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Ideias Feitas na Rádio Observador. Bem-vindo, Alberto Gonçalves.
Olá, Ricardo Conceição.
O nome completo para quem nos ouve em podcast também ficar a saber quem é que está a falar.
Exatamente.
Tu fazes alguma ideia do que se está a passar em Espanha?
Eu tento fazer, mas acho que realmente a grande maioria das pessoas não faz muita. E acho que é natural que assim seja, porque quando se trata de política internacional, a dita agenda midiática, não é uma expressão de que eu goste muito, mas sobretudo a agenda midiática das televisões seja dominada por países que nos são geograficamente muito próximos, claro, como os Estados Unidos, e que países mais remotos e mais exóticos como a Espanha não mereçam muita atenção. E então quando a Espanha está como está, nas mãos de um partido ou de um conjunto de partidos de esquerda e de extrema-esquerda, a Espanha ainda fica mais remota e mais exótica. E não é que em Espanha não se passe nada, porque eu próprio faço um ato de contrição aqui no Ideias Feitas, não tenho falado do assunto, mas hoje resolvi falar até para sairmos um bocadinho daqui de Portugal, também faz bem. E Espanha, falando a sério, não fica longe. E assim por alto, temos algumas coisas que estão a acontecer em Espanha, que têm acontecido em Espanha há meses, pelo menos, e algumas delas acontecem há anos. Assim por alto, eu fiz aqui uma lista, temos o caso das máscaras sanitárias, que envolve um ex-ministro que está preso, um assessor desse ex-ministro que também está preso, por receberem comissões milionárias em contratos daquelas máscaras para COVID e outros produtos utilizados na prevenção da COVID. Temos um ex-número três do PSOE, que foi preso preventivamente por receber comissões ilegais em adjudicações de obras públicas. Temos a mulher do próprio senhor Sánchez, que está sob investigação por tráfico de influências e corrupção ligados ao setor privado. Temos o irmão, aqui um padrão qualquer na família do homem, o irmão do senhor Sánchez, que é investigado por tráfico de influências. Temos uma série de casos ligados ao regime do senhor Maduro na Venezuela, com forte protagonismo do senhor Zapatero, que foi presidente do governo espanhol e é uma figura notável do PSOE. Há acusações de que parte do dinheiro das negociatas com a Venezuela seria usado para financiar ilegalmente o PSOE. Há um caso a que eles chamam o Mediador, que diz respeito a uma rede de festas e prostituição que envolve deputados socialistas, nunca mais acaba. Há uma data de casos de assédio sexual dentro do PSOE, com denúncias contra figuras próximas do governo. Há um governo crescentemente alinhado com os inimigos do Ocidente, que além das relações diretas com ditaduras da América Latina, também se especializou em criticar Israel e não dizer absolutamente nada sobre os massacres no Irão. E temos agora, nas últimas semanas, desde o início do ano, uma estranhíssima sucessão de acidentes ferroviários, um deles infelizmente com dezenas de mortos. E temos, claro, a repercussão eleitoral disto tudo com derrotas do PSOE que são brutais, são muito recentes. Primeiro foi na Extremadura, agora em Aragão, e que acho eu que são sinais naturais de um governo que está preso por fios. E perante estas complicações, o que é que faz o governo do senhor Sánchez? Desde logo, apresentou há pouco tempo um plano para legalizar meio milhão de imigrantes que estão em Espanha ilegalmente. Depois passou a propor a proibição do acesso às redes sociais dos menores de 16 anos por causa dos conteúdos de ódio, diz o senhor Sánchez, que ele próprio é um paradigma do amor. E agora esta é a notícia mais fresquinha, foi ela que me motivou a fazer isto. O governo do senhor Sánchez vai tentar acabar com o futebol nos recreios das escolas. Por quê? Porque o futebol é, cito: "Um desporto tóxico, porque é um fator de desigualdade que discrimina as raparigas, porque é violento e porque sem campos da bola pode-se plantar mais árvores no seu lugar, no lugar dos atuais campos." Eu não estou a brincar, isto é mesmo dito por deputados ligados ao PSOE e à coligação de partidos de extrema-esquerda que está em aliança com o PSOE. E é isto. Não tenho provas, não consigo afirmar com certeza absoluta de que as questões ideológicas pesem na atenção que a Espanha merece nos nossos telejornais. Eu vou acreditar que os nossos telejornais dedicam escasso tempo à Espanha por cautela, porque se forem retratar com o mínimo de fidelidade o que acontece aqui do outro lado da fronteira, é muito provável que causem incidentes diplomáticos insanáveis. Eu vou acreditar nisto com muita força e que não se passa absolutamente mais nada. É apenas por diplomacia que a Espanha não existe nos nossos telejornais.
Obrigado, Alberto, e até amanhã com novas ideias feitas.
Até amanhã, Ricardo. Um abraço.
O Ideias Feitas conta com o apoio do azeite Talismã.