Foi publicado o quarto relatório “Portugal a brincar”, coordenado por um grupo de investigadores liderado por Rui Mendes (da Univ. Politécn. de Coimbra), centrado num inquérito a 1086 famílias, sendo que a esmagadora maioria das respostas é de mulheres e de mães.

As conclusões mais significativas deste estudo dizem-nos, em resumo, que as crianças têm:

Pouco tempo livre por dia; pouco tempo de brincar ao fim de semana; actividades extracurriculares interpretadas pelos pais como tempo livre; um tempo médio de brincar com os pais francamente limitado pela exaustão que eles apresentam; escolas que resumem o brincar aos recreios e não o usam como instrumento de aprendizagem; e vêm a usar cada vez menos os smartphones ou os tablets para jogar.

Ou seja:

  • o tempo livre de outros compromissos, que não seja unicamente um tempo de relação de cada criança com a sua infância, continua a não ser valorizado pelos pais como “vitamina do crescimento”;
  • o tempo livre abaixo das duas horas por dia faz com que as crianças se vão vendo privadas da sua infância;
  • o tempo de brincadeira das crianças continua a diminuir, diariamente e ao fim de semana, e diminui (de forma significativa!) à medida que crescem;
  • o tempo de brincar dos pais com os filhos não corresponde às necessidades dos filhos, sendo que eles precisam também de brincar sozinhos (o que acontece muito pouco);
  • as crianças brincam pouquíssimo ao ar livre;
  • as crianças têm brinquedos de menos repartidos pelo ano;
  • brincam pouco no recreio;
  • e não utilizam o brincar como factor de aprendizagem.

Por tudo isto:

  • o tempo livre e o brincar precisam de ser considerados pelas famílias como factores preponderantes para o desenvolvimento das crianças.
  • o brincar e o tempo de brincar são indispensáveis como factores que definem a qualidade de uma escola, sendo um e outro, no receio e na sala de aula, factores indispensáveis de aprendizagem.
  • o brincar e o tempo livre sem ar livre não trazem nem mobilidade, nem motricidade nem autonomia, atenção, expressividade e inteligência às crianças.
  • o tempo livre e o brincar das crianças podem ser um factor precioso na saúde mental da família e dos pais, assim um e outro não estejam à beira da extinção.