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Ideias Feitas na Rádio Observador com Alberto Gonçalves. Olá, Alberto, bem-vindo.

Olá, Ricardo. Obrigado.

E hoje queres falar sobre o acordo Irão-Estados Unidos, ou pelo menos deverá haver um acordo. Visto que nos tempos que correm nunca se sabe bem como é que o dia vai acabar.

Às vezes nem a hora, sequer, quanto mais o dia. Desde logo, Ricardo, é impossível ou no mínimo é muito difícil encontrar alguma coerência no que o Trump diz. E nem sempre é possível encontrar também alguma coerência no que o Trump faz, embora haja uma distância entre uma coisa e outra. O que ele diz é uma coisa, o que ele faz é outra. Não é exatamente a mesma coisa, mas estar à procura de coerência nas declarações e nos escritos nas redes sociais do senhor Trump é complicado, é uma tarefa inglória. E também é impossível, obviamente, confiar no que quer que seja proveniente do regime iraniano, que além de ser uma instituição sanguinária, estou a falar do regime, não do país, naturalmente. Mas além disso, é igualmente dissimulado em quaisquer questões de diplomacia, se é que se pode chamar diplomacia àquilo que o regime iraniano pratica nas relações com outros Estados. E por fim, ou em terceiro lugar, é impossível prever o que pode acontecer, como tu estavas a sugerir, ao dito acordo ou anunciado acordo entre os Estados Unidos e o Irão nos próximos tempos, durante os meses em que os pormenores, pelos vistos, estarão a ser negociados. Primeiro anuncia-se o acordo e as negociações virão depois, o que desde logo não é muito promissor para o sucesso do acordo. E depois, mesmo terminadas as negociações, imaginemos que elas correm bem e que o acordo desemboque em múltiplos acordos. Mesmo assim, há muitos imponderáveis, há demasiados fatores imponderáveis que colocam o acordo, o dito acordo em risco, há desentendimentos mútuos, eventuais ataques, contra-ataques. Essas coisas têm acontecido nos últimos meses. As habituais e mais do que expectáveis violações dos compromissos que sejam cometidas pelo Irão, não seria nada de novo. A necessidade de Israel não abdicar de se defender dos proxies do terrorismo iraniano, o que pode também abalar a solidez do acordo, etc. Um longo etc. Agora, mas, e há aqui um mas, mesmo que não se deposite ou não deposite excessiva fé no sucesso do acordo, se o acordo alcançado consistir em boa parte daquilo do que está a ser anunciado, eu acho que será desde logo um mau acordo. É um acordo que permite, entre muitas outras coisas não propriamente agradáveis, permite desde logo a sobrevivência do regime iraniano, a hipótese de recuperar, mesmo que demore, a recuperar a economia de guerra e a permissão, ao fim e ao cabo, para continuar a cometer massacres sobre os seus cidadãos e continuar a financiar o terrorismo internacional. Apesar de tudo, talvez este é o lado menos mau, pelo menos daquilo que tem sido anunciado sobre o acordo. Talvez não seja um acordo tão deplorável, para usar uma palavra que não é muito alheia a este contexto, tão deplorável quanto o estabelecido na época de Obama, em 2015, salvo erro. Pelo menos agora, as capacidades militares do Irão foram severamente prejudicadas, no mínimo. Mas isso também não é um grande consolo. Em qualquer dos casos, eu repito que se calhar não vale a pena valorizar em demasia o acordo, dado que não parece que o Irão alguma vez respeite os respetivos termos, a menos que os termos lhe sejam ainda mais favoráveis do que aquilo que parece. E dado que as filiais terroristas não deixarão de cumprir os fundamentos da sua existência, elas definem-se por isso, que é tentar eliminar Israel, e Israel terá de se defender, naturalmente, e reagir independentemente dos pressupostos do acordo e da vontade do senhor Trump. Israel não pode estar dependente dos desejos dos Estados Unidos ou dos apetites do presidente atual dos Estados Unidos. Dito isto tudo, não é que seja surpreendente, mas é interessante ver a esmagadora maioria do nosso comentariado televisivo felicíssima por poder afirmar que o acordo é uma humilhação para os Estados Unidos e uma vitória inequívoca do Irão. Já se sabia que o tal comentariado, estou a falar aqui da maioria, há exceções, felizmente, mas a maioria desse comentariado tem sido desde o princípio, e sem disfarçar nadinha, tem sido favorável a um regime criminoso e tem sido contrário a uma potência democrática e que é nossa aliada, portanto, não há novidades nesta reação. E não havendo novidades, também não espanta ninguém que o comentariado finja criticar as condições do acordo, um acordo humilhante para os Estados Unidos, é um enxovalho, é uma derrota óbvia, mas de facto está deliciado por presumir que o acordo vai implicar os resultados que o comentariado sempre desejou. O comentariado genuinamente acredita que o acordo será aplicado, acho que não coloca dúvidas pelos exemplos que eu vi, e francamente gosta das suas consequências ou das previsíveis consequências, caso o acordo seja aplicado e corra tudo conforme previsto. É por isso que o comentariado é por estas e por outras, não só por estas, que o comentariado até pode um dia vir a ter alguma razão, mas nunca terá nenhuma legitimidade. Aqui o erro de Trump, isto agora para concluir, Ricardo, o erro de Trump não foi começar uma guerra que se tivesse sido levada ou se ainda for levada às últimas consequências, não sabemos. Uma guerra que poderia erradicar uma das principais, senão uma principal fonte de desestabilização do mundo atual. O erro de Trump é, salvo novos desenvolvimentos, é interromper a guerra a meio, deixar as coisas assim penduradas, e é uma interrupção que se se confirmarem os piores receios, se tudo correr pelo pior, pode ser bastante perigosa, não apenas para o Médio Oriente. É por isso que o acordo, se um dia chegar a ser implementado, é uma péssima notícia para todos nós e um motivo de celebração para aqueles que no meio de nós são claramente contra nós. Eles não se movem apenas pela aversão a Trump ou ao primeiro-ministro de Israel, o senhor Benjamin Netanyahu. Não é apenas isso, não é sequer os velhos ódios à América e a Israel. A esmagadora maioria do comentariado nacional, e infelizmente não só nacional, mas aqui isto é muito presente, a esmagadora maioria desse comentariado, dizia eu, detesta o Ocidente em peso. É uma opção que têm todo o direito de a tomar, mas não é uma opção que eu seja obrigado a respeitar. E dito isto, até amanhã, Ricardo. Um grande abraço.

Até amanhã, Alberto. Agora mudamos a agulha para o minuto 90. Minuto 90, acompanhamos o final do jogo entre Espanha e Cabo Verde. Estamos em direto de Santos com o Diogo Varela, que está no meio de um mar de camisolas azuis entre adeptos de Cabo Verde. O jogo está a terminar, a esperança não, Diogo. Espanha mandou entrar a cavalaria para tentar marcar um gol, mas para já mantém-se 0 x 0, um grande resultado para Cabo Verde.

Sim, entrou a estrela da companhia, Lamine Yamal, ele que vinha de problemas físicos, foi lançado a partir do banco, mas mais do que do outro lado, do lado espanhol, Ricardo, é um ambiente sensacional e eu até já estou a ficar arrepiado. Como tu bem sabes, eu sou muito dado ao esporte. Numa altura em que Cabo Verde vai para o ataque, vamos ver se vamos ter gol cabo-verdiano, porque há esta aproximação, mas o remate vai para fora. É uma boa tentativa, uma das raras tentativas cabo-verdianas, mas como te ia a dizer, Ricardo, eu sou muito dado ao desporto aí na Rádio Observador, como tu bem sabes, estou habituado a ir a muitos jogos, a muitos relatos, mas isto hoje é uma adrenalina diferente, é também uma experiência diferente, porque há aqui todo o povo, toda uma comunidade que está a viver isto pela primeira vez e é um ambiente inacreditável, com as pessoas a cantar, a saltar, há pessoas de todas as idades, desde os mais graúdos às crianças, aos bebés, vestidos com a camisola de Cabo Verde, com a bandeira do país. E agora um canto a favor de Cabo Verde, o canto para a grande área e tiro de cabeça, amarra. Amarra o guarda-rede espanhol. Bem, Cabo Verde esteve tão perto, Ricardo, do sonho ainda maior, o empate já seria algo histórico. Obviamente, estamos a falar de uma seleção que está aqui pela primeira vez de sempre num campeonato do mundo. Vamos tentar perceber, Ricardo, quanto tempo extra.

Exatamente. Cinco minutos, Diogo.

Cinco minutos. Eu creio que é audível, é um barulho ensurdecedor aqui. Eu posso dizer-te, Ricardo e a todos que nos ouvem, são centenas de pessoas. Há vontade, mais de 400 pessoas aqui, atrevo-me a dizer, meio milhar de cabo-verdianos vestidos de azul, é de facto ovacionado.

No jogo, Diogo, sinal mais para Vozinha, o guarda-redes de Cabo Verde.

Tal e qual. Tem 40 anos, Ricardo.

Exato, está a fazer uma exibição daquelas para guardar.

O guarda-redes que no bilhete de identidade traz o nome Josimar Dias, mais conhecido por Vozinha, atua cá em Portugal, em Trás-os-Montes, no grupo desportivo de Chaves, e está a ser um herói, um herói nacional cabo-verdiano. Ele tem travado tudo e mais alguma coisa. É um guarda-redes que já está com 40 anos, Ricardo, o que só comprova que a idade é meramente um número e vai sendo o guarda-redes, o talismã desta equipa dos Tubarões Azuis. Tentava agora Espanha, um remate, mas não consegue e nova esperança para Cabo Verde. Há contra-ataque. Cabo Verde vem com muitos. O passe, mas já não entra. Corta a seleção espanhola e é de facto um ambiente inenarrável, Ricardo. Cada vez mais pessoas a chegarem aqui ao Cais da Viscondessa, nesta iniciativa da própria Embaixada de Cabo Verde em Portugal, que abriu aqui este espaço a toda a comunidade cabo-verdiana que resida mais particularmente nesta zona de Lisboa, mas acredito que existam muitos cabo-verdianos que também tinham vindo de outras partes do país até aqui a esta zona, está tudo de pé, já ninguém consegue estar sentado com bandeiras ao alto, a vestir as bandeiras. É impressionante, Ricardo.

Vai ser necessário aguentar até o fim. Ainda faltam cerca de três minutos para o fim deste jogo e os números deste jogo dão conta da diferença entre as duas equipas. Por exemplo, já sabemos que Espanha gosta muito de ter a bola, mas 74% de posse de bola para Espanha, 26%, 22 remates de Espanha contra cinco remates de Cabo Verde. Ainda assim, a equipa está a defender, mas está a dar boa nota com as estrelas espanholas já todas em campo, com os nervos, notam-se os nervos nos semblantes dos jogadores espanhóis e também da equipa técnica.

É uma tremenda desilusão do lado espanhol, não o podemos esconder, Ricardo. Uma seleção que já foi campeã do mundo em 2010 e que é uma crônica candidata a conquistar esta competição. Perante o estreante Cabo Verde, primeira vez de sempre a pisar este palco e logo frente a uma favorita, uma candidata, está a conseguir um resultado impressionante. Eu ao longo dos pontos de reportagem que tenho vindo a fazer e as conversas que tive com muitos cabo-verdianos aqui presentes, eles diziam: "O empate para nós é uma vitória, nós assinamos já por baixo." E há um ataque agora para Cabo Verde. Vamos ver se vai dar gol. Cabo Verde ao lado. O remate ao lado da baliza espanhola, mas há muita esperança por aqui, é impressionante. Nós a falar de um possível empate, Ricardo, mas este povo cabo-verdiano até sonha com mais, ambiciona eventualmente chegar à vitória. Já estamos no último minuto. Falta um minuto para acabar nos Estados Unidos este embate entre Espanha e Cabo Verde. Cabo Verde que hoje, além de fazer a estreia absoluta, Ricardo, também se tornou o país mais pequeno em área de toda a história dos Mundiais. Não é o que tem menor população, porque Curaçao, a ilha de Curaçao nas Caraíbas, bateu esse recorde, são 150 mil habitantes, mas Cabo Verde tem cerca de 500 mil habitantes, meio milhão de pessoas. É o segundo país em habitantes e o menor em área a chegar a um campeonato do mundo.

Está quase, Diogo. Agora um canto. Eu estou um pouco mais à frente, um canto para Espanha, mas está mesmo quase a acabar

Pronto, aqui tem esse ligeiro atraso, ainda faltam 20 segundos ao tal canto para a Espanha, mas já só se ouve olé, olé, olé. O canto batido! Vai ao lado. Foi ao lado e que festa! Parece que foi o golo de Cabo Verde, como celebram os cabo-verdianos, tudo em festa, tudo aos saltos. Eu creio que, Ricardo, hoje ninguém vai dormir. Vai haver festa rija aqui. E acaba! É histórico, Cabo Verde consegue o primeiro ponto de sempre, à primeira participação no Campeonato do Mundo e logo frente à superpoderosa Espanha. É um momento inacreditável, Ricardo. É uma das primeiras grandes surpresas desta edição do Campeonato do Mundo e eu acho que é audível a festa aqui, é tremendo.

E há razões para festejar. Realmente é um grande resultado para a seleção cabo-verdiana.

Incrível.

Agora imagina se têm ganho.

Eu não sei como é que vai ser a festa por aqui, mas do que já vejo, Ricardo, é o tal oceano dos Tubarões Azuis, como são alcunhados, todos pintados de azul, quer na cor principal da bandeira, quer também nos equipamentos. E agora é aquela festa típica africana, Ricardo, já com músicas cabo-verdianas e o povo todo a saltar de um lado para o outro, aquelas danças muito características do povo africano, com muita festa, muita alegria. E este também é o lado bonito que vai a extra futebol. É toda uma nação, Ricardo, que está aqui a vibrar com o primeiro ponto de sempre num Campeonato do Mundo. É impressionante.

Diogo, olhando para o jogo, vamos aqui fazer um resumo rápido, de como foi a final deste jogo.

Vamos a isso. Como tu disseste, a estatística é toda do lado espanhol e não seria de esperar outra coisa. Mais remates, mais posse de bola, mais tentativas de ataque, mas do outro lado esteve a barreira, Vozinha, o guarda-redes cabo-verdiano, que foi uma parede intransponível, bloqueou tudo o que Espanha tentou e não tentou. E agora há festa cabo-verdiana por aqui. O que fica deste jogo também, Ricardo, é esse primeiro ponto histórico para uma seleção que, pela primeira vez, chegou a este patamar, encontrou logo uma das melhores seleções do mundo e conseguiu já um primeiro empate. Abre-se até uma possível esperança para Cabo Verde ainda chegar à próxima fase num grupo bastante complicado, mas também possível.

Deixa-me só dar aqui conta, Diogo, da Vozinha estar muito comovido, a ser saudado por toda a equipa.

É lágrimas.

Está no centro do terreno ainda a ser saudado pelos colegas e pela equipa técnica. Muito comovido e tem razões para isso.

Deixa-me aqui falar, Ricardo, tem aqui alguns adeptos.

Avança.

Eu vejo-o quase em lágrimas. Diga-me o que é que sente.

Estou em lágrimas. Meu nome é João Silva, todo o mundo conhece por Jonça. Eu hoje ganhei o dia. Hoje sou cabo-verdiano, se calhar, como muitos outros, somos todos muito felizes. Obrigado, Tubarões Azuis, obrigado do coração. Hoje mostramos ao mundo que somos um pequeno país, mas com potencialidades enormes.

Esta festa hoje é até que horas?

A festa hoje vai demorar até onde Deus deixar. Hoje o céu é nosso, o céu é o limite. Viva Cabo Verde! Estamos lá em cima hoje, como dizemos em crioulo: Cabo Verde, "ríbara". "Nubai", Cabo Verde.

"Nubai", obrigado. Ricardo, aqui claramente um testemunho muito emocionado, um adepto em lágrimas e que, como foi audível, a festa vai ser rija, como de resto também já está a ser. A coluna de som já está no máximo e é um mar azul imenso, como ouvimos, Ricardo, o céu é mesmo o limite para Cabo Verde.

Empate a zero frente a Espanha. E eu, Varela, já vamos regressar aí a Santos, em Lisboa, onde está concentrada essa falange de apoio cabo-verdiana no Jornal das 7, já a seguir.

O Bom, o Mau e o Vilão, da Rádio Observador.

Até ao meio-dia é possível, não é? Depois à tarde é sempre tarde.

Eu estava a comer bem. E, Paulo, tu não és daquelas pessoas que quando uma pessoa chega e diz bom dia, diz: "Ah, por acaso já é boa tarde?"

A contilância, ironia e, quando é preciso, alguma acidez.

Há coisas que surgem e nós não sabemos o que havemos de dizer. Não temos uma opinião, não pensámos sobre o assunto, não temos nada para dizer. Acontece, eu empatizo. Quando falo, como acontece aqui, é porque tenho coisas incríveis para dizer.

Ninguém é poupado ao rigor da opinião. O Bom, o Mau e o Vilão, de segunda a sexta, às 20h20, nas manhãs 360 da Rádio Observador e sempre em podcast.

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Reza a lenda que em 66 os jogadores comeram bacalhau antes de todos os jogos, menos antes do fatídico contra a Inglaterra. E em 2016, um jogador tinha a barriga cheia de bacalhau quando nos encheu de orgulho. Chegou o bacalhau da sorte, um bacalhau para todos comermos antes de Portugal jogar, para dar sorte e alimentar a fome de vencer. Disponível e pronto a comer na cozinha Continente. Continente, parceiro alimentar das nossas seleções. Compraste um carro?

Ainda não, mas de 18 a 21 de junho vou tratar disso.

Chegaram os Caetano Car Days ao Centro de Congressos de Lisboa. Mais de 200 carros seminovos, Nissan e Hyundai, com descontos até 5.000 € e oportunidades únicas durante quatro dias. Entrada e estacionamento gratuitos. Caetano Car Days. Dias destes não se repetem.

Rádio Observador, são 7h02. Entramos um pouco mais atrasados porque estivemos a festejar