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Exatamente, André. Ouvimos agora a Alexandra Leitão.
O Primeiro-Ministro ter anunciado uma descida de impostos do IRS no valor de 1.500 milhões de euros, ficamos a saber que, afinal, essa redução é de uns meros 200 milhões de euros. A diferença entre o 1,3 mil milhões que já tinham sido reduzidos desde 1 de janeiro, no Orçamento de Estado de 24, pelo governo do Partido Socialista, e os tais 1.500 milhões anunciados. Trata-se de uma redução de menos de 200 milhões de euros e não dos tais 1.500 milhões. Isto é, na verdade, um embuste, uma destasadez. E para quem tanto fala em lealdade e confiança, isto é mesmo a comprovação da total falta de credibilidade deste governo. E não é só quanto ao que foi dito na Assembleia da República, no debate. É também quanto ao que foi prometido durante toda a campanha eleitoral aos portugueses. Menos de duas semanas depois de ter tomado posse e umas quantas horas depois da aprovação do programa do governo, ficamos a saber que tudo o que tinha sido anunciado e prometido aos portugueses em campanha eleitoral é, afinal, uma fraude e um embuste. Parece, afinal, que o Partido Social-Democrata e a AD andaram a prometer aquilo que já estava no Orçamento de Estado do Partido Socialista. Aliás, não nos surpreende muito. Já tínhamos alertado para o total irrealismo do cenário macroeconômico da AD e agora vamos começando a perceber como é que esse cenário foi construído. Isto é tão grave que o Partido Socialista vai entrar imediatamente com pedido de debate de urgência para se realizar na Assembleia da República na próxima quarta-feira, no qual contamos com a presença do senhor ministro das Finanças, estando certos de que não se furtará a prestar todos os esclarecimentos que são bem devidos aos portugueses e ao Parlamento. O governo diz que todo o país percebeu mal. Não pode ter sido todo o país a perceber mal, seguramente. É mais uma vitimização, uma má-fé da parte deste governo. Na verdade, este governo tem que perceber que não pode enganar todos. Fica à vossa disposição agora para perguntas.
Agora uma pergunta. Estão a perguntar à líder parlamentar do PS se considera que foi de propósito esta omissão por parte do governo.
Ao contrário do que temos assistido da parte do governo, quer no seu comunicado, quer em declarações, nós não imputamos esses tipos de atitudes. O que dizemos é isto: o governo disse uma coisa, o próprio primeiro-ministro disse uma coisa na Assembleia da República, estão aí todos os vídeos para poderem ser vistos. Foi perguntado pelos partidos o que era exatamente o alcance da redução. Vários colegas vossos, jornais, comunicação social, fez a afirmação de que estávamos a falar da duplicação da redução que já constava do Orçamento de Estado, feita pelo governo do Partido Socialista, os tais 1.5 mil milhões, e, na verdade, o governo não desmentiu. O governo só vem desmentir, pela boca do senhor ministro das Finanças, quando expressamente é perguntado sobre isso. Não houve nenhum comunicado a desmentir, a clarificar. Portanto, quanto à boa-fé ou má-fé, não imputo aos outros aquilo que nos tentam imputar a nós. Uma coisa é certa: não é, com certeza, todo o país que está enganado, porque não é o Partido Socialista que pensa de uma maneira diferente daquela que o governo apresentou. Todo o país foi enganado. E repito, não foi só enganado nas últimas 48 horas, foi enganado durante toda a campanha eleitoral. Afinal, o Partido Social-Democrata e a AD andaram a prometer reduções que o Partido Socialista já tinha feito.
Uma pergunta sobre se o PS percebeu.
Se era um valor cumulativo e não um valor que ia quase duplicar.
E também um comentário às declarações de Hugo Soares há momentos.
Quanto à primeira pergunta, eu diria o seguinte: o Partido Socialista, durante a campanha, e já agora no debate do programa de governo, alertou repetidamente para o quão fantasioso e irrealista era o cenário macroeconômico do governo. Repetidamente. E isso exatamente porque os valores que lá constavam não batiam certo com aquilo que depois, do lado da despesa, o Partido Social-Democrata diz que vai fazer, coisa que também veremos, porque afinal as promessas não são para cumprir, como já percebemos. E portanto, isto para nós era claro. Foi perguntado, foi afirmado. Nós não estamos num debate da Assembleia da República a presumir a má-fé do senhor primeiro-ministro e dos seus ministros. É nos respondido, acreditamos e ficamos à espera para ver se é mesmo assim. Não precisámos de esperar muito, foram só umas horas para perceber que não era assim. Eu acho quase, com o devido respeito, bastante ridícula. Quando assistimos a uma situação em que todo o país foi, digamos que enganado, propositadamente ou não, pelo governo e pelo Partido Social-Democrata, virar as coisas dessa forma, acho que não merece muito mais comentário.
Boa tarde, Hugo Maduro, da SIC. Queria perceber.
O Partido Socialista não fica também atrás daquilo que foi dito pelos jornalistas
Que há a ser indicar que há um problema de comunicações ou se efetivamente esta é uma mensagem que deliberadamente ou não foi deixada pelo Governo para se engajar nesta redução fiscal?
Reduzir esta situação a um problema de comunicação é provavelmente o eufemismo maior dos últimos tempos. É evidente que não é um problema de comunicação. É evidente que aquilo que o governo tentou fazer foi deixar os portugueses convencidos de que iam ter uma duplicação da redução do seu IRS. Foi isto claramente que aconteceu. Se o fizeram propositadamente ou não, acho bastante irrelevante, porque aquilo que nós temos que ter é um governo em quem os portugueses confiem e possam acreditar. Se umas horas depois vêm dizer que afinal não era bem isso que estavam a dizer e que, aliás, como o ministro já disse, que terão sido ambíguos ou não foram ambíguos, quiseram beneficiar de um engano que criaram, que andaram a criar durante a campanha eleitoral. Portanto, não vale a pena virar isto ao contrário, isto é mesmo uma coisa muito grave e daí o Partido Socialista pedir um debate de urgência imediatamente esta semana na Assembleia da República, com a presença do senhor Ministro das Finanças, porque isto tem que ser esclarecido até à última vírgula e ponto final. Por nós e sobretudo por todos os portugueses.
Boa tarde, eu queria perceber se o PS já sabe como é que vai votar, e agora que já está esclarecido que são apenas mais 200 milhões do que tinha sido decidido ainda pelo ministro das Finanças Fernando Medina, como é que o PS vai votar a proposta do governo deste alívio, que não é tão grande como se chegou a pensar, mas que já sabemos que vai acontecer.
A proposta ainda não é conhecida e como nós vemos que este governo nos surpreende de hora a hora, o melhor é mesmo recatarmos e esperarmos para ver o que aí vem. Já foram 1.5 mil milhões, 200 milhões, vamos ver o que é que aí vem. Portanto, é claramente cedo. Agora estamos focados em obter da parte do governo todos os esclarecimentos, a bem da confiança e da credibilidade. Um governo que está a começar agora o mandato começa, de facto, muito mal, quebrando já qualquer relação de confiança com o país.
Obrigado.
Muito obrigada.
Muito obrigada. Foram assim as declarações de Alexandra Leitão, líder parlamentar do PS, a anunciar então que o Partido Socialista vai apresentar um pedido de debate de urgência, que vai acontecer na próxima quarta-feira com a presença do Ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, para esclarecer toda esta questão. Afirma que ainda é cedo também para dizer como vão votar, se a favor ou contra, quando esta proposta de redução do IRS for ao Parlamento. Alexandra Leitão que diz que esta redução é de meros 200 milhões de euros, afirma que tudo o que foi anunciado pelo PSD durante a campanha se tratou de fraude por parte dos sociais-democratas. Sublinha mais uma vez a ideia de que o país foi enganado, tal como Pedro Nuno Santos o fez ontem à noite, e que não se pode reduzir esta questão a um problema de comunicação. Foram estas então as declarações de Alexandra Leitão aqui na sede do Partido Socialista. Ficamos com esta nota, um pedido por parte dos socialistas de um debate de urgência para esclarecer toda esta questão da descida do IRS do PSD.