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Este é o "Guerra na Terra Santa", é um podcast da Rádio Observador em que falamos sobre as mais recentes notícias do conflito no Médio Oriente. Falamos dessa aprovação, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou a resolução de cessar-fogo imediato para o conflito no Médio Oriente, pede a libertação de todos os reféns. Primeira vez desde o início da guerra que os países que fazem parte do Conselho de Segurança chegam a um acordo sobre as exigências para um plano de cessar-fogo imediato. Bruno, o que foi efetivamente aprovado e qual a importância desta aprovação da resolução?

É muito importante, foi possível ultrapassar o bloqueio. Houve vetos múltiplos, ora dos Estados Unidos, por exemplo, em relação a resoluções russas, ora da Rússia e da China em relação a resoluções americanas. Aqui, no fundo, isto mostra que apesar de tudo, obviamente os membros permanentes têm um papel central, mas nada se aprova sem o seu voto, ou pelo menos nada se aprova contra o seu veto, mas os 10 membros eleitos têm também um protagonismo importante. Portanto, esta resolução foi apresentada pelos 10 membros eleitos, que não são membros permanentes. Foi, aliás, apresentada por Moçambique, que é um membro não permanente por um mandato de dois anos, e uma resolução bastante simples a dizer três coisas em relação às quais há realmente um amplo consenso, que é a necessidade de cessar-fogo, a necessidade de mais ajuda humanitária e a necessidade de libertar todos os reféns. E portanto, foi esta tríplice combinação que até agora nunca tinha acontecido. E também a ausência de qualquer tipo de consideração sobre a origem do conflito, referências ao 7 de outubro ou referências às ações militares de Israel. Portanto, essa questão foi eliminada, ficou só no fundamental e isso permitiu a aprovação quase por unanimidade. Todos os países votaram a favor, embora a Rússia tenha tentado ainda algumas alterações que foram rejeitadas, mas acabou por votar a favor, e os Estados Unidos acabaram por se abster, sinalizando que consideravam que isto era um passo na direção de levar as duas partes a chegar ao acordo necessário para que isto seja implementado, porque obviamente há a questão do cessar-fogo, mas também há a questão da libertação dos reféns e portanto, as duas coisas estão aqui a par. Vamos ver se é isso que acontece. Eu espero que sim, que haja aqui um sinal de pressão crescente, mas é também possível imaginar uma situação em que o Hamas diz: "Nós não libertamos os reféns porque não há cessar-fogo", e Israel diz: "Nós não fazemos cessar-fogo porque não há libertação dos reféns, nem acesso aos reféns". Portanto, vamos ver se tem consequências práticas, mas eu acho que é um sinal forte e também confirma aquilo que temos falado aqui várias vezes ao longo destas últimas semanas, que é sinais crescentes de tensão, distanciamento e crítica dos Estados Unidos face ao atual governo israelita, de impaciência também crescente com a postura do governo israelita. Isso levou, nomeadamente, os Estados Unidos a não vetarem esta resolução e acabarem por se abster, justificando que queriam, por exemplo, uma referência ao 7 de outubro, mas que achavam que no essencial, aquilo que estava merecia acordo das diferentes partes.

Entretanto, há de facto negociações entre Hamas e Israel, precisamente quanto à troca de reféns. Falou-se durante os últimos dias de um entendimento muito próximo, mas hoje o Hamas veio dizer que esse acordo não está tão perto como Israel tem feito parecer. Aqui, de facto, o que importa é chegar a um entendimento, mais do que esse Conselho de Segurança das Nações Unidas, tem a sua importância, mas este entendimento real entre o Hamas e Israel, sim, pode levar a uma nova fase todo este conflito que se prolonga desde há mais de quatro meses.

O grande problema realmente é o entendimento entre as partes e, do meu ponto de vista, realmente é especialmente de sublinhar que, de facto, há intransigência em relação a certos aspetos da parte de Israel. Por exemplo, Israel recusa liminarmente retirar as suas tropas de Gaza. Isso, no fundo, seria quase uma confissão de derrota, que seria o Hamas novamente a controlar o território. Mas o Hamas também tem mostrado uma enorme inflexibilidade e portanto é realmente chocante que, nomeadamente, o movimento que se diz de resistência nacional, que é suposto preocupar-se e até ser o responsável pela administração, pelo governo da Faixa de Gaza, e portanto estes dois milhões de palestinianos, não se importa em prolongar o conflito para procurar mais concessões, sabendo que o preço será pago pela população civil de Gaza em primeiro lugar, significando que os combates não param, que a ajuda humanitária não pode entrar de forma segura e em maior quantidade. Portanto, o Hamas realmente continua a utilizar a população civil como um instrumento de arremesso político contra Israel para procurar maximizar as concessões e as suas vantagens em termos deste acordo. E portanto, como eu digo, espero que esta resolução, que realmente refere esses dois aspetos, e esse era um aspeto em que os Estados Unidos insistiam sempre, não podia simplesmente haver uma exigência de cessar-fogo sem haver, ao mesmo tempo, a exigência da libertação dos reféns civis israelitas. Mas isso não quer dizer que as partes venham a aceitar respeitar esta resolução, que reflete um amplo consenso a nível global sobre a necessidade, de facto, destas coisas acontecerem.

A "Guerra na Terra Santa" é um podcast da Rádio Observador, vai para o ar de segunda a sexta, depois do noticiário das 9:30 da manhã e tem uma nova edição depois das notícias das 16h. Está sempre disponível em podcast. Eu sou o Miguel Cordeiro. Até amanhã.