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Cátia Bruno junta-se agora a nós em direto. Boa noite, Cátia.

Olá, boa noite, Hugo.

Em Lviv, sente-se este agravar da segurança de que fala a Embaixada Portuguesa?

Para nós é difícil perceber neste momento, porque estamos a respeitar as indicações e estamos no hotel e, portanto, não conseguimos perceber como está a situação fora daqui. Mas está em vigor um recolhimento obrigatório, que já estava ontem, a partir das 10:00 da noite. Não há ninguém na rua, isso é visível das janelas. Também percebemos que alguns dos ucranianos que estavam hospedados no nosso hotel partiram entretanto e, por isso, percebemos que já há alguma consciência de que a situação se pode agravar. Nós também estamos a avaliar a situação à medida que ela avança. Não iremos certamente partir durante a noite, até porque, e essas são algumas das indicações que temos, é que seria mais perigoso deslocarmo-nos durante a noite do que ficar no abrigo. Portanto, pelo menos esta noite ficaremos aqui.

Cátia, a opção era partir para onde?

Esse é um grande problema, porque neste momento a fronteira com a Polónia, que é a mais próxima, tem uma fila de quilómetros e quilómetros, e portanto, tendo em conta que Lviv está tão próximo da Polónia, em caso de a situação se agravar em termos de segurança, estar numa fila em plena estrada pode ser perigoso neste momento. E daí que não o iremos fazer para já, tendo em conta como toda a cidade está sob alerta.

Cátia, neste momento estás no quarto do hotel ou no abrigo? Sei que já estiveram no abrigo do próprio hotel ao longo deste dia.

Sim, já estivemos várias vezes. A regra aqui é mantemo-nos no quarto do hotel. Quando soa o aviso a dizer para irmos para o abrigo, vamos, e depois é dada a autorização mais tarde para voltarmos para o quarto do hotel. Não sabemos se isto pode mudar ao longo da noite e pode haver uma situação em que ficamos permanentemente no abrigo, mas para já, isso ainda não se verificou.

Como é que são as condições ao nível de energia, de água, de alimentos?

Para já, está tudo aparentemente normal. A única coisa que é mais difícil é de facto a questão alimentar, porque nós, por exemplo, no hotel temos um restaurante onde podemos comer, mas que fechou hoje. Hoje, por exemplo, fechou mais cedo, costuma fechar às 9:00 da noite, hoje fechou às 8:00. Mas em termos de energia e de comunicações, por enquanto está tudo a funcionar. Temos um excelente Wi-Fi no hotel onde estamos, que continua a ajudar-nos a poder comunicar com Lisboa. Portanto, por enquanto a noite parece calma, vamos ver se assim se mantém. Aquilo que temos visto nas últimas noites é que os alarmes têm soado mais por volta das 3:00 da manhã e das 6:00 da manhã. Portanto, antecipamos que talvez possa ser semelhante hoje.

Cátia, e o moral, como é que está o moral das tropas? Das tropas? Tuas e das tropas do observador.

A nossa está boa, porque estamos calmos, estamos em contacto com muitos representantes do governo português, estamos em contacto com outros jornalistas que já estão a tentar passar a fronteira na Roménia. Estamos a recolher toda a informação, a avaliar e tentar perceber qual pode ser a melhor solução para sairmos daqui em caso de ataque. E estamos também, obviamente, a acompanhar todas as notícias, todos os sinais aqui, e perceber se há movimentações que possam iniciar um agravar da situação.

Cátia, continuação de um trabalho em segurança. Tudo de bom para ti e para o João Porfírio. E voltamos ao contacto ainda, talvez ao longo desta noite.

Obrigada, bom trabalho para vocês.

Cátia Bruno, juntamente com o fotojornalista João Porfírio, são os enviados especiais à Ucrânia, encontram-se em Lviv, cidade do leste do país, para a qual a Embaixada Portuguesa na Ucrânia emitiu um aviso. As autoridades pedem que os cidadãos portugueses abandonem esta cidade.