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É o primeiro Gabinete de Guerra da tarde em direto desta quinta-feira, um mês depois do começo da guerra. E a nossa convidada, a pró-reitora da Universidade de Aveiro para a Inovação Curricular e Internacionalização, Sandra Soares, junta-se ao Bruno Viera Amaral e à Vanessa Cruz.
Sandra Soares é a responsável pelo acolhimento dos estudantes Erasmus. Bem-vinda à Rádio Observador.
Olá, boa tarde. Muito obrigada pelo convite.
A Universidade de Aveiro tem neste momento três alunas ucranianas a frequentar as aulas. Uma delas chegou há poucos dias, vinda de Odessa, uma das cidades mais fustigadas neste conflito. Que acompanhamento tem sido dado a estas alunas por parte da universidade?
Sim, nós temos neste momento três estudantes ucranianas em mobilidade, como disse, e bem, uma delas chegada há pouco tempo. Nós na Universidade de Aveiro temos estruturas de apoio e de acolhimento a toda a nossa comunidade internacional, nomeadamente aos estudantes de mobilidade. E portanto, temos tudo em marcha para que todo o apoio a diferentes níveis possa ser dado a estes estudantes, que têm algumas particularidades e algumas necessidades que são especiais, naturalmente. E estes, em particular, que estão numa situação de muita ansiedade, de muita fragilidade emocional também. E, portanto, esse apoio é absolutamente essencial nesta altura a esses estudantes.
Estas estudantes que estava a referir, uma chegou há pouco tempo, as outras duas estudantes já estavam cá antes do início do conflito?
Isso, precisamente. Nós temos duas estudantes a frequentar os nossos cursos aqui na Universidade de Aveiro, que estão durante todo o ano letivo e por isso já se encontravam na universidade antes do conflito iniciar.
E a ideia é trazer as famílias para Portugal? Existe alguma ideia do que acontecerá nos próximos tempos com estas estudantes?
Nós temos estado em contacto permanente com as estudantes. Elas, de facto, como disse há pouco, estão muito ansiosas e numa situação de alguma fragilidade emocional, em contacto permanente com as famílias, e as indicações que nos têm dado é de que não há essa pretensão de que eles venham para Portugal neste momento. E daí que o contacto seja frequente, seja diário, muitas vezes ao dia. Elas tentam contactar as famílias no sentido de se assegurarem que elas-
Perdemos aqui momentaneamente a ligação com Sandra Soares.
Sim.
Já a temos de novo conosco.
Não sei até onde é que ouviram.
Estava a dizer que as estudantes têm mantido o contacto permanente com a família.
Isso, precisamente. E não temos a indicação daquilo que temos conversado com elas, do contacto que temos tido, de que as famílias pretendam estar em Portugal ou vir para Portugal. Pelo menos para já.
A Sandra Soares sublinhava há pouco, acho que já por duas vezes, essa ansiedade vivida por estas três estudantes ucranianas. Elas estão também a ter algum tipo de apoio psicológico disponibilizado pela universidade?
Nós temos, naturalmente, apoio psicológico disponível para as estudantes. Para já, elas não manifestaram esse interesse, mas nós vamos estando sempre muito atentos e ao mínimo sinal de necessidade de recomendação, faremos esse encaminhamento. Mas para já está controlado.
Relativamente à integração destas estudantes, tem sido fácil, mais até no caso desta última estudante que chegou há pouco tempo. Deixamos agora de--
Sim?
Sim.
Sim. Do contacto que temos tido, o que parece é que se por um lado, e muito satisfeitas por estar em Portugal e Aveiro em particular, por outro têm esta amargura, de saberem que as famílias estão em perigo. Mas estão muito bem integradas e muito agradecidas pelo acolhimento que tem sido proporcionado aqui na Universidade de Aveiro.
Portanto, estão bem integradas dentro do possível.
Isso, precisamente. Sim.
Está previsto que a Universidade de Aveiro receba mais refugiados ucranianos, estudantes. Existe essa possibilidade nos próximos tempos?
Sim, nós estamos associados à plataforma de apoios aos refugiados, Rapid Response Mechanism for Higher Education Emergencies, é o nome da plataforma. Estão a ser alinhavados os formatos em que isso possa acontecer. E portanto, a Universidade de Aveiro já demonstrou essa disponibilidade para acolher estudantes e investigadores que de facto queiram migrar para Portugal e estar aqui conosco na Universidade de Aveiro.
Tem alguma ideia do número de refugiados que já pediram a proteção temporária em Portugal? Quantos serão estudantes do ensino superior em condições de--
Não tenho essa informação, esses dados, mas imagino que seja uma porta importante de entrada em Portugal e a importância, naturalmente, de manter a educação e de manter a investigação ativa por parte destas pessoas é central. Portanto, acredito que esse número venha a crescer nestes próximos tempos.
E a Universidade de Aveiro tem algum tipo de bolsa prevista, nomeadamente, para estes refugiados ucranianos?
No contexto da plataforma, como disse, nessa plataforma de apoio, fundada até pelo nosso presidente, já falecido, Jorge Sampaio, nós temos de facto contemplado a hipótese de haver bolsas associadas a estes estudantes. Portanto, isso sim é possível. Para além disso, existe um contexto também a propósito do estatuto de refugiado, que permite que estes estudantes possam pagar a bolsa do estudante nacional, que é francamente inferior à do estudante internacional, e que possam ter acesso a bolsas de ação social escolar. E, portanto, sim, isso está contemplado.
Sandra Soares, agradeço-lhe ter estado na Rádio Observador. Sandra Soares é a responsável pelo acolhimento dos estudantes Erasmus na Universidade de Aveiro, que, como vimos, está a disponibilizar apoio a três estudantes ucranianas que já estão em Portugal e também tem aqui previstos apoios e até bolsas para estudantes refugiados ucranianos que venham para o país.