Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Nesta altura temos conosco em linha Augustinácio. É claro, como todos sabemos, reconhecido sportinguista, mas é também uma glória do Futebol Clube do Porto. Venceu muitos troféus importantes no Futebol Clube do Porto nesses primeiros anos de Jorge Nuno Pinto da Costa na liderança do clube. Estavas lá, Augusto. Boa noite, comentador da Rádio Observador. Estavas lá no último ano em que houve recorde, 88%, com cerca de 10 mil votantes. Agora, quase 27 mil pessoas a votar. É um número impressionante nesta eleição do Porto.
Boa noite. Deixa-me dizer que eu estou na cidade do Porto e ontem à noite e hoje durante o dia, estive ali perto do Estádio do Dragão e senti realmente o pulsar do sócio do Futebol Clube do Porto nesta votação. Não me admira nada, porque isto é gente que ama o seu clube, tem uma paixão muito grande e naturalmente que esta candidatura de André Villas-Boas veio realmente dar um incremento muito grande àquilo que é estas eleições. Ao ponto de eu te poder dizer que o pulsar que eu tenho neste momento na cidade do Porto é que as coisas estão mesmo muito divididas. Ninguém pode dizer quem vai ganhar quem, porque se uns grupos dizem no meio de cinco, seis pessoas, dois ou três dizem Villas-Boas, outros dois ou três dizem Pinto da Costa. E está muito complicado, nem eles sabem bem para que lado é que vai cair. Vê lá o equilíbrio destas eleições que está a ter.
Acredito que tenhas falado com muita gente do universo Futebol Clube do Porto, não só hoje, como ontem e nas últimas semanas, e também antigos colegas e pessoas ligadas ao Futebol Clube do Porto. Sente-se essa divisão que todos nós sentimos, que também jornalistas, comentadores, temos acompanhado estas eleições nos últimos meses?
Sim, claramente que está muito dividido. Quando eu digo massa adepta, os associados do Futebol Clube do Porto. Estão realmente muito divididos. Uns querem uma renovação, outros querem a continuidade. Mas sinceramente, olha, isto é das tais eleições que se fosse um jogo de futebol, a gente dizia assim: "Olha, isto é um X-2". Não se sabe para que lado é que há de cair. Uns argumentam de uma maneira, outros argumentam de outra. Mas Miguel, vou-te dizer uma coisa. Até eu pensava que Pinto da Costa ia ganhar isto, enfim, não digo com facilidade, mas que ia ganhar. Até eu já estou na dúvida se realmente ele vai ganhar ou não, tal o equilíbrio que se sente na votação do sócio.
Sim. Há quatro anos, Jorge Nuno Pinto da Costa concorreu pela terceira vez contra outros candidatos e nessa altura venceu com 68% da votação. Foi já a votação mais baixa, sendo que os candidatos, um deles era precisamente Nuno Lobo, o outro era José Fernando Rio, que foi, na verdade, o segundo candidato com mais votos, teve 26%. Desta vez, sente-se algo muito mais disputado. Aproveitando este período eleitoral e estando o Futebol Clube do Porto antes num jogo importante e numa fase na temporada em que não tem resultados tão bons, esta questão dos resultados da equipa de futebol tem impacto naquilo que são as eleições?
Olha, para aqueles pólos indecisos, eu até acho que tem impacto. Mas Pinto da Costa jogou aqui um ás trunfo que pode ser importante também. É que Sérgio Conceição não era para a campanha e antes das eleições ele anunciou a renovação de contrato com o Sérgio Conceição. Eu sempre disse aí no Observador, e tu és testemunha disso, que se Pinto da Costa fosse presidente, Sérgio Conceição seria o treinador e se Pinto da Costa não fosse presidente, seria Villas-Boas, Sérgio Conceição não seria o treinador do Porto. Só que a gente não sabe, ou eu não sei, quais são as cláusulas que estão neste novo contrato com o Sérgio Conceição, no caso de Villas-Boas ganhar as eleições, se o Sérgio continua como treinador do Porto ou não com o Villas-Boas. Parece-me a mim que já está muito claro que não e parece-me a mim que o Villas-Boas já está, não digo apalavrado, mas está com um olhar já para quem é que vai ser o novo treinador do Futebol Clube do Porto, porque sabe que não vai contar com ele. Por isso, cada um jogou à sua maneira, dentro do timing que acharam que era possível, os seus trunfos. E Pinto da Costa jogou este trunfo, que eu acho que pode também mudar um bocado o sentido do voto, a continuidade de Sérgio Conceição como treinador do Porto.
Nesse sentido, que balanço é que tu fazes daquilo que foi a campanha até ao dia de hoje? Tivemos acusações de parte a parte, tivemos discussões um pouco baixas a envolver familiares de glórias do Futebol Clube do Porto, acusações diretas a candidatos. Conseguiremos algum dia ter uma candidatura para clubes de futebol tão disputada sem isto? Que balanço é que fazes desta campanha?
Olha, sinceramente, houve momentos que eu não gostei da campanha, nem da parte de um, nem da parte de outro, porque o que o sócio quer ouvir é qual é a forma como o Porto, neste caso os candidatos, têm para que o clube saia desta crise financeira muito grave e que equipa competitiva é que esperam ter para o Porto voltar de novo a ser campeão e estar a nível europeu também num plano aceitável. Como é que essa reestruturação era feita, quais eram as ideias. Villas-Boas atacou Pinto da Costa de uma forma, Pinto da Costa atacou Villas-Boas de outra. Isto não é nada bom para aquilo que é o esclarecimento do sócio. O sócio não quer saber se aquele tem telhados de vidro ou não, quer é saber quais são realmente os programas que tinham para apresentar. E o que é certo é que as coisas foram avançando num sentido. Hoje vamos abrir, por exemplo, a academia com algumas máquinas lá dentro, mas depois as máquinas já não estavam porque foram impugnadas. Outro, porque disse coisas que podiam ferir a campanha do Pinto da Costa, enfim, questionando inclusivamente os juros que se podia ter na banca e com fundos que o Porto estava a pagar demasiadamente juros muito altos, que ia arranjar juros mais baixos. Uma série de coisas que realmente andaram mais, algumas vezes, a atacar um ou outro, do que propriamente em clarificar aquilo que são a estrutura base daquilo que é uma campanha, que é o esclarecimento do sócio. Eu acho que o sócio do Porto ainda não está esclarecido totalmente daquilo que é a campanha de cada um. Agora, isso é um problema do Futebol Clube do Porto, como é evidente, dos seus sócios, mas sinceramente, acho que podia ter sido uma campanha mais limpa nesse sentido e que o sócio do Porto fosse mais esclarecido. Sinceramente, não me parece que esteja totalmente.