A pontualidade ferroviária caiu para 70% no primeiro semestre, menos 7,4 pontos percentuais em termos homólogos, e a Infraestruturas de Portugal (IP) admite não perspetivar melhorias nos próximos períodos, apesar de a meta anual ser 85%.

A pontualidade tinha ficado em 77% no primeiro semestre de 2025 e em 82% no mesmo período de 2024, segundo o relatório e contas consolidado da empresa divulgado esta sexta-feira à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

O indicador corresponde à pontualidade agregada verificada em toda a rede ferroviária em exploração e é medido pelo atraso dos comboios à chegada.

“A pontualidade global manteve-se estável nos 70%, evidenciando, no entanto, uma performance menos favorável nos serviços de Médio e Longo Curso, nomeadamente Alfa Pendular, Intercidades, Inter-regionais e Regionais”, refere a IP.

A empresa atribui esta evolução ao impacto das limitações de velocidade e das obras em curso nos principais eixos ferroviários, que condicionam os tempos de percurso e “contribuem para o agravamento dos atrasos”.

Como medidas de correção, a IP prevê dar prioridade à eliminação das limitações de velocidade com maior impacto na pontualidade dos serviços de Médio e Longo Curso e reforçar o acompanhamento e a coordenação das obras.

Apesar destas medidas, a empresa reconhece no relatório que, tendo como meta uma pontualidade de 85% em 2026, “não se perspetivam melhorias para os próximos períodos quando comparado com o valor agora apurado [70%]”.

A circulação na rede ferroviária diminuiu também 3% em termos homólogos, para cerca de 17 milhões de comboios-quilómetro – unidade que mede a distância total percorrida pelas circulações ferroviárias -, com uma redução de 2% no tráfego de passageiros e de 9% no segmento de mercadorias.

A IP aponta entre os fatores que condicionaram a circulação as obras de modernização da Linha do Douro, as intempéries dos primeiros meses do ano, incluindo a tempestade Kristin, os trabalhos de recuperação nas linhas da Beira Baixa e do Oeste e as greves registadas em junho.

As condições meteorológicas adversas provocaram uma redução estimada superior a 650 mil comboios-quilómetro e um impacto de cerca de 1,7 milhões de euros nas receitas ferroviárias.

No primeiro semestre foram ainda registados 13 acidentes ferroviários significativos, dos quais, segundo a IP, 11 “decorreram da atividade e/ou comportamento de terceiros”. Destes, “3 com pessoas em zona de plena via, 5 em estação e 3 em passagens de nível, registando-se duas colisões e uma colhida”, e “2 foram atribuídos à IP, ambos associados à colisão de comboios com um obstáculo dentro do gabarito, envolvendo árvores e, num dos casos, também uma barreira”.

A IP registou um lucro consolidado de 43,8 milhões de euros no primeiro semestre, menos 44% em termos homólogos, penalizado pelo aumento dos gastos operacionais, em parte devido às intempéries, e pela redução de alguns rendimentos.

Segundo a empresa, a evolução dos resultados refletiu, entre outros fatores, a redução em 17,7 milhões de euros dos rendimentos associados à Consignação do Serviço Rodoviário (CSR) e uma diminuição de 9,1 milhões de euros em outros rendimentos e ganhos.

A IP aponta ainda para um aumento de 41,5 milhões de euros nos gastos operacionais, relacionado, nomeadamente, com intervenções de conservação e reposição das condições de operacionalidade das infraestruturas afetadas pelas intempéries registadas nos primeiros meses do ano.

Entre os fenómenos meteorológicos, o relatório destaca a tempestade Kristin, de 28 de janeiro, e outros episódios de precipitação intensa e persistente durante fevereiro.