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Estamos aqui com a situação de termos de estar fechados fora do perímetro. Temos aqui um perímetro de segurança e nós estamos fora desse perímetro. Não nos deixam abrir quando, ainda por cima, temos barracas montadas no meio do Marquês de Sagres, de hambúrgueres. Nós não podemos estar abertos num dia destes em que temos um prejuízo gigante. Tínhamos tudo encomendado, um aviso feito quinta-feira ao fim do dia em que nós não podemos contestar com tempo, é impossível. Portanto, isso é uma indignação geral, já falámos com vários parceiros nossos que estão aqui à volta, que nos disseram isso tudo. Acho que tem que passar alguma coisa, tem que acontecer alguma coisa para nem que seja indenizar as pessoas.

Tinha noção de que ia haver estes estabelecimentos dentro do próprio recinto?

Não, isso é uma surpresa. Foi-nos passado que poderia haver, nós nunca acreditamos que poderia haver, e deparámo-nos hoje, a partir das 16h, quando começam a descer 40 caminhões com barraquinhas de cerveja ou de comida diretos para o Marquês, quando nos estão a delimitar uma zona que não podemos vender, mas dentro dessa zona podem vender à vontade, que acho que é completamente descabido, não faz sentido nenhum. Estão a tirar negócio a nós que estamos cá todos os dias e estão a dar a outras pessoas sem sentido nenhum, não percebo a razão. A razão que nos deram é por segurança, que não faz sentido nenhum. Acho que é igual, se calhar é pior ainda estarem a proibir as pessoas de consumir fora deste perímetro, que no fundo é isso, ou quando a 100 metros daqui têm restaurantes abertos e está tudo aberto, tudo a funcionar normalmente e nós não podemos estar a funcionar. Não percebo.

Tem alguma noção da dimensão do prejuízo para hoje?

Hoje, digo-lhe muito por alto que perdemos à volta de 20 a 30 mil euros. Facilmente, só por número de encomendas de tudo o que tinha feito, perdemos à volta desse valor. E que pra nós é um rombo gigantesco num dia de festa, se o Benfica isso é que é um dia de festa, mas há que ter perfeita noção de como é que se fazem as coisas e tem que dar a mesma oportunidade a todos, que é o principal, e não estão a dar. Eu, por exemplo, sou Super Bock e se calhar é por ser Super Bock que não me deixam abrir aqui. Se calhar se fosse Sagres poderia estar aberto, não sei qual é que foi o esquema que montaram, mas gostava de perceber qual é a razão de poder haver cerveja ali embaixo e eu não poder vender cerveja aqui. Percebo que têm que ter dinâmicas de segurança, não venderem em copos de vidro, como é óbvio, tudo em plástico. Toda a dinâmica pode ser trabalhada, mas nunca foi falado com ninguém, nunca nos vieram perguntar se poderíamos. Nós, por exemplo, contratámos seguranças, para ter aqui seguranças, até pra controlar o nosso próprio espaço. Agora, sem falarem conosco, sem nos consultarem, sem nos dizer nada, simplesmente nos obrigam a fechar, não faz sentido.

Recebeu a indicação quinta-feira ao fim do dia, foi isso?

Quinta-feira ao fim do dia.

Alguém, responsáveis autárquicos, foi a autarquia?

Não, pela parte da polícia. A polícia PSP passou cá, deixou um despacho a dizer que nós tínhamos que fechar e a dizer quais eram os outros estabelecimentos que também iam fechar. De quinta pra sexta, como sabe como é que funciona a Justiça em Portugal, eu quinta à tarde não consigo fazer nada. Sexta, se fizer alguma coisa, vai ser na segunda-feira a resposta. Portanto, fazem aqui também tudo em cima do joelho, nós não nos podemos defender, que é das piores coisas que pode acontecer.

E não teve qualquer indicação, por exemplo, de eventuais recompensas, eventuais compensações para quem tem este prejuízo?

Por exemplo, sei que nós, neste momento, não tivemos acesso a nenhuma recompensa, nenhuma indenização por estarmos fechados, mas sei que, por exemplo, a Feira Livre inaugurou quinta-feira, fecharam hoje e tiveram uma indenização pra estar fechados. Acredito que poderia ser uma maneira de podermos fechar, mas nunca nos foi falado nada, nunca nos sentamos à mesa para discutir o que poderia acontecer, o que nós podíamos mudar, o que podíamos fazer ou deixar de fazer. Acho que isso aí pra nós é um ponto, acho que hoje em dia temos que saber lidar com as instituições. Já sabiam que o Benfica podia ser campeão esse fim de semana. Falam com todos os negócios que estão aqui. Tem aqui muitos negócios que podem funcionar lindamente, mas têm um dia bônus, no fundo, pra terem um dia de faturação muito melhor, dinamizar a zona e ao invés disso, fecham isso tudo pra dar esse lucro ou essa recompensa que poderiam ter estes negócios todos, a um negócio que vai estar aqui 24 horas e que vai pro bolso de outra pessoa. Percebo, mas não faz sentido nenhum.

E estes festejos havia a possibilidade de terem acontecido na semana passada. Recebeu alguma indicação na semana passada pra encerrar o espaço?

Por exemplo, na semana passada não houve nenhuma indicação, tudo normal. Não percebo o que é que mudou de domingo pra hoje. Domingo não nos disseram nada, tudo normal, tudo aberto, tudo em funcionamento e hoje pensaram, montaram e fizeram uma festa. Não faz sentido pra nós uma mudança de domingo, que não fazem nada, não havia polícia, não havia nada aqui, pro dia de hoje, havendo a mesma possibilidade, que o Benfica podia perder hoje. Não me disseram, por exemplo, se o Benfica não for campeão hoje, que eu posso abrir. Nem existe essa hipótese. Por exemplo, agora à hora que estamos a falar, já sabemos que está a correr bem, mas poderia acontecer e, na eventualidade, não poderia abrir. Perdia um sábado de faturação