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Voltamos a Lula da Silva na edição do Ideias Feitas de hoje. Alberto Gonçalves, olá. Queres lembrar os estadistas que inspiraram o presidente do Brasil?

Olá, Vanessa, boa tarde. Sim, vou repetir o tema, mas não vou repetir o conteúdo, porque entretanto ficou-se a saber que além de uma manifestação no dia 25 de abril, em frente à Assembleia da República, de protesto contra a visita de Lula, o que me parece razoável, vai haver também um ato em apoio, é assim que está escrito, ato em apoio a Lula nesse dia 25 e também em frente à Assembleia da República, portanto, vai ser um dia animado, sob o lema "Democracia sempre, fascismo nunca mais". Não é um lema muito original, mas é um lema que parece irônico dado à personagem em causa e o apoio à personagem em causa. Democracia sempre, isto ligado ao senhor Lula, fascismo nunca mais, isto ligado ao senhor Lula. É curioso, porque eu fui aqui recolher uma série de declarações do senhor Lula, já enquanto presidente do Brasil, não neste mandato, mas da primeira vez que foi presidente do Brasil, a partir de 2003. São declarações que estão confirmadas na imprensa brasileira, no Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, Globo, etc. Não são, como se diz agora, fake news, são verdade, e para mostrar às pessoas, que às vezes podem estar mais distraídas, quem é o senhor Lula. O senhor Lula agora está a ser acusado de defender a Rússia na questão da invasão da Ucrânia, mas este apetite, este gosto do senhor Lula por ditaduras, por regimes totalitários e imperialistas, não nasceu agora. É antigo, faz parte da natureza dele, provavelmente, não sei se lhe apareceu na infância, na adolescência, na idade adulta, mas é muito antigo. E vale a pena aqui notar alguns pontos. Por exemplo, em 2003, tinha acabado de ser eleito, o senhor Lula elogiou o ditador egípcio Hosni Mubarak. Em 2004, numa viagem ao Gabão, a propósito do ditador Omar Bongo, o senhor Lula disse, passo a citar: "Fui agora a uma viagem ao Gabão aprender como é que um presidente da República consegue ficar 37 anos no poder e ainda se candidatar à reeleição." Ora bem, sendo um ditador, parece a resposta óbvia. Em 2005, o senhor Lula elogiou, isto não é surpresa, o ditador venezuelano Hugo Chávez e garantiu que há excesso, estou a citar: "Excesso de democracia na Venezuela." Em 2005, já me parece que não havia grande excesso, nem defeito, não havia democracia de todo na Venezuela. Em 2007, o senhor Lula mostrou sentir uma emoção diferente, também cito, ao chegar à Nicarágua do ditador Ortega, e disse: "Aqui estive em 19 de julho de 1980", isto passou-se em 2007, "participando do primeiro aniversário da Revolução Sandinista. Aqui conheci Fidel Castro pela primeira vez." Isto é um motivo de satisfação para o senhor Lula. Em 2007 também, o senhor Lula foi a grande atração da celebração dos 20 anos do golpe militar que empossou o ditador de Burkina Faso, o senhor Campaoré, e foi a vedeta dos festejos, pelos vistos. Em 2008, o senhor Lula, também não é surpresa, confessou-se apaixonado desde sempre pela ditadura cubana e passo a citar outra vez: "Eu sou da geração que é apaixonada pela revolução cubana e eu tenho carinho especial pelo Fidel." Em 2009, o senhor Lula chamou o ditador da Líbia, na altura Muammar Gaddafi, de triste fim, de meu amigo, meu irmão e líder, e acrescentou que não pode haver qualquer preconceito contra ditadores, que são pessoas como as outras, por consistência. Aliás, até morrem como as outras, como foi o caso do senhor Gaddafi. Não morreu exatamente como toda a gente morre, mas morreu. Ainda em 2009, o senhor Lula fez de vendedor da propaganda do Irão, do senhor Ahmadinejad, que o Irão pode ter um papel decisivo, disse ele, não só no Médio Oriente, mas também na Ásia Central. Confiamos na experiência milenar da sua cultura para forjar uma ordem internacional harmônica em sua própria região. Isto sobre o regime dos Aiatolas. Em 2010, o senhor Lula concedeu o Grande Colar da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, que é uma das maiores condecorações que o Brasil, pelos vistos, dispõe, ao ditador da Síria, o senhor al-Assad. Em 2016, o senhor Lula, aquando da morte de Fidel, aqui Lula já não era presidente, mas disse a propósito de Fidel Castro quando morreu: "Morreu ontem o maior de todos os latino-americanos, o comandante-em-chefe da Revolução Cubana, meu amigo e companheiro, Fidel Castro Ruiz." Em 2019, Lula, e aqui voltamos ao tema de partida, já elogiava o ditador russo, o senhor Putin: "Uma coisa de que estou orgulhoso é o papel de Putin na história mundial atual, o que significa que o mundo não pode ser tomado como refém pela política estadunidense." Ora bem, por muito que concordemos ou discordemos das políticas dos Estados Unidos, a verdade é que são uma democracia. Por muito que concordemos ou discordemos das políticas da Rússia, é difícil concordar, porque não são uma democracia, são uma ditadura. Já era uma ditadura em 2019, não deixaram de o ser e o senhor Lula estava com eles. E por fim, em 2021, também como está a fazer agora, o senhor Lula já elogiava a ditadura chinesa e diz que aquilo é um exemplo, porque num regime como os chineses, o governo, disse ele, tem controle e poder de comando. O Brasil não tem isso, nem outros países, infelizmente, pareceu acrescentar ele. Portanto, é desta figura que as nossas principais figuras de Estado, o senhor presidente da República, o senhor presidente da Assembleia da República, o senhor primeiro-ministro, vão receber, e vão receber, com certeza, não apenas como uma formalidade diplomática, que isso poder-se-ia aceitar, como uma obrigação diplomática receber o presidente de um país. Não deveria ser num dia de comemorações especiais e feriado, mas poderia acontecer isso. Agora, eles não vão receber apenas como uma convenção, vão receber o senhor Lula com a efusividade que se adivinha. E o senhor Lula não A propensão ditatorial do senhor Lula, a sua veneração por esta cáfila de assassinos, que é o termo, não nasceu ontem, não nasceu apenas com o senhor Putin, não nasceu apenas com a devoção ao regime chinês. É uma devoção muito antiga que faz parte do senhor Lula. O senhor Lula é uma pessoa que só não conseguiu implantar uma ditadura no Brasil, não conseguiu fazer do Brasil um país à imagem da China, da Rússia, da Nicarágua, de Cuba, do que quisermos, porque não pôde, porque não teve força para isso. Fê-lo em termos de corrupção, não o fez em termos de força física, de força militar, porque não teve, com certeza, um exército que o respeitasse à esse ponto ou que lhe obedecesse a esse ponto. Mas os ímpetos, a vocação que está lá é esta figura que as nossas figuras que representam Portugal, pelo menos estes três senhores que representam Portugal, vão receber com abraços e sorrisos e com todo o carinho disponível, no fundo comprometendo-nos a nós, os cidadãos portugueses, na recepção também muito hospitaleira e mais do que cordial, a esta criatura chamada Lula da Silva, que para além das condenações, para além daquilo tudo em tribunal, é também isto, e é sobretudo isto: é uma figura que é uma das últimas pessoas que nós lembraríamos para representar a democracia a propósito da tal manifestação que vai haver no dia 25 de abril em frente ao Parlamento, e é uma pessoa de quem eu me lembraria, por exemplo, para representar a defesa do fascismo. Podemos chamar-lhe fascismo, comunismo, isso são nuances. A verdade é que tudo que seja regime de opressão, regime ditatorial, são aqueles que o senhor Lula gosta, são aqueles que ele sempre preferiu, e é uma figura destas com quem Portugal se vai comprometer. Para além daquilo dele estar claramente e declaradamente contra a União Europeia nesta questão da Ucrânia, da qual Portugal, que eu saiba, faz parte e, portanto, também está contra nós, contra as políticas, não sei se convictas, se hipócritas, do nosso governo e contra as declarações, não sei se convictas, se hipócritas, do senhor presidente da República. Mas Lula é isto, e é isto que Portugal vai abraçar no dia 25 de abril.

E por isso concluis, Alberto Gonçalves, que o fascista é ele, Lula da Silva.

Pois é o que parece.

Quem não ouviu o "Ideias Feitas" desde o início, vai encontrar este título, "Lula, o fascista é ele." A crônica do Alberto Gonçalves, que está de volta amanhã. Até amanhã, Alberto.

Até amanhã, Vanessa.