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Começa agora o Gabinete de Guerra na Rádio Observador, o espaço onde analisamos os principais focos de conflito. Hoje contamos com a análise de Bernardo Valente, professor de Relações Internacionais na Universidade de Lisboa. Boa noite, Bernardo. Muito obrigada por ter aceitado o nosso convite.

Olá, boa noite.

Boa noite. Vamos começar pelo Médio Oriente e pelo plano de desarmamento do Hamas. Israel já se manifestou, o ministro da Segurança Nacional diz que o projeto de acordo de paz com Gaza é inaceitável para Israel. Entretanto, Donald Trump veio já dizer também que ficará muito desapontado se Israel prejudicar o acordo. No fundo, o que é que podemos esperar deste acordo e que efeito é que poderá vir a ter na Faixa de Gaza?

Há aqui três dimensões, até diria quatro dimensões ou quatro perspetivas. A primeira dimensão, e é uma dimensão puramente analítica, é que este desarmamento do Hamas corresponde à segunda fase dos 20 pontos originais para a paz em Gaza. Portanto, se na primeira fase, que terminou sensivelmente em janeiro, fevereiro deste ano, o objetivo era recuperar todos os cadáveres, porque já se encontravam sem vida os israelitas que estavam em território do Hamas. A verdade é que o que aconteceu foi esse último corpo foi então entregue a Israel, era até de um general que tinha sido morto em combate. E agora temos esta segunda fase, que chega com algum atraso e uma segunda fase que tem cerca de 300 dias para ser concretizada. Portanto, vemos aqui que existe esta ideia de ser algo que vai demorar, um processo que vai demorar a consolidar e por isso também temos aqui um prazo de 300 dias. Esta é a perspetiva mais analítica, que é este ponto da situação, neste momento, vem com algum atraso, mas não deixa de ser o segundo momento daquilo que é o plano de paz ou um plano de cessar-fogo, e um plano de cessar-fogo que agora passará também por dividir Gaza em cerca de 50 pequenas regiões. Gaza já é muito pequenina por natureza, agora será dividida ainda em 50 pequenas regiões e essas 50 pequenas regiões, zonas, se quisermos, serão desmilitarizadas aos poucos pelas IDF, e enquanto são desmilitarizadas, as IDF vão saindo e vai se aplicando uma estrutura de consolidação da paz, que passará por um consenso, por uma força estabilizadora que terá outros cinco países, cinco países também eles de maioria árabe, e em simultâneo, também terá forças palestinianas mais tecnocratas a trabalhar com aquela comissão, aquele conselho de paz do Donald Trump. Esta é a primeira perspetiva analítica. Depois a perspetiva do Hamas. O Hamas esteve durante muito tempo dividido, quando estava mais forte, entre um Hamas político e um Hamas militar. As estruturas estão muito enfraquecidas, principalmente do Hamas militar. O Hamas político continua a ter alguns tecnocratas. Agora poderá haver aqui uma disputa de poder, que é se tivermos uma dádiva de poder, uma concessão de poder realmente a autoridades palestinianas, não à Autoridade Palestiniana, mas a autoridades palestinianas compostas por cidadãos da Palestina, haverá aqui uma dúvida ou uma luta de poder entre os corpos do Hamas, e quando digo corpos, estou a dizer estruturas administrativas do Hamas, as estruturas administrativas da Autoridade Palestiniana, a chamada OLP, e em simultâneo também novos cidadãos independentes que estão espalhados pelo mundo, que fazem parte desta diáspora, que são tecnocratas e tecnocratas de grande competência e que poderão voltar ao seu território para encabeçar esta nova estrutura de consolidação do cessar-fogo. Depois, por outro lado, a perspetiva israelita é talvez aquela que gera aqui mais dúvidas e por isso é que Donald Trump diz que ficará muito desapontado se Israel não cumprir esta parte do acordo. Por quê? Porque do lado israelita, as IDF terão que se retirar, que é um bocadinho o que está a acontecer também no Líbano. Os Estados Unidos estão a encontrar forma de retirar as IDF dos espaços dos proxies iranianos e colocarem-se lá eles, ou seja, as forças norte-americanas, com o apoio de forças de consolidação, sejam dos respetivos governos territoriais, sejam de outras potências externas ou de outros países que queiram participar nessa consolidação. Aqui vai magoar bastante, diria eu, Netanyahu do ponto de vista eleitoral, e temos eleições em breve em Israel, e Netanyahu está longe de ter uma vitória segura e cabal, portanto, vai magoar as intenções eleitorais e não me parece que Netanyahu esteja neste momento muito disponível para retirar as IDF, ou pelo menos se retirar, será uma retirada muito paulatina, por isso é que estão estes 300 dias aqui acautelados, precisamente para que possa retirar aos poucos e se calhar retirar até depois das eleições, dependendo do resultado das eleições. E depois temos a parte norte-americana. Temos Donald Trump a procurar aquilo que no fundo sempre no plano narrativo disse, que é um agente estabilizador, um agente da paz, criou este conselho, esta comissão para a paz, e esta comissão para a paz realmente tem trazido frutos, tanto no início dos 20 pontos para o cessar-fogo, como agora nesta segunda fase, tem trazido frutos à questão de Gaza. É importante dizer aqui que perante o falhanço ou perante a incapacidade, a inoperância das Nações Unidas garantirem um consolidar da paz, uma consolidação do cessar-fogo, este Conselho da Paz tem feito esse trabalho, claro que de forma pouco ortodoxa. E é importante aqui dizermos, e com isto termino relativamente a esta pergunta, Loraine, é importante aqui dizermos também que é verdade que a ONU tem uma legitimidade diferente, porque é todo um aparelho que se foi consolidando, tanto a ONU como as suas agências independentes. Mas este Conselho da Paz, se tiver um ato constitutivo semelhante àquele que é o ato constitutivo da ONU Passa a ter uma legalidade dentro da jurisprudência do direito internacional, equivalente à ONU, depois pode ou não ter os mecanismos e a capacidade de trazer essa paz aos diferentes conflitos. Mas a verdade é que pode existir como órgão independente e que se materializa até no direito constitucional, ou seja, através da resolução de conflitos e a capacidade de resolver conflitos, pode mesmo materializar-se no ponto de vista do direito internacional como uma organização internacional legítima.

No encontro que tiveram esta semana, Donald Trump e Benjamin Netanyahu terão discutido a possibilidade de impor um bloqueio terrestre ao Irão. Isto parece-lhe algo que poderia alguma vez vir a ser viável, tendo em conta, por exemplo, a dimensão do Irão, e de que forma é que isto acontecendo, poderia moldar o conflito?

Creio que aqui o que temos é uma tentativa, perante a regionalização do conflito, de isolar o Irão e isolar o conflito no Irão. O que temos visto ao longo das últimas, principalmente duas semanas, é a ativação dos houthis contra o governo do Iémen, claro, e também contra a Arábia Saudita, que está por trás do governo do Iémen, a apoiar o governo do Iémen do ponto de vista financeiro e armamentista, e os houthis, claro, filiados ao Irão. Temos, por outro lado, também novas tensões no Mar Cáspio e agora até novas tensões no Iraque e a questão do Líbano ainda pendente. Portanto, se o conflito no início era Estados Unidos, Irão e Israel, neste momento é um conflito que se regionalizou. Temos soldados norte-americanos mortos e feridos em território da Jordânia, apesar de ser uma base com concessão norte-americana, e o objetivo é que o Irão não consiga expandir o seu poder, projetar o seu poder e a sua esfera de influência, este é o objetivo deste bloqueio terrestre, para o resto da região. Porque o Irão passou de ser uma grande potência regional, e claro que tem conseguido sobreviver e o objetivo do regime iraniano é sobreviver, mas passou de ser uma grande potência regional com capacidade de projetar o seu poder, espalhar a sua influência através dos seus proxies, praticamente em todo o Médio Oriente, salvo algumas exceções, como por exemplo, a Arábia Saudita, por terem uma rivalidade não só económica, mas também religiosa entre xiitas e sunitas. E agora o Irão, no fundo, deixou de ter essa capacidade e passou a projetar apenas e só o seu poder naquilo que é a sua sobrevivência, e a sua sobrevivência que depende, claro, do controle ou não do Estreito de Ormuz, porque já se percebeu que essa é a grande carta, tanto diplomática como bélica, do Irão neste conflito. E por isso o objetivo, Netanyahu e Donald Trump, percebendo isto, e muito bem do ponto de vista estratégico, apesar de muitos erros que já cometeram até aqui e de isto ter sido quase um suicídio geopolítico ou um suicídio estratégico das linhas de política externa de Donald Trump, esta intervenção, no entanto, agora de forma inteligente, não parece que seja possível ou exequível, porque era preciso ter tropas no terreno e era preciso, portanto, acautelar a possibilidade de perdas que nenhum dos dois, nem Netanyahu, nem Donald Trump, podem neste momento suportar também por questões eleitorais e por uma questão até cultural de ambos os países. Mas o objetivo é precisamente agora que se abrem novas rotas de fluxo energético, por exemplo, o gasoduto Baniyas, que passa pela Síria, que passa pelo Iraque, foi destruído na altura das primeiras intervenções dos Estados Unidos no início deste século no Médio Oriente, está agora a ser recuperado. Temos também o Leste-Oeste, que passa pela costa oposta ao Irão do estreito de Ormuz e que vai desembocar no mar Vermelho e algum vai lá para cima para o canal do Suez. Tudo isto são novas soluções à hegemonia iraniana na região. E o bloqueio terrestre era precisamente para consolidar, para consumar esse mesmo isolamento que o Irão tem, porque tem de um lado os Estados do Golfo e que tem atacado sucessivamente os Estados do Golfo e por isso tem ali inimigos neste momento. Israel e os Estados do Golfo têm que manter relações diplomáticas por conveniência, porque têm um inimigo em comum e os Estados Unidos, claro, têm todo o interesse em expandir a sua esfera de influência no Médio Oriente, como sempre tentaram fazer, e este bloqueio terrestre é mais um dos sintomas desse mesmo objetivo.

Donald Trump hoje contrariou, de certa forma, Volodymyr Zelensky, diz que não autorizou a construção de mísseis Patriot na Ucrânia. Depois da reunião que tiveram os dois líderes esta semana, o presidente ucraniano saiu do encontro a dizer que tinha autorização dos Estados Unidos relativamente a estes mísseis. Em que é que ficamos? Donald Trump voltou atrás ou alguém aqui está a faltar à verdade?

Acho que as duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo. Que Donald Trump voltou atrás e faltou à verdade em simultâneo, porque todos vimos aquele aperto de mão, nem foi agora neste encontro, num encontro há cerca de duas semanas, o original das licenças Patriot para a Ucrânia, em que realmente Donald Trump disse que havia a possibilidade dos ucranianos terem agora uma licença para eles próprios produzirem os Patriots, e disse-o à imprensa. Se ficou consumado no papel ou não, não saberemos. Quando Donald Trump agora vem dizer que afinal não é bem assim, que se calhar a Ucrânia não pode ter os Patriots, é importante dizer que a curto prazo não muda nada. Ou seja, os Patriots passam principalmente por cadeias de produção dos Estados Unidos e o seu processo de assemblage, portanto, o processo de reunião de todas as suas componentes é feito na empresa Lockheed Martin, uma das principais no mercado tecnológico e militar. Mas para além de passar por essas cadeias de produção e essas cadeias de abastecimento norte-americanas, estamos a falar de cerca de 20 componentes, que são aquelas que formam os Patriots, que passam também por outros mercados como a China e até alguns que passam pelo eixo da resistência pelo Médio Oriente Quando se fala da Ucrânia ter falta de interceptores, de precisar dos Patriots para combater as ameaças aéreas russas. Tudo isto é verdade, mas também é, em simultâneo, verdade que a Ucrânia, por esta dispersão dos 20 componentes e pela dificuldade que têm no seu próprio território em fazer a reunião destas peças, por isso é que é feita por uma empresa norte-americana, e mesmo na Ucrânia serão empresas norte-americanas a explorar o negócio dos Patriots, e têm sido assinados vários acordos com várias empresas norte-americanas, precisamente no âmbito desse licenciamento, para que aumentem e acelerem a produção dos Patriots na Ucrânia, através dessas empresas norte-americanas que ficarão a trabalhar em território ucraniano. Mas é importante que se diga que, a curto prazo, não muda muito, porque ao passar por todas essas cadeias de produção e de abastecimento, estamos a falar de Patriots que serão disponibilizados à Ucrânia ou que serão construídos pela Ucrânia e finalizados pela Ucrânia num prazo de um ano ou até talvez mais de um ano. Por isso, ainda há tempo para negociar, porque a produção realmente é lenta e a produção do zero, que é o que a Ucrânia irá começar a fazer, é lenta. Isso é importante que se diga. Agora, do ponto de vista diplomático, pareceu-me fundamental, na altura, ter um alinhamento claro entre os Estados Unidos e a Ucrânia. E no momento em que se percebe que a Ucrânia tem uma capacidade de atacar em profundidade diferente, apesar de falhar nos interceptores ou ter uma escassez de interceptores neste momento, mesmo a nível da batalha aérea, tem conseguido atacar não só os pavilhões da Wildberries, que é a Amazon da Rússia e que tem proximidade com o sistema bancário russo e com o próprio Putin, e por isso essa capacidade é de louvar. Tem tido a capacidade de atacar refinarias e isso parecia estar a mudar a perspectiva até de Donald Trump em relação a Zelensky, em relação ao conflito. Do ponto de vista diplomático, o voltar atrás com a palavra parece-me um revés neste momento e um revés com pouco sentido numa trajetória que até estava a ser linear de aproximação dos Estados Unidos e até de influencers norte-americanos que estavam a ir à Ucrânia e que estavam a aproximar Zelensky do movimento MAGA. Mas diria eu que não é o suficiente para perdermos a esperança de ter Patriots daqui a um ano, um ano e meio, dois anos na Ucrânia, porque, como disse, demoram muito a ser fornecidos, demoram muito a ser produzidos e por isso há tempo também para novas negociações e para perceber então se o que teremos é um licenciamento com outras condições ou se o que teremos é talvez um reforço do PEARL, aquele sistema de preferência que os ucranianos têm sobre os Patriots e algum armamento norte-americano e que tem ajudado bastante o esforço de guerra. Há várias configurações que podem tomar forma ao longo dos próximos meses de negociação.

Donald Trump reiterou hoje que a Rússia e a Ucrânia terão de fazer cedências para chegarem a um acordo para o fim da guerra. Concorda? Acha que para o conflito chegar ao fim, algum dos lados terá mesmo de ceder?

Sem dúvida. Acho que têm os dois lados que ceder em alguma coisa, porque o que temos neste momento é a Rússia com alguma dificuldade sequer de ler a realidade no terreno, a realidade no conflito. Por isso, o que temos são, de forma muito rápida, as zonas contestadas que continuam sem grandes avanços de ambas as partes do ponto de vista terrestre. E depois temos ataques em profundidade da Rússia a Kiev e de Kiev a algumas infraestruturas críticas, algumas infraestruturas decisivas para o aparelho de guerra e para o aparelho energético russo, também esses ataques em profundidade. Este é o ponto da situação. Claro que é sempre difícil dizer isto em termos latos, mas seria um empate técnico ou parecido com um empate técnico neste momento. O que acontece é a Rússia, por ter essa dificuldade em ler a realidade no terreno e porque quer passar uma narrativa diferente para os seus cidadãos, que agora começam a mostrar insatisfação devido, por exemplo, à falta de combustíveis, a Rússia tem tentado passar uma ideia de que não são flexíveis ou que são inflexíveis naquilo que são as cedências relativamente a este conflito. Lavrov encontrou-se com os representantes diplomáticos dos Estados Unidos na semana passada, no âmbito do encontro da ASEAN, a Associação para o Sudeste Asiático, no qual a China também agora tem grande presença. Encontraram-se representantes dos dois países, Lavrov do lado russo e alguns representantes diplomáticos dos Estados Unidos, e percebeu-se que se estavam dispostos a ceder algumas partes em alguns oblasts, pelo menos algumas partes que eram contestadas, por exemplo, há um ano atrás, quando foi discutido em Anchorage o plano russo para o cessar-fogo, agora não estão. Têm uma postura ainda mais inflexível do que já tiveram antes e por isso não se prevê que haja grandes cedências do lado russo nos próximos meses. Por outro lado, a Ucrânia, que estava claramente a vencer, viu-se aqui com um obstáculo, que é uma reconfiguração total do governo e uma reconfiguração total das Forças Armadas, que vai obrigar, mesmo a nível organizacional, a novos processos. E tudo isso acaba por empancar um pouquinho aquilo que era o progresso ucraniano no esforço de guerra e no conflito. E depois, há um problema que me parece evidente e que mais tarde ou mais cedo teremos que falar dele e falar dele seriamente, que é a questão da mobilização. Os russos não têm capacidade de mobilizar mais cidadãos nativos, nacionais, por isso têm ido buscar à África e alguns países africanos já têm apertado as suas fronteiras porque não querem mais cidadãos jovens a sair para o conflito na Rússia, têm ido buscar às suas prisões e têm ido buscar também à América do Sul, ao Brasil e à Colômbia, por exemplo. O contingente brasileiro, e aqui um país irmão e por isso vale a pena falar disso, o contingente de brasileiros que morreu já supera, na estimativa tanto russa como ucraniana, os 1000 soldados neste conflito. Por outro lado, a Ucrânia tem exatamente a mesma dificuldade. Fedorov sai muito agora do governo também devido a isso. O Fedorov, apesar de ter todo aquele plano tecnológico para a guerra, tinha alguma dificuldade com o recrutamento. Sabemos que há pessoas que estão a ser abordadas no meio da rua e quase capturadas, raptadas, para alimentar o esforço de guerra. Sabemos que há a tentativa também da Ucrânia de tentar encontrar outros parceiros para conseguir essa mobilização, principalmente parceiros na Europa, para que consigam encontrar os ucranianos que fugiram do serviço militar obrigatório e que se vieram radicar na Europa para voltarem à Ucrânia. E é assim, claro que cada vez mais a guerra é tecnológica, mas a guerra não se faz sem pessoas e as pessoas vão se perdendo de ambos os lados e vai chegar um momento em que não há mão de obra ou que temos apenas soldados estrangeiros de ambos os lados e militares estrangeiros de ambos os lados. Por isso, mais tarde ou mais cedo, tem que haver concessões, creio eu, de ambas as partes. Agora resta saber se essas concessões pendem mais para um lado e pendem mais para o outro e depois quem é que será o árbitro imparcial, que essa é uma das grandes dificuldades, quem será o árbitro imparcial dessas negociações para que seja um processo justo e que realmente o invasor seja condenado e o invadido consiga prosseguir com a sua consolidação de estruturas democráticas, de estruturas soberanas e também da aproximação às instituições ocidentais.

Chegamos ao final do nosso tempo. Muito obrigada pela sua análise. Bernardo Valente, professor de Relações Internacionais na Universidade de Lisboa. Obrigada.

Obrigado, boa noite.

Fica por aqui esta edição do Gabinete de Guerra. Fica também disponível em podcast.