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Agora o Ideias Feitas. Ideias Feitas na Rádio Observador com Alberto Gonçalves. Olá, Alberto, bem-vindo.
Olá, Ricardo, boa tarde.
E hoje queres ir ao tema das declarações de Sebastião Bugalho sobre Pedro Passos Coelho?
Quero, mas antes disso queria só pedir desculpa, porque estou meio engripado e é natural que na rádio a voz não fique.
Estamos os dois. Junta-te ao clube.
Pronto.
Estou aqui num esforço desumano para manter a distribuição.
É mais uma pandemia.
Espero que não.
Depois deste pequeno intróito, faço outro intróito para dizer que nunca tendo sido propriamente amigo chegado do Sebastião Bugalho, conheço e tenho simpatia por ele, conhecemo-nos há uns oito, nove anos. Ele fez uma longa entrevista para o jornal Sol e enquanto ele foi jornalista e aliás, um excelente jornalista, mantivemos uma relação cordial que ele alimentava, sobretudo ele, porque eu não sou muito disso, ele alimentava através de mensagens e de um telefonema ocasional. A relação não deixou de ser cordial, que eu saiba, mas deixou praticamente de existir, já que não tenho tido direito a grandes mensagens desde que o Sebastião trocou o jornalismo pela política e, em particular, pelo primeiro lugar na lista do PSD às eleições europeias. E vem isto a propósito ou despropósito de uma entrevista que o Sebastião deu esta semana ao Público e à Rádio Renascença, em que procurou desvalorizar os avisos, os recados e as críticas que o Pedro Passos Coelho tem vindo a deixar ao governo. O Sebastião afirmou claramente que Passos Coelho não é central na ação do governo e acrescentou: "Aquilo que estamos a fazer, faríamos apesar dele, e aquilo que vamos fazer, não faremos por causa dele." Isto, por um lado, é compreensível, que seja assim, e por outro lado, é pena. Desde logo, é pena porque se o PSD e o governo seguissem pelo menos algumas das sugestões de Pedro Passos Coelho, não tinham que ser todas, mas talvez algumas, provavelmente o país não permaneceria neste imobilismo em que o medo, o receio de cair nas sondagens é muito mais forte que a vontade de reformar estruturalmente seja o que for. Por outro lado, é compreensível porque formalmente faz sentido que o PSD e o governo sigam as orientações do líder do PSD e do líder do governo, em ambos os casos, o doutor Montenegro, do que seguirem as orientações de alguém que não lidera uma coisa nem outra. Isso é mais ou menos inequívoco, acho eu. O que é curioso é que seja justamente o Sebastião a declarar com esta frontalidade a independência do partido e do governo face a Pedro Passos Coelho. Não precisa ir procurar muito para descobrir a opinião do Sebastião sobre o Pedro Passos Coelho antes de ele, Sebastião, se juntar ao PSD. Aqui um bocadinho que vou citar, e é um mero exemplo entre outros, podia citar outras coisas, mas vou citar um bocadinho de um artigo publicado no site do Observador e nesse artigo, que é de 26 de dezembro de 2020, o Sebastião diz o seguinte, e passo a citar: "No caso de Pedro Passos Coelho, a parcialidade é excepcionalmente objetiva. Ele é o melhor de nós, é primus inter pares, é primeiro entre iguais. Na sua dimensão humana e política é inexcedível. Não há ninguém que se lhe compare no panorama nacional, que é aquele que conheço. Não há ninguém que sequer se lhe aproxime. O eco ribombante das suas palavras deve-se a essa sua excepcionalidade, ao fato de representar como nenhum outro, uma forma verdadeira, séria e convicta de estar na vida pública, ao fato de inspirar um eleitorado que desistiu das suas casas originais desde que ele saiu de cena, ao fato de provocar também como nenhum outro, o temor da gente instalada da situação." Mais à frente, não faço mais citações longas, são curtinhas, o Sebastião acrescenta: "Passos é o único líder capaz de estancar a sangria de votos da direita para o partido André Ventura." E logo abaixo também diz que Pedro Passos Coelho sabe o que quer de Portugal e sabe que lugar quer para esse país no mundo. E por fim, em matéria de citações: "Não há qualquer político no ativo que corresponda a este espírito, que o represente, que o tome como missão. E é por isso que uma a uma todas as cabeças viraram para o ouvir." Fim de citações. Agora sou eu a falar, não é o Sebastião, e não vou ao ponto de citar o que o Sebastião escrevia poucos anos depois de 2020 sobre o Luís Montenegro. Como não me parece que Pedro Passos Coelho tenha mudado a essência das suas intervenções, as que fazia na altura é as que faz hoje, talvez tenha mudado a quantidade dessas intervenções. A essência não mudou e por isso acho que as citações que acabei de fazer bastam para concluir que, como toda a gente, o Sebastião é livre de mudar de convicções e de fazer, ainda por cima, com que essas convicções coincidam com as da sua entidade patronal, entidade empregadora, que no caso é o PSD, e não há nenhuma gravidade nisso, obviamente. Já é um bocadinho grave, ou se calhar, para não ser tão dramático, é um bocadinho aborrecido, é termos perdido um ótimo jornalista para ganhar um político comum.
Alberto, bom fim de semana e as tuas melhoras.
E as tuas melhoras também, Ricardo. Bom fim de semana.
Obrigado. Bom fim de semana.
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