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Começa agora o explicador da hora da campanha. Ontem houve debate entre Luís Montenegro e Rui Rocha. Queremos saber como foi visto pelos nossos convidados, pelas nossas convidadas, Lídia Pereira, do PSD, e Mariana Leitão, da Iniciativa Liberal. A moderação é feita pela Carla Jorge Carvalho e pelo Paulo Ferreira. Muito bom dia, bem-vindas a este explicador. Lídia Pereira, vamos começar por si e temos de ir à montenegrização da política. A Iniciativa Liberal também se aproximou já das posições da AD?

Muito bom dia, Carla. Bom dia ao Paulo Ferreira. Bom dia à Mariana e aos ouvintes que nos acompanham hoje. Eu creio que o que fica do debate de ontem é que Rui Rocha tentou mostrar que seria, porventura, o partido PSD Plus, mas esbarrou na realidade, que foi que o PSD é um partido com passado, presente e futuro na governação e até hoje a IL nunca teve essa responsabilidade. Luís Montenegro mostrou que não basta prometer reformas, que é preciso mesmo apresentar resultados e, portanto, enquanto Rui Rocha insistia em acusações e exigências vagas, Montenegro foi muito direto. Montenegro disse que temos um caminho, temos resultados e com a firmeza de quem governa com responsabilidade, lembrou que houve uma baixa de impostos, que a AD conseguiu uma baixa de impostos, já melhorou os tempos de espera nas urgências e já começou a devolver confiança às famílias e às empresas. E, portanto, a frase da estabilidade não se proclama, constrói-se, desmontou em certa medida a narrativa liberal com dados muito concretos e uma visão estratégica. Portanto, eu creio que no essencial, há um certo entendimento. Há, porventura, modos de instrumentos para chegar a objetivos que serão mais ou menos comuns e que são diferentes.

Mas o que está a dizer então é que o governo AD, o PSD, não precisam da Iniciativa Liberal.

Já tem havido imensa especulação sobre se vai ser necessário ou não, mas é como eu dizia, no essencial, eu creio que há um entendimento. Há caminhos diferentes para chegar a objetivos comuns. E, portanto, eu creio que no pós-eleições é que vai ser possível ter uma visibilidade maior sobre se é necessário um entendimento maior formalizado, seja um acordo parlamentar, seja no governo. Mas eu creio que não há uma distância tão grande entre a AD e entre a IL, no essencial. Portanto, como eu dizia, há caminhos diferentes, mas há uma vontade comum, e essa vontade é continuar a transformar Portugal. No caso do PSD e da AD, tem sido um caminho consistente, assente na estabilidade. A IL tem uma vontade de, em algumas coisas, rasgar com aquilo que existe em Portugal. Por exemplo, estou a me referir, em particular, à saúde, em que eu creio que ficou muito clara a diferença entre a AD e a IL, e Luís Montenegro assinalou-a ontem, em que a trave-mestra do funcionamento da saúde em Portugal é o Serviço Nacional de Saúde. Para a IL, há uma proposta diferente. Mas eu creio que há condições, e havendo vontade, para um entendimento, se entenderem as posições necessárias.

Mariana Leitão, bom dia, bem-vinda também a este explicador. Concorda? Do lado da IL, da Iniciativa Liberal, há condições, de facto, num cenário pós-eleitoral, em que os resultados assim determinem para aproximar propostas, nomeadamente na saúde?

Antes de mais, muito bom dia. Deixe-me só, antes de responder à sua questão, fazer aqui algumas notas sobre aquilo que foi dito. Eu acho que é importante começar por referir que este debate começou com Rui Rocha a dar uma reprimenda a Luís Montenegro por aquele que tem sido o seu comportamento neste processo. É preciso lembrar que após um orçamento em que Luís Montenegro abdica do seu próprio programa e cede em toda a linha ao Partido Socialista, e acabamos com o orçamento socialista, faz isto em nome da suposta estabilidade política e do país, e depois, por questões pessoais do próprio, arrasta todo um governo para uma crise e arrasta todo o país para uma crise, mandando abaixo um governo, apresentando uma moção de confiança que sabe à partida que não vai passar e, portanto, vamos obviamente para eleições. Portanto, acho que esta é a primeira nota que é importante dar. Depois há outra nota que eu também gostava de dar relativamente às nossas propostas. A oposição tenta muitas vezes, os vários partidos, atacar-nos com a radicalização ou aventureirismo, por aí afora. Rejeito completamente essas críticas. A Iniciativa Liberal tem um programa com uma visão de futuro. Nós temos propostas que visam criar condições para o país ser mais próspero e para as pessoas que cá vivem terem melhor vida. E como é que isso se faz? Atacando áreas essenciais. E vou falar concretamente da questão da saúde, porque também torna-se quase cansativo estar sistematicamente a ouvir os mesmos argumentos de que nós queremos acabar com o Serviço Nacional de Saúde. Isso é uma mentira completa. A Iniciativa Liberal quer é garantir uma coisa que não existe neste momento, que é o acesso universal. Nós neste momento, o que é que temos? Temos quatro milhões de portugueses com seguro de saúde. Que recorrem ao privado porque podem fazê-lo, porque podem pagar um seguro de saúde. E os outros que não têm impostos? Aqueles que dependem exclusivamente do Serviço Nacional de Saúde. Estes não têm acesso a cuidados de saúde em tempo útil, ficam entregues a listas de espera, a urgências encerradas, a um Serviço Nacional de Saúde ao qual não conseguem aceder. Portanto, aquilo que nós queremos é, por um lado, garantir liberdade de escolha, por outro lado, garantir concorrência saudável entre os vários prestadores de cuidados de saúde, ter o Estado como financiador e não exclusivamente como prestador. Para quê? O objetivo final é tão somente garantir acesso universal e gratuito, porque a proposta da Iniciativa Liberal não mete os portugueses a pagarem mais por cuidados de saúde. Portanto, é muito importante trazer estas notas relativamente àqueles que têm sido alguns dos argumentos que têm tentado atacar a Iniciativa Liberal.

Ficou claro, Mariana Leitão, mas agora sinteticamente, essa aproximação é possível com problemas da saúde relativamente diversos?

Nós neste momento estamos focadíssimos em apresentar as nossas propostas. É preciso lembrar, ainda agora a Lídia referiu que o governo baixou impostos, resolveu problemas na saúde, devolveu confiança às famílias. Ora, a verdade, nós estamos a falar, neste momento, da maior parte das pessoas, a grande maioria dos portugueses, estamos a falar de vencimentos até 1200 €, a descida do IRS que a AD fez revela-se em menos de €10 por mês. É isto que vai fazer a diferença na vida das pessoas? Nós estamos a falar, tirando os que são abrangidos pelo IRS jovem, aquilo que Rui Rocha ontem designou como os entalados, que são todos os outros que estão entre os 35 e os 67 anos, que andaram a carregar o país às costas, que levaram com a crise do subprime, com a crise das dívidas soberanas, com a troika, com o Covid, com a crise inflacionária, agora estão a viver a crise da habitação, e para esses, a AD deu menos de €10 por mês. Isto é inadmissível. E, portanto, o que é que nós pretendemos? É efetivamente baixar impostos para todos. Baixar impostos de forma significativa, garantindo com isso também que depois há uma dinamização da economia. Há propostas também no ato para reduzir a despesa, que é importante para equilibrar as contas. Temos uma visão que em alguns pontos, e que é aquela que nos interessa agora apresentar aos portugueses, e obviamente depois a seguir às eleições, de acordo com os resultados, teremos tempo para falar sobre cenários futuros. Neste momento, é muito importante apresentarmos as nossas propostas ao país.

E com essas duas áreas, saúde e política fiscal, com várias diferenças, sendo que, Lídia Pereira, o que temos ouvido do lado da Iniciativa Liberal, quando olha para este governo e para a possibilidade de poder ou não suportá-lo e influenciá-lo, acusa a AD de estar a atirar dinheiro para os problemas e não propriamente a aplicar nenhum critério reformista. A AD é de facto aqui uma estabilidade imóvel. Lídia Pereira, creio que temos a linha. Sim, estamos a ouvir.

Estava sem som. Eu creio que a AD é todas as pessoas, todos os portugueses olham para a governação como uma governação com estabilidade. E em particular no que diz respeito à política fiscal. Respondendo também, em certa medida, àquilo que a Mariana acabou de referir, que tinha que se fazer uma mudança ainda mais profunda daquilo que foi feito, daquilo que foi possível ser feito, também é preciso dizer-se, com as condições políticas que existiam na Assembleia da República, foi uma descida gradual. Em muitos anos, é a primeira vez que o IRS, de facto, desceu. É óbvio que seria desejável, e é esse o compromisso da AD em continuarmos a descer o IRS. Mas infelizmente, as circunstâncias, o contexto na Assembleia da República, foi o contexto que permitiu fazer esta baixa para já, que é uma baixa que de facto as pessoas sentiram ao longo dos meses de 2024. Tem havido também, e eu vou dar esta nota, ontem vários dirigentes e vários representantes do Partido Socialista, agora também a IL no fundo a questionar o IRS. Por um lado, o PS ataca a AD por falta de seriedade na baixa de impostos, na baixa do IRS, agora a IL considera que é pouco. Bom, mas o que nós podemos retirar do debate é que os impostos desceram. E portanto, aquilo que é proposta da AD para futuro é essa continuidade na descida dos impostos, porque infelizmente foi uma legislatura que foi interrompida. E portanto, esse compromisso com a descida de impostos e também com a resolução dos problemas que ainda persistem no SNS, e Luís Montenegro não se furtou a dizer que de facto a herança dos governos anteriores foi uma herança pesada e não são problemas que se resolvam do dia para a noite, mas houve algumas melhorias, nomeadamente no que diz respeito a médicos de família para mais portugueses, houve também mais portugueses a entrarem no Serviço Nacional de Saúde, a estarem registados no Serviço Nacional de Saúde. Há problemas que carecem ainda de, ou inspiram ainda cuidados, mas houve uma capacidade de resposta e isso foi possível em muito pouco tempo ou nos 11 meses de governo. Mas esse compromisso, seja na saúde, seja nos impostos, ficou vincado ontem no espaço.

Pegar na questão da descida de impostos, que concordam ambas, apesar de proporem amplitudes diferentes, como é evidente. Mariana Leitão, entretanto, e muito rapidamente, o contexto internacional mudou. Até que ponto isso deve ou devia levar a uma maior prudência dos partidos ainda nesta fase da campanha eleitoral, naquilo que estão a dizer ao eleitorado? Até que ponto é que, na parte económica, sobretudo, não haverá já uma certa desatualização ditada obviamente pelos acontecimentos dos programas eleitorais?

Eu respondo já a sua questão, deixe-me só dar aqui uma nota que é: a Lídia Pereira falou da questão do IRS como um grande feito da AD. Lembrar que, para já, é claramente insuficiente. Acabei de demonstrar, menos de €10 para salários de €1.200. Portanto, pouca diferença fazem. E grande parte desta descida já vem do governo anterior, algo que foi a própria Iniciativa Liberal a denunciar na altura e que até deixou o ministro das Finanças, Miranda Sarmento, um bocado atrapalhado, porque efectivamente pôs à vista que essa descida não era integralmente feita pela AD. Em relação à sua questão, é óbvio que o cenário é um cenário que neste momento é muito indefinido, com tudo aquilo que está a acontecer, nomeadamente com as questões também relacionadas com os Estados Unidos e a indefinição quanto às tarifas. Agora, nós temos de olhar para aquilo que nós queremos. E a Iniciativa Liberal, quanto mais forças tiver com estas eleições para conseguir implementar o seu programa, mais o país avançará. E avançará de forma sustentável, obviamente. Nós também não somos indiferentes àquilo que está a acontecer. Agora, nós temos de olhar para os cenários e ponderá-los à medida que as coisas vão acontecendo. O nosso programa, se virem, na questão do equilíbrio das contas, é muito claro. Aquilo que nós queremos reduzir em impostos, e portanto é menos dinheiro que o Estado vai arrecadar, queremos cortar também do lado da despesa. E portanto, se queremos cortar do lado da despesa para dar aos portugueses, é óbvio que conseguimos garantir esse equilíbrio. E também não esquecer que as nossas medidas, aquilo que estamos a propor, é para serem feitas ao longo de uma legislatura. Nós não estamos a dizer que vamos cortar tudo de uma vez. Não, vamos cortar e reduzir a despesa do Estado ao longo dos quatro anos, à medida que vamos também reduzindo os impostos ao longo de quatro anos. Isto é uma visão consciente, clara, de futuro para o país, assente numa lógica de estabilidade do país e de equilíbrio, obviamente, também das contas públicas.

E aí percebemos a aproximação que pode haver entre a Iniciativa Liberal e o PSD ou a AD. Mariana Leitão, Lídia Pereira, muito obrigada por terem vindo a este Explicador. Um bom dia para as duas.

Obrigada.