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Vamos nesta altura para a sede do PSD, para ouvir Luís Montenegro. João Cruz, boa noite.
Boa noite. Está prestes a falar o líder do PSD. Vamos ouvir.
Caras e caros portugueses, para o Partido Social-Democrata, o mais importante é sempre a vida concreta de cada criança, de cada mãe, de cada jovem, de cada trabalhador, de cada reformado ou de cada avô. Mesmo num dia difícil como o de hoje, a nossa atenção está, em primeiro lugar, centrada em quem não tem dinheiro para pagar a alimentação, a energia, os medicamentos ou os transportes. Em quem espera e desespera por um tratamento no Serviço Nacional de Saúde, em quem espera e desespera por um professor na sala de aulas, em quem espera ou desespera por arrendar uma casa ou por pagar uma prestação inflacionada. Numa palavra, hoje, sobretudo hoje, é preciso assegurar que temos liderança, equipa e programa para inverter o ciclo de empobrecimento que nos trouxe até aqui. Caras e caros portugueses, o governo caiu e caiu por dentro. Não podemos perder mais tempo. É imperioso recuperar a credibilidade, a dignidade institucional e a confiança que se perderam e desbarataram. Esta recuperação só é viável com eleições antecipadas. Estamos preparados para elas. Como sabem, nunca tivemos pressa, mas agora a degradação do governo impõe que não se perca mais tempo e que se devolva a palavra ao povo. Os portugueses sabem que há uma alternativa séria e ambiciosa e conhecem o nosso sentido de responsabilidade, a nossa firmeza, o nosso compromisso com a verdade, com a ética e com a urbanidade. A legitimidade do Partido Socialista ruiu dentro de si próprio. É a terceira vez em 22 anos que as mesmas pessoas, as mesmas políticas e o mesmo padrão de governo trazem um pântano à democracia portuguesa. Quero dizer aos portugueses que está na hora de penalizar e responsabilizar, sem apelo nem agravo, a reincidência de uma organização partidária que dá mostras de muito facilmente ceder a esquemas de compadrio político, de vertigens de poder hegemônico, de orientações de política que geram sempre empobrecimento e pobreza. Portuguesas e portugueses, Portugal não pode ser isto. Portugal não pode tolerar ou admitir que importantes decisões de investimento e financiamento público possam ser tomadas por qualquer outro critério que não seja exclusivamente o interesse público. Seja na transição energética ou ambiental, seja no parque escolar, seja em parcerias público-privadas, seja na defesa nacional, seja nas grandes infraestruturas, o país não pode ser levado a decidir com base em interesses particulares, muitas vezes embrulhados e disfarçados com sofisticados esquemas de suporte técnico. Portugal não pode ser o país, também, onde a ideologia é utilizada sem seriedade intelectual, de forma populista e demagógica, para no fim do dia empobrecer segmentos da população, onde muitas vezes se criam esquemas de dependência com o inconfessável fito de perpetuar ciclos de poder político de grupo. Esta manipulação, como a mentira, tem sempre um prazo de validade e, por isso, acarretam como consequência a formação de uma legião de pobres irremediados, dependentes e frustrados numa espécie de corrupção social e política. Portugueses, não é uma fatalidade sermos um país pobre. Não é uma fatalidade termos urgências encerradas, falta de médicos, falta de professores, os nossos jovens a emigrar. Não é uma fatalidade haver corrupção administrativa e política. Não é uma fatalidade termos impostos asfixiantes sobre tudo o que mexe na sociedade. Sinceramente, não é uma fatalidade, é uma escolha. E quero dizer-vos, olhos nos olhos, que nós, em Portugal, temos tudo para fazer as melhores escolhas e para construir uma sociedade mais justa. Sei bem que os últimos 25 anos foram duros para quase todos, mas quero dizer-vos: temos de ser nós a fazer a diferença. Cada um de nós. As respostas aos problemas estruturais da demografia, do fraco crescimento econômico, dos baixos salários, do colapso dos sistemas públicos de saúde e educação exigem serenidade Arrojo, sensatez e vontade transformadora. Exigem as características do ser português: coragem, bravura, mas também moderação e tolerância. Portugal não precisa de aventuras e visões revolucionárias. Precisamos de realismo, de reformismo e de um contrato social renovado. Precisamos de inclusão, de união e de ambição. Caras e caros portugueses, a democracia e os seus mecanismos vão funcionar. Como disse muitas vezes nos últimos meses, se o governo não mudar, o país vai querer mudar de governo. Estaremos à altura da exigência deste momento. Estamos aqui para ouvir o povo português, para falar com o povo português, para conquistar uma nova maioria e para formar um novo governo, para tratar do futuro com sentido de responsabilidade e espírito de missão.
Queria só que se organizassem para responder a um de cada vez. Faz favor.
Quando é que quer as eleições, se quer uma dissolução do Parlamento imediata ou se o atual Parlamento ainda deve aprovar o orçamento que está a ser discutido em sede parlamentar, e se pode continuar a garantir que não depende do Chega para governar.
A questão não é o PSD querer ou eu querer eleições. A questão é que o governo caiu, caiu por dentro, creio que é notório que não tem nenhuma condição para continuar e, portanto, estão reunidas as circunstâncias que motivam auscultar o povo português com eleições legislativas intercalares, antecipadas, porque, efetivamente, apesar da maioria absoluta que o Partido Socialista tem no Parlamento, o governo não tem condições para governar.
Pergunta sobre o orçamento do Estado para o próximo ano e ainda o provável envolvimento do Chega.
Eu tenho um compromisso com o país, com os portugueses, e não sou de falhar os meus compromissos, nem o PSD é de falhar a Portugal. Nós estamos empenhados, neste momento, em deixar fluir aquilo que é o exercício das competências constitucionais que cabe a cada órgão de soberania, em especial a Sua Excelência o senhor Presidente da República, com quem estaremos amanhã numa audiência e, nessa altura, vamos avaliar com ele toda a situação e, naturalmente, esperar que ele exerça as competências que a Constituição lhe atribui, neste caso concreto, através da dissolução do Parlamento e da marcação de eleições.
Mais uma pergunta, se o Presidente da República decide convocar eleições. Pergunta sobre como Luís Montenegro vê a atuação da Justiça neste caso. Sendo que António Costa disse que se sentiu surpreendido e ficou a saber da notícia sobre o gabinete da Procuradoria-Geral da República. E mais uma pergunta sobre se pode garantir que não vai haver coligação com o Chega.
Perante essa pergunta, que é a terceira vez que a fazem, depois de eu aqui, neste exato local, ter dito que não é um não, eu diria que a senhora jornalista está milionária e já ganhou um milhão de dólares, porque já tem a resposta e não é hoje. Dizer-vos que aquilo que importa hoje é dizer ao país que nós estamos concentrados nos reais problemas das famílias portuguesas, das muitas famílias que vivem o drama de querer ter uma resposta do Serviço Nacional de Saúde e não conseguem, que vivem o drama de não ter professor nas escolas onde os seus filhos ou netos frequentam o ensino, naqueles portugueses que se veem privados de grande parte do seu rendimento do trabalho porque pagam impostos em excesso, das empresas portuguesas que estão asfixiadas, também elas, numa excessiva carga fiscal e numa teia burocrática que teima em persistir e crescer em Portugal. Tudo isto fatores que têm conduzido Portugal a uma situação de empobrecimento. Eu percebo as vossas perguntas e as vossas questões, mas nós não nos vamos enredar nas pequenas questões. A grande questão aqui, hoje, é esta: há um ano e nove meses houve um ato eleitoral, o Partido Socialista venceu esse ato eleitoral, os portugueses conferiram-lhe todas as condições para governar e o resultado da confiança que o Partido Socialista recebeu do povo português é absolutamente dececionante, desolador mesmo, para todos os portugueses e, creio eu, para aqueles que votaram no Partido Socialista. E, portanto, é preciso arrepiar caminho. É preciso começarmos um ciclo novo. É preciso termos uma economia mais pujante, que seja capaz de pagar melhores salários. É preciso gerir os sistemas públicos sem complexos ideológicos que têm afunilado o seu funcionamento e têm conduzido as pessoas precisamente para as respostas do setor privado e social, criando uma grande injustiça na nossa sociedade, que é quem tem dinheiro, tem acesso à saúde e à educação, por exemplo, quem não tem, fica à porta do hospital ou fica numa sala de aula onde não há professor. Isso é hoje aquilo que os portugueses querem saber, independentemente de depois haver muitas outras matérias que, naturalmente, nos próximos dias, terão tratamento.
Mais uma pergunta sobre a nota da Procuradoria-Geral da República, opinião de Luís Montenegro sobre a atuação da Justiça.
Mas a questão que eu hoje aqui trato não é uma questão judicial, é uma questão política. Há um primeiro-ministro que se demitiu, há um governo que caiu. Esse primeiro-ministro e esse governo tinham todas as condições, à partida, para governar o país, tinham uma maioria absoluta, e têm, no Parlamento, e fracassaram por pura incompetência e incapacidade de dar solução aos problemas das famílias portuguesas.
Foi a última pergunta para Luís Montenegro. Fica aqui a nota: o presidente do PSD está disponível para eleições, o PSD quer eleições antecipadas e está pronto para que elas assim aconteçam. Nuno Santos, também mais uma nota, Luís Montenegro a insistir na ideia de que um não é não e não inclui o Chega num eventual entendimento com o PSD para uma futura maioria, que é desejada pelo presidente do PSD, que quase seis horas depois de António Costa se ter demitido, finalmente reagiu.
Estivemos então com João Cruz na sede nacional do PSD, reação do líder do PSD, Luís Montenegro, nesta missão especial de desporto.