Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
"Guerra na Terra Santa" é um podcast da Rádio Observador. Em destaque, a situação no Médio Oriente.
Daniela Nunes, o representante da China na ONU considerou o veto dos Estados Unidos ao projeto de resolução proposto no Conselho de Segurança que exigia um cessar-fogo humanitário imediato em Gaza, uma licença para matar. Sabemos que os Estados Unidos estão a preparar uma resolução própria. O que será preciso que essa resolução contemple para que seja efetivamente aprovada?
Eu acho importante, para já, esclarecer qual é o cerne de toda esta questão das resoluções e do veto norte-americano, que é uma coisa a que mais ou menos, e infelizmente, já estamos a ficar habituados. A meu ver, o epicentro da problemática é, obviamente, a libertação dos reféns israelitas, que este texto proposto pela Argélia nesta última resolução vetada pelos Estados Unidos, aparentemente não satisfez na totalidade. E esta é, diria eu, a principal batalha do governo de Netanyahu, não só porque envolve o elemento humano, que obviamente tem um impacto muito forte, mas também porque se trata de um tema muito sensível no que diz respeito ao apoio doméstico, que como sabemos, em Telavive tem vindo a descer a pique, dos cidadãos israelitas para com o governo de Netanyahu. As pessoas já não estão satisfeitas com o rumo que tudo isto tomou desde 7 de outubro, quanto mais do primeiro-ministro se revelar incapaz de trazer de volta à casa as vítimas da loucura do Hamas e que tem sido também, como sabemos, o principal trunfo do grupo terrorista, porque é um trunfo humano. Portanto, eu diria que a proposta dos Estados Unidos vai claramente procurar resolver na totalidade, sem quases, nem sem meias-medidas, a questão dos reféns, no sentido da sua libertação, obviamente. Por outro lado, e isto são boas notícias, também se fala na possibilidade deste novo texto, de autoria norte-americana, propor pela primeira vez um cessar-fogo, utilizando mesmo esta expressão, em vez de uma trégua. E isso são boas notícias por quê? Porque enquanto a trégua significa apenas uma pausa no conflito, o cessar-fogo implicará pôr em marcha um acordo de paz.
Ser algo mais permanente.
Sólida e duradoura, exatamente. Mas isto depois também vai ter um conjunto de contrapartidas, de certeza absoluta. Não é o veto norte-americano, é o veto da China e da Rússia. Portanto, vamos andar aqui num carrossel de propostas, de textos, uns gostam, outros não gostam, uns vetos e de novas propostas. Enfim, um círculo que ao fim e ao cabo, provavelmente não vai resultar nem em cessar-fogo e nem em trégua.
Daniela Nunes, uma última questão. As forças israelitas lançaram um ataque com mísseis contra um bairro em Damasco, na Síria. Pelo menos duas pessoas morreram. Era um bairro que supostamente albergava agências de segurança, quartéis-generais dos serviços secretos e instalações iranianas. O "Times of Israel" avança que este ataque aconteceu a partir dos montes Golã. Qual poderá ser exatamente o objetivo deste ataque?
Eu acho, e começaria por dizer isto mesmo, que há claramente aqui uma dinâmica de grupos a funcionar. Parece-me ser a leitura mais evidente deste ataque. Israel e os Estados Unidos atuam por um lado e o chamado eixo da resistência, do qual fazem parte precisamente a Síria e o Irão, atua por outro. E este ataque mais não é do que uma prova, por um lado, do caráter regional inegável deste conflito, cujas fronteiras, não vale a pena termos ilusões, não se cingem à pequena Faixa de Gaza, e por outro, significa também uma confirmação de que Israel está, como aliás tem estado, a levar mais longe um conjunto de investidas contra a participação indireta do Irão neste conflito. O objetivo principal deste tipo de investidas é quase sempre conter a ameaça nuclear iraniana, que sabemos que o Irão dispõe dela. E por isso, geralmente estes ataques também acontecem em regiões ou em locais onde o Irão concentra instalações ou materiais militares e particularmente materiais ligados ao seu programa nuclear. E fá-lo também, bastante até, em território sírio. Com que objetivo? Evidentemente, com o objetivo de alargar a sua presença e o seu escudo militar, digamos assim, para além das suas fronteiras. E aquilo que vimos hoje com esta investida israelita é uma resposta a esse alargamento. Israel está atento a ele e quer obviamente contê-lo o mais possível e por isso, dizer também que este ataque não é propriamente uma novidade. Já aconteceram dezenas de outros, para não dizer centenas, e portanto, provavelmente vamos continuar a assistir a ações deste gênero em territórios como a Síria, como o Líbano, e portanto, isto também é um sinal de que efetivamente a guerra não está a acontecer apenas naquele retângulozinho pequeno que é a Faixa de Gaza e está perigosamente a alastrar-se para um nível regional, com o risco, obviamente, de atingir o nível global um dia destes.
A "Guerra na Terra Santa" é um podcast da Rádio Observador, vai para o ar de segunda a sexta, depois do noticiário das 9h30 e tem nova edição depois da síntese das 16h30. Está sempre disponível em podcast. Eu sou a Vanessa Cruz.