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Junta-se a nós o Alberto Gonçalves. Boa tarde, Alberto.

Boa tarde, Alberto.

Olá, boa tarde. Boa tarde, Ana Filipe. Boa tarde, Ricardo.

E hoje queres falar sobre um achamento.

É verdade. Eu gostava de começar por um pequeno episódio, uma coisa que aconteceu quando o Dr. Azeredo Lopes era Ministro da Defesa, um episódio de caráter mais pessoal, que eu escrevi na altura, salvo erro, no Diário de Notícias. De passagem, lembrei que o Dr. Azeredo Lopes tinha sido o meu professor de Direito Internacional na faculdade. E lembrei também, apenas porque foi verdade, porque ele durante o ano letivo nunca apareceu às aulas, apareceu mesmo no final e deu-nos um teste praticamente simbólico e acho que toda a gente tirou muito boa nota e ficamos todos muito contentes. Relembrei isto e ele invocou o direito de resposta. Eu julgo que invocou o direito de resposta, pelo menos enviou uma carta para o Diário de Notícias na semana seguinte a acusar-me disto e daquilo e, sobretudo, de pôr em causa o seu caráter, porque ele não tinha podido aparecer nas aulas por qualquer motivo de saúde ou qualquer coisa, que eu não fazia a mínima ideia, mas sobretudo a acusar-me de pôr em causa o seu elevadíssimo caráter. Pois bem, agora parece que continuam a pôr em causa o caráter do Dr. Azeredo Lopes. Hoje, como toda a gente sabe, acabou de ser acusado agora, hoje de manhã foi acusado de quatro crimes. Cito: "Denegação de justiça, prevaricação, abuso de poder e favorecimento." Isto tudo relacionado com o caso de tanques e com o encobrimento e a encenação do achamento das armas roubadas. Que ele chegou a dizer que talvez não tivesse havido roubo nenhum.

E agora o assunto entrou definitivamente na campanha, não é?

Entrou definitivamente na campanha, mas eu já chego lá. Eu só queria dizer que o Dr. Azeredo Lopes tem algum azar. Há pessoas que se acham perseguidas ou que têm mania que são perseguidas. É mesmo perseguido. Até o próprio telemóvel, que é das coisas mais próximas, mais fiéis com que uma pessoa pode contar hoje, aparentemente terá traído, pois há SMS dele, um deputado do PS, Tiago Barbosa Ribeiro, se não estou enganado, a confessar que sabia de tudo e não sei o quê. Portanto, o próprio telemóvel terá enviado essas mensagens sem o consentimento do proprietário, que nega qualquer prevaricação. Entretanto, ele continua a negar. Hoje, após a acusação, diz que é um caso eminentemente político, não tendo quaisquer factos e provas a sustentá-la. E como disseste, Ricardo, o caso parece ter entrado na política, mas é curioso que a grande maioria das pessoas ligadas ao PS, pelo menos, e que são notoriamente simpatizantes do governo e do PS, acham que o caso não tem nada a ver, não pode entrar na campanha, não tem nada a ver com a campanha, é algo que pertence à Justiça e que não se devia abolir nisto. É a reação normal. Ora, se a campanha não passar por aqui, a campanha não passa por coisa nenhuma, porque isto é um facto, e agora sem brincadeira, sem qualquer espécie de ironia, isto é um facto absolutamente grave. Há um ex-ministro, que em funções ministeriais está acusado de quatro crimes e alguém quer acreditar ou quer fazer-nos acreditar que o primeiro-ministro não sabia disto? Eu não queria citar o Dr. Rio, quer dizer, se não sabia, é quase tão grave como se soubesse. Se soubesse, está a participar nestes crimes, como é evidente. E se a campanha não for por aqui, se os partidos que ainda têm alguma esperança ou que nos querem fazer passar a ideia de que fazem oposição, não pegarem nisto, e hoje o Rui Rio pegou nisto e acho que pela primeira vez na campanha disse alguma coisa que fizesse algum sentido ou que possa ter alguma consequência de facto, se não pegarem nisto, não pegam em nada, porque não vale a pena. Este é um caso, eu não diria só que é grave, é das coisas mais espantosas que eu me lembro de ter acontecido num governo em Portugal. É um ministro da Defesa a conspirar com uma ala das Forças Armadas para sabotar o trabalho da Polícia Judiciária. E o primeiro-ministro não sabia disto? E se o primeiro-ministro não sabia, ele não faz a mínima ideia do que os seus ministros, este e outros, andam para aí a fazer? Não sei. Parece-me que se isto não entrar na campanha e não tiver consequências eleitorais de alguma espécie, provavelmente não serão dramáticas ou decisivas, mas se isto não tiver consequências, nada terá consequências neste país.

Vamos aguardar para ver o que responde António Costa. Obrigado, Alberto.

Adeus, até amanhã.

Voltamos a desfazer ideias feitas com Alberto Gonçalves por aqui a esta hora. Amanhã, entretanto, se quiser voltar a ouvir esta edição ou partilhá-la com alguém, basta passar pelo site observador.pt. Para já ouvimos Maira.

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