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O ano de 2025 marcou a descida e estabilização das taxas de juro e a normalização do mercado de crédito, sobretudo do crédito à habitação. E em 2026, como vai ser? Motivos para a conversa com Rui Lopes, CEO da Simplify, comunidade dos intermediários de crédito, que está precisamente a comemorar o seu terceiro aniversário. Rui Lopes, antes de mais, obrigado pela presença. Vamos então brevemente perceber como é que foi 2025 em termos de crédito.

Sim, 2025 foi, como diz, e bem, um grande ano. Foi um ano em que vivemos um contexto económico favorável, em que tivemos uma taxa de desemprego controlada, uma inflação controlada, taxas de juro também a entrar num nível já de controle maior.

Normalidade.

Normalidade. E para os intermediários de crédito foi, sem dúvida alguma, um grande ano. O mercado, ainda não temos os dados finais de dezembro, o Banco de Portugal ainda não os publicou, mas estima-se que vá crescer cerca de 33% e vá tocar à volta entre os 23, 24 mil milhões de euros.

Isso é em termos de volumes de crédito intermediado.

É um crescimento de 33% face ao ano de 2024. Portanto, aqui é um crescimento bastante considerável, sendo que aproximadamente 60% deste valor é intermediado por estes profissionais intermediários de crédito.

Já têm mais de metade do mercado.

Mais de metade do mercado. E permito-me dizer que depois de dois, três anos em que vivemos uma fase de choque no pós-Covid, em que as taxas subiram, entramos agora numa fase de inteligência financeira em que os intermediários de crédito, sem dúvida alguma, são os propulsores e alguém que garante essa estabilidade perante os clientes finais.

E depois desse ano muito positivo, como diz, 2025, quais são as perspetivas para este ano de 2026? Temos um contexto económico que não muda muito, de alguma maneira, e como é que vai ser com o crédito?

Sim. As nossas previsões e as conversas que temos tido com os bancos neste início de ano apontam realmente para um ano semelhante a 2025. Claro que há fatores externos que nós não controlamos. Não sabemos o que é que poderá haver de contextos macro e de políticas que fogem da nossa esfera, mas os juros mantêm-se, pelo menos estimam-se que se mantenham iguais. A procura pelo crédito também estima-se que se mantenha igual. Portanto, não há grandes alterações no que toca ao mercado que vimos no ano de 2025.

O governo tem lançado algumas medidas. Há a questão da garantia jovem para o crédito à habitação, algumas isenções fiscais também na compra de casa. Até que ponto é que essas medidas foram bem recebidas e vão ser bem recebidas pelo mercado, e acha que devia haver mais medidas desse género?

Todas as medidas que venham contribuir positivamente para que os clientes possam obter mais crédito para comprar os seus imóveis são bem-vindas. Isto não quer dizer que seja um crédito fácil, não tem nada a ver. Os próprios clientes têm que ter a capacidade para pagar a sua prestação para obter o seu crédito, mas achamos que essas medidas vieram contribuir positivamente para o mercado. Nos últimos meses do ano, cerca de 50% das operações já tiveram a garantia pública em ação, e isso é um sinal de que realmente foi uma medida muito bem aceita pelo mercado. Para o próximo ano de 2026, prevê-se o reforço nessa medida em concreto.

Pelo menos o montante atribuído.

O montante atribuído aos bancos. Cerca de 50% do plafond já foi utilizado. Alguns bancos já tiveram que pedir o reforço. Isso é sinal que realmente a medida está a ser bem aceita e que está a ser colocada em prática. Novas medidas, vamos esperar pelo que o legislador nos trará.

Vai fazer. Há pouco, nesta conversa, o Rui já disse que, de facto, o papel dos intermediários de crédito já é maioritário no mercado. Há espaço para crescer mais? Isto é, para o peso do crédito que é feito por vocês e entregue aos bancos seja ainda maior.

Sim, eu acho que há espaço para poder crescer mais, mas mais que crescer, é crescer não em quantidade, mas em qualidade. O intermediário de crédito deverá ser, sem dúvida alguma, um filtro cada vez mais técnico e alguém que ajuda a encontrar a melhor decisão, a melhor proposta financeira para o cliente poder tomar a melhor decisão na hora de contrair um crédito. Por isso, achamos que podemos ter um contributo maior, porque há margem para poder crescer, mas não queremos crescer em quantidade, em números. Interessa-nos, sim, crescer em qualidade Depois, uma coisa é consequência da outra e o papel do intermediário de crédito vem numa toada de crescimento ao longo dos últimos anos e acredito, sim, que será um papel central já em 2026.

Quando fala da qualidade, refere-se concretamente a quê? É uma triagem que vocês fazem logo sobre, por exemplo, a capacidade ou o risco de cada cliente?

Sim. Nós atuamos desde a primeira hora numa ótica até de poupança de tempo ao cliente. Muitas vezes o cliente que é cliente apenas de um banco e que só tem acesso às propostas desse mesmo banco, não tem conhecimento do que o mercado oferece. E o intermediário de crédito tem essa capacidade de oferecer, em tempo real, várias propostas para que o cliente possa tomar a sua melhor decisão. Portanto, o tempo aqui é fulcral e neste triângulo que envolve intermediário de crédito, banco e cliente, achamos que o nosso papel terá realmente uma preponderância cada vez maior para poupar tempo ao cliente, entregar as melhores propostas financeiras e corresponder às suas necessidades e, acima de tudo, sermos um elemento e um ponta de lança dos bancos na rua em busca de novos clientes e de novos negócios para os mesmos.

O vosso peso é essencialmente no crédito à habitação. Já fazem algum outro tipo de crédito, nomeadamente ao consumo, não sei se automóvel. Como é que é a vossa perspectiva de alargar o portfólio de produtos que têm disponíveis?

Bom, na Simplify, neste momento o core é realmente o crédito de habitação. Estamos a festejar os nossos primeiros três anos e estes três anos foram dedicados a esse produto, mas no próximo triénio, a nossa aposta vai em formar novas verticais de negócio, sendo elas o crédito ao consumo e a área dos seguros e investimentos também, uma aposta grande que teremos nos próximos anos. Isto visa fazer o 360 graus ao cliente e criar um ecossistema em que o cliente possa fazer o seu crédito de habitação, possa complementar com os seus seguros e fazer alguns investimentos das suas poupanças junto da Simplify e junto da comunidade Simplify.

E a filosofia será sempre a mesma. No fundo, o que vocês fazem com o crédito à habitação, que é ir ao mercado ver as melhores propostas para cada cliente, vão seguir esse princípio para as outras áreas, nomeadamente para o contrário, que é o investimento de que fala.

Exatamente. Vamos sempre procurar a melhor solução, os melhores parceiros financeiros para que possamos orientar os nossos clientes e fazer com que eles possam decidir da melhor forma.

Isso exige, certamente, crescimento de associados, se quiser, ou da comunidade de intermediários de crédito. No caso do investimento, por exemplo, exige um tipo de formação diferente? Como é que isso funciona?

Sim, exige que nós nos preparemos como entidade e que disponibilizemos a melhor formação para essa área também. Neste momento, a vertical que mais nos interessa em desenvolver é a área dos seguros. E aí, sim, já estamos preparados e já estamos a disponibilizar formações para que os profissionais possam estar certificados para poder fazer a disponibilização de seguros aos nossos clientes finais. E todas essas verticais estão a ser preparadas e os nossos financial partners, que são os membros da nossa comunidade, terão que estar preparados para poder vender e para poder comercializar todos esses produtos.

Como é que vocês avaliam a regulação que é feita sobre o setor? Sabemos que a regulação financeira é sempre, de alguma forma, pesada, tem que ser cuidadosa, como é evidente. Vocês são daqueles setores que também acham que a regulação é muito excessiva ou está ao nível certo?

Bom, é um pouco ingrato responder essa questão.

Avaliar o avaliador.

Exatamente. Somos talvez dos setores mais jovens, mais regulados do mercado. Realmente, um setor que nasceu com uma legislação bem apertada, mas o regulador, e nestes primeiros sete, oito anos de atividade, o regulador sempre foi muito pedagógico. Sempre esteve no mercado em busca das boas práticas, pela implementação das boas práticas, e temos vivido alguns anos de pedagogia, mas temos que passar um passo seguinte para o profissionalismo aumentar no nosso setor. Portanto, eu acho que o regulador tem sido exigente, sim. Não acho que tenha sido excessivo, não. Mas também chegamos a uma altura em que a legislação pode ser revista, não para ser mais permissiva, mas para se adaptar à realidade que temos atualmente no nosso mercado.

E agora, se alargam para os seguros, vão ter outro regulador, certamente. Da área de seguros.

Sim, já temos. A ASF, neste caso, será o regulador na área dos seguros e nós, Simplify, já temos a nossa licença junto do regulador da ASF. E, portanto, é um regulador que trabalha também de uma forma muito exigente e isso permite-nos, a nós, sermos profissionais, realmente podemos mostrar aos nossos clientes que estamos em linha com tudo que o nosso regulador exige e nos obriga no dia a dia.

A Simplify celebra agora três anos. Como é que vê os três próximos anos, além da diversificação do portfólio de ofertas de produtos, como já disse A ideia é que os intermediários de crédito sejam uma espécie de one-stop shop financeiro para as pessoas, para as famílias?

Acho que isso é um bom paralelismo, sem dúvida nenhuma. E hoje os intermediários de crédito têm que se posicionar mesmo como essa one-stop shop, em que o cliente chega, por exemplo, a uma imobiliária para comprar casa e tem um intermediário de crédito para tratar do seu crédito e do seu seguro, se for o caso. Chega a um stand de automóveis para comprar um carro e tem o seu crédito e o seu seguro também através do intermediário de crédito nesse mesmo stand de automóveis e uma série de outras entidades. E o intermediário de crédito quer estar onde o cliente necessita de comprar o seu produto. Nós somos um meio para o cliente alcançar o seu objetivo, seja comprar casa, seja comprar carro, seja o que for, o intermediário de crédito oferece o meio e disponibiliza o meio financeiro para que ele possa concretizar, muitas vezes, o seu sonho. Somos nós os facilitadores, no bom sentido da palavra, facilitadores da concretização desse sonho.

Quase a chegarmos ao fim desta nossa conversa, Rui Lopes. Perspectivas de crescimento para este ano, não sei se vocês costumam fazer divulgação disso.

Sim, não há problema nenhum. Em primeira mão, Paulo, podemos dizer que terminamos o ano 2025 com cerca de 1.250 milhões de euros de crédito habitação formalizados. Foi um crescimento de quase 80% face ao ano 2024. Portanto, crescemos bem acima do mercado. Como eu disse há pouco, o mercado vai crescer à volta de 33% e isto só nos coloca uma fasquia cada vez mais elevada no nosso radar. Queremos continuar a crescer, crescer à volta de 30% para o ano 2026, mas acima de tudo, crescer em qualidade, crescer em número de financial partners e atualmente já representamos cerca de 10% dos intermediários de crédito vinculados em Portugal.

São quantos agora?

Ao dia de ontem, 309 intermediários de crédito vinculados. Queremos continuar a crescer e queremos realmente dar um serviço de qualidade aos nossos clientes na hora de eles tomarem uma decisão financeira.

Muito bem, Rui Lopes, CEO da Simplify, numa altura em que completam três anos, aqui a fazer o balanço de 2025 e 2026 para esse setor. Muito obrigado, Rui. Até à próxima. Obrigado.

Obrigado.