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Temos conosco agora ao telefone José Guilherme Aguiar. Foi vice-presidente do Futebol Clube do Porto com Jorge Nuno Pinto da Costa, esteve também na Liga de Clubes, vereador na Câmara Municipal de Gaia. José Guilherme Aguiar, muito boa noite. Obrigado por estar conosco aqui na Rádio Observador. Momento histórico para o Futebol Clube do Porto. Dia histórico com tanta gente a votar. Como é que acompanhou este momento eleitoral e este dia importante para o universo do Dragão?

Acompanhei com muita satisfação, porque, com toda a sinceridade, não esperava que houvesse um número tão grande de associados, muito embora este período eleitoral fosse bastante movimentado, com muitas intervenções. Eu via nas redes sociais, nos meus grupos do WhatsApp, que era permanente o aflorar da candidatura, fosse de quem fosse, a intenção de votar neste ou naquele. De qualquer forma, acho que foram quase 26 mil. É um número histórico para o Futebol Clube do Porto, que bem precisa desta injeção de ânimo, seja qual for o presidente ou seja qual for o candidato que vai ganhar as eleições.

Tivemos duas candidaturas muito fortes. Há uma terceira candidatura do Nuno Lobo, claro, também na luta por este lugar de liderança do Futebol Clube do Porto, mas esta força que cada uma dessas duas principais candidaturas conseguiu ter, foi isso que levou a esta discussão, como não víamos há tanto tempo, pela liderança do Futebol Clube do Porto?

Efetivamente, o Futebol Clube do Porto, neste preciso momento, está numa situação que eu diria anômala. É efetiva a situação muito precária do ponto de vista financeiro do Futebol Clube do Porto. São conhecidas todas as intervenções que a UEFA teve no fair play financeiro relativamente à participação do clube nas provas europeias. Muito embora eu, que fui já interveniente direto na gestão do Futebol Clube do Porto, tivesse sempre a ideia de que o Futebol Clube do Porto foi um clube que teve sempre saldos negativos no final de cada época. Isto também tinha a ver um pouco com o pensamento do presidente desde 1982, em que o Futebol Clube do Porto, ou antes, a direção do Jorge Nuno Pinto da Costa, começou num estado pré-falimentar, mas o Jorge Nuno dizia sempre: "Eu prefiro os resultados desportivos aos resultados financeiros". Isso foi uma evidência. Em todos estes anos que efetivamente ele esteve à frente do clube, ele privilegiou sempre os resultados desportivos em detrimento e com sacrifício dos resultados financeiros. Isso também foi a razão por que os responsáveis financeiros do Futebol Clube do Porto, desde Fernando Gomes, desde Angelino Ferreira, desde Álvaro Maia Gonçalves, tiveram sempre um certo antagonismo na relação com o presidente, pelo fato dele por sempre à frente da situação financeira e do equilíbrio financeiro, a questão da equipa, a questão do título, a questão de ganhar mais e mais. É evidente que em determinadas alturas o Futebol Clube do Porto atingiu situações financeiras fantásticas quando foi campeão europeu, quando fez a transferência do Rui Barros, que foi a maior transferência nessa altura na Europa, seis milhões e meio de dólares, isto em 1988. Quando voltou a ser campeão europeu e desse título resultaram desde a transferência do Mourinho à transferência de vários jogadores para grandes equipas e por isso o Futebol Clube do Porto, de repente, viu a sua conta bancária aumentar extraordinariamente. E eu costumava dizer que o Futebol Clube do Porto, antes, Pinto da Costa não sabia gerir com dinheiro. Pinto da Costa sabia gerir numa situação financeira negativa, muito embora, naturalmente, se ela pudesse ser positiva, melhor era. Mas quando era positiva, a gestão desportiva do Futebol Clube do Porto tinha resultados piores no aspecto da competitividade da equipa, sobretudo do futebol, porque o futebol no Futebol Clube do Porto é indiscutivelmente a modalidade rainha.

Nesta altura, a contagem ainda está a decorrer. Eu gostei de perceber, e tendo trabalhado também com Jorge Nuno Pinto da Costa e conhecendo bem o universo Futebol Clube do Porto, alguém ligado ao clube, se da percepção que teve das últimas semanas, se acha que há mais uma tendência de mudança ou uma tendência de continuidade, que tem mostrado também intenções de mudar e a candidatura de Pinto da Costa inovou em algumas coisas, mas qual a sua percepção das pessoas que conhece do universo Futebol Clube do Porto e daquilo que é o ambiente também em torno do clube?

Deixe-me dizer uma coisa: há, neste momento, e eu detectei, dois sentidos de voto. Um sentido voto emocional, aquele em que reconheciam que Pinto da Costa foi um dirigente verdadeiramente excepcional, foi o dirigente que mais títulos ganhou em todos os capítulos e em todas as modalidades do mundo, por isso não há ninguém que tenha resultados iguais àqueles que ele obteve. E esse sentido de votar era um pouco emocional. O presidente merece continuar à frente dos destinos do Futebol Clube do Porto. Em contrapé, havia um sentido de voto racional, isto é, o Futebol Clube do Porto neste momento está mal, do ponto de vista financeiro está mal, do ponto de vista desportivo também não tem obtido grandes resultados, muito embora o Futebol Clube do Porto é sempre um candidato ao título. Mas esse sentido racional ia mais no sentido voto André Villas-Boas, que era alguém que podia chegar de novo, alguém de quem se conhecia como treinador, não se conhecia como dirigente, mas nestas coisas havia essa aposta e julgo que a candidatura de André Villas-Boas foi bem preparada, foi bem lançada. E quando ela apareceu, apareceu até em circunstâncias que lhe foram benéficas, que resultaram a favor dela, que foi aquela famigerada assembleia geral do Futebol Clube do Porto, a alteração do estatuto