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Luís Montenegro, que pediu aos seus apoiantes para não desmobilizar. E agora vamos ouvir um deles, Hugo Soares.

Queria, como uma primeira palavra, cumprimentar, como sempre faço nos congressos nacionais do nosso partido, os observadores ao Congresso Nacional do partido. Eles são o espírito da nossa militância, que sem direito a voto, sem direito a usar da palavra, marcam sempre presença do princípio ao fim nestes nossos encontros e por isso eu queria saudar a nossa militância, nos observadores a este Congresso Nacional.

Estamos a ouvir Hugo Soares.

Senhor Presidente da Mesa do Congresso Nacional, nele cumprimento os restantes órgãos nacionais e queria saudar de forma muito especial o presidente do nosso partido, o doutor Rui Rio. Felicita-lo pela vitória eleitoral, desejar-lhe as maiores felicidades e dizer-lhe que ele é o presidente do nosso partido, o maior partido português.

Uma mensagem para Rui Rio: "Ele é o presidente do nosso partido".

Este congresso acontece na sequência de uma compita eleitoral e eu não podia deixar, hoje também, uma palavra muito especial àqueles que em torno de ideias, de projetos políticos, fizeram do PSD um partido mais forte e mais ambicioso. Queria, por isso, cumprimentar o engenheiro Pinto Luz e o doutor Luís Montenegro.

Luís Montenegro, que ainda vai falar esta tarde ao Congresso e que esteve com os seus apoiantes ao almoço.

Caras e caros delegados, não é um resultado eleitoral que faz mudar o pensamento, que nos faz mudar de convicções. Quando nos movemos por convicções, não são os resultados eleitorais que limitam a nossa liberdade, nem o nosso pensamento. E como é evidente, ninguém espera que eu tenha mudado de opinião, pela simples razão de que os militantes do meu partido, democrática e livremente, tenham voltado a escolher o doutor Rui Rio para liderar os destinos do Partido Social Democrata. E confesso que ontem, depois de ouvir a intervenção do doutor Rui Rio, com mais convicção fiquei daquilo que hoje tinha para partilhar com o Congresso Nacional. Disse o presidente do PSD, numa intervenção em que falava dos novos movimentos partidários na Europa, na necessidade que todos os partidos têm de se reformar, do combate ao populismo, dizia o presidente do PSD que nas últimas eleições legislativas, os dois maiores partidos saíram reforçados. Ora, o PSD perdeu eleitores, o PSD perdeu deputados, o PSD perdeu as eleições. O PSD saiu reforçado onde? O Partido Socialista ganhou as eleições que não tinha ganho em 2015, teve mais votos e mais deputados. Onde está o reforço eleitoral do PSD? E é aqui que eu quero dizer ao presidente do PSD, do nosso partido, do meu partido, que eu divirjo profundamente nesta ambição daquilo que deve ser o Partido Social Democrata. Nós, no PSD, não nos congratulamos com as vitórias do doutor António Costa. Nós carpimos as mágoas das nossas derrotas, mas olhamos em frente para voltar a conquistar a confiança dos portugueses. Nós não somos, nunca fomos, nem queremos ser o Partido Comunista Português. Nós em cada ato eleitoral não transformamos derrotas cumpiosas em vitórias eleitorais. Nós somos o PSD, quando perdemos, perdemos, quando ganhamos, governamos para transformar Portugal.

A crítica de Hugo Soares ao discurso de Rui Rio, que foi ontem.

Disse também o presidente do nosso partido, exemplificando a tal forma de fazer oposição que ele tanto advoga na sua habitual coerência que eu saúdo. Disse o presidente do partido que em 1996 repetiu, ele próprio, as propostas que o Partido Socialista tinha apresentado dois anos antes, quando o Partido Socialista era oposição. E que, voilà, o Partido Socialista, agora no governo, chumbou essas propostas. Esta é a perversidade desta estratégia. Mas então, fizemo-lo por, nessa ocasião, pela mão do doutor Rui Rio, por taticismo político e deixamos de lado o interesse nacional? Porque também o PSD tinha chumbado essas propostas há dois anos? Ou fizemo-lo porque elas eram de interesse nacional? Onde está a coerência da defesa do interesse nacional neste exemplo que a estratégia do doutor Rui Rio advoga, de acusarmos os outros dos nossos próprios comportamentos? Não, em cada momento, sem perversidades, sem acusarmos os outros dos nossos comportamentos, aí sim, o interesse nacional deve ser aquilo que deve primorar naquilo que é a estratégia política do Partido Social Democrata. Não pode nem deve ser, em cada momento, a tática política que mais nos convém. Queria, caras e caros delegados, dizer ao Congresso Nacional que nós estamos a perder tempo com este Partido Socialista. Este Partido Socialista não é o Partido Socialista de Mário Soares. Não é o Partido Socialista que esteve com o PSD a transformar Portugal quando foi preciso que os dois partidos estivessem unidos a votar conjuntamente para fazer aquilo que o país precisava. Mas queria lançar um desafio à direção nacional do partido E ao país. Proponhamos ao Partido Socialista uma revisão constitucional para refundar o nosso sistema político. Uma revisão constitucional onde se consagre, de uma vez por todas, o princípio da solidariedade intergeracional e consagre o provedor das novas gerações. Uma revisão constitucional que aprofunde, neste ano, neste século, a defesa do meio ambiente. Uma revisão constitucional que aprofunde e lance bases para a reforma do sistema político. E as senhoras e os senhores congressistas verão que naquilo que é essencial, naquilo que sim, pode refundar o sistema que muitas vezes advoga o doutor Rui Rio, o Partido Socialista dirá que não, porque está grilhoado ao Bloco de Esquerda e ao Partido Comunista Português. Eu queria dizer ao Congresso Nacional do meu partido que é hora de deixarmos de ser socialistas de segunda. Nós não somos socialistas, nós somos sociais-democratas.

E agora alguns assobios e apupos e outros aplausos.

Eu termino já, senhor presidente. Apresento também aos senhores congressistas que quer aplausos, quer assobios, são sempre música para os meus ouvidos. Queria dizer ainda ao Congresso. Termino, senhor presidente. Estou de bem com a vida, estou no meu partido, no nosso partido. Nunca votei, nunca votarei em partido diferente do PSD. Este é o meu partido. E queria pedir ao presidente do PSD que transforme o doutor António Costa no seu verdadeiro adversário. Eu, da minha parte, termino, senhor presidente, já escolhi. Este é o meu partido e o meu adversário, o Partido Socialista e o doutor António Costa, sempre por Portugal.

Uma intervenção a trazer alguma emoção a este congresso, que até aqui estava muito morno. Hugo Soares, que é um dos apoiantes de Luís Montenegro, tecer críticas a Rui Rio e à direção de Rui Rio.

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