo uniu também as pessoas, mas que deixou marcas e, portanto, pareceu-me que ele estava satisfeito. Mas foi, como compreende, um abraço de ocasião. Nós estávamos próximos, eu estava perto dele e fui lhe dar um abraço antes de ir embora. E com certeza agora nos próximos dias terei possibilidade de falar mais com ele. Mas pareceu-me muito satisfeito. Isto era tudo ou nada pra ele.
Naturalmente. Queria perceber também consigo a importância de Jorge Costa em todo este período do Futebol Clube do Porto. A morte de Jorge Costa marca este campeonato e a importância que isto tem também para os jogadores, para o clube como um todo.
Eu acho que é sempre aquele que morre mais ou menos em combate. Ele não morreu a jogar, mas morreu quando estava a treinar a equipe e portanto estava a acompanhar a equipe. As pessoas assistiram à morte violenta dele e acho que isso marcou pro bem e pro mal. Por um lado, foi uma tragédia horrível pra quem gostava dele, como era o meu caso e como era o caso de todos os portistas. Ele era um símbolo do clube pela forma abnegada como defendia as suas convicções. Era um duro de coração de ouro, mas quando acontecem estas coisas, ao mesmo tempo muitas vezes nós conseguimos encontrar forças. Eu acho que a equipe encontrou uma inspiração. Eu acho que inspiração é talvez a palavra certa para dar o litro, que era o que o Jorge dava. O Jorge era o homem que dava o litro em campo e acho que isso marcou seguramente a época.
Rui Moreira, nós temos em estúdio o Augusto Inácio, está também conosco nesta emissão especial e é o nosso comentador residente. E gostaria também de lhe fazer uma pergunta. Augusto, força.
Presidente, permita que eu o trate assim. Depois desta grande conquista e parabéns pela conquista do título, acho que para mim também que é justo e merecido este título para o Futebol Clube do Porto. Eu pergunto-lhe enquanto portista, que eu sei que gosta muito do Futebol Clube do Porto, se na próxima época acha que o Porto tem que ter alguns cuidados em relação ao plantel, porque vai se exigir o bicampeonato ao Porto, vai se exigir a Liga dos Campeões ao Porto, e se o Porto não precisa de mais profundidade no seu plantel, mais alguma qualidade, principalmente técnica, com o espírito dos guerreiros que teve neste plantel. Se não acha que o Porto precisa ter alguns retoques pra ter um plantel mais forte.
Augusto, vamos ter de retomar esta pergunta, porque creio que perdemos aqui a ligação temporariamente a Rui Moreira, o antigo presidente da Câmara Municipal do Porto. A nossa produtora Rita Reves está a tentar restabelecer esta ligação. Estamos a escutar Rui Moreira, que liderou durante vários anos a autarquia do Porto e que ainda há pouco aqui descrevia-nos este momento de festa e identificava André Villas-Boas como o principal responsávelDeste feito, deste regresso do Futebol Clube do Porto aos títulos, à conquista do campeonato. Continuamos conosco aqui em estúdio com o Augusto Inácio. Vamos ter ao longo desta noite e madrugada reportagem na cidade do Porto, também em Lisboa e já temos novamente Rui Morais. Augusto Inácio, falavas sobre o futuro agora no clube azul e branco.
Isso, estava eu a dizer parabéns, Brasiliano.
Peço desculpa. Foi abaixo.
Foi abaixo. Está certo. Dar-lhes parabéns pelo campeonato do Porto, que acho que é justo e merecido também.
Eu também mereço parabéns enquanto adepto.
Claro. Mas deixe-me lhe fazer esta pergunta como adepto do Futebol Clube do Porto, que quer sempre o melhor e quer sempre ganhar, como é evidente. Se não acha que no plantel do Futebol Clube do Porto para a próxima época tem que haver alguma mais qualidade, principalmente técnica, porque o Porto vai lutar por bicampeonato e vai também querer fazer uma gracinha na Liga dos Campeões.
Sim, não tenho dúvida que é preciso fazer acertos. O Porto fez um conjunto de contratações, mas teve que se adaptar, como o Inácio sabe muito melhor do que eu, às lesões que surgiram. Eu acho que a lesão mais grave foi o De Jong. Eu acho que esta equipe estava talhada para jogar para aquele tipo de-
E do Samu também.
O Samu também, mas mais o De Jong, porque eu acho que a equipe jogava mais com o De Jong, porque o De Jong é um ponto de lance mais móvel e esta equipe precisa de alguém mais móvel lá à frente. E também julgo que a nível do meio-campo vai ser preciso fazer alguma reestruturação, porque a equipe não pode andar às costas do Frolo Torres. Não estou a dizer que o Frolo Torres não jogou bem, mas não pode ser sempre o salva-vidas do Futebol Clube do Porto e acaba por estar demasiadamente dependente apenas de um jogador naquele meio-campo, de um criativo. Portanto, acho que sim, acho que é preciso. O Farioli com certeza que já está a pensar no que vai fazer. Certamente que vai haver ajustes e como o Inácio diz e muito bem, o Porto tem um desafio diferente, tem uma Liga dos Campeões, está por lá diretamente e portanto vai ter também os recursos. Por um lado, vai ter recursos financeiros para fazer esse investimento, mas, por outro lado, vai ter uma época mais exigente do ponto de vista internacional do que teve este ano. E a Liga dos Campeões, quer pela importância desportiva, quer também pela importância financeira, justificará seguramente acertos no plantel e com certeza que eles são necessários.
Ok, um abraço para si.
Um abraço para ti, Inácio.