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Nesta altura, oportunidade de conversar com Nuno Encarnação, já foi deputado, homem muito ligado ao universo Futebol Clube do Porto. Está agora conosco em direto. Nuno Encarnação, muito boa noite. Obrigado por estar conosco.
Boa noite.
André Villas-Boas apontado como vencedor nestas eleições. Está contente?
Claro que sim. Eu sempre lutei por uma mudança, sempre lutei por uma gestão muito mais transparente, uma gestão moderna, uma gestão eficaz e uma gestão que tivesse uma outra comunicação com os sócios. E se assim se confirmar, obviamente fico muito feliz que o Porto tenha mudado, que tenha mudado o rumo, que já estava a ser muito penoso nos últimos quatro anos, onde pouca gente falava, curiosamente, e muito pouca gente a apontar os erros desta gestão, muito pouca gente do Porto. Eu nunca deixei de o fazer quando achei que era oportuno fazê-lo, seja na parte escrita, ou nos comentários televisivos ou na rádio.
Claro.
E por isso, para mim, é uma imensa alegria que tenha havido esta mudança e que se concretizar, que o clube mude mesmo de rumo, porque estava obrigado a fazê-lo.
Olhando para os próximos dias, ainda não sabemos, de facto, a dimensão real que tem esta vitória, mas o que espera do processo de transição da liderança de Jorge Nuno Pinto da Costa, 42 anos à frente do Futebol Clube do Porto, para André Villas-Boas?
Para lhe ser sincero, gostava muito que, por exemplo, no jogo de amanhã contra o Sporting, a transição fosse o mais rápido possível e que a cadeira de presidente fosse imediatamente dada a André Villas-Boas, até para se perceber que ninguém está agarrado ao poder e que sabem suportar uma derrota e sabem suportar a vitória do adversário. Por isso, este clima hostil com que André Villas-Boas foi tratado pelo presidente atual, é um clima que eu espero que acabe rapidamente, mas cá estaremos amanhã para perceber se houve nobreza suficiente por parte do atual presidente para dar estes sinais, que são urgentes e precisos no universo portista, porque já bastou uma campanha muito feia, uma campanha de acusação grave a sócios, de alguns impropérios, de algumas opções que não condizem com aquilo que o Porto deve, os pergaminhos que o Porto deve ter. E por isso, essa seria a primeira atitude, se eu fosse um candidato derrotado, era a primeira atitude que eu teria, resultando de umas eleições que podem ser muito claras, por isso estamos só a aguardar os resultados, mas só com esta prudência devida, como deve imaginar, porque ainda não tenho os resultados finais, nem vocês têm também, mas era um primeiro gesto que devia ser feito imediatamente por parte do presidente do Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa.
Diz-me já a partir de amanhã, sabemos que amanhã é um dia importante também. Futebol Clube do Porto e Sporting, às 20h30, jogo no Estádio do Dragão. Quem se deve sentar na tribuna presidencial? Ambos ou apenas um?
Como lhe digo, se fosse o candidato derrotado, dava, obviamente, a cadeira central ao novo presidente e estaria com ele ao seu lado para mostrar que após uma luta eleitoral muito disputada, que o clube tem que ter união a partir daqui e tem que se reconhecer a quem ganhou e dar os parabéns a quem venceu as eleições e dar as condições imediatas para que esse presidente reúna as condições totais para exercer as suas opções no clube. E por isso, era isto que eu faria se fosse um candidato derrotado. Estarei muito curioso para perceber se amanhã Jorge Nuno Pinto da Costa vai ter esta nobre atitude, que só lhe ficaria bem, como é evidente.
Temos informação de que André Villas-Boas terá ganho em todas as mesas. Todas as mesas de voto deram vitória a André Villas-Boas e, portanto, isso pode fazer variar a vantagem que tem nesta altura para Pinto da Costa. Esperava uma vitória desta dimensão?
Eu sou dos poucos que desde o primeiro dia em que André Villas-Boas avançou, eu disse sempre e nunca tive dúvidas que ele iria ganhar. E por isso devo ter sido muito poucos, porque nos primeiros meses não havia ninguém que acreditasse que seria possível Pinto da Costa perder essas eleições. Eu sempre tive esta convicção, sempre acreditei no projeto que André Villas-Boas apresentou aos sócios e sempre achei que os sócios, ainda para mais depois daquela assembleia geral, iriam dar uma resposta clara àquilo que não queriam no futuro do Porto. E se se confirmar que nas 44 mesas de voto, Jorge Nuno Pinto da Costa não ganhou nenhuma, é um sinal claro que em todas as gerações, porque as mesas também definem um bocadinho os sócios mais novos.
Estão organizadas por geração, certo?
Exatamente. É um sinal claro que todas as gerações deram essa resposta. Ou seja, não havia aquela ideia também, que eu ouvia muitas vezes na campanha eleitoral: "Ah, os sócios mais velhos vão votar por gratidão, os mais novos querem mudança". E havia aqui esta dúvida, se a gratidão venceria a arrojada mudança que os jovens queriam. Por isso, se isso acontecer, nada destas ideias pré-definidas se concretizou. E por isso será uma leitura curiosa para se ter aqui, quando tivermos os dados todos. Mas partindo desse pressuposto, é uma vitória clara de todas as gerações do Futebol Clube do Porto.
Já teve a oportunidade de conversar com André Villas-Boas esta noite? Sabemos que foi um apoiante ao longo desta candidatura.
Fui. Não estive em nenhum lugar das listas por opção própria. Não quero nada disso. Ajudo o André naquilo que ele precisar. Ainda não estive com a oportunidade de falar com ele, acho que vou deixar sair os resultados, teremos tempo pra falar e terei tempo para dar os parabéns, obviamente. Mas aquilo que eu mais quero é que os sócios do Porto ajudem André Villas-Boas neste momento difícil. Primeiro que hoje, obviamente, goze esta vitória eleitoral, se confirmar, porque tem todo o direito a tê-la. E a partir de amanhã, é arregaçar as mangas, que o Porto não pode esperar mais dias com situações tão urgentes pra resolver, entre as quais um resultado positivo amanhã e uma final de Taça, que eu já tinha escrito umas semanas atrás, poderá ser o primeiro troféu do André Villas-Boas. Era bom sinal que ele entrasse com o pé direito.
Nesta altura, estamos a aguardar por declarações de Vítor Baía. Está a ser indicado pela organização da campanha de que falará nos próximos minutos. Vamos, claro, acompanhar essas declarações. Nuno Encarnação, disse-me que vai deixar agora alguma serenidade, mas vai à sede de campanha esta noite ainda ou vai fazer a festa no sofá?
Não, eu vou confessar, porque eu estou fora do país. Para muita pena minha, aos 29 anos de sócio, não pude ir votar hoje, mas o meu apoio é incondicional. E por isso falarei com o André à distância. Estou fora do país, só devo estar no domingo à noite e por isso farei os meus contactos entretanto, assim que possível, evidentemente, tentando dar os parabéns, que é isso que eu acredito, se o André Villas-Boas ganhar as eleições, é isso que eu vou fazer mal saiam os resultados.
E Nuno Encarnação, muito obrigado por ter estado conosco