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Nesta altura temos também a possibilidade de falar com uma figura da cidade, mas apoiante de André Villas-Boas, Vladimir Feliz, antigo candidato do PSD à autarquia do Porto. Vladimir, boa noite, está na sede de André Villas-Boas, correto?

Sim, muito boa noite.

Qual o ambiente no local onde se encontra?

Ambiente de alguma ansiedade e expectativa na espera dos resultados. Porque todos, ao longo destes dias, esperamos por este resultado final e, portanto, as pessoas aqui aguardam a cada minuto que passa ansiosamente por saber novidades da contagem dos votos, que ao que sabemos ainda não terá começado.

Por que o apoio a André Villas-Boas?

Acima de tudo, porque acho que o André representa aquilo que é a necessidade que o clube tem de se transformar num clube que está voltado para o mundo. O Futebol Clube do Porto tem, ao longo da sua história, um legado enorme que temos que respeitar e consolidar, mas temos, acima de tudo, que partir para uma realidade diferente, que se adapte ao futebol moderno, que traga novas realidades não só naquilo que é o futebol profissional, mas também que recupere o espírito associativo, o espírito da cidade naquilo que é a ligação do clube à cultura dos seus sócios e à cultura, acima de tudo, da sua formação nas diferentes modalidades que extravasam o próprio futebol.

Olhando para aquilo que é o Futebol Clube do Porto atualmente e aquilo que foi a liderança do Jorge Nuno Pinto da Costa até este momento, sente que, como muitos apoiantes de André Villas-Boas têm vindo a dizer, houve quase uma queda daquilo que era o Futebol Clube do Porto, o clube começou a perder aquilo que seria a sua raça, aquilo que seria a sua presença na luta por títulos. Sente isso? E isso está na origem também daquilo que é o seu apoio a Villas-Boas?

Obviamente que 42 anos de gestão em qualquer organização, em qualquer entidade, trazem desgaste e trazem, acima de tudo, às vezes, a dificuldade de questionarmos aquilo que nós próprios construímos. O legado construído por Jorge Nuno Pinto da Costa é um legado de enorme respeito, que o clube tem que saber respeitar e aproveitar, mas acima de tudo, tem que encontrar novas formas de responder àquelas que são as exigências atuais. E aqui o que sentimos, acima de tudo, é que não menosprezando aquilo que Jorge Nuno Pinto da Costa fez, porque como dizia mesmo André Villas-Boas, é o presidente dos presidentes, ao longo destes últimos anos, nós vimos quase que a luta por manter o clube competitivo passou muito pela cultura e pela raça do treinador. E aquilo que nós temos que voltar a fazer é construir um clube que tenha uma estrutura profissional muito capaz, capaz de deixar o treinador focado naquilo que realmente tem que fazer, que é treinar a equipe e tornar a equipe competitiva e, em paralelo, construir gradualmente também uma realidade mais eclética, que promova não só as modalidades que temos já na nossa oferta desportiva, mas que traga também novas realidades, nomeadamente ligadas ao futebol feminino, ligadas a modalidades que são cada vez mais relevantes, como é o futsal e como é o voleibol masculino, e fazer com que o Porto recupere a sua alma e o seu ADN ao longo de anos de um clube eclético, ligado à cidade e, acima de tudo, ligado aos seus sócios.

Dizia-me no início da sua intervenção que pelo que sabe, a contagem não terá propriamente começado. Que informação é que recebeu também para nos estar a dizer isso?

Quando começamos este telefonema, agora não saberei, há algumas pessoas que se encontram nas mesas a assegurar a contagem, que a contagem estaria ainda pendente de ordem do presidente da Assembleia Geral para poder avançar.

De facto, recebemos também a informação de que a PSP está a acompanhar a contagem dos votos no Estádio do Dragão. Vários agentes da PSP acompanham essa contagem no interior do Estádio do Dragão. Olhando, Vladimir Feliz, para esta votação recorde e para aquilo que foram todos os anos de liderança de Jorge Nuno Pinto da Costa, por que agora tantos movimentos ou uma movimentação tão forte? Por que não nos últimos 42 anos, uma contestação também? Ou não havia razão para contestar aquilo que seria a liderança de Pinto da Costa?

Não, aqui acima de tudo, apareceu alguém com capacidade para trazer um projeto inovador e transformador que conseguiu mobilizar os associados. Não digo que esta seja uma candidatura contra alguém, esta é uma candidatura pelo Futebol Clube do Porto e por isso talvez tenha garantido que tanta gente se mobilizasse hoje para votar, que mostra a enorme vitalidade que o clube tem. É uma votação recorde e este será, seja qual for o resultado, um dia histórico para o clube.