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Tu, Alberto Gonçalves.
Ideias Feitas com Alberto Gonçalves. Depois de algumas críticas, foi suspensa uma pós-graduação sobre racismo na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa e é o tema que traz hoje aqui. Olá, Alberto.
Olá, Vanessa. É sim, senhor. A pós-graduação chamava-se Pós-graduação em Racismo e Xenofobia, na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, como tu disseste, e parece que ia acontecer e parece que já não vai acontecer. Por quê? Porque houve muitos protestos com base no fato de todos os professores que iam lecionar esta pós-graduação eram brancos. Não sei de onde vieram os protestos, parece que foi uma coisa pelas redes sociais, não sei se foi algo mais institucional ou mais partidário, mas pelo menos nas redes sociais os protestos ouviram-se ou fizeram-se ouvir e foi o suficiente para que a responsável por essa pós-graduação viesse dar a cara e pedir muitas desculpas, que já está a tomar medidas, estou a citar, para que tal não volte a suceder. Ou seja, um curso, uma pós-graduação em racismo, em que os professores sejam todos brancos. Desde logo, está-se a presumir, e eu vou aceitar como correto, que o racismo apenas pode ser sentido por outras raças. Estou a presumir também que a pós-graduação pretendia apenas ensinar coisas sobre o racismo. E nesse sentido ficamos a saber que só negros e raças não caucasianas experimentaram racismo ao longo da história da humanidade. Os caucasianos ou os brancos nunca experimentaram racismo de espécie nenhuma. Portanto, nesse aspecto, é bom que o curso tenha sido suspenso e tenha gerado esta polêmica, que já estamos a aprender, mesmo sem ir às aulas. Se, como o nome até parece indicar, embora eu acho que não possa ir por aí, pós-graduação em racismo e xenofobia, parece que a ideia era fomentar o racismo. A pós-graduação foi abolida à nascença, o que também é positivo. Portanto, não se vai aqui ensinar a ser racista e xenófobo. Se a pós-graduação era para combater o racismo, o que até acredito que seja mais provável, também é positivo que tenha sido abolida, já que padecia de discriminação no corpo docente. Mais um dado positivo. Agora, para além destes dados positivos todos e destas coisas todas que são muito boas, ainda há uma coisa que pode ser melhor: é que este acontecimento, este pequeno episódio, possa servir de exemplo e que de futuro, mestrados em Idade Média tenham de contar com guerreiros templários no corpo docente, que doutoramentos em Biologia Marinha tenham que ser ministrados também por espadartes e atuns, e a acomodar, digo eu, o lamentável fato de pouquíssimos cursos de medicina veterinária contarem com ovelhas, ou vitelas, ou cavalos entre os professores. Não parece que haja muitos cursos de medicina veterinária a serem lecionados também pelos bichos, que são eles que experimentam na pele os resultados e os ensinamentos do curso. São eles que sabem melhor, por experiência, aquilo que acontece no curso. Mesmo para o curso de Direito, deveria ser lecionado preferencialmente por presidiários. É absurdo que não o seja. Por este princípio, e já não vou mais longe ou vou um pouquinho mais longe, mas só teoricamente, só aqui sem sair do sofá. Imagino que existam pós-graduações sobre colonialismo, sei lá, na Nigéria ou na Namíbia, e que sejam ensinados apenas por negros. Não é aceitável, têm que ser ensinados por quem pratica o colonialismo e pela única etnia que soube praticar o colonialismo em condições, que é, como se sabe, a caucasiana. É urgente que esses países também e essas universidades nesses países importem também caucasianos, professores caucasianos, para que possam lecionar uma pós-graduação em colonialismo, como deve ser. Aqui, enquanto a Faculdade de Direito da Universidade Nova não aprender estas coisas, para já aprendeu a não fazer o curso. Quando aprender mais umas coisas, fará um curso sobre racismo e xenofobia apenas com professores que não sejam brancos. E aí, sim, o curso estará habilitado a prosseguir, sem protestos nas redes sociais e com certeza com muito a ensinar às pessoas que o frequentarem.
Sendo que a diretora da faculdade reagiu à Rádio Observador dizendo que foram feitos convites iniciais para que o programa de pós-graduação fosse pautado pela diversidade, com pessoas de diversas origens socioculturais. Vários não puderam e daí que depois o programa final acabou por ficar só com professores brancos.
Não se admite.
A pós-graduação acabou mesmo suspensa. Foi o Ideias Feitas de hoje, como sempre assinado pelo Alberto Gonçalves. Fica disponível em podcast e amanhã nova crônica, Alberto. Até amanhã.
Até amanhã, Vanessa. O Ideias Feitas conta com o apoio do azeite Talismã.
Nos próximos minutos damos notas aos principais protagonistas da atualidade e para isso hoje vamos começar em alta. Vamos começar com sofisticação.
Jardim Poncha, porque mete um bocado de álcool. É a única hipótese de olhar para isto e ver isto uma coisa sólida.
No PS entenderam que mais vale perder por falta de comparência do que ir a jogo.
Dou-lhe um cinco. Nós normalmente damos notas com possibilidade de subir. Eu aqui dou possibilidade de descer.
A tua nota, Paulo, vai para quem?
Agora parece que dá-se notas aqui, não é?
Parece que sim. E o vencedor é: segunda a sexta-feira às 20h30 e ao fim de semana às 10h30