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Às primeiras horas da manhã, os altifalantes das estações de comboio da linha de Sintra tocam uma mensagem diferente.

Utilize máscara de proteção. A proteção e saúde de todos é a nossa prioridade.

A partir de hoje, as máscaras são obrigatórias em todos os transportes públicos. As multas podem ir dos 120 aos 350 €. Neste primeiro dia, houve tolerância, até porque a maioria dos passageiros estava preparada. No Metropolitano de Lisboa, foi o próprio ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, que atestou o cumprimento.

Estamos a comportar com um elevado grau de civismo. De facto, não estamos a ter nenhum problema, nem aqui no Metropolitano de Lisboa, nem no Metropolitano do Porto, nem nas empresas de autocarros, nem na Transtejo, nem na Soflusa. Todas as pessoas com máscara, há um quarto hora atrás, a PSP tinha-me dito aqui que no Metropolitano de Lisboa, em toda a rede, tinha interpelado apenas 30 pessoas que vinham sem máscara.

Já no Porto, Pedro Jerónimo, responsável da fiscalização da estação da Trindade, reportava alguma resistência.

Houve aqui muita gente que diz que é por falta de desconhecimento, que não sabe ou porque não é obrigatório e acham que têm o direito de viajar sem máscara. Houve uma recusa de parte de uma passageira que não tinha título válido, não tinha máscara, recusou comprar seja o título, seja a máscara, queria viajar e achava que tinha que viajar. E então foi levantado uma ata de notícia.

Para evitar incumprimentos, em muitas estações há máquinas de venda automática, com máscaras disponíveis.

Muita gente está a comprar, está disponível também álcool em gel e estão disponíveis também luvas à venda nas máquinas de venda. Há pessoas que optam por comprar, outras que acabam por abandonar a estação, porque não podem estar dentro da estação sem máscara.

Mais pessoas nos transportes públicos, mas nada que se compare ao pré-pandemia. Que o diga Luís Ribeiro, que trabalha num dos cafés da estação do Cais do Sodré, em Lisboa. Abriu às 06h, às 10h fez um primeiro balanço.

Hoje, sensivelmente, servi à volta de 15 cafés, por volta de 300 cafés. Normalmente, aquilo que se vende de manhã é até esta hora. Se fizesse 50 € já ia muito.

Cá fora, a falta de movimento sente-se também nos táxis. Mário Ribeiro chegou ao Cais do Sodré às 05h. Às 09h, ainda não tinha tido clientes e já fazia contas à espera.

Por esta hora e 10, penso que mais uma hora, pelo menos, ninguém vai tirar de ficar aqui a aguardar por um cliente. Terei que ficar aqui. Não vale a pena andarmos a passear com os táxis, porque não há clientes na rua a estenderem a mão, não há nada. Portanto, vamos ter que aguardar. Não há outra hipótese.

Já quanto ao lucro do dia.

Não faço a mínima ideia. Mas, sei lá, 30 € pelo menos. Trinta euros no total. Depois há os custos, os gasóleos, há toda uma série de coisas para se pagar e que assim, desta forma, vai ser difícil.

Contas difíceis quando o país começa a sair a pouco e pouco desta suspensão, como quem acorda de uma anestesia. Depois de mês e meio em estado de emergência, com a maioria do comércio fechado, o desconfinamento começou hoje com a reabertura de algumas lojas. Entre a retoma mais esperada, estavam os cabeleireiros. Na Rua de Santa Catarina, no Porto, o salão Azul já tem lista de espera.

Eu tenho as chamadas reencaminhadas para o meu telemóvel. Entretanto, fui agendando pessoas e temos a agenda cheia, marcações de hora em hora, visto que temos duas cabeleireiras a funcionar, uma ajudante e uma manicure.

Lúcia Neto adapta-se agora às novas regras.

O atendimento por marcação, o uso de máscara e viseira, o pedir à cliente para usar máscara e não usar bijuterias. Retiramos todas as revistas do nosso espaço para evitar contaminação, inclusive os catálogos das tintas só podem ser usados pelas cabeleireiras. O nosso material é descartável.

E é também um dos maiores encargos que vai passar a ter.

As máscaras estão caríssimas e é difícil arranjá-las. E todo o material é muito caro. Até inclusive o álcool gel é caro, o álcool não há. O álcool que eu tenho disponível aqui no espaço veio dos Açores, que lá há muito álcool.

Na barbearia Carlos, em Alvalade, não foi preciso recorrer às ilhas, mas Francisco Frausto reconhece que a adaptação a este novo modo de trabalhar também não está a ser fácil.

Bem, isto está a ser tudo estranho. Está a ser tudo estranho: viseira, luvas, máscara. O facto de uma pessoa ter máscara, e estamos a falar, cansa. Mas é uma questão de hábito, é uma questão de uma pessoa conversar pouco e trabalhar mais.

A receita para o sucesso nesta barbearia de Lisboa, quando se tenta ganhar uma nova rotina.

O cliente entra, desinfeta as mãos. O cumprimento ou é com um olá ou com o pé também serve. E o menos contacto possível. Nós inclusive definimos que fazer barbas com lâmina, que é um mau princípio, porque estamos demasiado ao pé da cara do cliente, portanto, decidimos passar a fazer à máquina. Sempre estamos mais afastados e se estamos mais afastados, menos perigo há em que haja alguma chatice.

Barbeiros e cabeleireiros com novas regras, mas também outro tipo de estabelecimentos que hoje já pode abrir portas. Por exemplo, as sapatarias. Na Rua de Santa Catarina, no Porto, Sofia Fernandes começa a impor as novas regras.

À partida, quando entram na loja, têm que usar a máscara e são obrigados a desinfetar-se. E depois para experimentar o calçado, têm que usar uns sacos plásticos que nós fornecemos e que são para deitar fora. Portanto, experimentam com o saco, deitam fora o saco e não há o risco de contágio nos sapatos.

Também em Lisboa, a loja do estilista Nuno Gama conhece uma nova vida.

A desinfeção de tudo e mais alguma coisa. Todo o espaço foi desinfetado exaustivamente. Os provadores, quando as pessoas vierem provar roupa, são desinfetados após a sua utilização. A roupa é pulverizada com desinfetante também e entra em quarentena até poder voltar novamente. E este processo é um processo repetido. À entrada da loja, temos o álcool de desinfeção e todos os dias a loja é desinfetada. O balcão, após as pessoas entrarem, o balcão, após as pessoas saírem, andamos sempre a desinfetar tudo e mais alguma coisa. Virámos uns desinfetados.

A sapataria de Sofia Fernandes, no Porto, ainda não teve muitos clientes.

Neste momento, as pessoas também ainda estão muito assustadas e estão a se habituar à ideia de voltar à normalidade. Vamos acreditar que sim, a nossa esperança é que sim, que as pessoas venham em massa, pelo menos mais pro fim de semana.

Em Lisboa, Nuno Gama tem a mesma esperança.

É o pânico que existe neste momento. Aliás, estas seis semanas foram seis semanas de aprenderem a rezar em todas as línguas e religiões.

Com mais ou menos fé, cada um faz o que pode para conseguir a normalidade possível. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador Online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.