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E as feitas desta semana. Ideias Feitas com o Alberto Gonçalves, que quer sempre desfazer essas ideias feitas. Hoje com um olhar para o Bloco de Esquerda, que aposta no regresso dos fundadores para comporem as listas para as legislativas de maio. Mariana Mortágua justifica, Alberto, este regresso com o momento complexo que o partido vive e que deve mobilizar a esquerda. Olá.

Olá, Vanessa. Sim, e há outras justificações, já vamos lá. Antes de mais, bom regresso.

Obrigada.

Em relação ao Bloco, toda a gente sabe que o Bloco de Esquerda sempre foi um partido de jovens e para jovens, um partido progressista, um partido voltado para o futuro. Não admira, por isso, que para incrementar ainda mais o sucesso fulgurante que tem tido nos últimos anos, o Bloco de Esquerda tenha desencaminhado três enormes e joviais vultos do partido, fundadores, como tu disseste, para incluir nas listas das próximas legislativas. Luís Fazenda, Fernando Rosas, Francisco Louçã. Há algumas pessoas, até com menos de 60 anos, que ainda se lembram deles, mas talvez poucas achassem que eles continuavam vivos. Felizmente, não só continuam mais ou menos vivos, como estão dispostos a aderir àquilo que se chama mobilidade geográfica para serem eleitos. Luís Fazenda, eu fui ver, nasceu e viveu, pelo que eu vi, sempre em Lisboa e será candidato por Aveiro. Fernando Rosas, pelo que eu vi, nasceu e viveu sempre em Lisboa, será candidato por Leiria, e Francisco Louçã, que nasceu e viveu sempre em Lisboa, será candidato por Braga. Portanto, o Bloco de Esquerda não alinha naquela história das políticas de proximidade, é mais adepto de uma política que privilegia a distância, e uma distância razoável, entre os cidadãos e os seus representantes. Quanto menos uns conhecerem os outros, e vice-versa, melhor. A verdade é que, caso cheguem ao Parlamento, os doutores Fazenda, Rosas e Louçã já estarão a lucrar em subsídios de deslocação, mesmo que, como acontecia com o secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, as deslocações sejam meramente teóricas. Agora, para o que interessa aqui, a verdade incontestável é que dos três vultos, o mais famoso é sem dúvida o doutor Louçã, que já se multiplica por aí em entrevistas de campanha. Até agora esteve, pelo menos que eu saiba, no programa televisivo do Ricardo Araújo Pereira. O Ricardo, como sabemos, não convida extremistas, exceto os extremistas que ele gosta de convidar. E além disso, também falou ao diário, ao Público, e explicou, aí sim, a razão do regresso à política ativa: "Candidato-me", disse o doutor Louçã, "porque temos um fascista na Casa Branca." Ora bem, segundo os critérios do doutor Louçã, que eu respeito, fascistas na Casa Branca devem ser todos ou quase todos os inquilinos que por lá passaram, desde 1800, quando aquilo foi inaugurado. Mas o ponto a reter é que o doutor Louçã se prepara neste momento para liderar a resistência do mundo livre, incluindo Venezuela e Gaza, ao fascista atual da Casa Branca. E é natural, porque após décadas a defender totalitarismos de toda a ordem, surtidos, diversos, o doutor Louçã alcançou um tal prestígio que já não se satisfaz a defender os interesses aqui da terrinha, de 5% de lisboetas ou de 3% de bracarenses, no caso. A visão dele é internacional, é global e pretende combater o capitalismo na fonte. Finalmente, podemos achar que o senhor Trump tem um adversário à altura. Melhor do que isto, só se o Bloco de Esquerda desenterrasse a própria múmia de Lênin e a pusesse a concorrer por Castelo Branco. Mas já agora deixo aqui a ideia.

Ao Bloco de Esquerda só falta candidatar a múmia de Lênin. É precisamente esse o título que escolheste para o Ideias Feitas de hoje, Alberto. Estás de volta amanhã para mais uma crônica. Encontro marcado. Até amanhã.

Com certeza, Vanessa. Até amanhã.