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Não perdemos e chegamos aos 4% por causa do voto útil no PSD. Perdemos por, ao nos termos deixado acantonar num registro de autossuficiência, nos termos transformado, na percepção de 96% dos portugueses, num voto inútil. Não sei se o partido ou todo o partido já aprendeu com o caminho e com os erros recentes. Na mesma tradição da autossuficiência de Lamego, leio na abertura de uma moção de um candidato a líder do CDS: "Por um lado, a quadrilha das esquerdas unidas tomou de assalto o sistema parlamentar, impondo à direita a regra de que para formar governo não basta ganhar as eleições, é necessário eleger a maioria dos deputados." Dicionário: quadrilha, corja, bando de ladrões e/ou assaltantes, aglomerado de pessoas que se juntam para assaltar ou roubar. Assim qualifica os adversários políticos a moção "Voltar a Acreditar".

António Pires de Lima, aqui no discurso da palavra às horas ao Congresso.

Há até quem aplauda. Eu não. Os adversários são a essência da democracia e é preciso dizer, até em nome de tempos que já vivemos no passado, que quem trata hoje desta forma maniqueísta os adversários de outros partidos, não tenham dúvidas, amanhã, se tiver poder no CDS, tratará assim quem tiver posições diferentes da sua.

30 segundos.

Francisco Rodrigues dos Santos é seguramente um jovem com potencial, mas em democracia, se queres dar o respeito, começa tu por mostrar respeito pelos teus adversários. Eu não quero ver o CDS voltar aos comportamentos tribais que o diminuíram em 96, 97 e 98. Um partido de máscara jovem, mas de um conservadorismo retro, que não respeitava quem pensava diferente. E por isso, o meu conselho ao partido é que demos tempo ao Francisco para apurar a sua cultura democrática, a cultura de respeito pelos outros e por quem pensa diferente. Antes de o considerarmos--

António, o teu tempo terminou. António, o teu tempo terminou.

30 segundos.

O teu tempo terminou, António. Estás a prejudicar os oradores seguintes da tua moção.

O CDS não é uma tribo.

Apupos no Congresso do CDS para António Pires de Lima.

Espero não seja este o espírito da intolerância que amanhã venha a liderar o partido.

E agora arranca uma salva de palmas e alguns congressistas se colocam de pé.

O CDS não é uma tribo. O CDS pretende ser a casa sedutora da direita e do centro democrático.

António Pires de Lima.

Termino dizendo que o meu voto neste congresso vai pro João Almeida. Precisamos de fazer escolhas e eu acho que o João, com a sua experiência, pode unir e recuperar o partido. Mas um alerta deixo ao João: o Congresso tem de fazer escolhas claras. Não aceites liderar o partido se a tua estratégia não for a mais votada. Adeus, até sempre, CDS.

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