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Meus amigos congressistas e em vós saúdo todos os nossos militantes, todos aqueles que há quatro anos eu fui encontrar quando percorri o país na preparação do Congresso de Gondomar. Nessa altura, dei-me a conhecer e propus um caminho pra o nosso partido. Um caminho focado na resolução concreta dos problemas quotidianos das pessoas e assente na nossa matriz comum, a nossa carta de princípios alicerçada na democracia cristã. Esperávamos um ciclo de oposição, que uns vaticinavam curto, mas que na minha opinião duraria a legislatura completa, como se veio a verificar. Propus um caminho de oposição firme e construtiva, com ambição e responsabilidade. A ambição de olhar pra todo o país com prioridade para pessoas e territórios mais desfavorecidos. A responsabilidade de propor na oposição o que poderíamos fazer na governação. A isso nos obrigava, em particular, a consciência formada na experiência dura de quatro anos de governação em tempos de troika. Tinha para mim que era preciso construir um caminho próprio e que o nosso posicionamento era de oposição responsável e construtiva, de oposição intensa e permanente, quer na substância, quer no estilo. Este caminho foi sufragado em Gondomar e depois em Lamego. Entretanto, já com eleições decorridas, as regionais dos Açores e as autárquicas, onde tínhamos provado acima de muitas expectativas. Mantivemo-nos firmes e com uma voz aguerrida. Tanto mais que era evidente que nenhum outro partido em Portugal estava interessado em fazer oposição a sério e inequivocamente contra o caminho para o socialismo. Durante quatro anos, a solução de governo minoritário socialista apoiado nas esquerdas funcionou. Funcionou na aprovação dos orçamentos do Estado e dos programas de estabilidade e crescimento, ou seja, nos instrumentos essenciais para garantir a governação. E inaugurou um tempo novo, um tempo desconhecido até então. Um tempo em que é possível parceiros políticos concordarem no voto e discordarem no discurso sem suscitarem indignação ou desconforto. Maturidade democrática para uns, hipocrisia e tolerância com a esquerda para outros. Do modo como olhámos para as coisas, o nosso sistema aparentava uma mudança profunda que poderia dar oportunidades novas de afirmação do CDS. Acreditamos que o famoso voto útil, historicamente tão penalizador do CDS, poderia ter ficado no passado, provada que estava para o centro e a direita, a inutilidade de ganhar eleições sem uma maioria. Ou visto ao inverso, a possibilidade de ganhar o governo construindo uma maioria a partir de um voto mais livre, que somasse metade dos mandatos parlamentares mais um. E dissemos com clareza que queríamos ser parte de uma alternativa de centro e de direita em Portugal e que trabalharíamos para contribuir o mais possível para a conquista dos 116 deputados necessários à governação. Cumpri o caminho traçado e a estratégia proposta, mas cumpre-me hoje reconhecer uma evidência: falhei o resultado. Falhei, porventura, a análise das possibilidades que se abriam com as novas circunstâncias políticas e os resultados ficaram muito aquém das minhas e das vossas legítimas expectativas. Não bastou termos tido uma oposição combativa, tantas vezes isolada, à má ação ou inação deste governo, com a saúde à cabeça. Não bastou termos batido contra a eutanásia ou as barrigas de aluguer. Não bastou um contato permanente com as pessoas no terreno, e recordo apenas o caso dramático de Pedrógão. Não bastou termos propostas permanentes para promover a natalidade e ajudar as famílias ou pra apoiar as empresas e dinamizar a economia. Uns dirão que a estratégia estava errada, outros que se cometeram erros táticos ou de comunicação, ou que falhámos na avaliação das circunstâncias. Ouvi atentamente muitas análises e, naturalmente, tenho a minha própria. Mas este não é nem o momento, nem o dia apropriado para dissecar os erros desse roteiro. O tempo encarregar-se-á dessa análise detalhada. Caros amigos, o que vos quero dizer sentidamente no dia de hoje resume-se a uma palavra: obrigada.

Assunção Cristas a arrancar agora uma salva de palmas ao Congresso depois de admitir que falhou durante o seu consulado.

Quero dar conta do meu sentimento de gratidão pelos últimos anos Pela equipa que fomos, pelo que aprendi nas presenças e nas ausências, pelo tanto que aprendi convosco, com todos os portugueses de norte a sul do país e nas regiões autónomas. Obrigada pela confiança que depositaram em mim por duas vezes. Obrigada pelo esforço e o apoio que em tantos momentos muitos de vós me demonstraram. Obrigada pelos conselhos e pelo encorajamento. Obrigada a todos os militantes que durante estes quatro anos deram o seu melhor para os resultados serem outros. E muito em particular, obrigada aos dirigentes nacionais, distritais e concelhios, aos nossos autarcas e aos nossos funcionários. E obrigada também aos muitos simpatizantes independentes que em diversos momentos ajudaram a construir o caminho das ideias nos grupos e eventos criados, seja no gabinete de estudos, seja no Ouvir Portugal, numa verdadeira abertura do nosso partido à sociedade. Obrigada a todos os candidatos, militantes ou independentes, que nas várias eleições ao longo destes quatro anos deram a cara pelo nosso partido.

Também agora uma salva de palmas para o grupo parlamentar do CDS, agora reduzido a cinco deputados.

Nesta altura de transição, por natureza sempre difícil e nesta nossa circunstância ainda mais exigente, é também com muito orgulho que vejo a Cecília Meireles honrar o nosso partido com o trabalho extraordinário na liderança do grupo parlamentar. Muito, muito obrigada, Cecília. E obrigada também a todas as pessoas que fazem parte desta grande constelação do mundo político e aos jornalistas que nos acompanham em mais um congresso, cumprimento toda a comunicação social. Queridos amigos, o CDS tem um passado que muito nos honra e acredito que saberá construir um grande futuro. Se vos posso fazer um pedido, é que o debate deste congresso seja profundo, sério, leal e a olhar para o futuro. Um debate assente nas ideias e nas pessoas, porque em política não há boas ideias sem boas pessoas para as defender. E o inverso também é verdade. Logo a seguir às eleições, alguém me perguntou se saía da liderança angustiada e desiludida com a política. A resposta que dei então é a mesma que vos dou hoje. Saio triste pelo resultado, mas tranquila por saber que dei tudo o que podia por aquilo em que acredito. Do poder transformador da liberdade e da iniciativa privada, à defesa comprometida da vida, da necessidade de criar riqueza para melhor a distribuir, à importância da participação das mulheres na vida pública, da defesa comprometida de todo o país, do mundo rural ao mar, à abertura de Portugal ao mundo. E não desiludi, porque nunca tive ilusões e sempre soube que em política nunca se pode esperar reconhecimento. Entrei há 12 anos para o CDS. Comecei como alguém que vinha de fora. Hoje saio da liderança com a mesma liberdade com que entrei para o partido. Aprendi, conheci pessoas extraordinárias, desbravei novas linguagens, aprendi com a natureza humana, com o que tem de bom e de mau, e sobre ela refleti. Defendi apaixonadamente aquilo em que acredito. Dei o melhor que podia e sabia. Saio consolada com as palavras do Papa Francisco, para quem se for implementada no respeito fundamental pela vida, a liberdade e a dignidade das pessoas, a política pode tornar-se verdadeiramente uma forma iminente de caridade. E pelo gosto imenso que tive em servir o meu país nesta atividade nobre que é a política nacional. Continuo a ter confiança no nosso país e a acreditar que está nas mãos de todos, sem exceção, construir o nosso futuro coletivo, um futuro inclusivo e sustentável. Continuo a acreditar, como lembra o Papa, que cada um pode contribuir com a própria pedra para a construção da casa comum. Desejo a todos um congresso extraordinário, que seja clarificador e que possa abrir um futuro luminoso para o CDS ao serviço de Portugal. Viva o CDS, viva Portugal.

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