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Quando se diz que alguém chega a uma mesa de negociações e apresenta um documento para essas negociações, que isso é um ultraje às negociações, eu creio que isso diz muito sobre o que é um processo negocial. Eu ouvia com toda a serenidade, me esquodei de tudo o que disse, ouvia com toda a serenidade, incluindo quando me estava a chamar de mentiroso e, por isso, não alterei a minha postura. Peço que ouça também agora. Quando a senhora deputada diz, numa matéria que foi repetida pelo governo, que acha exagerado, para dizer o mínimo, que o Bloco de Esquerda chegue a uma mesa de negociação com pontos para negociar das suas posições, eu creio que isso mostra mais da arrogância do lado de lá do que a forma de estar do Bloco de Esquerda. Está a faltar nas matérias de fundo e é por isso que nós temos a demissão em catadupa de profissionais. Não é o Bloco de Esquerda que está a dizer aos profissionais para se demitirem. Não é o Bloco de Esquerda que está a instrumentalizar a luta desses profissionais. São eles, de norte a sul do país, que dizem que não dá para trabalhar assim. Qual é a resposta do PS? Qual é a resposta do governo? É rejeitar a única medida que garantia uma valorização de carreiras do Serviço Nacional de Saúde. É esta a resposta. E depois podemos ir pra Lei do Trabalho. Quando toca a horas extraordinárias, alguém compreende que o governo diga que sim, pode-se cortar, a troica pode cortar à vontade as 120 primeiras horas de trabalho, porque depois as 30 restantes são as 30 restantes legais, nós aí já vamos pagar por inteiro. Alguém percebe isso como uma aproximação ou como um enxovalho aos trabalhadores e às trabalhadoras? É porque o trabalho extraordinário deveria ser penalizado para criar postos de trabalho e cada posto de trabalho que não é criado, porque sai mais barato pagar horas extraordinárias, é responsabilidade da troica, da direita, mas também deste Partido Socialista que impede que se mude a lei. E é isso que nós não compreendemos. E por isso, sim, nós temos divergências. Nós nunca escondemos, mesmo naquele período de reuniões e diálogos, e tivemos muita reunião e diálogo, o senhor ministro das Infraestruturas sabe bem disso como ninguém, nós não concordamos em tudo, mas havia um diálogo construtivo. Não havia uma resposta como aquela que temos hoje: "Vocês têm nove propostas. Ora, nós rejeitamos todas. Tomem outras que estas são melhores." Essa sobranceria, essa arrogância de tratar o Bloco de Esquerda, mas acima de tudo, essa forma de tratar o país mostra bem como o diálogo que era a base, o cimento da geringonça, foi a primeira coisa a ruir. Isso foi por vontade do governo, que foi vontade do Partido Socialista. Disse.
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