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Ganhou o título de Rainha do Rock Brasileiro, mas preferia ser chamada Padroeira da Liberdade. Para além da música, Rita Lee era conhecida pela irreverência. Nasceu em São Paulo, no último dia do ano de 1947, filha de um dentista e de uma pianista. Aos 16 anos formou uma banda amadora chamada Teenage Singers. Foi assim que foi descoberta pelo artista Toni Campelo e tornou-se cantora de profissão, mas não estava à espera.
Olha, eu nunca pensei em fazer o que eu faço. Sempre estudei, sempre pensei em fazer outra coisa e música, aquela coisa, uma mistura de "deixa eu me vingar da vida" e "deixa eu comemorar a vida".
Em 1964, entrou num grupo de rock chamado Six Sided Rockers, que em 66 deu origem aos Mutantes, uma banda fundamental no movimento do tropicalismo brasileiro e que tinha fãs como Kurt Cobain, David Byrne e Jack White. Saiu da banda depois de seis álbuns e a partir de 1979 assume uma carreira a solo. Subiu ao palco no primeiro Rock in Rio e chegou a abrir espetáculos do Rolling Stones no Brasil. Rita Lee lutou contra as drogas e o álcool. Admite que só ficou sóbria em 2006, mas não mostrava arrependimentos.
Mas eu não faço discursinho moralista de Madalena arrependida. Eu acho que as melhores músicas que eu fiz, eu fiz em estado alterado e as piores também.
Recebeu vários galardões, entre eles o Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock em Língua Portuguesa, com 3001. Ao todo, foram 40 álbuns, 34 a solo, mas Rita Lee também desempenhou papéis no pequeno ecrã e escreveu livros. Em 2017, durante uma entrevista na Globo, leu a última frase da sua autobiografia.
A sorte de ter sido eu, de ter sido quem sou, de estar onde estou, não é nada se comparada ao meu maior gol. Sim, acho que fiz um monte de gente feliz.