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Explicador da Rádio Observador. Continuamos a análise aos resultados das autárquicas e as consequências políticas. Recebemos agora Miguel Rangel, da Iniciativa Liberal, que foi coordenador autárquico nestas eleições. Diz, França.

Boa tarde, Miguel Rangel. Bem-vindo. Obrigada por ter aceitado o nosso convite. A Iniciativa Liberal conseguiu eleger dois vereadores em listas próprias, os primeiros da história do partido. Isso é suficiente para considerar o resultado extraordinário, como fez Mariana Leitão na noite de domingo?

Olá, muito boa tarde a todos. Boa tarde aos ouvintes e obrigado por me receberem. Eu não tenho a mínima dúvida que foi um resultado extraordinário da Iniciativa Liberal. Nós elegemos os nossos primeiros vereadores na segunda candidatura autárquica da história do partido. Triplicamos o número de eleitos a nível nacional. Conquistamos mais 43 conselhos, no que toca à presença, ou garantimos presença em mais 43 assembleias municipais, quando antes tínhamos 24, agora estamos em quase 70. Portanto, isto é, em toda a linha, o significado que a Iniciativa Liberal está a conseguir a sua implantação a nível territorial.

Deixa-me fazer a pergunta desta forma: são muitos números, são muitos mandatos, obviamente, aumentou bastante a Iniciativa Liberal com esta implantação autárquica, mas isso vai traduzir-se em maior visibilidade autárquica ou daqui a dois anos, três anos, quatro anos, quando tivermos novas eleições, já ninguém se vai lembrar desses números da Iniciativa Liberal?

Eu acho que pelo contrário, repare, nós só conseguimos este resultado autárquico devido ao trabalho que foi feito nos últimos quatro anos, que começou exatamente em 21. Foram exatamente os autarcas eleitos e as equipas políticas locais que acompanhavam esses autarcas. Foi devido, principalmente, ao trabalho dessas pessoas que nós conseguimos esse crescimento. Primeiro, conseguimos um crescimento a nível territorial e agora ele consolida-se naturalmente a nível do número de autarcas eleitos. Quanto à sua questão, eu até referia o mais importante de tudo, que é nós termos, neste momento, em cidades até com relevância, a capacidade de exercer o poder local, de influenciar o poder local, e isso com certeza que vai-se fazer sentir a marca da Iniciativa Liberal em várias áreas.

Um partido com oito anos não deveria ter uma implantação autárquica mais forte já?

Eu acho que isso depende muito-

Da estratégia.

Não, quer dizer, depende muito, obviamente, de como nós vemos a implantação territorial. Eu acho que a Iniciativa Liberal está, neste momento, com uma presença forte, isso vê-se cada vez mais. Agora, saindo um pouquinho das autárquicas, nós nas legislativas crescemos essencialmente em distritos e em conselhos onde antes tínhamos mais dificuldade, em conselhos de interior. Elegemos, desta vez, um vereador em Castelo Branco, portanto, aqueles que dizem que a Iniciativa Liberal é um partido urbano, elege em listas próprias-

Numa lista própria, não é?

Sim, em lista própria, um vereador em Castelo Branco. E eu acho que isso, por si só, já denota uma grande implantação. Agora, naturalmente que isto depois depende muito daquilo que as pessoas entendem que deve de ganhar.

Ia dizer que nestas eleições houve uma mudança de estratégia por parte da Iniciativa Liberal, porque aceitou ir em mais coligações, como é o caso de Lisboa, por exemplo. Isto foi algo pensado para tentar melhorar um pouco os resultados depois da experiência de há quatro anos?

Não, não teve a ver com resultados. Tem a ver, como sempre tem com a Iniciativa Liberal, tem a ver com políticas e com aquilo que nós entendemos que é o melhor, neste caso, para as respectivas cidades.

Com resultados também, ou não?

Não, os resultados é uma consequência dessa decisão, não é o objetivo em si. Agora, repare, nos casos que está a falar, e que são cidades importantes, a começar por Porto e Lisboa, naturalmente. Tínhamos um cenário, e aqui até coloco Lisboa em primeiro lugar, no sentido em que era uma candidatura de uma extrema-esquerda que nós não poderíamos ignorar. E naturalmente, fizemos parte da única candidatura moderada que foi apresentada na cidade. No caso do Porto, a coligação era diferente, o PS do Porto não estava tão radicalizado como esteve em Lisboa nas suas escolhas de parcerias, mas naturalmente também fomos absolutamente essenciais para que a cidade do Porto não voltasse a uma governação socialista.

Acha que a Iniciativa Liberal foi determinante nessas duas coligações, Lisboa e Porto?

Não tenho a mínima dúvida.

E a escolha foi pensada nesse sentido, porque há quatro anos decidiram ir sozinhos. Dizia-se sempre que era para que a marca Iniciativa Liberal ficasse mais forte junto dos eleitores. Essa não foi uma preocupação nestas eleições?

A Iniciativa Liberal não ignora o contexto e a atualidade política, que desde já também sofreu alterações significativas nas últimas eleições legislativas de maio. E obviamente que sendo o partido responsável que é, tendo os objetivos que tem, naturalmente vai fazer sempre essa avaliação. Mas deixe-me dizer que isso foi o motivo para nós considerarmos essas coligações e essas candidaturas. Não foi o motivo para as aceitarmos. O motivo para as aceitarmos foi porque depois de estarmos disponíveis, houve um conjunto de negociações programáticas e de visão e estratégia para a cidade que chegaram a bom porto e não foram simples. Não se fez isto como se fez a geringonça, que se assina um papel de boas intenções. Não, foram durante muito tempo conversas muito detalhadas sobre aquilo que seria também a nossa visão e aquilo que nós gostaríamos. Ou seja, não podemos ver, nem queremos nunca ser uma soma aritmética de votos neste tipo de parcerias.

E a relação com o PSD agora no Parlamento vai manter-se na mesma ou estas coligações autárquicas levaram a uma aproximação entre os dois partidos?

Obviamente que o cenário nacional e local por si só já é muito diferente. E então se formos de cidade em cidade, de localidade a localidade, então ainda são mais significativas essas diferenças. São duas coisas completamente diferentes. Aliás, deixe-me dizer que inclusive candidatos que não eram da Iniciativa Liberal, mas que estavam em coligações em que a Iniciativa Liberal fez parte, também criticam muitas das políticas do governo. Às vezes estamos mais próximos para soluções locais, como por exemplo, a nossa visão de um poder de maior proximidade, uma maior descentralização. Temos muitos autarcas que estavam em coligações e que não são da Iniciativa Liberal, que acompanham, publicamente, as nossas posições.

Miguel Rangel, muito obrigado por ter estado aqui em direto na "Tarde Política" da Rádio Observador. Miguel Rangel, o coordenador autárquico da Iniciativa Liberal.