Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Espaço para discutir os conflitos em curso, com principal incidência na Ucrânia e no Médio Oriente, mais concretamente em Gaza. Estamos no Gabinete de Guerra, eu sou Miguel Cordeiro, vou estar à conversa com Vítor Gabriel Oliveira, secretário-geral da CEDJ Europa. Muito boa tarde, obrigado por estar conosco. Vamos começar com esta informação da última hora, esse ataque lançado pelo Hamas contra Israel. Dois foguetes de longo alcance disparados de Gaza para Israel. O Hamas reivindicou a autoria do ataque, mas de acordo com o exército de Israel, um dos foguetes caiu no mar, na costa de Tel Aviv, o outro nem chegou a passar a fronteira de Israel. Vítor Gabriel Oliveira, o que pretendeu aqui o Hamas fazer? Estamos a falar de um ataque contra Israel falhado.
Antes de mais, obrigado pelo convite à Rádio Observador, mais uma vez. Sobretudo, e como já temos a oportunidade de falar nestes gabinetes de guerra que tenho sido convidado, o Hamas e também o Irão estarão neste momento a tentar sinalizar aquilo que aconteceu, e nomeadamente a morte do líder do Hamas em território iraniano. Aliás, não houve ainda uma resposta do Irão, por isso mesmo, pela pressão que os Estados Unidos estão a fazer para que haja só uma sinalização. Aquilo que o Hamas fez com este ataque das últimas horas foi sinalizar que está, se podemos assim dizer, vivo, e que está na frente de combate, mas como também já referiu, Israel já informou e já referiu que esse ataque não surtiu nenhum efeito. Portanto, é mais uma sinalização. Isso, penso eu.
Olhando aqui para notícias do dia de hoje, há também a informação de fontes iranianas que dizem que só um cessar-fogo pode travar o ataque a Israel, a resposta a Israel. De facto, olhando para o que está em cima da mesa, esse cessar-fogo poderia vir a conter aquilo que é uma resposta de Teerão ao que tem acontecido nas últimas semanas e essa retaliação prometida já há vários dias?
Eu penso que não haverá cessar-fogo. A guerra no Médio Oriente e também na Ucrânia, estes dois conflitos que estamos a analisar hoje, estão muito interligados, porque estão interligados à presença militar e ao apoio militar dos Estados Unidos. E os Estados Unidos até dia 5 de novembro estarão na mesma estratégia, mas como também já tive a oportunidade de referir noutros fóruns, estas duas partes, tanto Israel como a Palestina, e como o Hamas, neste caso, se calhar são as partes que queriam ver o conflito resolvido, mas apenas com ganhos para si próprios. Estão mais interessados os mediadores internacionais em resolver o conflito rapidamente do que propriamente estas duas partes. Por quê? Porque Israel, se vê resolvido e se encontra num acordo de cessar-fogo, provavelmente Netanyahu será levado a tribunal e provavelmente Netanyahu sairá de líder de Israel. E o Hamas também perderá os seus reféns, aquilo que lhe permite neste momento tentar negociar algum acordo internacional. E é a única força, se podemos utilizar essa expressão, o facto de ter reféns para poder continuar a negociar e a sentar-se à mesa das negociações. Claro que o cessar-fogo seria desejável, mas com esta escalada de violência, e nomeadamente, Netanyahu já referiu durante as últimas horas, penso eu durante o dia de ontem, que se o Irão atacar Israel, que terá nova resposta. Portanto, não estamos aqui num clima de baixa de tensão, mas estamos num clima de aumento de tensão e de respostas e de sinalizações, penso eu, até dia 5 de novembro. Depois de 5 de novembro, penso eu também, a partir do momento em que a nova administração tome posse, depois em janeiro, haverá uma mudança da política, quer seja Donald Trump, quer seja Kamala Harris. Claro que se for Donald Trump, haverá uma mudança muito maior, mas mesmo que seja Kamala Harris, nunca gerirá este tipo de conflitos da mesma forma. Tentará implementar um cunho próprio e isso pode modificar aqui estas duas guerras que estão neste momento a acontecer, tanto na Ucrânia como no Médio Oriente.
Sendo que há aqui algo a marcar também o dia de hoje, Putin a receber Mahmoud Abbas, o presidente palestiniano, em Moscovo. Qual a importância também deste encontro nessa altura?
Putin quer dar sinais que está junto dos seus parceiros internacionais, nomeadamente Mahmoud Abbas, e também já teve conversas com o presidente iraniano e com outras geografias que lhe são próximas, para dizer que estão unidos nessa luta que ele entende que é contra o Ocidente. Isso também o ajuda na sua guerra contra a Ucrânia, mas sobretudo recebe Mahmoud Abbas e que ainda consegue influenciar naquela zona do globo. Esta visita surge não a convite de Putin, embora isso seja veiculado nos canais internacionais, mas sobretudo a pedido de Mahmoud Abbas, porque Mahmoud Abbas tenta procurar parceiros a nível internacional para continuar também a sua apologia à escalada de violência nesta região.
No conflito entre Ucrânia e Rússia, continua a ofensiva em curso, que há vários detalhes já também sobre isto no dia de hoje. Kiev garante que não quer anexar território russo, mesmo com as operações militares que estão em curso já há pelo menos uma semana. Diz o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano que, ao contrário da Rússia, a Ucrânia não precisa de propriedades de outras pessoas e diz também o porta-voz da presidência que é apenas uma estratégia para destruir infraestruturas de armamentos da Rússia. Não há aqui a questão de anexar o território de acordo com a Ucrânia, mas há aqui a intenção de levar a guerra para o lado russo
Sim, claro que sim. Há aqui dois pontos muito importantes. Nas últimas horas, Zelensky afirmou que pretende que a Rússia esteja na próxima mesa de negociações nas próximas semanas e que a Rússia seja convidada para essa mesa de negociações. E claro que a Rússia terá muito menos força se tiver acontecimentos de guerra graves em território seu do que se não tiver. Isso é um primeiro ponto. Um segundo ponto é que Vladimir Putin poderia ter uma retórica que muitas vezes é analisada e nunca se sabe quando é que Vladimir Putin está a falar verdade ou está a fazer bluff ou não está, mas isso seria relativamente à invasão ou à agressão de um território que não fosse território russo. Agora, nenhuma potência nuclear, isto é uma verdade quase de La Palisse, nenhuma potência nuclear se deixa invadir porque quer. Portanto, pode invadir outro porque quer, pode não invadir outro porque não quer, mas não se deixa nunca invadir porque quer. Portanto, isso foi uma derrota a nível internacional pro Vladimir Putin que isso tenha acontecido. Aliás, com estes bombardeamentos sobre o hospital perto de Kursk, a Rússia realmente aquilo que está a fazer é bombardear o seu próprio território.
Neste caso, na zona de Sumy, o ataque ao hospital.
Exatamente, na zona de Sumy. Portanto, a Rússia aquilo que está a fazer é bombardear o seu próprio território e a prejudicar os seus próprios cidadãos em território russo. Putin não poderá nunca dizer que previu ou que queria que acontecesse. Aquilo que poderá dizer é em território ucraniano, mas em território russo isso não pode acontecer. Isso é um volte face, isso é um game changer de Zelensky apoiado pelos Estados Unidos. Os Estados Unidos já disseram nas últimas horas, através da sua rede diplomática e através também de fontes do Pentágono, que se a Rússia pensa que Vladimir Putin pensa que isso é uma agressão, então tem que ser também território ucraniano. Portanto, o ataque a Kursk foi coordenado. Aliás, nada se passa sem que seja do conhecimento de Joe Biden, de Antony Blinken e dos serviços americanos. Os serviços americanos estão em força na Ucrânia e nada se passa na Ucrânia e, neste caso, na Rússia, sem que isso seja coordenado com os serviços. Portanto, aquilo que aconteceu foi uma pressão ainda maior dos Estados Unidos sobre a Rússia para que leve a Rússia na mesa das negociações a chegar a um acordo com a Ucrânia, forçar um acordo com a Ucrânia.
De facto, o papel dos Estados Unidos é muito presente nesta situação que nos descreve. A informação de hoje é essa posição mesmo de que se Putin está preocupado com Kursk, então deve deixar a Ucrânia, a posição deixada hoje pelos Estados Unidos da América. Continuam na defesa da Ucrânia os Estados Unidos, mesmo com a campanha a avançar e com eleições à porta, os Estados Unidos continuam focados no que se passa nesta região?
Sim, os Estados Unidos têm um poder militar a nível mundial completamente desmesurado em relação a outras potências mundiais. E tanto no Médio Oriente como na Ucrânia, isso tem se visto. Ou seja, a diplomacia é importante, mas aquilo que podemos
ver é que habitualmente quando vai negociar, anteriormente a esse momento e proativamente, os Estados Unidos realizam manobras militares, ou seja, há sempre uma preparação militar. Antony Blinken vai estar neste momento proximamente no Médio Oriente e aquilo que aconteceu foi que os Estados Unidos, proativamente, antes de Antony Blinken se sentar à mesa das negociações, colocam submarinos, porta-aviões, reforçam frota marítima militar nessa região do globo para que depois, quando Antony Blinken se sentar à mesa das negociações, tenha muito mais peso e muito mais força pra poder negociar. E aquilo que está a acontecer na Ucrânia agora foi que os Estados Unidos, no apoio à Ucrânia, conseguiram equilibrar tanto com o envio de F-16, entre 10 e 12 F-16 e outro tipo de armamento, conseguiram equilibrar e neste momento estão a preparar uma potencial negociação de paz com a Rússia, fazendo incursão no território russo. E sabemos que o território russo tem uma projeção geográfica enorme para ataque, mas também tem uma projeção enorme para defesa. Portanto, se analisarmos a linha e Kursk que fica a cerca de 100 km, nem sequer é ao lado da fronteira, é a cerca de 100 km projetado geograficamente dentro do território russo. Se analisarmos a linha vertical a cerca de 100 km em toda a fronteira ucraniana, estamos a falar que a Rússia teria que deslocar muitos meios que tem na frente de combate para se conseguir proteger nesses cerca de 100 km. E isso é realmente uma vitória pra Zelensky e, neste caso, para os Estados Unidos que o apoiam. A imprensa russa, a imprensa estatal, e vamos falar de um artigo da Agência de Notícias Ria Novosti, tem uma informação contrária àquilo que estamos a falar, daquilo que é o envolvimento dos Estados Unidos neste conflito. Diz a Ria Novosti com base, cita um relatório dos serviços secretos russos, mas estamos aqui, claro, a falar de uma agência estatal da Rússia. Diz esse relatório, de acordo com a Ria Novosti, que as secretas russas detalham que os Estados Unidos da América querem substituir Zelensky por estar a escalar a guerra além da Ucrânia. O que lhe parece esta notícia de um órgão de comunicação social estatal russo a citar o que dizem ser um relatório das secretas russas?
Os serviços de informação são especialistas nisso mesmo. A informação, a gestão de informação e a contrainformação também é uma arma de guerra. Aquilo que a Rússia está a tentar fazer, provavelmente, é plantar essa informação nas agências noticiosas internacionais, no panorama internacional, na diplomacia internacional, para fazer crer a diversos parceiros internacionais que Zelensky pode ser substituído, que Zelensky pode sair mais fragilizado. E eu penso que é isso que está a acontecer. Isso é uma arma de ataque da Rússia, a contrainformação é uma arma conhecida em vários cenários de guerra. E penso que é isso que está a acontecer, mas não mais que isso. Não acredito que haja sequer margem para os Estados Unidos ou para o Ocidente substituir Zelensky diretamente, até porque se o Ocidente defende regimes democráticos e defende eleições livres, nunca poderia substituir Zelensky diretamente. A Ucrânia nunca poderá ir pra eleições num cenário destes de guerra, nem muito menos nos próximos meses. Portanto, acredito que seja mais contrainformação do que uma base real.
Vitor Gabriel Oliveira, secretário-geral da CEDES Europa, muito obrigado por ter estado conosco na Rádio Observador nesta edição de Gabinete de Guerra.
Obrigado eu pelo convite. Obrigado.