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Explicador da Rádio Observador. Recebemos o líder da bancada parlamentar do Chega, Pedro Pinto, que se candidatou à Câmara Municipal de Faro, acabou por ficar em terceiro nas eleições de domingo, diz-se.
Pedro Pinto, muito bem-vindo. Obrigada por ter aceitado o nosso convite. Foi um mau resultado o da noite eleitoral de domingo?
Muito obrigado pelo convite. Boa tarde a todos. Não, foi um grande resultado do Chega no país todo na noite de domingo.
Estava a falar especificamente do seu resultado em Faro.
De Faro. Em Faro é fácil. Em Faro, repara, o PS tinha maioria absoluta, perde a maioria absoluta e fica com três vereadores. O Chega tinha 5% dos votos, tem 18% dos votos. O Chega não tinha nenhum vereador, tem dois vereadores. O Chega tinha um representante na Assembleia Municipal, passou para cinco representantes. O Chega ganha uma das cinco juntas de freguesia do Conselho de Faro. Se isto é um mau resultado, então já não sei o que dizer de partidos como o PSD, que perde inclusive a União de Freguesias de São Pedro, de Faro.
Faz um balanço positivo da sua candidatura em Faro.
Ouça, para o partido. Para mim, pessoalmente, a nossa candidatura, o propósito era ganhar. E nós quando entramos numa coisa é para ganhar, eu queria ganhar as eleições.
E ficou em terceiro.
Eu fui com o intuito de ganhar as eleições. Portanto, pessoalmente, não é um bom resultado. Agora, a nível do partido, é um grande resultado que o partido teve em Faro. Que um partido que estava nos 5%, que estava atrás da CDU em Faro nas últimas eleições autárquicas, o Chega é a terceira força política, tem o poder, inclusive na Assembleia Municipal, onde elegeu por cinco, poderá assumir o futuro da Assembleia Municipal em Faro, ou seja, acaba por ser um grande resultado a nível partidário.
E vai assumir o lugar de vereador?
Os farenses disseram uma coisa muito interessante nessa noite. Os farenses disseram que não queriam o Pedro Pinto a presidente da Câmara de Faro, queriam o Pedro Pinto no Parlamento a defender os interesses dos farenses e os interesses dos algarvios, porque foi a região por onde fui eleito. Por outro lado, não faltarei com a minha palavra aos farenses e tomarei posse como vereador. E é importante dizer isto, tomarei posse como vereador não remunerado, portanto para que as pessoas não pensem que estamos a acumular lugares. Tomarei posse como vereador.
Ou seja, não aceitará um eventual acordo.
Um acordo com o Partido Socialista está totalmente fora de questão. O Partido Socialista pensa que ainda compra as pessoas ou pensa que as pessoas do Chega se deixam vender por qualquer cargo aqui ou ali. Nós não somos assim, somos um partido diferente. O PS e o PSD têm que se habituar que o Chega é um partido diferente. Nós chegámos para governar, chegámos para apresentar as nossas propostas. É isso que nós vamos fazer em Faro, como em todo o país.
Mas em todo o país pode haver circunstâncias em que o Chega possa ajudar na governação da cidade. Isso não seria uma ambição do partido?
O Chega é determinante em mais de 40 câmaras do nosso país. Somos nós, os nossos vereadores que foram eleitos no domingo, que fazem essa diferença. E câmaras muito importantes, por exemplo, 11 capitais de distrito. Aveiro, Coimbra, Faro, Beja, Braga, Viseu, Évora, Lisboa, Porto, as duas mais importantes do país, Santarém, Setúbal, Sintra, Vila Nova de Gaia, e podia continuar por aí fora. São mais de 40 autarquias onde o Chega fará a diferença. A pergunta é a seguinte: coligações com o Partido Socialista? Não, está totalmente fora de questão, está totalmente fora de questão desde a primeira hora. Nós não enganamos os portugueses. Nós não queremos o socialismo para nada e, portanto, nunca podemos estar ao lado do Partido Socialista. Depois, coligações com o PSD. Tem que se ver primeiro, mais do que lugares, porque volto a dizer, nós não estamos aqui por lugares. Qual é a política dessa autarquia, dessa Câmara Municipal? Vamos criar um gabinete anti corrupção? Estamos com isso. Não vão se permitir a construção, por exemplo, de mesquitas? Estamos ao lado disso. Vamos controlar a imigração ilegal que existe dentro dos nossos concelhos? Estaremos ao lado disso.
Pedro Pinto, mas também há outras decisões que são tomadas, algumas delas bem mais simples. Vou dar aqui um caso hipotético, se eu me lembrar, a reabilitação de um polidesportivo ou a construção de um polidesportivo pode ser uma proposta que vem da esquerda. O Chega não aprovará essa proposta porque vem da esquerda.
Não é isso. E aliás, está desprovado.
Só para percebermos melhor como é que vai funcionar.
Não, estamos a falar de acordos pós-eleitorais. Estamos a fazer uma coisa diferente, ou seja, nós estamos a falar proposta a proposta.
Aí a abertura será diferente.
Claro, como é lógico. Vou dar o exemplo da Assembleia da República. Nós temos votado muitas vezes ao lado de propostas que vêm da esquerda. Se as propostas forem boas para os portugueses, nós votaremos ao lado dessas propostas. Venha do partido A, B ou C, não nos interessa qual é o partido. Interessa é: é bom para a população, é bom para os munícipes? É isso que nós estamos ao lado e é isso que estaremos a favor. Ou seja, o Chega não será um partido de bloqueio a qualquer tipo de governação que seja boa para as pessoas.
Era isso que lhe ia perguntar, porque ontem a Rita Matias esteve aqui conosco no Explicador e falava de que havia várias situações no país de ingovernabilidade e essa ingovernabilidade passa exatamente por ter o Chega como o fiel da balança ou de desempatar em alguns executivos. Vai haver ingovernabilidade ou vão ajudar o governo da cidade?
Há duas coisas distintas. Em primeiro lugar, nós temos de meter os munícipes. Em segundo lugar, os interesses do partido, que são os menos importantes aqui neste momento. Repare uma coisa, nós dissemos desde a primeira hora, nós vamos estar ao lado das populações. Agora, não vamos entrar numa Câmara Municipal. A Rita Matias, foi isso que ela tentou dizer e tentou explicar, certamente. Porque a questão da ingovernabilidade é dizer assim: o Chega vai agora juntar-se ao Partido Socialista, por exemplo, numa Câmara Municipal, e vamos estar quatro anos a governar essa Câmara Municipal. Aí não contem conosco, é isso que eu estou a dizer. Outra coisa, é proposta a proposta, orçamento a orçamento, para nós vermos o que se pode fazer. É isso que nós defendemos. Nós queremos sempre o bem das populações, o mais importante são realmente as populações, e é nessa questão que nós estamos.
Pedro Pinto, temos uma notícia em destaque no site do Observador dessa tarde, da jornalista Inês André Figueiredo, que dá conta de que o Chega vai criar um grupo de apoio, uma task force para auxiliar os autarcas. Como é que isto vai funcionar? Qual é, no fundo, o objetivo deste grupo?
É isso mesmo, é apoiar os autarcas.
Mas qual é o objetivo? É evitar erros, por exemplo, que aconteceram no passado?
É apoiá-los. Eu creio que todos os partidos políticos têm na sua formação autárquica nacional elementos que fazem esse trabalho, desde juristas a elementos que podem ajudar a todo esse trabalho a ser efetuado, para que os nossos autarcas sejam autarcas de exemplo, autarcas modelo de bons autarcas no nosso país. E é isso que nós temos para os nossos autarcas. É uma equipa que já estava a ser estruturada antes das eleições autárquicas, é uma equipa que está a ser montada agora durante a próxima semana, para que possa ajudar os nossos autarcas.
Estamos a falar de mais de 2000, salvo erro.
É isso que eu ia dizer. O Chega elege praticamente 2000 autarcas. Portanto, existem muitos autarcas, até com pouca experiência a nível político. Deixe-me dizer também que há muitos autarcas já com experiência política. É importante nós dizermos isto também. Há autarcas que já vieram de outros partidos, autarcas que já foram nossos autarcas nos últimos quatro anos. Portanto, passe a expressão, não são todos virgens agora nas autarquias. Já temos muitas pessoas assim. Agora, temos outras pessoas que têm de ser ajudadas. É perfeitamente normal que o Chega elege três presidentes de câmara, é perfeitamente normal que esses presidentes de câmara tenham que ser também apoiados por uma estrutura que o Chega tem.
Pedro Pinto, não resisto a fazer-lhe aqui uma pergunta, uma notícia que saiu há minutos sobre presidenciais. Segundo a Agência Lusa, Carlos César vai propor à Comissão Nacional do PS, que se vai reunir no próximo domingo, o apoio do Partido Socialista a António José Seguro. Merece-lhe algum comentário?
Não, eu creio que não é novidade nenhuma. A única dúvida é se o Partido Socialista apoiaria António José Seguro ou apoiaria, eventualmente, uma candidatura do engenheiro José Sócrates, porque depois de ver o engenheiro José Sócrates com as televisões todas atrás dele no passado domingo, ainda pensei que ele se poderá candidatar a uma Presidência da República.
Não, avança para Seguro.
É perfeitamente normal que o Partido Socialista apoie António José Seguro.
Mas poderá ser um adversário de peso no caso, por exemplo, de uma segunda volta com André Ventura?
É um adversário que nós respeitamos, como todos os adversários que André Ventura tem, como todos os candidatos à Presidência da República.
É alguém da esquerda, já não sei bem qual é a expressão, mas é alguém da esquerda que a direita também gosta, não é?
É alguém da esquerda. O António José Seguro é um socialista e como é um socialista, nós não gostamos muito dos socialistas. Portanto, não contarão muito com o apoio do Chega nem nada disso. Aliás, o Chega tem o seu candidato bem vincado, está anunciado, é o presidente do partido, irá para as eleições presidenciais com toda a força e vai passar certamente a uma segunda volta, que essa é a nossa grande luta e a nossa batalha.
Já agora sobre isso, abriu aqui a porta só para uma última pergunta, que é a sondagem de ontem, a sondagem que foi conhecida ontem na TVI e CNN: Portugal não é muito favorável a André Ventura. O que se terá passado?
Eu confesso, não vi a sondagem, nem sei de que sondagem é que estamos a falar.
Perde sempre em todas as segundas voltas hipotéticas, como é óbvio.
E fica atrás de António José Seguro.
O que nós temos de nos concentrar nas eleições neste momento é na primeira volta. E depois da segunda volta, logo veremos o que é que vai acontecer e quem é que irá à segunda volta. Agora, o importante é a primeira volta. A primeira volta destas eleições presidenciais é fundamental para provar quer a força que o Chega tem, quer o empenho que o Chega tem posto nesta candidatura do presidente André Ventura. E é isso que nos interessa agora.
Por esta sondagem não passaria à segunda volta, porque André Ventura aparece em quarto lugar.
Como disse, não sei que sondagem é essa. Eu recordo também uma sondagem da TVI que me dava 12% na véspera, na véspera das eleições em Faro, nós tivemos 18%. Recordo também uma sondagem da TVI que dava 12% ao Chega antes das eleições de maio e o Chega teve quase 24%. Portanto, as sondagens da TVI valem o que valem, as sondagens valem o que valem. A única grande sondagem é a do povo português. É o povo português que fará a grande sondagem. Ele é soberano e nós respeitamos a soberania do povo português, ao contrário de outros partidos políticos que continuam ainda a tentar agora nos gabinetes, a tentar agora ver contagem de votos, isso tudo. Nós não, nós aceitamos perfeitamente os resultados.
Pedro Pinto, muito obrigado por ter estado aqui neste Explicador da Rádio Observador.
Obrigado.