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Explicador da Rádio Observador. Recebemos Hugo Oliveira, deputado do PS. Mais logo reúne-se a comissão política do Partido Socialista, momento que será aproveitado para uma análise aos resultados eleitorais, também para olhar para o partido.
Bem-vindo, Hugo Oliveira. Obrigada por ter aceitado o nosso convite. Estava à espera de um melhor resultado do Partido Socialista?
Boa tarde. Um cumprimento também muito especial a todos os ouvintes da Rádio Observador. Evidentemente que enquanto militante e dirigente do Partido Socialista, nós esperamos sempre o melhor resultado possível. O Partido Socialista vinha já há algumas eleições autárquicas consecutivas a vencer, mas sabíamos que estas seriam eleições com um grau de dificuldade acrescido, atendendo também a que muitos presidentes de câmara do Partido Socialista terminavam um ciclo autárquico, ou seja, um ciclo de 12 anos de três mandatos, em que obrigatoriamente o presidente de câmara não se pode recandidatar. Isso abre, naturalmente, um desafio maior. Aliás, podemos verificar que aconteceu nas Câmaras, para dar o exemplo, de Sintra e de Gaia. Agora, o facto de esperar um resultado melhor, isso eu acho que é sempre expectável para qualquer partido, mesmo para o partido vencedor, a esperança é sempre de ter o melhor resultado. A verdade é que o Partido Socialista consegue se consolidar como um grande partido autárquico. Posso mesmo dizer que a expectativa ficou abaixo daquilo que era por nós desejado, mas julgo ter ficado acima daquilo que por muitos era mencionado há alguns meses atrás.
Hugo Oliveira, esta manhã Ricardo Leão foi convidado aqui na comissão de inquérito da Rádio Observador. De resto, é uma conversa que está disponível em podcast. Ricardo Leão venceu, foi reeleito como presidente da Câmara de Loures. Como sempre, é contundente no que diz e disse esta manhã: "António Costa que se entretenha lá na Europa, que não faz cá falta nenhuma." Pegando nesta citação de Ricardo Leão, pegando nos resultados que tivemos do Partido Socialista nestas autárquicas, acha que o PS perdeu a capacidade de ler as preocupações dos cidadãos? É que Ricardo Leão, com um discurso diferente, conseguiu em Loures uma maioria.
Eu sou muito amigo do Ricardo Leão, gosto muito dele e aprecio bastante o trabalho que ele tem desenvolvido na Câmara Municipal de Loures. Cada câmara tem problemas diferentes e oportunidades também distintas. Não são todas iguais, as governações são sempre diferentes. E é por isso que não devemos fazer uma ponderação entre os resultados autárquicos e os resultados nacionais. Não julgo que algum afastamento que o Ricardo Leão possa ter mencionado tenha que ver com o resultado nas autárquicas, atendendo que o resultado nas autárquicas tem muito a ver com as pessoas que os partidos apresentam, com as propostas que levam e que são bastante diferentes e com algumas especificidades em cada concelho. Eu julgo não ser muito correto, é a minha opinião, extrapolar com algumas comparações nacionais. Não será muito correto, em cada eleição, os eleitores escolhem. Não há donos de votos que sejam transportados de eleição para eleição. Mas o que estas eleições podem dizer do ponto de vista nacional e o seu retiro, é que o Partido Socialista continua a merecer a confiança das pessoas, como aliás, mereceu nas eleições autárquicas, e do ponto de vista nacional, se apresentar boas propostas, propostas que as pessoas entendam como aquelas que são prioritárias para resolver os problemas das suas vidas, o Partido Socialista pode e deve aspirar a vencer nas próximas eleições legislativas.
Também aqui ouvimos ontem Pedro Costa dizer que Alexandra Leitão foi uma má escolha para a cidade de Lisboa. Concorda?
As más escolhas e as boas escolhas são sempre mais fáceis de analisarmos dessa forma no dia seguinte às eleições. Aquilo que verificamos, poucos dias antes, uma semana antes, era uma sondagem que dava Alexandra Leitão empatada com Carlos Moedas. Por vezes escolhem-se as pessoas por um perfil, mas por vezes também se tenta fazer algumas sondagens para solidificar uma escolha de candidatos. Aquilo que julgo é que a Alexandra Leitão é uma mulher muito inteligente, com muitas capacidades, de elevada competência, mas depois podemos verificar não ter sido merecedora da confiança da maioria dos eleitores. Desse ponto de vista, se nós dissermos que quem venceu é uma boa escolha e quem perdeu é uma má escolha, se for dessa forma simples, então podemos dizer que Alexandra Leitão foi uma má escolha. O que eu acho é que as coisas também não são assim tão simples e nem sempre quando perdemos é uma má escolha. Há momentos difíceis em determinadas autarquias, há momentos mais complicados e por vezes também é feito um caminho. Aliás, podemos ver que há muitos vencedores na noite de domingo que anteriormente, em outras eleições passadas, foram perdedores, ou seja, foram também fazendo um caminho. Por vezes vemos alguns candidatos a chegarem a presidente de câmara que já tinham sido candidatos e candidatos derrotados em eleições anteriores. Portanto, julgo não ser assim tão simples de fazer essa avaliação.
E vamos com certeza continuar a conversar sobre esta matéria. Hugo Oliveira, deputado do PS, muito obrigado por ter estado aqui na Tarde Política da Rádio Observador.
Obrigado e muito boa tarde.