Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
E junta-se agora a nós, como é hábito a esta hora, o comentador do Observador, Alberto Gonçalves. Alberto, muito boa tarde.
Olá, boa tarde.
Olá, boa tarde, Alberto Gonçalves. E hoje o Alberto Gonçalves quer desfazer ideias feitas sobre o homicídio de Ihor Homenyuk pelo Estado português em março. Se calhar é melhor começarmos por explicar quem é exatamente este cidadão ucraniano.
O cidadão ucraniano, o senhor Ihor Homenyuk, foi morto, se as pessoas se lembram, talvez não se lembrem, porque a notícia existiu, mas passou rapidamente. Foi morto em março por polícias do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras no aeroporto de Lisboa e foi morto após ter sido torturado, ao que parece, durante horas e espancado, etc. E acabou por morrer. Gostaria de lembrar este caso por causa da morte também do senhor George Floyd em Minneapolis, que é uma morte de quem toda a gente fala, uma morte absolutamente horrível, escusada, etc. Seria redundante estar aqui a classificá-la. Mas é uma morte que para todos os efeitos aconteceu por culpa de um polícia, no mínimo, com um excesso de zelo imenso e no máximo, provavelmente, por racismo. Mas aconteceu a 6 mil quilômetros daqui e agora em Portugal parece que se vai, não sei se já houve um voto de pesar na Assembleia da República ou foi proposto um voto de pesar na Assembleia da República pela morte do senhor George Floyd. Nada contra. E parece que vai haver também uma manifestação de uma Frente Unitària Antifascista em frente à Embaixada dos Estados Unidos em Lisboa, na próxima sexta-feira, salvo erro. Portanto, haverá uma série de ações a propósito da morte do senhor George Floyd e que, em princípio, esta questão da Frente Unitària Antifascista, eu ia dizer que não tinha nada a obstar, mas estranho que esta frente unitária não costume protestar em frente a embaixadas de países com regimes obviamente fascistas, como a Venezuela, por exemplo. Mas é uma seletividade. O problema é que esta seletividade se alarga também a estas duas mortes de que estou a falar, porque quando morreu este cidadão ucraniano e foi morto por polícia, e foi morto por polícias ao serviço do Estado português, estamos a falar aqui em Lisboa, não houve indignação praticamente nenhuma. Houve um queixume aqui ou ali, um pedido de esclarecimentos ao ministro da Administração Interna, que disse que se ia resolver tudo. Acho que não se resolveu nada, como de costume. E o caso ficou por aí, nunca mais foi falado. Não houve multidões nas ruas de Lisboa ou do Porto a protestar. Acho que não houve votos de pesar no Parlamento, não houve nada. E esse cidadão morreu. Lá está, como nos Estados Unidos se personaliza no senhor Trump a morte ou o racismo das autoridades policiais, também se podia personalizar aqui, por exemplo, no doutor António Costa, o racismo ou a xenofobia, talvez seja mais adequado o termo, no caso da morte deste cidadão ucraniano, que eu não estou a repetir o nome porque, de facto, é deliberadamente, porque também ninguém soube o nome dele. Toda a gente sabe o nome do senhor George Floyd, ninguém sabe o nome de uma pessoa, de um ser humano, igualmente um ser humano que morreu aqui dentro e por responsabilidade última do nosso governo, se quisermos interpretar assim, porque se o senhor Trump tem culpa destes excessos e destas atrocidades que acontecem no país dele, presumo que o nosso governo e o chefe do nosso governo tenha a mesma responsabilidade, exatamente a mesma, pelas atrocidades que acontecem no nosso país. Infelizmente, isto mostra que como o cidadão ucraniano não motivaria nenhuma ilação, provavelmente uma ilação de racismo, e não interessa a estas forças que estão a criticar o senhor Trump, criticar o doutor Costa, no caso, aquilo passou totalmente impune e de forma muito discreta. Isto além de ser um insulto para o Estado português e para um Estado que se quereria de direito e para o senhor que morreu, também é um insulto para o senhor que morreu em Minneapolis, porque isto mostra que o George Floyd é absolutamente irrelevante, é apenas um pretexto. Isso, no fundo, é a pior forma ou a melhor, como quisermos encarar, de desrespeitar a memória dele e daquilo para que ele morreu. Se aquilo terá alguma função é de que os Estados Unidos têm que rever e é uma coisa lá deles, têm que rever a forma de alguns polícias, certamente, de lidarem com os cidadãos. No caso de raça negra, haverá noutras cidades uma questão com os cidadãos hispânicos e noutras cidades com cidadãos brancos de origens mais humildes ou mais destituídos ou mais desafortunados. Mas isso é uma questão que por muito que nos indigne e as televisões parece que estão sempre a passar. Eu ainda não vi as imagens, não quero ver, não gosto de ver imagens de pessoas a ser maltratadas e muito menos mortas. Mas por muito que nos indigne, é uma coisa que em termos de sistema, de regime, é americana, pertence aos Estados Unidos. Era importante ver que os portugueses se preocupam com os horrores e as atrocidades que acontecem também em Portugal. E portanto, aqui há dois meses e pouco, aconteceu uma com este cidadão ucraniano, cujo nome convinha que as pessoas soubessem.
E o nome deste cidadão é Ihor Homenyuk, este homem que foi morto em março. Obrigado ao Alberto Gonçalves. Alberto Gonçalves hoje a desfazer ideias feitas sobre este caso que levou também à detenção, na altura, de três inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras suspeitos de homicídio. Perante os indícios apresentados pelo Ministério Público, foi na altura decretada a prisão preventiva domiciliária a propósito da morte deste cidadão ucraniano, violentamente agredido no passado dia 12 de março, nas instalações do SEF, no aeroporto de Lisboa.
Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto