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Ideias Feitas com Alberto Gonçalves. Olá, Alberto, bem-vindo.

Olá, Ricardo. Boa tarde.

Já são quase 19h, acho que ia bem uma Cuba Libre agora.

Não, você está falando disso porque isto prende-se obviamente com o tema do Ideias Feitas pelo PCP.

Exato, é uma forma de lançar.

Sim, é uma transição, um lançamento. O PCP publicou nas suas redes sociais, não sei se mais em algum sítio, um pequeno comunicado, uma informação a dizer que o eurodeputado do PCP, o João Oliveira, vou citar: "Participou hoje numa ação fotográfica de solidariedade com Cuba, de exigência do fim do criminoso bloqueio imposto pelos Estados Unidos e da denúncia da escalada da questão dos Estados Unidos contra Cuba, procurando impedir o fornecimento de combustíveis, agravando o bloqueio econômico, financeiro e comercial que impõe há mais de seis décadas." E depois coloca como hashtag várias coisas, mas uma delas é Cuba Libre, o que no contexto dá um toque engraçado e também tragicamente irônico, sobretudo para as pessoas que lá moram. E esta solidariedade dos comunistas portugueses, europeus e de toda a parte para com Cuba é tão velha quanto o regime. Eu não sou tão velho quanto o regime castrista, mas desde que existo que me lembro de duas lengalengas recorrentes acerca de Cuba, cada uma usada conforme dava mais jeito. Uma das lengalengas é a de que Cuba tem um dos melhores sistemas de saúde e de formação pessoal clínico do mundo e que o povo, também por causa disso, vive numa felicidade permanente. A outra lengalenga é a de que Cuba é muito pobre por causa exclusivamente do embargo econômico dos Estados Unidos. Desde logo, em primeiro lugar, é curioso que um país que sofre os horrores de um embargo tão severo, tão cruel, consiga formar médicos tão extraordinários e manter a população tão satisfeita e assegurar um sistema de saúde público tão exemplar para o mundo. Em segundo lugar, é ainda mais curioso que depois de décadas a jogar a carta do embargo, a invocar o embargo para justificar a miséria local, agora estejamos numa fase em que se fala do embargo de Trump para justificar o colapso iminente daquilo tudo. E fora do realismo mágico que costuma caracterizar a história recente da América Latina, a verdade é que Cuba não é pobre por causa de nenhum embargo. Os impedimentos impostos pelos Estados Unidos foram sempre contornados por quem quis. Cuba é pobre porque vive sob um regime comunista, com tudo o que isso implica, para ser benigno, em matéria de centralismo e de falta de liberdade econômica, para ir mais direto ao assunto, para não falar do respeito nulo pelos direitos humanos, por todos os horrores que têm acontecido lá nestas décadas, que já leva aquele regime. Enquanto existia a União Soviética, claro, e os países de Pacto de Varsóvia, Cuba sobrevivia, ou melhor, a oligarquia local vivia à grande graças aos patrocínios do leste europeu. E para o povo sobrava algumas migalhas e a prisão, se o povo se portasse mal. Depois da queda do bloco soviético, que deixou de fornecer petróleo e maquinaria e quase tudo aquilo de que Cuba precisava, em troca sobretudo de lealdade política, mas também de açúcar e das poucas coisas que eles produzem lá. Depois disso, nos anos 90, Cuba passou exatamente por aquilo que está a passar agora, por fome, por apagões, etc. Ou seja, a miséria do costume, mas um bocadinho incrementada. E neste século, Cuba voltou à miséria do costume, sem o incremento, sem a parte do incrementada, com a ajuda do regime chavista da Venezuela, que tem assegurado até há pouco tempo o fornecimento de combustível. Isto além de uns acordos com a China, com a Rússia e até com algumas empresas europeias. O que acontece agora, hoje, nestas últimas semanas, é uma réplica do que aconteceu após 1991. A detenção do senhor Maduro, as alterações no sistema venezuelano e um reforço, de fato, imposto pelo senhor Trump do bloqueio a Cuba, cortaram os patrocínios e deixaram Cuba exposta à sua realidade. E a realidade de Cuba é a realidade historicamente comprovada de qualquer sociedade subjugada ao comunismo. Lá talvez com melhor música e melhor clima, mas tirando isso, é a desgraça absoluta em que vive qualquer sociedade comunista. A solidariedade para com Cuba atual é, de facto, um endossamento, como sempre foi, um endossamento do regime e é uma afronta ao sofrimento dos cubanos e uma demonstração, no fundo, de desumanidade. E se há coisa que a ação dos Estados Unidos pode fazer é antecipar o fim desse sofrimento e terminar com a desumanidade. Esperemos que o façam, esperemos que não demore muito e esperemos que os resultados sejam palpáveis. Na Venezuela ainda não são tão palpáveis quanto isso. As coisas progrediram um bocadinho, mas ainda muito longe de serem de forma satisfatória. Esperemos que em Cuba aconteça algo de semelhante e com resultados ainda mais nítidos, porque aquela vergonha já durou demasiado. E já agora, o fato de haver ainda eurodeputados comunistas também é uma ligeira vergonha. Não é tão trágica, mas é uma coisa um bocadinho fora de tempo e fora de qualquer explicação.

E amanhã o Ideias Feitas vai ser um pouco mais cedo, ali por volta das 18h15. Vamos estar em direto a partir de Leiria e depois há futebol, daí ser um pouco mais cedo. Até amanhã, Alberto.

Até amanhã, Ricardo.

O Ideias Feitas conta com o apoio do azeite Talismã.