Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Explicador da Rádio Observador, o PSD reuniu esta manhã a Comissão Permanente Nacional. Carlos Coelho é um dos membros deste órgão social-democrata e é nosso convidado na tarde política da Rádio Observador, Judite.

Bem-vindo, Carlos Coelho. Muito obrigada por ter aceitado o nosso convite. Com estes resultados, o governo ganhou fôlego para quatro anos ou este horizonte agora, no atual contexto político, é demasiado longo?

Vamos ver, Carlos. Estas eleições são eleições locais. Portanto, em bom rigor, o governo não tem que se sentir condicionado pelo resultado das eleições. Embora as eleições, traduzindo-se numa grande vitória do PSD, são naturalmente um fator de alento. E portanto, o governo composto maioritariamente por militantes do PSD, mas também com independentes e com militantes do CDS-PP, pode se sentir animado com estes resultados. Mas eu sublinharia o caráter local das eleições. É perfeitamente legítimo haver uma leitura nacional dos resultados, mas o que aconteceu foi uma eleição para mais de 300 municípios e mais do que 3000 freguesias. E em muitos desses locais, a realidade específica de cada território é muito mais relevante do que qualquer apreciação nacional.

Carlos Coelho, o próprio primeiro-ministro e presidente do PSD, Luís Montenegro, na noite das eleições, traçou um retrato muito semelhante a este, que é uma vitória inequívoca do PSD. O PSD, nesta altura, tem o governo do país, tem a situação que tem no Parlamento, tem esta situação autárquica. Portanto, são condições políticas muito favoráveis. O que o PSD vai fazer com estas condições políticas que tem? O que vai fazer agora daqui para frente com esta legitimidade que tem?

Isso é perfeitamente legítimo. E o contrário já assistimos há muitos anos. Quando nas eleições autárquicas há uma votação muito negativa para os partidos do governo, isso acaba por ter resultados na plano nacional. Não foi isso que aconteceu. Agora, se me pergunta o que o PSD vai fazer com esses resultados, a minha resposta é muito clara: vai olhar para eles com sentido de responsabilidade e de humildade e vai, sobretudo, ter consequência para os próximos quatro anos.

E que consequência é essa? Vai agora finalmente avançar com reformas, vai avançar com outro tipo de política? Provavelmente não concordará com esta análise, mas até aqui terá sido uma gestão mexendo em alguns pontos-chave, como é o caso da imigração. O que podemos esperar do governo daqui para frente, Carlos Coelho?

Não, eu sublinho aquilo que eu disse há pouco. O que nós fizemos no domingo foi mandatar milhares de portugueses para exercer funções autárquicas. E portanto, quando me perguntam o que o PSD vai fazer com essa vitória, o que eu digo é que vai nos próximos quatro anos, deste mandato autárquico, assumir as suas responsabilidades. Porque o que é verdade é que do norte ao sul do país, quer nos centros urbanos, quer no mundo rural, nós tivemos grandes vitórias do PSD. E o PSD vai honrar esse compromisso que assumiu com as populações. Agora, se me pergunta se o governo vai alterar muito da sua agenda em função desses resultados, a minha opinião não vai nesse sentido. Agora, se me pergunta se as oposições vão ter mais prudência na forma como fazem diariamente a sua representação parlamentar, tendo em intenção aquilo que é ouvir a vontade do povo, eu admito que isso possa acontecer. Isto é, que o PSD, mesmo a nível do governo, se sinta mais confortado. Agora, sublinho que estas foram eleições locais e não foram eleições nacionais. Dito de outra maneira, os resultados do domingo passado não alteram a relação de voto na Assembleia da República. O número de deputados do PSD, do PS e de outros partidos continua a ser exatamente o mesmo. Portanto, não tínhamos dúvidas relativamente a essa matéria.

Os resultados, apesar da vitória do PSD, foram renhidos em muitas câmaras e vai ser necessário fazer entendimentos camarários para decidir sobre o governo da cidade. Acha que vai haver dificuldades nessas geometrias, nomeadamente com o Chega, que é um dos partidos de desempate de muitas das configurações dos executivos camarários que saíram destas eleições de domingo?

Eu sei que há essa curiosidade jornalística, que é de saber se pode haver uma extrapolação nacional de eventuais acordos locais. Eu já recordei a colegas vossos que no passado houve entendimentos locais, incluindo com a atribuição de pelouros municipais, entre o PSD e o Partido Comunista, porque na realidade local desses conselhos, o entendimento entre as pessoas e a perceção dos problemas concretos levou a esses entendimentos. E não passou pela cabeça de ninguém que houvesse uma extrapolação nacional, tipo uma grande coligação entre o PSD e o Partido Comunista, que não faria sentido nenhum. E portanto, eu creio que temos que olhar para essas 3100 freguesias e esses 318 municípios, percebendo isto que a realidade local pode determinar entendimentos.

Não vê aqui o fim do não é não.

Não. Variaria se houvesse uma extrapolação nacional de algum tipo de coligação que violasse esse entendimento, mas isso, como lhe digo, não aconteceu no passado e não me parece nada razoável que vá acontecer no futuro.

Pedro Santana Lopes é uma boa hipótese para a presidência da Associação Nacional de Municípios?

Eu não me vou meter nessa luta.

Mas já é uma luta, Carlos Coelho.

Admito que vá haver vários candidatos, não tenho dúvidas nenhumas, que dos presidentes de câmara, que alguns foram reeleitos e outros que foram eleitos no último domingo, haja muitos na área da maioria a desejar esse lugar, isso é perfeitamente legítimo. Agora, não creio que caibam às culturas partidárias estar a dar orientações. Creio que os presidentes de câmara que foram eleitos, são eles que têm de fazer as suas escolhas e estou certo que vão fazer escolhas responsáveis.

Carlos Coelho, muito obrigado pela sua participação aqui na Tarde Política. Obrigado por ter estado aqui em direto conosco, do PSD, membro da Comissão Permanente e ex-eurodeputado. Ainda temos mais duas conversas agendadas para a próxima hora com a Iniciativa Liberal e com o Chega.